El Cid em Burgos

O personagem lendário de El Cid foi criado através do poema épico anônimo El Cantar de Mio Cid, que relata as façanhas do herói castelhano e inspiradas nos últimos anos de sua vida, depois que foi desterrado por primeira vez pelo rei Alfonso VI. Foi escrito em torno ao ano 1200, e se trata da primeira obra narrativa da Literatura Espanhola em língua romance, uma evolução do latim vulgar. Se conserva quase completo e atualmente se encontra na Biblioteca Nacional de Madrid. Existe inclusive uma rota literária inspirada no poema, a denominada Rota de El Cid, que passa pelos locais em que esteve Rodrigo Díaz de Vivar. Como não poderia ser de outra forma, o trajeto inicia-se na vila de Vivar, seu local de nascimento. Em Burgos, existem muitos monumentos associados à figura de El Cid, que veremos a seguir. Está indicado, por exemplo, o local onde El Cid residiu na cidade, o chamado Solar de El Cid.

20150727_104531Muitas das histórias de El Cid se relacionam com as lutas sucessórias pela Coroa de Castilla y León. O rei Fernando I havia unificado ambos reinos, e no seu testamento havia repartido  seu território entre seus filhos: a Sancho II deixou o Reino de Castilla, a Alfonso VI coube o Reino de León e ao terceiro filho, Garcia, coube governar Galícia e Portugal. Apesar de devidamente distribuído, a discórdia entre os irmãos sobre a regência de cada região provocou inúmeros conflitos, até que o rei Sancho II foi assassinado em Zamora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEl Cid havia prestado fidelidade a Sancho II e obrigou a Alfonso VI a realizar um juramento em 1072, conhecido como de Santa Gadea, em que reconhecia que o herói não teve nenhuma participação no crime. Esta acontecimento ocorreu, segundo o poema, na Igreja de Santa Agueda de Burgos, seu atual nome, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja atual é gótica do séc. XV, que substituiu um anterior templo românico. Na fachada principal, foi colocado uma inscrição que relata que no local se realizou o dito juramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local de referência em Burgos relativo a El Cid é a Ponte de San Pablo. Recebeu este nome por estar situada próxima ao Convento dedicado a São Paulo, atualmente desaparecido. O primeiro documento que notifica a existência desta ponte data de 1242.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi reformada várias vezes devido as inúmeras enchentes provocadas pelo RIo Arlanzón, principalmente nos séculos XVI e XVIII. No séc. XX, decidiu-se alargar a ponte, num momento de grande fervor em torno a figura de El Cid. Por isso, se planificou um grande projeto escultórico e arquitetônico em torno ao personagem, realizado pelo arquiteto Fernando Chueca Goitia. Várias foram as estátuas realizadas com personagens vinculados a El Cid, esculpidas por Joaquín Lucarini em 1954, depois de ter vencido o concurso nacional para sua realização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os personagens representados, vemos o de sua esposa Jimena,  na foto acima. Na Catedral de Burgos, além do simples túmulo do herói e de sua esposa situados na nave central, vemos também o denominado Cofre de El Cid, supostamente cheio de moedas e recebido por amigos judeus, depois que El Cid foi desterrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo belo Arco de Santa Maria, El Cid aparece representado, ao lado de personagens reais, comprovando a importância do herói na cultura histórica de Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior desta porta monumental, se guardam ossos do herói, com certificados de autenticidade, assim como outros objetos, como sua famosa espada. Alguns monumentos celebram o primeiro desterro de El Cid, como o de abaixo, chamado Glera. Segundo o poema, neste local, às margens do Rio Arlanzón, acampou El Cid quando soube da decisão de Alfonso VI de expulsá-lo do Reino de Castilla. O rei havia proibido os habitantes da cidade em ajudá-lo, sob pena de perda de seus bens e “os olhos da cara”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1955, o escultor Juan Cristóbal, em colaboração com o arquiteto Fernando Goitia acima mencionado, realizou o monumento mais famoso de El Cid em toda a Espanha, sua estátua equestre em Burgos, inaugurada com grande solenidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, que dividirei em duas partes, veremos a Rota de El Cid existente em várias partes do país, que nos possibilita conhecer os itinerários por onde passou o herói, desde os antigos lugares que formavam o Reino de Castilla até Valencia.

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El Cid

Para finalizar esta extensa matéria sobre Burgos, dedicarei alguns posts ao seu personagem histórico mais universal, El Cid. Para conhecer sua história, é necessário distinguir duas figuras, a do homem real do qual se conhece muitas informações, e a do personagem criado pelo poema do Cantar de Mio Cid, realizado para enaltecer suas façanhas heroicas, transformando-o em lenda. Rodrigo Diaz de Vivar, este era seu verdadeiro nome, nasceu, como o próprio nome indica, no povoado de Vivar, situado a 10 km ao norte de Burgos, mantendo com esta cidade estreitas relações, como veremos. Nasceu em 1048, pertencente a nobreza castelhana e sempre foi bem relacionado com os monarcas de Castilla y León, especialmente Fernando I, fato que lhe permitiu gozar da amizade do filho primogênito do rei, Sancho II.

DSC09419Quando Sancho II falece em circunstâncias estranhas, o trono é ocupado por seu irmão Alfonso VI, com o qual El Cid estabelece compromissos de lealdade, através do contrato de vassalagem, baseado na fidelidade, algo que ocorria somente com nobres e cavalheiros. A partir de então, El Cid prestará serviços a Alfonso VI, que aceita de bom grado, pois sua grande fama de guerreiro já era notória naquela época. Abaixo, vemos a estátua de Alfonso VI em Toledo, monarca que reconquistou as cidades de Madrid, Toledo e Segóvia, anteriormente ocupada pelos árabes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProva desta relação de El Cid com Alfonso VI foi seu casamento com Dona Jimena, prima do rei, em 1074. A ele foi concedido também direitos senhoriais, além de realizar missões diplomáticas em nome do monarca, como cobrar os impostos que os reis mouros deviam aos monarcas castelhanos. Esta relação de amizade se romperia em 1081, quando El Cid intervém com seu exército privado e sem autorização real em terras muçulmanas de Toledo, provocando a ira do rei. Por este motivo, El Cid foi desterrado por primeira vez, sendo obrigado a deixar as terras castelhanas num prazo de 9 dias. Abaixo, vemos a estátua equestre de Alfonso VI, também situada em Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcompanhado por sua mulher, suas duas filhas e um reduzido grupo de amigos, o destino do herói será incerto, percorrendo terras cheias de perigo e dominadas pelos muçulmanos. A partir de então, sua vida muda radicalmente, dedicando-se basicamente à guerra com um exército próprio que aos poucos consegue formar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOferece seus serviços ao Conde de Barcelona, que o despreza, e depois ao rei mouro de Zaragoza, que lhe acolhe com os braços abertos. Desde 1081 até 1087, El Cid esteve sob as ordens deste novo governante, colaborando na defesa de seus interesses. Percorreu um longo caminho, quando sai do antigo Reno de Castilla, superando os limites do Rio Duero, fronteira natural com os reinos muçulmanos. Abaixo, vemos o rio, em seu passo por Aranda del Duero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, recupera a confiança de Alfonso VI, quando El Cid regressa à Toledo reconquistada, mas seriamente ameaçada por novas investidas árabes. No entanto, em 1088 El Cid é novamente desterrado, e desta vez todos seus bens são confiscados. Como era de se esperar, dedica-se com um entusiasmo redobrado à milícia, atuando somente por conta própria e não obedecendo a nenhuma autoridade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante vários anos, El Cid se move pela costa e serras valencianas em perpétua luta contra os árabes. Finalmente, depois de 10 meses de assédio, conquista a cidade de Valência, um fato inédito, insólito e histórico da Espanha Medieval. Entrou na cidade em 16 de junho de 1094, governando a cristãos e muçulmanos até sua morte, ocorrida provavelmente em 10 de julho de 1099. Três anos depois, ante a nova ameaça árabe, sua esposa Jimena abandona Valência com o cadáver de El Cid e retorna a Castilla. Ali ambos seriam enterrados no Monastério de Cardeña, situado na Província de Burgos, antes que fossem levados à catedral, onde hoje repousam. Burgos reconheceu o valor, coragem e importância deste personagem com um dos monumentos mais conhecidos associados a ele, uma estátua equestre que atualmente podemos admirar…

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Monastério de Silos – Província de Burgos

Como foi dito na matéria anterior, o Monastério de Silos é seguramente um dos mais famosos de todo o continente europeu. Em parte, essa fama se deve à conservação de seu impressionante claustro românico, que conheceremos em breve. Situado na vila homônima, construída junto ao monastério, está encravado no belo Vale de Tabladillo, um lugar propício para a oração e a vida religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs dados conhecidos remontam a origem do Monastério de Santo Domingo de Silos ao séc.X, quando então estava dedicado a São Sebastião. Nesta época distante, a abadia encontrava-se num estado precário, devido principalmente às invasões militares do guerreiro árabe Almanzor em terras de Castilla. A partir do séc.XI, a paz se vai consolidando com a reconquista desta região. A situação do monastério começa a mudar com a chegada de Santo Domingo em 1041, procedente do Monastério de San Millán de Cogolla, situado na Rioja. Antes, porém, Santo Domingo havia sido acolhido pelo rei Fernando, que imediatamente lhe encarregou a direção do Monastério de Silos, graças a sua fama de santidade e pelo bom governo realizado no monastério riojano acima citado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo chegar, Santo Domingo encontrou o monastério no mesmo estado lamentável que antes. Logo restabelece a ordem monástica e planifica uma nova construção conventual, erguida no estilo românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASob sua direção, se constata uma notável atividade literária no monastério, quando numerosos códices são copiados e iluminados. Sua atividade, porém, não se resumiu ao monastério, participando em várias missões religiosas, como a libertação de reféns cristãos sob custódia dos muçulmanos. Santo Domingo faleceu em 1073, e seu culto se estendeu rapidamente por toda a península, convertendo-se no mais famoso dos santos castelhanos e um dos mais venerados do país. Abaixo, vemos o quadro pintado por Juan Ricci no séc. XVII, intitulado “A Morte de Santo Domingo de Silos“.

20150802_123739Santo Domingo foi enterrado num sepulcro na ala norte do claustro, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Abade Fortunio sucedeu a Santo Domingo no governo do monastério, e soube aproveitar o dinamismo iniciado pelo santo, permanecendo no cargo durante três décadas. Prosseguiu a construção iniciada, e a igreja românica foi consagrada em 1088. Nesta época, se observou uma grande quantidade de peregrinos, que começaram a chegar a Silos para venerar o sepulcro do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém durante o governo do Abade Fortunio se ampliam as doações feitas ao monastério, como a realizada por Rodrigo Díaz de Vivar, o famoso herói castelhano El Cid. Em 1170, nasce não muito longe de Silos, Santo Domingo de Guzmán, cujo nome foi dado por sua mãe em homenagem a Santo Domingo de Silos. O filho seria conhecido na história como o fundador da Ordem dos Predicadores ou Ordem Dominicana. O Monastério de Silos alcançou seu apogeu, influência e riqueza no séc. XIII. A partir de então, inicia-se sua lenta decadência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVI, o monastério é incorporado à Congregação de Valladolid, que revitaliza as comunidades beneditinas da Espanha, e Silos volta a ter uma época florescente. Deste século é a muralha que envolve o monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arco de entrada ao recinto monástico foi construído somente em 1739.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVIII decidiu-se derrubar a antiga igreja românica. O arquiteto encarregado de edificar a nova igreja foi Ventura Rodríguez, que projetou um novo templo no estilo neoclássico, caracterizado pela austeridade decorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA vida conventual recebeu um duro golpe com a Desamortização de Mendizábal em 1836, e 45 anos tiveram que passar antes de que uma nova comunidade de monges retornassem aos muros do Monastério de Silos. Em 1880, regressam à abadia, e nela permanecem até hoje. Um lugar de paz, tranquilidade, beleza, em que a história se mistura com a arte, e cuja visita recomendo sem hesitação…

Palácio de Buenavista – Madrid

Um dos mais antigos e importantes de Madrid, o Palácio de Buenavista ergue-se soberano na Calle de Alcalá. Ao longo de sua longa história, foi habitado tanto pelos monarcas, quanto pela nobreza. Já estava construído na época de Felipe II (séc. XVI), sendo utilizado pelo rei durante o período de reformas do antigo Alcázar.

DSC09415 O Palácio de Buenavista está situado num terreno elevado, com amplas vistas à Praça de Cibeles e ao Paseo del Prado, daí seu nome. Abaixo, vemos uma foto panorâmica da praça, com os jardins do palácio no lado direito da imagem. À esquerda, o Banco de España e o início do Paseo del Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto da famosa Fonte de Cibeles, também com os jardins do palácio de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de ter sido a residência temporária de Felipe III (filho de Felipe II), no séc. XVII o palácio  pasou a ser propriedade da nobreza.

DSC09423No séc. XVIII, novamente a corte adquire o imóvel, quando a esposa de Felipe V, Isabel de Farnésio, compra o palácio em 1759 e o transforma num verdadeiro museu, com uma grande coleçao de obras de arte adquirida em sua vida. Abaixo, vemos um quadro realizado em 1836 por José María Avrial y Flores, intitulado “Vistas de Cibeles e o Palácio de Buenavista”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o falecimento de Isabel de Farnésio, o edifício passa a ser propriedade da Casa de Alba, que derruba o palácio e constrói um novo, no estilo neoclássico. A partir de 1816, torna-se sede do Real Museu de Artilharia e depois, do Ministério da Guerra. O palácio é  entao ampliado para exercer suas novas funçoes militares.

DSC09425Na fachada do palácio vemos as estátuas de dois heróis do país, Rodrigo Díaz de Vivar, mais conhecido como El Cid Campeador (1043/1099) e Gonzalo Fernández de Cordoba, um militar a serviço dos Reis Católicos que obteve várias vitórias militares na Itália, passando à história com o título de El Gran Capitán (1453/1515).

DSC09418DSC09419Abaixo, uma foto de princípios do séc. XX do Palácio de Buenavista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o palácio é a sede do Quartel Geral do Exército, e os jardins podem ser visitados, quando é utilizado como local de exposiçoes.

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O Castelo de Molina de Aragón

Os castelos constituem uma poderosa imagem do inconsciente coletivo associada à Idade Média. Este período histórico compreendeu mil anos, desde seu início com a queda do Império Romano no séc. V dC até o descobrimento da América em 1492 ou a queda do Império Bizantino um ano depois. No séc. XV, portanto. Está dividida em Alta Idade Média (do séc. V ao X) e Baixa Idade Média (do XI ao XV). O conceito preconcebido de uma época obscura, tenebrosa, onde o homem foi julgado por seus preconceitos e atrasos técnicos há muito deixou de ser utilizado pelos historiadores e medievalistas em particular. Atualmente, a consideram como uma etapa crucial da história da humanidade, plena de desafios e realizações. Guerras e superstições a povoaram, é certo, mas mesmo com o notável progresso técnico surgido depois da Revolução Industrial, o homem não se livrou delas. Inclusive foi capaz, há um pouco mais de 70 anos, de infligir a maior matança generalizada da história. Parece que o “Animal Homem” independe de sua cronologia histórica, esperando apenas o momento oportuno para manifestar-se, com consequências cada vez mais desastrosas. Por isso, a visão de um Castelo provoca uma infinidade de sensações, uma combinação de mistério, grandeza, poder, arrebatamento, etc, etc. Mesmo depois de 7 anos vivendo na Espanha, não me deixa , absolutamente, indiferente em contemplá-los. E não foi diferente com o Castelo de Molina de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o castelo que vemos foi uma fortaleza árabe, construída durante os séculos X e XI, e habitado por Abengalbón, senhor da localidade e amigo pessoal de El Cid, como nos relata o Cantar de Mío Cid, acolhendo Rodrigo Díaz de Vivar  quando partiu de Castilla em direçao à Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEdificado com objetivo defensivo e residencial, depois da cidade ser reconquistada no séc. XII, transformou-se na fortaleza dos senhores cristãos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo foi ampliado e sua construção foi finalizada por D.Blanca de Molina. Seus robustos muros possuem vários metros de grossura e contava com 8 torres, das quais se conservam a metade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Torre do Relógio é uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de Aragón encontra-se atualmente isolada da fortificação, e atuava como uma importante estrutura de vigilância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido à sua posição geográfica, no limite da fronteira entre os antigos Reinos de Castilla e Aragón, o castelo presenciou inúmeras batalhas, tanto na Idade Média, quanto na Guerra de Independência, travada contra os franceses no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX foi convertido em quartel militar. Desta época podemos ver um antigo banheiro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Molina de Aragón é considerado uma das maiores fortalezas de toda a Comunidade de Castilla-La Mancha, e um dos maiores atrativos desta cidade, repletas de surpresas e locais interessantes.

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Daroca – Comunidade de Aragón

Uma das cidades de maior riqueza monumental e histórica de Aragón, Daroca situa-se na Província de Zaragoza. Durante 4 séculos, integrou o reino árabe que conquistou boa parte da Espanha a partir do ano 711 dC. O rei Alfonso I “El Batallador” a reconquistou em 1120 e vinte anos depois lhe outorgou um primitivo foro, hoje desaparecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda no séc. XII, o conde Ramón de Berenguer IV concedeu-lhe privilégios que a converteu na capital da famosa Comunidade de Daroca, de grande importância social e militar durante a Idade Média. Coexistiam, na época, três grupos sociais, formados por cristãos, judeus e muçulmanos, que gozavam dos mesmos privilégios, ainda que com uma organização social e tributária distintas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo estar localizada no Vale do Rio Jiloca, no caminho que unia os antigos reinos de Castilla com Catalunha (então pertencente ao Reino de Aragón), Daroca era frequentemente um ponto de parada das comitivas reais, como sucedeu com os Reis Católicos, Carlos I, Felipe II, Felipe III, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Calle Mayor, a mais importante da localidade, atravessa a cidade de um lado a outro. A geografia da vila fez com que esta rua fosse um verdadeiro barranco natural, unindo as partes alta e baixa. Na sequência, vemos no lado esquerdo da foto, uma imagem de seu traçado, entre edifícios pintados de cores vivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor este motivo, os arcos que conformam as portas da muralha de Daroca são de grandes dimensões, permitindo o escoamento da água das chuvas. Porém, quando as portas se fechavam, a cidade era vítima de desastrosas inundações. A seguir, vemos outra foto da Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara solucionar este problema, foi construído em 1555 durante o reinado de Felipe II, um túnel que corre paralelo à Calle Mayor, denominado de La Mina. O responsável de sua construção foi um especialista em obras hidráulicas, o engenheiro francês Pierres Bedel, e permitia o escoamento das águas diretamente ao Rio Jiloca. Com 750m de comprimento, 6 de largura e 8m de altura, é considerado o túnel da época moderna com esta função mais antigo de toda Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADaroca aparece citada no poema “Cantar de Mío Cid”, uma obra épica anônima que relata as aventuras do herói castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, conhecido popularmente como “EL Cid”. Composto ao redor do ano 1200, é o único poema épico da Literatura Espanhola que se conserva em quase sua totalidade e que se pode ver na Biblioteca Nacional da Espanha, em Madrid. Por este motivo, Daroca integra a Rota de El Cid, um itinerário composto por cidades protagonistas na obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu patrimônio monumental é impressionante, e durante uma época era conhecida como a cidade dos “sete 7”, pois possuía o mesmo número de igrejas, conventos, ermitas, fortificações, praças, portas e fontes. Ao lado da Porta Baixa, vemos uma das mais monumentais fontes de toda a Comunidade Aragonesa, bem como uma das poucas que sobreviveram, chamada Fonte dos 20 canos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em 1638 para embelezar o espaço compreendido pela principal porta de acesso à cidade. Consta, como o próprio nome indica, por 20 canos decorados com rostos humanos, infelizmente bastante deteriorados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante toda esta semana, iremos conhecendo os principais monumentos desta cidade, de visita imprescindível numa excursão à Comunidade de Aragón.

Valencia

Capital da província homônima e da Comunidade Valenciana, a cidade de Valencia é a terceira maior em populaçao da Espanha, com aprox. 800mil hab., e na área metropolitana, chega a 1milhao e 800mil, sendo superada apenas por Madrid e Barcelona. Está situada às margens do rio Turia, na costa mediterânea. Seu centro histórico representa um dos mais extensos do país, graças ao seu grande patrimônio monumental.

Fundada pelos romanos em 138 aC, constitui uma das urbes mais antigas do país, que a denominaram Valentia Edetanorum. Na época visigótica foi sede episcopal e os edifícios de culto cristão foram erguidos sobre os templos romanos. No ano de 711 foi ocupada pelos muçulmanos. Porém, o crescimento surgiu durante o período conhecido como Reino de Taifas, no séc. XI, do qual Valencia era um deles. Nesta época, levantaram-se as muralhas, cujos partes se conservam pela cidade velha. As denominadas Torres gêmeas de Quart eram uma das portas de acesso da antiga muralha, e no alto se admira boa parte da cidade.

O nobre castelhano Rodrigo Diaz de Vivar, o El Cid, conquistou a cidade e o poder passou às tropas cristianas entre 1094 e 1102. Depois de sua morte, no entanto, foi recuperado pelos árabes.

Em 1238 o rei cristão Jaime I de Aragón reconquista a cidade e a população muçulmana foi expulsa. O rei outorga novas leis, os denominados Foros de Valencia.

No séc. XIV, a cidade foi quase dizimada pela peste negra de 1348.

O séc. XV foi  um período de esplendor, que ficou conhecido como o século de ouro valenciano, tornando-se a cidade mais populosa do Reino de Aragón. A finais do século, ergue-se a Lonja da Seda e dos Mercadores, transformando-a num empório comercial que atraiu comerciantes de toda a Europa, refletindo-se também no plano artístico-cultural. A  Lonja da Seda é considerada uma obra prima do gótico civil e situa-se em pleno centro histórico. Construída entre 1482/1548, é um edifício representativo do século de ouro  valenciano e um exemplo da Revolução Comercial que caracterizou a Idade Média. Por isso, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1996.

Com o descobrimento da América, a economia européia dirigiu-se ao Atlântico, em detrimento das zonas localizadas no Mediterâneo, fazendo com que a cidade entrasse num período de crise, acentuado por revoltas sociais e a expulsão de judeus e muçulmanos em 1609. A decadência aumentou ainda mais com a Guerra da Sucessão Espanhola no início do séc. XVIII, que significou o fim da independência política do Reino de Valencia. De 1808 a 1814, foi ocupada pelo exército de Napoleão. Com o final da Guerra da Independência, pouco a pouco foram sendo realizadas obras de infra-estrutura e no final do séc. XIX  as antigas muralhas foram derrubadas, para permitir a expansão da cidade.

Abaixo, vemos a Torre da Igreja de Santa Catalina Mártir, construída entre 1688/1705 que, com sua planta hexagonal, é uma obra prima do barroco valenciano.

No séc. XX, a população de Valencia triplicou em 100 anos, tornando-se o terceiro pólo industrial e comercial do país. Com a chegada da democracia, o antigo reino foi novamente instituído na Comunidade Autônoma de Valencia. Desde então, sofreu um grande desenvolvimento e tornou-se também um verdadeiro centro turístico, graças à sua oferta cultural e histórica. Além da Catedral e das Cidades das Artes e Ciências, Valencia possui inumeráveis atrativos por conhecer.

Acima, vemos a Torre de Miguelete e a Cidade das Artes e Ciências, que foram retratadas num post à parte.

O Museu Nacional de Cerâmica González Marti, localizado no palácio do marques de Dos Águas, foi criado em 1947, a partir da doação que o próprio marques efetuou ao estado. Inaugurado em 1954, possui a mais completa coleção de cerâmicas de Espanha  e uma das mais importantes do continente. O palácio, por sua vez, é uma atração à parte, com destaque para sua fachada rococó, de 1740.

Na sequência, imagens do interior do palácio.

Já a neoclássica Praça de Touros, construída entre 1850/1860, é uma das maiores do país.

Existem muitos exemplos de obras modernistas em Valencia, como o edifício abaixo.

Destacamos o mercado central (1914) e a Estação ferroviária Norte (1906/1917).

Devido a sua larga história, são inúmeras as festas e tradiçoes, entre as quais mencionamos as Fallas, declaradas Festas de Interesse Turístico Internacional em 1965 e o Tribunal das Águas, declarado em 2009 Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Além do castelhano, fala-se o valenciano, uma variedade do catalão, como idoma próprio e co-oficial da comunidade, segundo o Estatuto de Autonomia.

Não podemos finalizar o post sem mencionar sua parte gastronômica, cujo carro chefe, de enorme tradição e história, difundiu-se pelo país e pelo mundo, com uma amplíssima varirdade: a Paella.