Salamanca Medieval

Como vimos no post anterior, a Diocese de Salamanca foi restaurada depois da reconquista da cidade pelos Reinos Cristaos na Idade Média, fato que provocou a construçao da Catedral Românica que podemos visitar atualmente. Além do mais, foram fundadas as chamadas escolas catedralícias, germe da futura Universidade de Salamanca. Em 1218, o rei Alfonso IX de León outorgou a estas escolas o título de Estudo Geral, que no ano de 1253 se transformarao num dos centros culturais mais importantes da história de Espanha.  Em 1311, nasce o único rei castelhano que deu a cidade, Alfonso XI. No séc. XV, as famílias nobres da cidade atuaram como um elemento fundamental na paisagem urbana de Salamanca, como patrocinadores de diversas construçoes que ainda resistem à passagem do tempo. Um exemplo é o Palácio de Almarza e Arias Convelle, decorado com belos esgrafiados. Desde 1999, é a sede do Centro Cultural Hispano-Japonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs membros destas famílias, como os Maldonado e os Anaya, refletiram seu poder social e econômico na atividade construtiva, levantando inúmeros palácios como símbolo de sua influência. Durante a época dos Reis Católicos, no final do séc. XV, as lutas pelo poder realizadas pela aristocracia da cidade ao longo de séculos, chegam ao fim. Em troca de submissao à coroa, recebem importantes privilégios. Em alguns dos palácios construídos, observamos reminiscências dos antigos castelos rurais, como vemos abaixo, no Palácio de Villena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA conhecida Torre del Aire é o único resto sobrevivente do Palácio de Fermoselle, levantado a partir de 1440.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMonumento Nacional desde 1931, a Torre del Clavero pertencia a uma casa palácio propriedade da Ordem Militar de Alcântara. Com 28m de altura, destaca-se por sua planta quadrada em sua parte inferior e octogonal, na superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos palácios, a nobreza, auxiliada pelo clero, foram responsáveis pela construçao de vários conventos, igrejas e capelas como lugares de enterramento, para que seu poder perdurasse mesmo depois da morte. O Convento das Úrsulas, também chamado da Anunciaçao, foi fundado no séc. XV por Sancha Maldonado, destinado às irmas da Ordem Terceira de Sao Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, além da funçao de templo conventual, exerce também o papel de espaço funerário, albergando o sepulcro do bispo Alonso II de Fonseca, aos pés da Capella Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo foi construído no séc. XVIII pelo escultor Miguel Martínez. Abaixo, vemos uma escultura de Sao Miguel lutando contra o dragao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro recinto conventual de importância é o Convento de las Dueñas, também fundado no séc. XV para a Ordem dos Dominicanos. Nao pude conhecer seu interior, apenas o claustro, cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO séc. XVI representou a época de maior esplendor de Salamanca, graças à consolidaçao do prestígio de sua Universidade, gerando a maior parte dos monumentos mais conhecidos da cidade, levantados dentro da estética renascentista. Esta será a matéria dos próximos posts…

Anúncios

A Catedral de Getafe – Parte 2

O interior da Catedral de Getafe está formado por 3 naves, separadas por grossas e altas colunas toscanas, que suportam arcos de meio ponto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA belíssima cúpula foi decorada com frescos realizados no séc. XVIII, com a representaçao de 8 anjos com os símbolos da paixao de Jesus Cristo. Nas laterais, observamos as pinturas dos Quatro Evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral possui um órgao referente na interpretaçao de música sacra antiga. Construído pela influente família Echevarría no séc. XVIII (1726), este órgao barroco foi recentemente restaurado, pois foi severamente castigado pelos destroços provocados durante a Guerra Civil Espanhola. Visitar a catedral e poder escutar as incríveis melodias tocadas pelo simpático e jovem organista foi realmente um privilégio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do templo, o Retábulo Maior foi realizado entre 1612/1618 por Alonso Carbonel e os escultores Antonio de Herrera e Antón de Morales. Constitui um dos poucos retábulos existentes na Comunidade de Madrid desta época. Feito de madeira policromada e dourada, possui uma altura de 13m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste típico retábulo barroco combina à perfeiçao elementos escultóricos e pictóricos. As pinturas foram realizadas em 1639 pelos artistas José Leonardo, Angelo Nardi e Félix Castelo. Está dedicado à titular da catedral, Santa Maria Madalena, cuja escultura vemos em sua parte central. A parte escultórica completa-se com a representaçao da Assunçao da Virgem Maria e o Calvário. Nas laterais, vemos a Sao Joao Batista e Sao Isidoro. As pinturas laterais representam episódios da vida de Maria Madalena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das jóias da Catedral de Getafe é o retábulo lateral, também barroco. Algumas de suas pinturas foram realizadas pelo pintor Alonso Cano (1601/1667).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um artista interessante do Barroco Espanhol. Viveu e faleceu em sua cidade natal, Granada, e destacou-se tanto nos campos da pintura, quanto da arquitetura e escultura. Abaixo, vemos uma pintura realizada por ele no mencionado retábulo acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro belo retábulo que adorna o interior da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o interior da Catedral de Getafe está realizando uma exposiçao  em homenagem ao quarto centenário da morte do genial pintor El Greco. As obras foram realizadas pelo artista López Romeral, que em 20 quadros expoe sua interpretaçao de algumas obras do pintor toledano, como este autoretrato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo átrio da igreja, contemplamos um mural realizado por 42 artistas da obra prima de El Greco, “O Enterro do Conde de Orgaz”. O original podemos admirar na Igreja de Sao Tomé, situado na cidade que tornou célebre o pintor, Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Arévalo – Cidade Mudéjar (Segunda Parte)

Apesar da existência de elementos comuns, o estilo Mudéjar não é unitário, apresentando peculiaridades em cada região onde se desenvolveu. Por isso, existem diferenças entre o Mudéjar Toledano, o Aragonês, o Castelhano, etc. No antigo Reino de Castilla, o êxito e a difusão desta corrente artística, num território dominado pelo estilo Românico (séc. XI ao XIII) e pelo Gótico (séc. XIII ao XVI), só foi possível devido à existência de uma população mudéjar na região, que conheciam as técnicas construtivas do ladrillo (tijolo). Exatamente isso foi o que ocorreu em Arévalo. O fator decisivo para seu desenvolvimento foi a rapidez e a economia do processo de construção, em relação à utilização da pedra, que tinha que ser talhada, transportada, etc. Além do mais, na Castilla y León da época as boas canteiras de pedra, necessárias para sua extração, eram escassas nos territórios onde o Mudéjar se desenvolveu. Depois desta breve introdução, veremos outros exemplos de templos mudéjares nesta cidade castelhana. Algumas delas foram reformadas em épocas posteriores, e ocultam em sua estrutura os elementos mudéjares originais. Tal é o caso da Igreja de San Miguel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre os séc. XII e o XVI, este templo conserva uma portada mudéjar intacta, erguida segundo as normas da arquitetura românica, como a incorporação do arco semicircular ou de meio ponto. Por isso, integra o denominado Românico de Ladrillo ou Româncico-Mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA combinação de estilos da Igreja de San Miguel é visível na outra porta, situada no lado oposto da vista acima, e levantada em época neoclássica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior possui uma nave única, presidida por um magnífico retábulo do arcanjo Miguel e realizado no séc. XVI pelo artista Marcos Pinilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, podemos ver também os denominados Passos da Semana Santa, formado em sua maioria por obras barrocas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja Paroquial de Santo Domingo de Silos foi originalmente uma construção mudéjar, mas foi transformada completamente no período renascentista e barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi no séc. XVI quando se construiu a porta principal e se realizou a ampliação do interior, formado por 3 naves.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta igreja são venerados os restos de San Vitorino, padroeiro de Arévalo, e a imagem da Virgem das Angústias, sua padroeira. No entanto, a obra mais importante sob o ponto de vista artístico, é a imagem de São Francisco de Assis, executada em madeira policromada pelo mais importante escultor barroco espanhol, Gregório Fernández, entre 1625/1630.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe finais do séc. XII e princípios do XIII é a Igreja de San Juan Bautista. Sua particularidade é que se encontra integrada à antiga muralha medieval da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReformada no período barroco, é a única igreja, além da paroquial, que segue aberta para cultos. No seu interior, apreciamos duas peças excepcionais. Uma das mais importantes obras de toda a cidade é a escultura românica de San Zacarias, do séc. XII.  Além da maestria em sua execução, este santo foi pouco representado na  Arte Românica,daí sua importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra imagem destacável é a de um Cristo crucificado, realizada no período Gótico (XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem frontal do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre Arévalo com a Igreja de El Salvador, documentada por primeira vez em 1230. A fachada principal foi reformada no estilo neoclássico (final do séc. XVI), mas conserva sua torre mudéjar, robusta e imponente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Igreja do Vicariato Castrense – Madrid

Durante o reinado de Felipe III (1599/1621), dois personagens corruptos e ambiciosos dominaram a vida política do reino: o Duque de Lerma e seu filho, o Duque de Uceda. O governo de D.Francisco Gómez de Sandoval, o Duque de Lerma, foi o mais imoral registrado na história  espanhola, contando com uma extrema aptidão para o suborno e os atos ilegais. A pessoa de caráter mais nobre na corte foi a rainha Margarita de Áustria, que tentou de todas formas combater a enorme corrupção existente, conseguindo, pelo menos, a destituição do odiado secretário do duque, D.Rodrigo Calderón, que gozava de uma enorme fortuna, acumulada graças aos constantes desvios do tesouro real. Felipe III foi convencido de que sua situação se tornaria insustentável, caso não abolisse os inúmeros casos de corrupção de seus ministros. Para salvar-se, o Duque de Lerma conseguiu o apoio catedralício, fundando diversos conventos na corte, com o objetivo de ganhar a simpatia das principais ordens religiosas. Porém, o duque não contava com a traição por parte de seu próprio filho, o Duque de Uceda, D. Cristóbal Gómez de Sandoval, para assumir o poder, algo que logrou finalmente em 1618. De imediato, construiu o magnífico palácio situado na Calle Mayor como residência pessoal (que vimos no recente post sobre a Calle Mayor). Para dissimular tamanha opulência, fundou o vizinho Convento das Bernardas do Sacramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu curto tempo no governo, entretanto, não lhe permitiu sequer iniciar a construção do templo. Com a morte de Felipe III em 1621, assume a regência seu filho, Felipe IV, cujo válido (uma espécie de primeiro ministro) seria o Conde Duque de Olivares. Este, para ganhar popularidade, começou uma intensa campanha de perseguição contra os ministros anteriores. Como consequência, ambos ministros, pai e filho, tiveram seus bens confiscados e condenados a pagar uma elevada soma em dinheiro. Menor sorte teve o secretário D.Rodrigo Calderón, que foi julgado e executado em plena Praça Maior. Por estes motivos, a construção da igreja iniciou-se somente em 1671, cujo projeto se deve ao arquiteto Bartolomé Hurtado, sendo finalizada em 1744. A fachada foi construída totalmente em pedra, com um relevo do séc. XVIII representando a Apoteose de São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja carece de torre, e seu único sino situa-se na parte superior da fachada. No interior, o templo possui uma iluminação maravilhosa, e sua decoração coube aos irmãos González Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo coro alto, vemos os tubos do órgão e sobre ele, um quadro de São João Batista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de permanecer num deplorável estado de abandono, a igreja foi restaurada com muito critério, quando o arçobispado de Madrid cedeu o templo às forças armadas, para que se convertesse na atual Igreja Vicariato Castrense. Abaixo, vemos imagens de sua preciosa cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior neoclássico, realizado por Gregório Ferro no séc. XVIII, representa a Adoração da Eucaristia por São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários outros retábulos decoram o interior, como o também neoclássico que representa o Arçobispo de Lima (Peru), Santo Toribio de Mogrobejo. Este santo originário da Cantábria é raramente representado. Aqui o vemos evangelizando os indígenas peruanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola madrilenha do séc. XVIII, contemplamos um retábulo com a escultura de São Bernardo. Em sua parte superior, um soberbo quadro da Sagrada Família, realizado por Lucas Jordán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um retábulo dedicado à Piedade, com uma linda escultura do séc. XVIII, de autoria de Luis Salvador Carmona, um dos mais ativos e importantes escultores da época. A Igreja Castrense das Forças Armadas foi catalogada como Monumento Nacional em 1982.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Cadaqués – Província de Girona

Município situado na comarca do Alto Ampurdán (Prov. Girona), Cadaqués é a cidade mais oriental da Península Ibérica, ocupando a maior parte da costa que inclui o Cabo de Creus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Separado por montanhas do resto da comarca, este pueblo pesqueiro viveu isolado até finais do séc. XIX. Seu nome significa “Cabo de rochas”. De imediato, nos encantamos pelos caminhos tortuosos de suas ruas e o branco de suas casas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Seu isolamento geográfico contribuiu para o fascínio que atraiu a muitos artistas famosos ao local, como Marcel Duchamp, que tinha em Cadaqués sua residência de verão, e Salvador Dalí, que viveu na baía de Portlligat, localizada a poucos quilômetros ao norte da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O Museu da cidade está dedicado à memória do pintor surrealista, organizando durante o ano várias exposiçoes sobre o pintor e sua obra. Passear tranquilamente pelo centro histórico é, na verdade, uma experiência sensorial, ao descobrir em cada recanto, detalhes de sua magia e originalidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Na parte mais alta do povoado, situa-se a Igreja de Santa Maria, construída a partir do séc. XVI. De estilo gótico, no exterior destaca a torre campanário, de base quadrada e octogonal em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

No interior, realiza-se o Festival Internacional de Música da cidade, e nele podemos contemplar seu belo retábulo barroco e o órgão que, construído no final do séc. XVII, é considerado um dos mais antigos de toda a Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA vista, desde a igreja, é maravilhosa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Igreja de Santa Maria – Aranda del Duero

O monumento mais importante de Aranda del Duero, histórica e artisticamente falando, é a impressionante Igreja de Santa Maria “La Real”. Construída a partir de finais do séc. XV, foi finalizada aproximadamente em 1515, substituindo uma anterior edificação românica, da qual permanece somente a torre, que formava parte do sistema defensivo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA bela estrutura da torre destaca-se no traçado urbano de Aranda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA incrível fachada principal da igreja atrai os olhares de todos aqueles que a visitam. Construída pelo arquiteto Simon de Colônia, converteu-se num dos símbolos da cidade, sendo o melhor exemplo do esplendor vivido pela urbe na época de sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada está inserida dentro do estilo denominado Gótico-Isabelino, também chamado de Estilo Reis Católicos, já que a maioria das construções foram encarregadas por Fernando de Aragón e Isabel de Castilla, ou então foram patrocinados pelos monarcas. Esta corrente artística é própria do território de Castilla, representando a fase final do Gótico e o início do Renascimento. O estilo introduz vários elementos decorativos, que cumprem as funções estética e teológica, além de servir como um “veículo publicitário” do casal real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Gótico-Isabelino adquiriu influências decorativas da Arte Islâmica, do Mudéjar, dos Países Baixos e, em menor medida, da Itália. Paralelamente, desenvolveu-se em Portugal um estilo de características similares, denominado Manuelino. Como elementos evidentes, destaca o predomínio dos motivos heráldicos e a representação dos símbolos reais, no caso dos Reis Católicos, o yugo e as flechas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGeralmente, os templos são amplos, predominando a horizontalidade, em detrimento da verticalidade característica do Gótico clássico. Na fachada da igreja, observamos uma rica iconografia. A parte central está representada por cenas relativas ao Calvário de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, o escudo real está suspenso por águias e leões.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano, vemos quatro cenas esculpidas em alto-relevo, com grande maestria. Começando pela parte superior esquerda, vemos as representações do Anúncio do anjo aos pastores, a Cavalgada dos Reis Magos, a Adoração dos reis a Jesus e o Nascimento de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas que fecham os vãos formados pelo Parteluz são Renascentistas, feitas de madeira de nogal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Parteluz, vemos uma imagem da Virgem, a quem está dedicado o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das laterais, estão representados os quatro Pais da Igreja Ocidental: Santo Ambrósio, Santo Jerônimo, Santo Agostinho e Santo Gregório Magno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor todo o visto acima, a fachada é considerada como um verdadeiro Retábulo, feito de pedra. A Igreja de Santa Maria é, com razão, um dos templos góticos mais proeminentes da Província de Burgos. Abaixo, vemos os pináculos, elementos constituintes da parte superior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto do ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALamentavelmente, nos dias em que estive visitando a cidade, a igreja permaneceu fechada, e não pude conhecer seu interior. De qualquer modo, os interessados em conhecê-lo podem visualizar este interessante blog, com belas fotos e informações adicionais da igreja (em espanhol).

viajar con el arte: Santa María la Real de Aranda de Duero (Burgos)

viajarconelarte.blogspot.com/…/burgos-ii-santa-mari

Outros monumentos representativos do Gótico-Isabelino foram tratados no meu blog. São eles:

– O Colégio de San Gregório, de Valladolid (post publicado em duas etapas, em 17 e 18/9/2012).

– O Monastério de San Juan de los Reyes, de Toledo (publicado em 29/6/2012)

Igreja das Salesas Reales – Segunda Parte

Continuando nossa visita pelo interior da Igreja das Salesas Reales, observamos de imediato o cromatismo barroco deste belo templo em seus quadros e retábulos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Maior, admiramos este retábulo, realizado por François Carlier, feito de mármore verde e bronzeado. No centro, uma pintura representa a Visitação de Maria a Santa Isabel, obra do pintor napolitano do séc. XVIII, Francisco del Mura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro pintor italiano, Corrado Giaquinto, foi encarregado do seguinte retábulo, em que aparecem São Francisco de Sales e Santa Joana, adorando o Sagrado Coração de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo lado esquerdo do presbitério, vemos a Tribuna Real, que comunicava com as dependências que os monarcas utilizavam, quando vinham de retiro espiritual ao convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, os maiores tesouros da igreja são os sepulcros reais dos fundadores do convento, Bárbara de Bragança e Fernando VI. Mais que sepulcros, são verdadeiros monumentos funerários, dos únicos reis espanhóis que estão enterrados na capital (exceção feita à rainha Maria de las Mercedes de Orleans, sepultada na Catedral de Almudena). Os mausoléus foram projetados, por encargo do rei Carlos III, ao arquiteto real Francisco Sabatini, e lavrados em mármore pelos escultores Francisco Gutiérrez e Juan León. O casal real foi enterrado no convento por seu próprio desejo, expresso em vida. Abaixo, vemos o sepulcro de Fernando VI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, o escudo real está sustentado por um anjo e uma representação da fama.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos Saturno, como Deus temporal, segurando um medalhão com o busto do rei, cuja imagem vemos acima. Na parte inferior, aparecem as virtudes de seu reinado, alegoricamente representadas por duas mulheres, símbolos da fortaleza, justiça, paz e abundância. Entre ambas figuras, uma inscrição diz:

OLYMPUS DIGITAL CAMERATraduzindo: ” Aqui jaz o fundador deste monastério, Fernando VI, rei de Espanha, ótimo príncipe que morreu sem deixar filhos, mas com uma numerosa prole de virtudes. Pai da pátria, 10 de agosto de 1759. Carlos III dedicou este monumento de tristeza e piedade a seu queridíssimo irmão, cuja vida preferia ao  reino”. Situado numa capela particular, o sepulcro de Bárbara de Bragança não está às vistas do público, sendo que sua entrada se dá pelo lado direito do presbitério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa verdade, seu sepulcro situa-se ao lado do mausoléu do marido, separado por uma parede. Tive a sorte de encontrá-la aberta, e pude conhecer a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da capela, vemos um retábulo feito por Juan Domingo Olivieri, no séc. XVIII. No lado direito, aparece o sepulcro de Bárbara de Bragança.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do monumento, chama a atenção os símbolos da morte, representados pela caveira e a tíbia. Na parte frontal, o escudo de Portugal. A inscrição abaixo reza: “Maria Bárbara de Portugal, esposa de Fernando VI, depois de ter fundado este templo para a glória de Deus e como convento para religiosas, descansa neste sepulcro, entre orações e oferendas. Faleceu com 47 anos de idade em Kalendas, setembro de 1758”.

Do lado oposto ao sepulcro do rei, encontramos outra lápide, que acolhe os restos de Lepoldo O Donell, nobre, político e militar espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA