Sacra Capela do Salvador do Mundo – Parte 2

Completando a matéria sobre a magnífica Sacra Capela do Salvador do Mundo de Úbeda, hoje veremos seu interior, tao surpreendente quanto sua parte exterior. Sua planta recorda os desenhos do teórico italiano Francesco de Giorgio, que concebia as proporçoes do corpo humano com as do edifício. A nave central, cercada por 3 capelas de cada lado, foi inspirada nas Basílicas Paleocristianas, pertencentes às primeiras épocas do cristianismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs capelas albergavam maravilhosas obras de arte ( sao mencionados quadros de Ticiano, Rafael, etc) e que foram destruídos durante a Guerra Civil ou entao levados para outros lugares. Convém explicar que Francisco de los Cobos foi um grande colecionador de obras artísticas. O órgao neoclássico, que vemos acima e abaixo, foi construído em 1795.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cabeceira circular, coberta por uma esplendorosa cúpula, segue o modelo do Panteao de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos os belíssimos detalhes decorativos da cúpula….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA nave central está separada da cabeceira por uma reja de bronze, por si só uma excepcional obra de arte. As rejas, tao comuns nos templos espanhóis, sao como uma espécie de portao que fecham as capelas ou entao o altar maior. A da Sacra Capela foi realizada em 1555.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço que compreende o altar maior está formado por 3 arcos, separados por colunas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte central exibe um maravilhoso grupo escultórico sobre a Transfiguraçao de Cristo, realizado por Alonso de Berruguete em 1559.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Central custodiava uma escultura de Sao Joao Batista, realizada pelo genial Miquelângelo e destroçada durante a Guerra Civil. Depois de passar por um processo de restauraçao em Florença, atualmente podemos admirá-la no Museu do Prado. A ambos lados do retábulo central, vemos dois retábulos barrocos do séc. XVIII, um deles dedicado a Virgem Maria

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAE outro representando a Sao José

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs dois retábulos laterais foram concebidos pelo artista Agustín Jurado, e contam com uma decoraçao escultórica rococó.

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Museu Nacional de Artes Decorativas – Madrid

Um dos museus mais antigos e ricos de Madrid, o Museu Nacional de Artes Decorativas situa-se próximo ao Parque do Retiro. Foi um dos primeiros centros da Europa com esta temática, criado por real decreto em 1871, seguindo o exemplo do Victoria e Albert Museum de Londres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente denominado Museu Industrial, em 1912 mudou o nome para Museu Nacional de Artes Industriais e, a partir de 1931, como Museu Nacional de Artes Decorativas. Desde 1934, foi instalado num palácio construído em 1878 para a Duquesa de Santoña. Como local residencial de caráter romântico, conserva sua fachada original de tijolo vermelho e pedra e a escada de mármore branco italiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de ser adquirido pelo estado espanhol em 1941, o edifício foi ampliado para acolher sua vasta coleção de peças. O museu mostra a evolução dos materiais, técnicas de fabricação, formas e funções dos objetos cotidianos. Além disso, reflete os estilos decorativos, as relações artísticas e a importância dos objetos expostos, tantos de uso comum, quanto aqueles usados pela aristocracia, ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo total do museu contabiliza aproximadamente 70 mil objetos, dos quais uma pequena parcela é exibida nos diversos níveis do edifício (cerca de 2.600 peças)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA exposição permanente está dividida em vários tópicos relacionados ao conjunto de Artes Decorativas. A coleção de mobiliário, por ex., abrange do séc. XIV ao XX, sendo considerada a melhor coleção pública do país, em relação ao período compreendido entre o Gótico e o Barroco. Abaixo, vemos a Sala Rococó, estilo artístico que desenvolveu-se tardiamente na Espanha, durante o reinado de Felipe V (a partir de 1740).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa mesma época, vemos um móvel utilizado tanto como escritório, quanto livraria, pertencente ao Duque de Infantado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA papeleira abaixo, construída na Holanda em 1713, está constituída de madeira de coníferas e roble, estando decorada com motivos que exaltam a monarquia espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma cama e um berço, ambos construídos em 1820 na Catalunha (madeira de caoba).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a cama da foto que segue foi decorada com a representação da parábola de Santo Agostinho (séc. XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos objetos possuem uma curiosa finalidade, como esta cadeira de mão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA indumentária religiosa está bem representada, com vestimentas eclesiásticas de épocas passadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInteressante é este tipo de oratório, com as relíquias do santo de devoção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo o Museu Nacional de Artes Decorativas….

Igreja das Salesas Reales – Madrid

Esta semana estará dedicada a algumas das mais belas e interessantes igrejas e ermitas de Madrid. Ontem, vimos a Igreja de San Jerónimo. Hoje e amanha conhecermos a Igreja das Salesas Reales. Na verdade, trata-se do antigo monastério da Visitação de N.Sra., formado pelo convento, a igreja e um palácio. O complexo foi fundado em 1758 pela rainha Bárbara de Bragança, como colégio e residência para jovens da nobreza. O propósito da rainha, porém, não era somente a fundação de um convento, mas assegurar um local tranquilo onde pudesse viver, em caso da morte de seu marido, o rei Fernando VI. Atualmente, a igreja acolhe a Paróquia de Santa Bárbara, e o resto da construção tornou-se a sede do Tribunal Supremo. Abaixo, vemos uma foto do antigo palácio e as duas entradas ao tribunal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi projetado pelo francês François Carlier, mas a construção acabou sendo realizada por Francisco Moradillo, que alterou o desenho original, incorporando as duas torres que vemos na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram-se em 1750, e o convento foi inaugurado 8 anos depois. A fachada se articula verticalmente com pilastras, estando composto por 7 partes, das quais as três centrais formam o triplo pórtico de entrada ao átrio da igreja. Vários relevos distribuem-se na fachada, destacando o central, circular, onde está representada a visitação da Virgem Maria a sua prima, Santa Isabel. O relevo foi realizado pelo italiano Juan Domingo Olivieri, o principal promotor da Academia de Belas Artes de San Fernando, uma das mais prestigiosas pinacotecas da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a parte superior da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é um dos mais suntuosos do barroco madrilenho. Decorado no estilo rococó, combina elementos clássicos com a magnificência do barroco, com bronzes, mármores e pedras coloridas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos muitos elementos de destaque é o espetacular púlpito, um dos mais belos de toda a cidade, feito de mármore verde e branco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA decoração pictórica do interior coube aos irmãos Luís, Alejandro e Antonio Velásquez, que a realizaram no séc. XVIII. Abaixo, vemos a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAContinuaremos conhecendo a Igreja das Salesas Reales no próximo post. Até lá!!!!

Concatedral de Logroño – Segunda Parte

No último post, vimos que o corpo central da Concatedral de Logroño foi construído no séc. XVI. No séc. XVIII, foi completada a estrutura principal com a construçao de duas belíssimas capelas. A Capela do Santo Cristo situa-se na parte traseira do presbitério, e  acolhe o sepulcro do bispo D.Pedro González del Castillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo da capela foi realizado pelo artista Juan Bascardo, de inúmeras obras espalhadas pela Comunidade da Rioja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do templo é um quadro atribuído a Michelângelo, situado na mesma capela. Representa um calvário, com Cristo vivo, e foi pintado para Vittoria Colonna, esposa de D.Francisco de Ávalos, que faleceu em 1525 em decorrência das feridas sofridas durante a Batalha de Pávia. A obra encontra-se protegida por uma caixa blindada, dificultando as boas fotos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao quadro, vemos uma representaçao da Virgem da primeira metade do séc. XV. Embaixo, uma Pia Batismal datada de 1587.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA monumental Capela de N.Sra de los Ángeles, de 1762, é realmente maravilhosa. Nela, podemos admirar sua bela porta, no estilo rococó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo retábulo dedicada à Virgem, apreciamos uma esplêndida imagem do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decorada cúpula que adorna a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro, local da igreja onde os religiosos cantavam os ofícios religiosos, foi construído em 1607.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACoroando o Presbitério, o Retábulo Maior foi realizado no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, está representado a Árvore de José, que reconstitui a genealogia de Cristo, e presidido por uma imagem da Virgem titular do templo, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte frontal do presbitério, encontram-se dois púlpitos octogonais, de estilo plateresco, esculpidos em 1540.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto dos vitrais que iluminam este inesquecível espaço religioso.

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Museu Nacional de Escultura – Segunda Parte

Neste post, veremos algumas das obras do incomparável acervo do Museu Nacional de Escultura, em ordem cronológica, segundo o estilo que representam.

No entanto, começamos pela capela, um dos espaços mais autênticos do museu. Quando passou a integrar o museu em 1933, se instalaram algumas obras que evocassem seu antigo esplendor. Algumas dela são:

Retábulo Maior do Monastério de La Mejorada de Olmedo (Província de Valladolid). Realizado por Alonso Berruguete (1523/1526). Foi instalado onde situava-se o antigo retábulo original feito por Gil de Siloé para a decoraçao da capela, e que foi destruído durante a invasao napoleônica. De estilo renascentista, exibe cenas da vida de Jesus e Maria.

Sepulcro de alabastro de Diego de Avellaneda: Felipe Vigarny –  1536/1542. Procedente do Monastério de San Juan Bautista e Santa Catalina (Prov. De Sória).

Estátua orante de bronze do Duque de Lerma: Pompeo Leoni/Juan de Arfe (1601/1608). Procedente da Igreja Convento de San Pablo de Valladolid. A solenidade do retrato e o modo de conceber a imagem no contexto de uma atmosfera sacra e suntuosa forma parte do desejo de vencer a morte com a fama póstuma e perpetuar-se.

Iniciamos nossa visualização cronológica através do estilo românico. Depois de um largo período de tempo, que começou com a queda do império romano (séc. V) e prolongou-se até o surgimento do românico ( séc. XI), ocorreu um empobrecimento e até mesmo um desaparecimento da escultura como forma artística, e com a chegada do novo estilo houve um ressurgimento, propiciado pela integração da escultura de pedra com a arquitetura, que podemos observar nos templos e igrejas do período, bem como na escultura em madeira, da qual se conservam numerosos exemplos com sua policromia original. A iconografia básica destas talhas está representada pela Virgem com o menino Jesus, o cristo crucificado e o descendimento de seu corpo da cruz.

A finalidade destas obras não eram meramente decorativas ou narrativas, e sim comover o fiel, mostrando-lhes imagens concretas da divindade. No geral, as figuras são tratadas de forma pouco natural, sem proporções entre as diferentes partes do corpo e em posição rígida, hierática e frontal. Abaixo, vemos alguns exemplos de estátuas românicas do museu.

Na sala dedicada ao séc. XV, um período de transição do gótico ao renascimento, destacamos o retábulo da vida da Virgem, um anônimo flamenco. Procedente do Convento de San Francisco (Valladolid), é um exemplo de como eram apreciadas no Reino de Castilla a arte flamenca (Países Baixos). Na parte central, observamos o pranto da Virgem por seu filho morto.

Da época renascentista (séc. XVI), veremos várias obras:

Retábulo Maior de San Benito El Real (Valladolid): realizado por Alonso Berruguete entre 1526/1532, a obra revela o aprendizado adquirida pelo autor durante sua estância na Itália com os mestres renascentistas. Representa a imagem da Jerusalém Celestial, a cidade de Deus,com cenas do Novo e velho Testamento, em torno a San Benito.

Silhería do Coro do Monast. San Benito El Real: André de Nájera (1504/1533).

Enterro de Cristo: Juan de Juni (1541/1544), procedente do Convento de San Francisco(Valladolid). O conjunto oferece um marcado caráter cenográfico. O movimento e a atitude de uma figura é realizado de maneira similar nas figuras posicionadas no lado oposto, de forma a propiciar uma visualizaçao geral e frontal de toda a obra.

Tentações de San Antonio Abad: Diego Rodrigues e Leonardo de Carrión (1553/1559). Procedente do hospital de San Antonio Abad (Valladolid).

Redenção dos cativos por San Pedro Nolasco: Pedro De La Cuadra (1599). Fazia parte do retábulo maior do Convento de la Merced Calzada (Valladolid). A cena representa um fato freqüente no séc. XVI, a compra de cristãos, presos por africanos em batalhas ou através da pirataria, por frades da Ordem da Merced, fundada por San Pedro Nolasco, com esta intenção libertadora.

O barroco representou, no plano artístico, o que a contra-reforma significou no religioso, uma tentativa de deter o avance protestante pela Europa. Algumas das medidas utilizadas foram a propagação na crença dos milagres e o culto às relíquias, expostas em obras exuberantes. Impulsou também a canonização de santos mártires e popularizou as festas de devoção coletivas. Neste ambiente, as ordens religiosas, em especial a jesuíta, converteu-se em grandes patrocinadoras artísticas.

As artes plásticas, transformadas em um decisivo meio de propaganda, alcança uma dramática expressividade. Os temas religiosos incluem o arrebatamento do êxtase, as visões celestiais, a renúncia ao mundo profano, a ansiedade espiritual e, sobretudo, ao aspecto macabro da morte, através de formas violentas, insólitas e impressionantes.

Veremos, agora, algumas da obras do período expostas na coleção permanente do museu:

Retábulo Relicário de San Diego de Valladolid: Juan de Muniátegui e irmaos Vicente e bartolomé Carducho (pinturas). Os relicários expostos no interior refletem a relaçao entre estátuas e relíquias. A imagem foi o catalizador do seu poder, cuja veneração era o essencial, situando-a num cenário que cativasse a imaginação dos fiéis.

Paso de la Sexta Angústia: Gregório Fernández (1616), procedente da Confradia das Angústias (Valladolid). A composiçao adota a fórmula estabelecida em 1522, na qual Jesus não aparece situado no joelho da mãe, mas estendido no solo com a cabeça apoiada no seu regaço. Observamos a maneira naturalista das figuras, a expressividade nos rostos e mãos e a qualidade plástica anatômica, características deste que é considerado um dos maiores escultores espanhóis de todos os tempos. Além disso, detalhe para o contraste cromático e os excepcionais estudos anatômicos que podemos contemplar na figura dos dois ladrões.

Batismo de Cristo: Gregório Fernández (1624), procedente do Convento del Carmen Descalzo (Valladolid). Integrava o retábulo principal do convento, e magnífica é o detalhe da mão esquerda de Jesus.

San Juan Evangelista: Juan Martinez Montañés (1638), procedente do Convento de Santa María de la Pasión (Sevilha). Escultura pertencente ao retábulo a que estava destinada. Trata-se de uma visao de San Juan já maduro, como corresponderia à época de seu exílio na ilha grega de Patmos, onde redatou o Apocalipse, sentado e escrevendo, acompanhado de seu atributo habitual, a águia. Obra de grande qualidade técnica, deste artista que é conhecido como o “Deus da madeira”.

Alegoria da Virgem Imaculada: Juan de Roelas (1616), procedente do Monastério de San Benito El Real (Valladolid). O quadro reflete o documento fundamental para entender-se o dogma, no qual diz que a Virgem foi concebida sem o pecado original, e venerada na procissão que se celebra em Sevilha, em que participam todas as classes sociais.

Menino Jesus: Alonso Cano (séc. XVII).

Madalena Penitente: Pedro de Mena (1664), procedente da casa da Companhia de Jesus (Madrid). Inspirado em Gregório Fernández, é uma obra prima das artes plásticas espanholas por sua alta expressividade e soberba policromia naturalista.

Do séc. XVIII, admiramos a escultura de Sao Miguel Arcanjo, de Felipe Espinabete. Santo de grande devoção na época medieval, seu culto decaiu durante a contra-reforma, mas ganhou um novo impulso para defender o triunfo do catolicismo sobre o culto protestante. Obra plenamente rococó, personifica o triunfo do bem sobre o mal de uma forma preciosa.

Espero que tenham gostado. Quando de viagem por Espanha, nao deixem de visitar o museu e a cidade de Valladolid.