Museu de Belas Artes – Parte 2

O acervo permanente do Museu de Belas Artes de Valencia inclui importantes obras de duas escolas fundamentais na evolução da História da Arte, o Renascimento e a Pintura Flamenca. A cidade foi uma das portas de entrada na Península Ibérica das novas idéias humanistas provenientes tanto da Itália, graças aos intensos contatos políticos com Sicília e Nápoles, então parte integrante do Império Espanhol, como também através da cidade francesa de Avigñon, na época sede pontifícia. Esta proximidade fez com que Valencia se tornasse um foco da cultura renascentista, que na Espanha tardou em implantar-se devido a persistência, principalmente religiosa, em relaçao à Arte Gótica. No século XVI, o Renascimento Italiano triunfa em todo o continente, e sua assimilação em território espanhol resulta inevitável. Abaixo, vemos um quadro intitulado “Virgen de las Fiebres“, pintado pelo italiano Bernardino di Benedetto Biagio (1454/1513), que representa os vínculos existentes entre Valencia e Roma nos finais do século XV graças à família dos Borgia. Francisco de Borgia, que aparece no lado direito do quadro, ocupou cargos importantes na corte pontifícia na época de seu parente, o Papa Alejandro VI. A Virgem, representada como Mãe da Sabedoria, ensina o filho a ler. Este quadro teve uma forte repercussão em Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à temática, escassos sao os quadros pintados por artistas espanhóis do Renascimento que tratam de temas mitológicos e de nus femininos, abundantes na Itália, devido ao predomínio dos temas religiosos que persistem no país. Um exemplo é o quadro da “Purísima Concepción” de Nicolás Falcó, artista ativo em Valencia no final do século XV e início do XVI. Pertencente à fase inicial do Renascimento Espanhol, a obra apresenta um marcado caráter eucarístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro artista que desenvolveu sua carreira em Valencia, já no período de maturidade do Renascimento no país (segundo quarto do século XVI), ficou conhecido como Mestre de Alzira. Este artista anônimo recebeu este nome devido a um retábulo dedicado à Virgem que realizou para uma igreja situada na cidade de Alzira, sendo considerado um dos personagens mais interessantes do panorama artístico valenciano da primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a obra por ele realizada “Cristo sobre o sepulcro com três anjos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia possui uma grande tradição artística, que se reflete na importância de alguns de seus pintores mais famosos. Juan de Juanes (1523/1579) é um deles, um nome fundamental do Renascimento Espanhol. Foi um dos criadores de imagens religiosas de maior popularidade na época e o mais importante pintor valenciano de seu tempo. Influenciado por Rafael, suas obras destacam pelo intenso colorido e perfeito equilíbrio compositivo. A seguir vemos um “Ecce Homo“, pintado por ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas obras mais conhecidas é este quadro da “Santa Ceia“, que retrata o momento em que Jesus anuncia que será traído por um de seus apóstolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADocumentado em Valencia entre 1505 e 1525, o pintor Fernando Llanos é de origem castelhano e colaborou com Leonardo da Vinci em Florença. O Museu de Belas Artes possui uma bela obra sua, o quadro “Flagelación“, pintado em 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes impulsores da arte de sua época foi o Rei Felipe II, verdadeiro mecenas  que colaborou para a assimilação da arte clássica. O Monastério de El Escorial, construído em seu reinado, tornou-se o modelo arquitetônico do Renascimento Espanhol, influenciando notavelmente as construções posteriores. Abaixo, vemos um retrato do monarca realizado por um anônimo flamenco no século XVI, que segue as tendências dos retratos cortesanos impostos pelo pintor holandês Antonio Moro (1519/1579) e o valenciano Alonso Sánchez Coelho (1531/1588).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pintura Flamenca foi uma das escolas preferidas pelos monarcas espanhóis, junto com a italiana. Abaixo, vemos um exemplo, o quadro de São Sebastião sendo atendida pela viúva Irene e sua criada, realizado por Matthias Storm (1600/1650), um discípulo de Caravaggio. O corpo do santo é iluminado por uma fonte de luz ausente do quadro, criando um ambiente melancólico e meditativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os grandes nomes da Pintura Espanhola presentes no acervo do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Calle de Alcalá – Madrid

Antes de iniciar o primeiro post de 2016, gostaria de desejar a todos (as) leitores (as)  um feliz 2016, repleto de realizações e felicidades. Aproveito também para agradecer  a visualização do meu blog, esperando que seu conteúdo seja do agrado de vocês. Inicio o ano com uma matéria sobre uma das mais importantes ruas de Madrid, a Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das ruas mais antigas e compridas da cidade, a Calle de Alcalá cruza a capital da Espanha de leste a este, num traçado de cerca de 10 km. Historicamente, representou o eixo de crescimento da cidade, até o período em que foi derrubada a antiga cerca de Felipe IV e o posterior alargamento urbano no processo conhecido como Ensanche de Madrid (segunda metade do séc. XIX), que possibilitou a abertura de grandes avenidas, como o Paseo de la Castellana. A partir de então, a cidade começou a expandir-se no sentido sul-norte. O primeiro trecho da Calle de Alcalá compreende o espaço entre a Puerta del Sol e a Plaza de Cibeles, que concentra uma grande quantidade dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Muitos deles já apareceram nas matérias do blog. Colocarei a data de sua publicação quando forem mencionados na presente matéria. Alternarei fotos antigas com imagens atuais, para que tenham uma ideia das transformações ocorridas nesta que é uma das vias urbanas mais importantes da cidade. Abaixo, vemos uma foto do Palácio das Comunicações, antiga sede central dos Correios da Espanha, situado na Plaza de Cibeles, e construído pelo arquiteto Antonio Palácios (publicado em 13/9/2012).

DSC09435Antigamente, este primeiro trecho da Calle de Acalá denominava-se Calle de los Olivares, devido a existência de oliveiras, que serviam de “abrigo” para os bandidos que se multiplicavam pela cidade em séculos passados. Por este motivo, as árvores foram derrubadas por ordem da rainha Isabel La Católica. O traçado da rua surgiu no século XV, seguindo o antigo caminho que levava à cidade de Alcalá de Henares, daí a explicação de seu nome. A seguir, vemos a foto de um quadro do pintor italiano Antonio Joli (Módena-1770/Nápoles-1777) intitulado “Vista de Madrid“, realizado em 1750, que oferece uma das imagens antigas mais célebres da Calle de Alcalá do séc. XVIII. O artista pintou o quadro durante sua estadia na capital, no período compreendido entre 1749 e 1754.

DSC08546No quadro podemos ver, na parte esquerda, a Igreja de San José, que ainda existe (matéria publicada em 10 e 11/4/2014). No centro, a primitiva Porta de Alcalá, que foi derrubada para a construção da atual na segunda metade do séc. XVIII. Ao seu lado, a antiga Praça de Touros, feita de madeira e com capacidade para 10 mil espectadores. Inaugurada em 1743, funcionou até 1874, quando desapareceu em virtude da construção do Bairro de Salamanca. Também do séc. XVIII é a Real Casa da Aduana que, apesar das reformas realizadas, conserva atualmente o seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma das obras de caráter civil mais importante deste século em Madrid, a Real Casa da Aduana foi erguida entre 1761 e 1769, e foi a primeira construção realizada na cidade pelo arquiteto real de Carlos III, Francisco Sabatini, autor também da Porta de Alcalá. Inspirada nos palácios italianos do séc. XVI, foi declarada Bem de Interesse Cultural em 1998 e atualmente é a sede do Ministério da Fazenda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto empregou no edifício os principais critérios adotados pelo Renascimento Italiano, como a horizontalidade e o sentido de proporção e harmonia, com poucos elementos decorativos. Ao lado, vemos um dos principais museus de Madrid, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, construído em 1725 (para maiores informações, ver a série de posts publicados entre 31/5 e 6/6/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de tornar-se Capital da Espanha em 1561, o crescimento de Madrid foi enorme, e na Calle de Alcalá começaram a aparecer conventos e mansões aristocráticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, transformou-se no centro financeiro da cidade, e ficou conhecida como a rua dos banqueiros, graças a grande quantidade de instituições econômicas que surgiram a partir de então. Um exemplo é a antiga sede do BBVA, construído em 1923 e que ficou famoso pelas esculturas de quadrigas que servem de ornamentação para a parte mais alta do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo é o edifício do atual Banco Espanhol de Crédito, construído em 1891 pelo arquiteto José Grases Riera, inicialmente como sede da empresa americana de seguros Equitativa. De fato, este belo edifício também é conhecido como Palácio Equitativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbos edifícios apareceram na série Belos Edifícios de Madrid, publicado em 22/11/2012. A Calle de Alcalá somente foi pavimentada em 1900. Abaixo, vemos uma foto das obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XX, a rua também tornou-se um local de entretenimento e muitos teatros surgiram, como o Alcázar, que fez parte de uma série sobre o Teatro Espanhol publicado em 25/6/2012. Abaixo, vemos no lado direito o famoso teatro, numa foto de 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Calle de Alcalá foi sempre uma das mais movimentadas ruas de Madrid, tanto em relação à atividade comercial, quanto ao tráfico de veículos. Finalizamos a matéria com uma imagem de princípio do séc. XX, quando os bondes, aqui chamados de Tranvía,  ainda circulavam pela rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo mais sobre a Calle de Alcalá

Cartuja de Miraflores – Parte 2

Continuando a visita pela Cartuja de Miraflores, no post de hoje veremos seus lugares mais conhecidos e as obras mais destacadas do monastério. Na igreja, papel fundamental teve o artista Gil de Siloé, que realizou o maravilhoso Retábulo Maior entre 1496 e 1499.

20150726_133649OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal corresponde à Crucificação de Cristo, como podemos ver acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao retábulo e ocupando boa parte do presbitério, vemos o soberbo Sepulcro de Juan II e Isabel de Portugal, os pais de Isabel La Católica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste sepulcro é considerado uma das obras funerárias mais impressionantes da arte europeia. Também foi realizado por Gil de Siloé, entre 1489 e 1493.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui uma planta com forma de estrela de 8 pontas e foi feito em alabastro. O rei aparece com um cetro, símbolo do poder monárquico e a rainha, um livro de horas. Além do mais, foram representados em seu riquíssimo conjunto de esculturas personagens do Antigo Testamento, figuras de profetas, a imagem da Virgem com o Menino Jesus e os escudos reais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do sepulcro, foi colocada uma imagem do mesmo vista de cima, para que possamos ter uma ideia de sua beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral do presbitério, situa-se o Sepulcro do Infante D. Alonso (filho de Juan II e Isabel de Portugal), igualmente esculpido por Gil de Siloé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço da Cartuja de Miraflores nos mostra a elegância e sofisticação alcançadas na última fase da Arte Gótica em Burgos. De fato, trata-se de um dos mais notáveis conjuntos da Escultura Gótica de todo o continente. Em seguida, passamos para a Capela da Virgem de Miraflores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela nos surpreende por estar totalmente decorada com pinturas murais barrocas do séc. XVIII, tanto no teto, quanto nos muros. Representam cenas marianas, inspiradas no livro Flores de Miraflores, escrito pelo cartujo burgalês Fray Nicolás de la Iglesia.

20150726_135737OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério acolhe alguns dos quadros mais importantes da Arte Espanhola, como a Anunciação de Pedro Berruguete (1450/1503). O pintor foi um dos primeiros em refletir o Renascimento Italiano em suas obras no país. Este quadro foi por ele pintado em 1500.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cartuja de Miraflores está sob a advocaçao da Anunciação da Virgem. Esta cena do Evangelho de São Lucas foi frequentemente representada pelos pintores castelhanos, influenciados pela Pintura Flamenca. Berruguete consegue um excelente ponto de vista da perspectiva, graças a utilização de formas arquitetônicas e da luz. O rosto da Virgem foi realizado com extrema delicadeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma obra prima de Pedro de Berruguete, seu virtuosismo se manifesta nas roupas do Arcanjo Gabriel e na jarra de vidro com 3 lírios, uma homenagem a pureza da Virgem Maria. O quadro incorpora as formas góticas dentro de um âmbito espacial tipicamente renascentista.

Museu de Cerâmica – Talavera de la Reina

Neste último post sobre Talavera de la Reina, conheceremos uma das maiores atrações turísticas da cidade, o Museu de Cerâmica Juan Ruiz de Luna, imprescindível para conhecer a evolução tipológica e artística da cerâmica talaverana. O museu situa-se num antigo Convento dos Agostinhos, construído no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo incomparável deste centro cultural reúne peças dos séc. XV ao XX. A época de ouro de sua fabricação  compreendeu o séc. XVII, e a própria obra de Juan Ruiz de Luna, criador do museu, tinha como objetivo recuperar a antiga glória da cerâmica de Talavera de la Reina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu esteve inicialmente sediado na antiga fábrica de Juan Ruiz, localizada na Plaza del Pan. Em 1997, foi levado e habilitado ao seu local atual. Ao longo dos 5 séculos de tradição, a variedade e riqueza de sua tipologia gerou a necessidade de classificá-la em séries, a fim de  facilitar seu estudo e catalogação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe origem muçulmana, a cerâmica de Talavera adquire status de produção industrial a partir do séc. XVI, sendo citada por Cervantes, Lope de Vega e Tirso de Molina, e representada em boa parte da Pintura Barroca Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas séries mais antigas, se percebem uma clara influência mudéjar. Ao final do séc. XVI, a essa característica inicial incorporam-se os elementos do Renascimento Italiano. A partir do século seguinte, as correntes orientais e o Barroco assumem o protagonismo das cenas representadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada do ceramista Jan Floris, procedente de Flandres, a cerâmica de Talavera adquire os métodos tradicionais utilizados na famosa cerâmica de Delft, cidade holandesa. Devido à grande quantidade de peças, foi necessária a ampliação do museu. O espaço escolhido foi o Convento de San Agustin El Viejo, a obra mais representativa do Barroco de Tijolo da cidade. Construído pelo frade Lorenzo de San Nicolás, está localizado ao lado do museu original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, com a destruição de várias fábricas pelo exército francês, entre 1810 e 1812, e a concorrência com a cerâmica sevilhana, iniciou-se um período de decadência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1908, Ruiz de Luna recupera a velha tradição renascentista e barroca, com um novo selo de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo da história, a cerâmica tornou-se o motivo principal da fama  conquistada pela cidade. O rei Felipe II, por ex., incluiu várias peças para a decoração do Monastério do Escorial, que possui uma invejável coleção de cerâmica de Talavera, realizadas ao redor do ano 1500.

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