Igrejas Históricas de Córdoba – Parte 3

No post de hoje, veremos outras das Igrejas Históricas de Córdoba, que podem ser conhecidas num agradável passeio por seu centro histórico. A Igreja da Trindade (Iglesia de la Trinidad, em espanhol) está localizada na Plaza de la Trinidad, onde antigamente se erguia um convento fundado por Fernando III no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja que vemos atualmente data do século XVIII, inserindo-se dentro do estilo barroco. Abaixo, vemos uma foto do interior da igreja e o Retábulo Maior, construído no mesmo estilo em 1724. Está presidido pela chamada Virgem do Coro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, o belo órgão da igreja….

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém barroca é a Igreja de San Cayetano, edificada entre 1638 e 1656. Sua colorida fachada amarela, presidida por uma imagem do santo titular, é muito bonita…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO patrimônio religioso de Córdoba inclui alguns conventos cujas igrejas ainda podem ser admiradas, caso da Igreja de N.Sra de Gracia, pertencente a Ordem Trinitária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi construído no começo do século XVII, sendo que a igreja começou a ser levantada em 1648. Abaixo, vemos uma foto do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi saqueado pelo exército francês durante a ocupação napoleônica em 1808. O Retábulo Maior do século XVIII foi trazido de outro convento, em 1869.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Muitos conventos oferecem dôces típicos preparados pelas freiras, algo que ocorre em muitas instituições religiosas espalhadas pelo país, como o Convento de Santa Ana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste convento foi fundado pela Ordem Carmelita no século XVII. Na fachada principal vemos as  esculturas de Santa Ana, a Virgem Maria e o Menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo as matérias dedicadas às Igrejas Históricas de Córdoba com uma pequena ermita, situada junto ao Rio Guadalquivir.

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Córdoba – Capital de Al Andalus (Parte 2)

Existem numerosos documentos que comprovam a importância do legado artístico, científico e filosófico de Al Andalus. Várias foram as disciplinas que os árabes introduziram na Europa, como a cartografia e a medicina, além da filosofia aristotélica, que exerceu grande influência no mundo ocidental durante séculos. Uma das grandes personalidades da Córdoba muçulmana foi Averroes (1126/1198), introdutor de Aristóteles e de seu pensamento metafísico, além de realizar tratados sobre medicina, matemática, astronomia, ética, etc. Abaixo, vemos um monumento a ele dedicado, situado junto à muralha de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ramo da medicina, a cirurgia alcançou grande desenvolvimento. Abaixo, vemos instrumentos utilizados pelos muçulmanos na prática cirúrgica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos médicos mais famosos naquela época foi o célebre oculista Mohamed Al-Gafequi, cujo busto vemos abaixo, situado no bairro judeu de Córdoba. Especialista em cataratas e doenças oculares, escreveu um importante tratado de oftalmologia, o “Guia do Oculista“, cujo manuscrito original se encontra na Biblioteca do Monastério de El Escorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muçulmanos se distinguiram também pela alta capacidade no aproveitamento da água. Atualmente podemos observar um dos moinhos de época árabe que ainda se conservam na cidade, e que foi devidamente restaurado no século XX. O chamado Moinho de Albolafia utilizava a força da água para moer farinha. Situado próximo à Ponte Romana, a roda hidráulica foi construída por Abderramán II, e reconstruído por um tal de Abú I-Áfiya, que deu origem ao seu nome. O moinho, junto com o Rio Guadalquivir, aparece no escudo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra grande influência da Córdoba Muçulmana na cidade atual são os esbeltos pátios, abundantes por todo o Centro Histórico da cidade (a eles, dedicarei posts especiais). No Museu da Casa Andalusí, também situado na Judería de Córdoba, podemos conhecer uma típica casa cordobesa do século XII, que foi cuidadosamente restaurada como museu e aberto ao público em 1997.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos principais aspectos abordados no museu é a fabricação do papel, inventado pelos chineses no século II dC, e trazido pelos árabes à Europa no ano 900 dC. Em Al Andalus se instala a primeira e mais importante fábrica de papel da época, e o museu destaca a importância do papel na cidade de Córdoba em seu período califal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma excelente coleção de moedas de ouro, prata e bronze de época árabe compõem o acervo do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveitei a visita e tirei uma foto de um busto do grande Averroes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA influência da arquitetura islâmica é facilmente perceptível na Córdoba atual, como vemos nos edifícios abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs próximas matérias estarão dedicadas a um dos monumentos mais impressionantes da Europa, a Mesquita-Catedral de Córdoba.

 

Ponte Romana de Córdoba

A Ponte que atravessa o Rio Guadalquivir é o monumento mais famoso de Córdoba, referente à sua etapa romana, e constitui uma de suas imagens mais divulgadas, com a Mesquita-Catedral de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em época de Augusto, no século I aC, um período de grande atividade construtiva em toda a Hispania. Também  conhecida como a “Ponte Velha“, durante 20 séculos foi a única ponte existente na cidade, e provavelmente substituiu uma construção anterior feita de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estrutura fazia parte da denominada Via Augusta, considerada a calçada romana mais comprida de toda a Hispania, com cerca de 1500 km. Seu trajeto ligava os Pirineus com Cádiz, bordeando o Mar Mediterâneo. Os romanos foram os primeiros em construir pontes de pedra, e algumas delas se conservam dois milênios depois, o que comprova o alto nível técnico da Engenharia Romana. Composta por 16 arcos, a Ponte Romana de Córdoba foi reconstruída várias vezes ao longo da história, mas sua cimentação e traçado permanecem sendo originais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre suas reformas mais importantes, a primeira ocorreu no período califal e depois foi novamente reformada quando a cidade foi reconquistada no século XIII. No princípio do século XX, sofreu outra intervenção. Sua última restauração foi realizada entre 2006 e 2008. Estas reformas tiveram um caráter mais estético que estrutural. Em um de seus extremos situa-se a Torre de Calahorra, construída no século XIV pelo Rei Alfonso XI sobre uma antiga fortaleza árabe (foto acima e abaixo), para a proteção da ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre está sediado o Museu das Três Culturas, um interessante espaço cultural sobre a história da cidade. Além do mais, é possível subir à sua parte superior, que proporciona uma das mais belas vistas da ponte e de toda a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, vemos a Porta da Ponte, edificada durante o reinado de Felipe II em 1572, que encarregou o arquiteto Hernán Ruiz III para substituir uma anterior construção, que integrava o recinto de muralhas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, uma epidemia assolou a cidade. Segundo os cordobeses, foi graças à intervenção milagrosa do Arcanjo São Rafael que a peste acabou. Em sinal de agradecimento, no ano de 1651 se colocou uma imagem do santo no meio da ponte e as velas que vemos atualmente comprovam a devoção dos habitantes de Córdoba ao seu santo padroeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2004, a ponte foi fechada para a circulação de veículos, e passou a ser utilizada somente para pedestres e pelos milhares de turistas que visitam a cidade cada dia. A Ponte Romana foi cenário de várias produções cinematográficas, como o filme “Carmen“, de 2004, e também para a quinta temporada da popular série “Jogo de Tronos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância política da Corduba Romana decaiu a partir da segunda metade do século IV, quando Hispalis (atual Sevilha) se converteu na capital da Província Bética. Dita província deixou de estar sob o controle de Roma depois da invasão dos Povos Bárbaros no ano de 409 dC, dando início à etapa visigoda. A cidade romana foi praticamente destruída, mas desta época se conservam apenas vestígios arqueológicas no Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período visigodo, se construiu a Basílica de San Vicente, o principal templo religioso da cidade, que posteriormente daria lugar à Mesquita de Córdóba de época árabe, que ainda hoje assombra aos visitantes. Com a invasão árabe da Península Ibérica em 711 dC, Córdoba se transformou na capital de Al Andaluz, um período de grande esplendor, que veremos nas próximas matérias.

Córdoba Romana

Antes de ser fundada pelos Romanos, a zona onde se situa a cidade de Córdoba já havia sido um núcleo populacional muito tempo antes. Estudos arqueológicos demonstram a ocupaçao do terreno a partir da Idade do Cobre, entre o segundo e o terceiro milênio antes de Cristo. Sua consolidação como núcleo urbano se remonta a fase final da Idade do Bronze, entre os séculos IX e VIII aC. Devido a sua riqueza mineral, atraiu outros povos do Mediterrâneo, como fenícios e gregos. Entre os séculos VII e VI aC se transforma numa cidade bem organizada. Foi habitada pelos Turdetanos, um povo pré-romano que habitava a Turdetânia, região que compreendia o vale do Rio Guadalquivir desde o Algarve (Portugal) até a Serra Morena, coincidindo com o território da antiga civilização de Tartessos. No Museu Arqueológico de Córdoba existem vestígios da presença humana na cidade em suas várias etapas históricas, como esta escultura que representa um leão, datada do século IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu esta dama ibérica, feita em pedra calcárea no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdornos de prata utilizados pela aristocracia pré-romana, também pertencente ao século II aC, podem ser admirados no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs descobertas arqueológicas e as fontes escritas confirmaram a hipótese tradicional que Córdoba foi fundada a mediados do século II aC pelo general romano Marcus Claudius Marcellus, com o nome de Corduba. A cidade prospera rapidamente graças a riqueza mineral de suas serras, os recursos agropecuários do vale e o comércio incrementado através do controle de seu porto fluvial, situado no Rio Guadalquivir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu urbanismo seguia as características próprias das cidades romanas, com uma muralha guarnecida por torres e um traçado urbano formado pelo Cardo Máximo e Decumano Máximo, as principais avenidas que se orientavam em relação aos quatro pontos cardeais. No século I aC foi destruída por Júlio César e seu exército, sendo novamente fundada, mas com um status de colonia, outorgando cidadania romana a seus habitantes. A partir deste momento, inicia-se um grande processo construtivo, conforme o modelo importado de Roma e o emprego sistemático de materiais nobres em suas construções, como o mármore. Diversas peças arqueológicas pertencentes ao período romano compõem o acervo do Museu Arqueológico de Córdoba, como esta máscara teatral feita de mármore do século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Baco adolescente, feito de bronze, datado entre os séculos I e II dC, que vemos abaixo no centro da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma peça que representa a deusa Afrodite agachada, também feita de mármore, do século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fragmento de sarcófago com a representaçao de Daniel na cova dos leões, do século IV dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos principais monumentos da cidade, o Alcázar dos Reis Cristianos (original em  espanhol), se exibem outras peças romanas de grande interesse, como este excepcional sarcófago do século III dC, feito num grande bloco de mármore e ricamente esculpido, que foi encontrado na cidade em 1958.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiversos mosaicos romanos, que originalmente decoravam as residências das famílias aristocráticas da cidade romana, podem ser contemplados no Alcázar. Compreendem figuras geométricas e motivos mitológicos principalmente, como este mosaico com a representação da Medusa, uma figura habitual na Arte Romana (século II dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu este mosaico com a representação de Polifemo e Galatea, também do século II dC, que decorava uma rica mansão na Corduba Romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os principais monumentos romanos que se conservam na cidade atual, que comprovam a importância que Córdoba teve desde sua origem.

Córdoba – Patrimônio da Humanidade

A Comunidade de Andalucía, uma das 17 comunidades autônomas que constituem a Espanha é, inegavelmente, uma das regiões mais atraentes do ponto de vista histórico e turístico do país. Situado no sul da Espanha, é a mais populosa comunidade do país, com cerca de 8 milhoes e meio de habitantes. Está formada por 8 províncias: Sevilha, Córdoba, Málaga, Jaén, Cádiz, Huelva, Almería e Granada. Recentemente, estive 4 dias viajando pela cidade de Córdoba, de visita obrigatória pois é considerada uma das cidades mais monumentais da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQualquer adjetivo é insuficiente para qualificar a beleza e importância desta cidade. Córdoba está situada numa depressão às margens do Rio Guadalquivir, aos pés da Serra Morena. Sua área metropolitana compreende 8 municípios, com uma população total de aproximadamente 360 mil habitantes, convertendo-a na terceira maior cidade da Andalucía, depois de Sevilha e Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Mesquita-Catedral de Córdoba é um dos monumentos mais impressionantes de todo o mundo, reconhecida pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 1984 (primeira foto da matéria, publicada acima). Este título foi extendido a todo o Centro Histórico dez anos depois, transformando a cidade no maior espaço urbano do mundo declarado Patrimônio da Humanidade. A Mesquita-Catedral, junto com a Ponte Romana sobre o Rio Guadalquivir, mostra a vista mais conhecida de Córdoba

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das cidades melhores conservadas da Espanha, em seu centro histórico podemos encontrar os vestígios e monumentos das culturas que deixaram seu legado ao longo de sua dilatada história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFundada pelos romanos, Córdoba foi a capital da Província denominada Hispania Ulterior durante a República Romana e também da Província Bética na fase imperial. Com a chegada dos árabes, alcançou sua época de maior esplendor durante o Emirato de Córdoba e, principalmente, na fase do Califato de Córdoba, quando seus dirigentes governaram grande parte da Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACórdoba foi o berço de grandes filósofos, que contribuíram de forma decisiva para a evolução do pensamento humano, como o romano Sêneca, o muçulmano Averroes e o judeu Maimónides. No século XVI, viu nascer o grande poeta e dramaturgo espanhol Luis de Góngora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Rio Guadalquivir, que atravessa a cidade, é o curso fluvial mais importante de toda a Andalucía. Sua bacia hidrográfica compreende o território de toda a comunidade, além de parte de Castilla La Mancha, Extremadura e Murcia. Nasce na Província de Jaén e desemboca no Oceano Atlântico. Com 657 km de extensão, é o quinto maior rio da Península Ibérica, sendo utilizado comercialmente desde a época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo período romano era conhecido como Baetis ou Betis, e na época árabe passou a ser chamado de Wad al-Kibir, que significa “Rio Grande“. Seu destaque natural é o Parque Nacional de Doñana, uma maravilhosa reserva declarada Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Rio Guadalquivir foi um elemento determinante na história de cidades como Córdoba e Sevilha, e aparece, junto com a Ponte Romana e a torre da Mesquita-Catedral, no Escudo de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto a salientar de Córdoba constituem suas inúmeras igrejas de origem medieval, e o fervor religioso de seus habitantes. Muitos painéis de azulejos, como os que vemos abaixo, adornam as ruas e templos da cidade, exemplos da devoção de seus cidadãos e das inúmeras hermandades e confrarias existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro atrativo da cidade, os pátios de suas casas e palácios deslumbram o visitante com sua peculiar decoração, muitos dos quais podem ser vistos pelo turista, pois se encontram abertos para apreciá-los.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATantos sao os pátios existentes que foi criado um concurso anual para o mais bonito, celebrado no mês de maio. Tal a sua importância, a Festa dos Pátios Cordobeses foi designada como Patrimônio Cultural da Humanidade em 2012. Em minha modesta opinião, a cidade poderia ostentar outro título, de “Cidade das Laranjas”, pois a fruta se encontra por todas as partes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicio hoje uma ampla série de matérias sobre esta incrível cidade da Andalucía, abordando suas distintas etapas históricas, seus principais monumentos, curiosidades e personalidades, esperando que possa retratar de forma digna o caráter e a beleza de suas ruas, praças, igrejas e pontos de interesse.

Úbeda e Baeza – Província de Jaén

Alguns meses atrás, tive a oportunidade de realizar uma viagem à Província de Jaén, uma das oito províncias que compoem a Comunidade de Andalucía ( as demais sao Sevilha, Málaga, Córdoba, Cádiz, Almería, Granada e Huelva). A paisagem da regiao está dominada por um mar de olivos. De fato, é a maior zona produtora de azeite de todo o mundo, responsável por cerca de 15% da produçao mundial.

DSC00077O Patrimônio Monumental da Província de Jaén é riquíssimo, sendo que 23 de suas cidades estao declaradas Conjunto Histórico-Artístico. Na Idade Média, foi a fronteira crista com o último reino árabe da península Ibérica, o Reino Nazarí de Granada. Este território de caráter militar provocou a construçao de uma grande rede defensiva, com a maior quantidade de castelos de toda a Europa Medieval. Dentre todas suas cidades, duas se destacam, Úbeda e Baeza, declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Ambas situam-se sobre cerros, com belíssimas vistas sobre o Vale do Rio Guadalquivir, como vemos em Baeza

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE também em Úbeda

DSC00076Estas duas cidades irmas foram destacados centros comerciais e políticos já durante a dominaçao árabe. Entao, Úbeda se denominava Ubbadat- al Arab e Baeza, Bayyasa. O monarca Fernando III, “O Santo”, reconquistou Baeza em 1227 e Úbeda em 1234. Abaixo, vemos uma estátua que o homengeia, que podemos ver em Baeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1265, foi concedido a ambas o Foro de Cuenca, possibilitando grandes privilégios àqueles que povoaram a regiao. Devido a sua posiçao estratégica, ambas tornaram-se pontes para a reconquista crista, com o envio de nobres e guerreiros. Em Baeza, se formou a Companhia dos Duzentos Balesteiros do Senhor de Santiago, cujo monumento situado junto à Porta de Úbeda, em Baeza, celebra sua fundaçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir da reconquista, uma poderosa classe de nobres, com grande peso na corte, se assenta nas cidades, base de sua futura riqueza e prosperidade. Em Baeza, as famílias mais importantes foram os Benavides e os Carvajal. Em Úbeda, as principais linhagens foram os Cobos, os Molina e os Cueva. Devido ao poder que foram acumulando, logo iniciaram-se as lutas pelo controle do poder. O conflito prosseguiu até o séc. XV, quando os Reis Católicos obrigaram as famílias inimigas a um acordo. Com o fim das disputas, uma etapa de esplendor e glória surgiu, refletida no espetacular centro histórico de Baeza, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE de Úbeda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, este período dourado ocorre no plano econômico, com o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e também da indústria textil, quando sao exportados tecidos para os Países Baixos. Alguns dos membros mais destacados da sociedade passam a ocupar altos cargos na política espanhola, como D. Francisco de los Cobos, secretário de estado do rei Carlos I. Este homem ilustrado que havia viajado pela Itália, conhecendo as novas tendências artísticas da época, trouxe ao país os princípios do Renascimento, transformando-se num grande mecenas das artes. A fundaçao da Universidade de Baeza em 1538 colaborou para a difusao das novas idéias culturais. Uma grande atividade construtiva, baseada na arquitetura renascentista, se propaga por ambas cidades. Neste sentido, a figura do arquiteto Andrés de Vandelvira tornou-se de especial relevância em toda a Província de Jaén. Abaixo, vemos sua estátua, situada em Úbeda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do séc. XVII, a crise agrária e as epidemias causaram um período de decadência, afetando as duas cidades e provocando um intenso movimento de imigraçao. Úbeda, que no séc. XVI possuía 20 mil habitantes, no final do séc. XVII teve sua populaçao diminuída pela metade. No final do séc. XVIII, os produtos mediterâneos contornam a situaçao, mas com a Guerra da Independência no início do século seguinte, a economia sofre uma nova recessao. As cidades se recuperarao somente no séc. XX. Em 1955, Úbeda é declarada Conjunto Histórico-Artístico e Baeza, dez anos depois. Em 2003, as cidades irmas, distante apenas 9 km uma da outra, sao declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e realmente é complicado dizer qual das duas é mais bela, Baeza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOu Úbeda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs próximos posts estarao dedicados a estas magníficas cidades, e entao vocês poderao tomar esta difícil, e provavelmente desnecessária decisao…

Sevilha

Sevilha é a cidade mais populosa da Andaluzia (700mil hab. em 2011), e a quarta de Espanha. Capital da província homônima e também da Comunidade Andaluza, seu centro antigo é considerado o mais extenso do país, acolhendo inúmeros monumentos de interesse, além dos retratados nos dois últimos posts.

O rio Guadalquivir cruza toda a cidade, e seu porto é o único fluvial de toda Espanha, já que o rio é navegável nos 80km desde o oceano atlântico até a cidade.

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Seu nome provém da antiga Tartessos, povoado pré-romano, que a designava como Spal, que significa terra plana. Depois da conquista romana, o antigo nome foi latinizado, tornando-se Hispalis. Durante a época árabe, transformou-se em Isbiliya, donde procede a atual denominação. Em sua larga história, foi testemunho de vários povos que a habitaram, bem como de momentos de esplendor artístico e econômico. Sevilha foi durante o período romano uma das urbes mais importantes da Hispania. Depois da ocupação árabe, foi capital duas vezes, a primeira de um Reino de Taifas, e a segunda durante o denominado Império Almohade (dinastia originária do Marrocos, que dominou o norte da África e o sul da Península Ibérica entre os séc. XII e XIII. Desta época é a famosa Torre do Ouro, situada na margem esquerda do rio Guadalquivir.

Sevilha29A torre foi erguida como uma atalaia de vigilância, visando evitar possíveis invasoes pelo rio Guadalquivir. Uma de suas formas de proteção era uma gigantesca corrente que se desenrolava sob as águas e era erguida para impedir a passagem de barcos indesejáveis.Se nome explica-se pelo revestimento de azulejos dourados que possuía antigamente ou então como armazém das riquezas procedentes dos barcos que chegavam da América. Compõem-se de 3 partes, sendo a inferior dodecagonal e construída no séc. XII. A segunda, hexagonal, foi levantado na época do rei Pedro I, e a terceira, circular, foi rematado por uma cúpula, pertence ao séc. XVIII. Um pouco antes de finalizada, foi seriamente danificada pelo terremoto de Lisboa de 1755. A torre foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931 e atualmente sedia o Museu Naval de Sevilha.

Sevilha27Em 1248, a cidade foi incorporada ao Reino de Castilla, pois foi reconquistada por Fernando III. Logo depois, uma grande comunidade judia assentou-se no conhecido bairro de Santa Cruz, um dos mais representativos e pitorescos do centro histórico, repleto de ruas estreitas e sinuosas, com suas casas brancas compostas de um pátio interior e adornada com balcões de ferro, cuja estampa é característica de toda a Andaluzia.

DSC00224A judería cresceu e transformou-se na segunda mais importante de toda a Espanha, depois da de Toledo. No bairrro, encontramos vários bares, onde tapear se converteu em quase uma religiao.

Sevilha2Em sua parte alta, encontramos o Hospital dos Venerados Sacerdotes, cujo edifício barroco do séc. XVII possui grande quantidade de obras de arte, além de exibir esplêndidas pinturas murais de Valdés Leal. A instituição foi criada para servir de asilo aos sacerdotes aposentados e fundada em 1675.

Sevilha3Sevilha4Abaixo, vemos algumas fotos da igreja e sua bela decoraçao.

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Atualmente, é a sede do Centro Velázquez, dedicado ao sevilhano mais conhecido internacionalmente do mundo artístico.

Depois do descobrimento da América em 1492, Sevilha converteu-se no centro econômico do Império Espanhol, pois as atividades comerciais entre a Espanha e suas colônias do novo mundo se realizavam a partir do porto da cidade de maneira exclusiva.

Nos jardins de Murillo, cujo nome homenageia o célebre e também pintor sevilhano Bartolomeu Esteban Murillo, vemos um monumento dedicado a Cristóvão Colombo, cujos restos encontram-se na catedral, como vimos no post anterior.

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A época barroca na cidade contribuiu sobremaneira ao denominado Século de Ouro Espanhol, graças aos citados pintores acima. Um de seus monumentos de destaque desta época é a Praça de Touros da Real Maestranza, situada próxima à Torre do Ouro. Considerada a segunda mais importante do país, depois da de Madrid, possui, no entanto, a maior tradição taurina de todo o país. Construída em 1733 em madeira, é uma das mais antigas e belas e também a primeira em ter forma circular.

Sevilha31No séc. XIX, a cidade recebeu uma doaçao da Infanta Maria Luisa Fernanda, duquesa de Montpellier, que se transformou na área verde mais conhecida de toda a cidade, o Parque de Maria Luisa.

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O pavilhão de Alfonso XII homenageia a visita do rei na época de sua inauguração.

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Em seu perímetro, podemos visitar dois dos principais museus da cidade, o Arqueológico e o dedicado às artes e costumes populares, cujas imagens vemos abaixo.

Sevilha33DSC00376Em 1929, Sevilha sediou a Exposição Ibero-Americana, e um de seus grandes trunfos foi a construção da Praça de Espanha.

DSC00368O espaço que a compreende é um dos mais espetaculares exemplos da denominada arquitetura regionalista surgida no país nos finais do séc. XIX. Sua concepção baseava-se na idéia de plasmar arquitetonicamente a essência de uma determinada região. Projetada pelo arquiteto sevilhano Aníbal González, possui uma forma semielíptica e destaca suas grandes dimensões.

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Sua construção à base de tijolos e os amplos elementos decorativos feitos de cerâmica, artesanato, ferro forjado e mármore lhe conferem um aspecto renascentista. As duas torres, uma em cada extremo da praça, no entanto, lhe proporciona um caráter barroco.

Sevilha36O canal que contém é cruzado por 4 pontes, que representam os antigos reinos espanhóis.

Sevilha37DSC00369Nas paredes, se encontram uma série de bancos que homenageiam as 50 províncias do país.

DSC00352A monumental praça foi cenário de muitos filmes de renome, entre os quais Lawrence da Arábia e Star Wars II – O Ataque dos Clones, em que representa o planeta Naboo.

Espero que esta série de posts dedicada à cidade tenha colaborado para que se tenha uma idéia dos seus inumeráveis encantos. Na sequência, outras imagens de Sevilha.

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