Palácio do Arcebispo – Alcalá de Henares

Como dito em outras matérias, desde que Alcalá de Henares foi reconquistada no século XII, passou a pertencer ao Arcebispado de Toledo, condição que manteve até o século XIX. Transformou.se, portanto, numa cidade eclesiástica, e como símbolo e riqueza do poder dos bispos de Toledo se construiu um enorme palácio como residência do senhor da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto que vemos atualmente desta construção é fruto de várias intervenções e reformas, consequência das várias destruições e incêndios que assolaram o palácio ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o Palácio do Arcebispo era uma fortaleza edificada no estilo mudéjar, cuja construção foi ordenada pelo Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada, em 1209. Alguns detalhes deste estilo ainda podem ser contemplados na decoração do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIV, o bispo Pedro Tenorio reconstruiu o palácio, fortificando-o. Construiu um grande pátio de armas retangular e o conjunto foi cercado por uma muralha, que vimos no primeiro post sobre a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe conservam algumas torres que lhe proporcionam seu caráter histórico de fortaleza. A Torre da Fonte é uma delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Torre de Tenorio

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada lateral do palácio dá para a Plaza de las Bernardas, presidida pelo Monastério de San Bernardo, que vimos na matéria anterior. Acima, vemos uma parte da praça com a Torre de Tenório. Esta parte do palácio nos mostra sua arquitetura gótico -mudéjar, principalmente nas janelas e elementos decorativos. Abaixo, vemos outras imagens da praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVários fatos de grande importância histórica ocorreram no palácio, como o nascimento da filha menor dos reis católicos, Catalina de Aragón (1485/1536), Infanta de Castilla e depois Rainha Consorte de Inglaterra, graças ao seu casamento com Henrique VIII. Na praça podemos ver uma escultura em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro acontecimento de grande transcendência histórica sucedido no palácio é que foi o cenário da primeira entrevista de Cristóvão Colombo com a rainha Isabel La Católica, personagem fundamental e patrocinadora das viagens do navegante genovês que resultou na descoberta do continente americano. Em frente a fachada do palácio foi colocada uma estátua de Isabel La Católica (1451/1504) como comemoração do V centenário de sua morte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal foi realizada pelo arquiteto Alonso de Covarrubias em 1524 no estilo renascentista. No centro da fachada vemos o brasão barroco do Cardeal Infante Luis, filho do primeiro rei da Dinastia dos Bourbons na Espanha, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1939, o Palácio do Arcebispo de Alcalá de Henares sofreu um terrível incêndio durante a Guerra Civil Espanhola, destruindo boa parte de sua estrutura. Sua reconstrução finalizou-se somente em 1996. Atualmente é a sede da Diocese de Alcalá e continua sendo a residência do bispo da cidade.

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As Muralhas de Alcalá de Henares

A cidade de Alcalá de Henares que vemos atualmente possui uma origem medieval. Inicialmente Complutum, passou a ser um enclave árabe e no ano de 1118 o arcebispo de Toledo Bernardo de Sedirac reconquistou a cidade para os cristãos, retornando ao local onde a tradição dizia que haviam sido martirizados os Santos Justo e Pastor. Em 1129 o monarca Alfonso VII de Castilla doa Alcalá e suas terras ao Arcebispado de Toledo, tornando-se desta forma uma cidade eclesiástica. Alcalá de Henares conhece um período de prosperidade graças ao privilégio real na realização de feiras de gado. As necessidades defensivas próprias do período, além da inseguridade política, fazem com que o Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada ordene a construção de uma muralha no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha estava composta por 7 portas de acesso, e durante a etapa governada pelo Arcebispo Pedro Tenorio se reedificaram amplas zonas do recinto defensivo, que passa a contar com 22 torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIV, o recinto amuralhado é novamente ampliado e em 1565 contabiliza 39 torres, das quais se conservam hoje em dia 16.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs torres estão separadas entre si por um muro, e ambos possuem almenas, que são os  espaços retangulares necessários para o contra-ataque no caso de uma invasão inimiga. Tanto as torres quanto o muro foram edificados no estilo mudéjar. A maior parte das torres possuem um formato retangular, mas também existem as de planta circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua evidente função defensiva, as muralhas também exerciam uma função de fiscalização de impostos. Atualmente, o perímetro preservado das muralhas de Alcalá de Henares é de 700m, rodeando o Palácio do Arcebispo, que em breve veremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior do recinto se encontra a Horta do Bispo, originalmente um local de recreio para os habitantes do Palácio do Arcebispo, hoje em dia transformado num espaço para eventos culturais, como concertos, teatro, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Arco de San Bernardo

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe em Madrid existe a Porta de Alcalá, antiga saída para aqueles que se dirigiam ao caminho para Alcalá de Henares (atual Calle de Alcalá), na cidade vizinha vemos a Porta de Madrid, que foi reconstruída em 1778 durante o reinado de Carlos III. Possui um aspecto de arco triunfal e foi erigida no estilo neoclássico, estando composta por 3 corpos, sendo o central mais elevado.

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Igreja de Santa Maria – Brihuega

Situada junto ao Castelo de Brihuega, a Igreja de Santa Maria é atualmente o templo paroquial da cidade.

DSC08103OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como as demais igrejas de Brihuega, também foi construída no séc. XIII, sob as ordens do Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada. A influência da Arquitetura Cistercense é evidente, como demonstra a austeridade decorativa que caracteriza a construçao.

DSC08077O templo é um exemplo do denominado Românico de Transiçao, com elementos próprios do românico e outros derivados do incipiente Gótico, como o Arco Ojival, que podemos ver na portada principal.

DSC08100Abaixo, uma imagem geral da Igreja de Santa Maria, vista desde o ábside.

DSC08084O interior está composto por 3 naves, sendo a central mais larga que as laterais.

DSC08051Preside o altar uma imagem da Virgem de la Peña, padroeira de Brihuega.

DSC08030DSC08031Segundo a tradiçao, esta imagem apareceu a uma princesa moura numa gruta, que podemos encontrar ao descer por uma escada, cujo acesso se dá pelo interior da igreja. Infelizmente, quando estive visitando o local, a gruta estava fechada, e apenas pude ver a escada que conduz a ela.

DSC08243Abaixo, vemos imagens do coro e de uma das vidreiras que embelezam o interior da igreja.

DSC08033 - copiaDSC08068DSC08048Finalizamos o post com uma foto da cúpula deste belíssimo templo, que preside um dos locais com mais encanto de toda a cidade, o Prado de Santa Maria.

DSC08074A próxima matéria estará dedicada a um incrível lugar, que coroa uma visita à cidade, o Museu de Miniaturas do Professor Max, imperdível….

Românico em Brihuega

Em Brihuega se conservam ainda hoje excelentes exemplares de Igrejas Românicas, entre as quais destacamos a de San Miguel, San Felipe e de Santa Maria. Todas elas foram construídas no séc. XIII, durante o período em que a vila se tornou possessao do Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximénez de Rada. O conjunto arquitetônico românico de Brihuega é um produto do contexto histórico resultante do processo de reconquista e a posterior colonizaçao do território. Quando os cristaos conseguiram dominar a bacia do Rio Duero, as terras da Província de Guadalajara continuaram, entretanto, a sofrer períodos de inestabilidade, consequência de sua posiçao limítrofe com os Reinos Árabes. Com a pacificaçao da regiao, ocorreu um aumento demográfico que se traduz na construçao de inúmeras igrejas dentro do estilo próprio daquela época, o Românico. Todas as igrejas de Brihuega se classificam no período final do estilo, também chamado Românico Tardio, e sua fábrica está inspirada nos modelos da arquitetura cistercense. Este período é conhecido também como Românico de Transiçao, pois já se observam elementos que anunciam o Estilo Gótico. O primeiro templo que vamos conhecer é a Igreja de San Miguel.

DSC08225Nesta construçao aparecem elementos oriundos do Mudéjar Toledano, como podemos apreciar no ábside poligonal, feito de tijolo (ladrillo, em espanhol), e nos  contrafortes.

DSC08224A Igreja de San Miguel sofreu um incêndio entre os séc. XVI e XVII, e perdeu praticamente todas as obras de arte que possuía. Abaixo, vemos a fachada principal e a portada.

DSC08226Depois de finalizada a Guerra Civil Espanhola, a igreja ficou praticamente abandonada e, finalmente, seu teto e as naves derrubaram-se. Em 1979, foi restaurada pela Associaçao Amigos de Brihuega, e atualmente é utilizada para eventos culturais. Abaixo, vemos uma imagem da parte lateral da igreja, com uma porta mais simples que a da fachada.

DSC08228A Igreja de San Felipe é justamente considerada uma das mais belas de Brihuega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua lindíssima fachada apresenta um conjunto de 3 rosetones admiráveis, e uma bela portada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosamente, a torre de planta octogonal nao está unida ao templo, pois foi edificada aproveitando-se uma das torres da muralha da cidade, e posteriormente levantou-se o nível superior para os sinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na fachada, podemos apreciar curiosos e enigmáticos capitéis figurados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da Igreja de San Felipe está composto por 3 naves, algo habitual no Românico, separadas entre si por 5 arcos sustentados por colunas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o ábside semicircular, cuja aparente simplicidade construtiva revela sua própria beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1904, uma vela produziu um incêndio que se propagou pelo teto de madeira. O criterioso processo de restauraçao realizado devolveu, felizmente, o aspecto original que a igreja tinha quando foi construída. A seguir, vemos uma Pia Batismal, que no Românico foi decorada com maravilhosos relevos, com inúmeros exemplos por todo o território espanhol. A que vemos, no entanto, apresenta uma decoraçao mais austera e simples.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria veremos num post à parte, quando conheceremos o encantador local onde se localiza, o Prado de Santa Maria. Até lá…

Brihuega – Província de Guadalajara

Conhecer a cidade de Brihuega, localizada a pouca distância de Torija (Província de Guadalajara, Comunidade de Castilla-La Mancha), certamente surpreenderá o turista ávido por pueblos com história, belos monumentos e museus curiosos. De fato, esta pequena cidade com aproximadamente 8 mil habitantes possui tudo isso, e muito mais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrihuega é uma das cidades de maior importância monumental da província e foi declarada Conjunto Histórico-Artístico em 1973.  Além do mais, muitos fatos históricos de relevância nela sucederam, convertendo-a num permanente centro de atraçao turística. Aparece citada por primeira vez na Idade Média como um importante núcleo populacional sob a denominaçao de Castrum Briga, que significa “Castelo sobre a rocha”. Neste período, Brihega acolheu aos principais personagens da época, como o rei Alfonso VI, por exemplo.

DSC08222Depois de conquistar Toledo, Alfonso VI concede a vila aos arçebispos desta cidade, entre os quais mencionamos Rodrigo Ximénez de Rada, um dos principais impulsores da Catedral de Toledo e uma das figuras mais influentes da Espanha Medieval. Este importante personagem incentiva o crescimento de Brihuega, construindo seus monumentos mais conhecidos. Em 1242, concede também o foro à cidade. No final do séc. XVI, o rei Felipe II anexiona Brihuega à coroa, mas durante o séc. XVII, a vila volta a ser posessao eclesiásticca. Em 1710, batalhas ocorridas na regiao trouxeram a dinastia borbônica ao trono espanhol.

DSC08232Novamente emancipada no séc. XVIII, durante o reinado de Carlos III o crescimento industrial é acelerado, com a criaçao da Real Fábrica de Panos, que deu fama e prosperidade a Brihuega, cujas imagens vemos a seguir.

DSC08263DSC08223Finalmente, no séc. XX, a Batalha de Brihuega tornou-se uma das mais decisivas de toda a Guerra Civil Espanhola. A Praça do Coso constitui seu centro administrativo e político, e nela ergue-se o edifício da prefeitura ou Ayuntamiento.

DSC08252Ao lado, vemos a Prisao, atualmente transformada em Oficina de Turismo de Brihuega. O edifício foi realizado em 1781, durante o governo de Carlos III, e antes de sua habilitaçao atual, funcionou como Escola, Academia de Música e Biblioteca Municipal.

DSC08256Em frente, podemos visitar as Cuevas Árabes, uma extensa rede subterânea de galerias construídas durante a dominaçao muçulmana. O local impressiona pelo laberinto de galerias existentes, numa extensao de cerca de 3 km, datadas dos séc. XI e XII.

DSC08026DSC08016Desde esta época, Brihuega foi apreciada por sua riqueza aquífera, composta por numerosos mananciais que possibilitaram a construçao de várias fontes que embelezam a cidade, como a dos 12 canos.

DSC08208DSC08210A Fonte dos 12 Canos serve de apoio à estrutura do curioso lavadeiro municipal, ainda em uso.

DSC08215Várias sao as casas que chamam a atençao por sua bela decoraçao. Abaixo, vemos uma delas, adornada com a representaçao da Virgem de la Peña, padroeira de Brihuega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO nosso passeio por esta encantadora cidade está apenas começando. Nao percam as próximas matérias sobre Brihuega