Olmedo – Vila Mudéjar

Olmedo é conhecida principalmente por seu valioso patrimônio religioso, constituído por igrejas, conventos e ermitas históricas. Boa parte dos edifícios foram construídos no estilo mudéjar, um estilo artístico exclusivo da Espanha. A cidade contou com uma numerosa população muçulmana, que permaneceu na cidade após a reconquista de Alfonso VI no século XI, quando passaram a serem denominados mudéjares, contribuindo para o desenvolvimento do estilo.  Um bom exemplo é a Igreja de San Andrés, construída no século XIII no estilo românico, mas com características mudéjares, razão pela qual é classificada como românica-mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja, outrora em ruínas, foi alvo de um adequado processo de restauração, sendo utilizada atualmente como um auditório ao ar livre. Como destaque principal, citamos o ábside e a torre, ambos mudéjares, construídos em tijolo, o principal material utilizado nesta corrente arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO ábside, cuja imagem vemos acima, está composto por arcos cegos semicirculares (ou de meio ponto) dispostos em três níveis, sendo os superiores de maior tamanho. Ao estar em ruínas consolidadas, é possível observar a estrutura interna do ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de ser restaurada, a igreja passou por um longo período de abandono, sendo utilizada inclusive como armazém de madeiras. O templo possui nave única, como podemos ver na foto acima. Nos séculos XVI e XVIII a igreja foi reformada em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Igreja de San Andrés foi declarada Monumento Histórico-Artístico, título que colaborou para que fosse restaurada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo do estilo mudéjar é a Igreja de San Juan. Da mesma forma que a Igreja de San Andrés, este templo também se encontra fechado ao culto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no século XII, seu aspecto atual corresponde às reformas realizadas no século XVI, possivelmente devido ao mau estado da construção primitiva. Neste período se construiu o ábside poligonal, sobre cuja estrutura se levantou um corpo para as campanas. Uma pena que o templo estava fechado, e não pude admirar seu interior, que alberga uma capela funerária atribuída a Juan Guas, um importante arquiteto que trabalhou para os Reis Católicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAfastada do centro da cidade, e localizada no cemitério de Olmedo, encontramos a bela Ermita de Santa María de la Vega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no estilo românico-mudéjar no século XII, desta época se conserva alguns elementos, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta principal do templo também se conservou…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizada em pedra e formada por arquivoltas de meio ponto ou semicirculares, está sustentada por colunas rematadas por capitéis lisos. No século XVI, este pequeno e belo templo foi reformado, adquirindo um aspecto renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO alto da fachada foi o local escolhido pelas cegonhas como sua morada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGrande parte das residências da cidade foram construídas com tijolo, seguindo a tradiconal corrente mudéjar de Olmedo.

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Arévalo – Cidade Mudéjar (Segunda Parte)

Apesar da existência de elementos comuns, o estilo Mudéjar não é unitário, apresentando peculiaridades em cada região onde se desenvolveu. Por isso, existem diferenças entre o Mudéjar Toledano, o Aragonês, o Castelhano, etc. No antigo Reino de Castilla, o êxito e a difusão desta corrente artística, num território dominado pelo estilo Românico (séc. XI ao XIII) e pelo Gótico (séc. XIII ao XVI), só foi possível devido à existência de uma população mudéjar na região, que conheciam as técnicas construtivas do ladrillo (tijolo). Exatamente isso foi o que ocorreu em Arévalo. O fator decisivo para seu desenvolvimento foi a rapidez e a economia do processo de construção, em relação à utilização da pedra, que tinha que ser talhada, transportada, etc. Além do mais, na Castilla y León da época as boas canteiras de pedra, necessárias para sua extração, eram escassas nos territórios onde o Mudéjar se desenvolveu. Depois desta breve introdução, veremos outros exemplos de templos mudéjares nesta cidade castelhana. Algumas delas foram reformadas em épocas posteriores, e ocultam em sua estrutura os elementos mudéjares originais. Tal é o caso da Igreja de San Miguel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre os séc. XII e o XVI, este templo conserva uma portada mudéjar intacta, erguida segundo as normas da arquitetura românica, como a incorporação do arco semicircular ou de meio ponto. Por isso, integra o denominado Românico de Ladrillo ou Româncico-Mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA combinação de estilos da Igreja de San Miguel é visível na outra porta, situada no lado oposto da vista acima, e levantada em época neoclássica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior possui uma nave única, presidida por um magnífico retábulo do arcanjo Miguel e realizado no séc. XVI pelo artista Marcos Pinilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, podemos ver também os denominados Passos da Semana Santa, formado em sua maioria por obras barrocas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja Paroquial de Santo Domingo de Silos foi originalmente uma construção mudéjar, mas foi transformada completamente no período renascentista e barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi no séc. XVI quando se construiu a porta principal e se realizou a ampliação do interior, formado por 3 naves.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta igreja são venerados os restos de San Vitorino, padroeiro de Arévalo, e a imagem da Virgem das Angústias, sua padroeira. No entanto, a obra mais importante sob o ponto de vista artístico, é a imagem de São Francisco de Assis, executada em madeira policromada pelo mais importante escultor barroco espanhol, Gregório Fernández, entre 1625/1630.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe finais do séc. XII e princípios do XIII é a Igreja de San Juan Bautista. Sua particularidade é que se encontra integrada à antiga muralha medieval da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReformada no período barroco, é a única igreja, além da paroquial, que segue aberta para cultos. No seu interior, apreciamos duas peças excepcionais. Uma das mais importantes obras de toda a cidade é a escultura românica de San Zacarias, do séc. XII.  Além da maestria em sua execução, este santo foi pouco representado na  Arte Românica,daí sua importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra imagem destacável é a de um Cristo crucificado, realizada no período Gótico (XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem frontal do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre Arévalo com a Igreja de El Salvador, documentada por primeira vez em 1230. A fachada principal foi reformada no estilo neoclássico (final do séc. XVI), mas conserva sua torre mudéjar, robusta e imponente.

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San Isidro Labrador

Um dos personagens religiosos mais importantes de toda Espanha, San Isidro (1070/1130) é o padroeiro de Madrid desde 1619, quando foi beatificado pelo papa Paulo V. Seu nome, uma derivaçao de San Isidoro, foi dado em homenagem ao arçobispo de Sevilha e erudito da época visigoda (556/636 dC). Devido a sua profissao, labrador, é considerado também o padroeiro dos agricultores, sendo venerado em muitos pueblos de tradiçao agrícola, nao só na Espanha, como em muitos países sul-americanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANascido na capital, quando Madrid foi conquistada pelo rei muçulmano Alí, San Isidro, como muitos outros cristaos, abandonou a entao vila e se dirige a Torrelodones, onde conhecerá a uma jovem chamada Maria da Piedade, com quem casará e que posteriormente também será venerada nos altares sob a denominaçao de Santa Maria de la Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPessoa de grande generosidade e simplicidade, sua sensibilidade espiritual o relaciona com Sao Francisco de Assis. De volta à Madrid, estabelece residência junto à Igreja de San Andrés, situada no bairro da Latina, cujo edifício será transformado no Museu da Cidade, que acolhe quadros, esculturas e acontecimentos relacionados à sua vida. Na foto abaixo, vemos o museu, localizado na Praça do Humilhadeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVários sao os milagres a ele atribuídos. O do poço, um dos mais conhecidos, conta que graças às suas oraçoes, as águas de um poço subiram, podendo assim resgatar o filho que nele havía caído. O dito poço é uma das grandes atraçoes do museu, fato que inspirou a arte barroca espanhola, como neste quadro de Claudio Coelho, em que o pintor retrata o mencionado milagre (séc. XVII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do museu, no local onde a tradiçao diz que passou boa parte de sua vida, vemos atualmente uma bela capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo dia 15 de maio, data em que se celebram suas festividades, se realiza em Madrid uma procissao com sua imagem, venerada na que foi a Catedral de Madrid durante o período compreendido entre 1885 e 1993, a chamada Colegiata de San Isidro, cujas imagens vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1626/1664, a Colegiata deixou de ser a catedral quando foram finalizadas as obras da Catedral de Almudena. Também se festeja, em nome do santo, uma das celebraçoes taurinas mais importantes do mundo, a Feria de San Isidro. Existem outros locais em Madrid relacionado à vida do santo, como a Ermita de San Isidro, em que uma fonte de água é reverenciada. Segundo a lenda, a mesma que fez o santo jorrar em época de seca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, se narra o poder curativo da fonte, e uma grande lista de nomes de pessoas que foram beneficiadas ao tomá-la. Em frente à ermita, um parque também leva o nome do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASan isidro trabalhava nos campos, numa regiao conhecida atualmente como Carabanchel, onde em sua época se localizava uma igreja dedicada à Maria Madalena. No local, hoje podemos contemplar a Ermita de Nossa Senhora La Antigua, construída no estilo românico-mudéjar (séc. XIII), a mais antiga do estilo em toda a Comunidade de Madrid.

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Monastério de San Pedro De Las Dueñas

Situado a 5km de Sahagun, o Monastério de San Pedro de Las Dueñas localiza-se no povoado homônimo e pertence à ordem beneditina. Habitado somente por monjas, foi fundado no final do séc. X e princípios do séc. XI.

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O atual edifício é do séc. XVIII, mas conserva intacta sua igreja primitiva, de estilo Românico-Mudéjar e erguida no séc. XII, sendo considerada a jóia mais valiosa de todo o conjunto monacal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério gozou ao longo de sua história do apreço da realeza, sendo incontáveis os privilégios que lhe foram concedidos. Seu nome pode ser explicado pela grande quantidade de damas da nobreza castelhana que nele tomaram hábito ou então ingressavam em suas dependências para receberem  educação. Abaixo, a entrada construída no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi iniciada em 1109, primeiro em pedra e posteriormente em tijolo. A planta é constituída por 3 naves, sendo a central com o dobro de largura que as laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, são célebres os capitéis, de notável qualidade escultórica, dos quais o que representa 7 monjas é o mais famoso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO simbolismo relacionado com a figura do leao aparece em vários de seus capitéis.

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Outra de suas jóias é uma imagem do Cristo crucificado, do insigne escultor barroco Gregório Fernández.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior, além da torre quadrada feita inteiramente de tijolos, que se eleva sobre o presbitério da nave central, como podemos observar nas primeiras fotos da matéria, os jardins também chamam a atençao do visitante, pelo cuidado com que sao tratados, transformando-se num local  em que se respira paz e tranquilidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVoltando para Sahagun, é possível conhecer diminutos pueblos, que nao obstante, preservam sua arquitetura tradicional e até mesmo seu imponente castelo.

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Sahagun – Castilla y León

A vila de Sahagun localiza-se na Provínvia  de León (Comunidade Autônoma de Castilla-León), às margens dos rios Cea e Valderaduey. Desde a época romana, apresentou grande vitalidade econômica e cultural, graças à sua privilegiada localização, que a comunicava com as demais localidades do império através da calçada romana e a denominada Via Trajana, que ligava Astorga a Zaragoza e Tarragona. A eleição geográfica do pueblo foi conseqüência da veneração que os habitantes tiveram aos santos mártires Facundo e Primitivo, legionários romanos convertidos ao cristianismo e que foram perseguidos e martirizados, e cujos restos foram jogados ao rio Cea. (séc.III dC).

Os cristãos recuperaram seus corpos e levantaram um antigo santuário consagrado a ambos (Domnos Sanctos, donde origina-se o nome da vila), sendo devidamente sepultados. A tradiçao atribui a Alfonso III a restauração da antiga igreja no ano 872 dC. Foi, porém, durante o reinado de Alfonso VI de León que a cidade e o monastério alcançaram o apogeu, devido à implantação dos denominados ritos cluniaenses com a chegada da Ordem de Cluny, que substitui os anteriores ritos visigodos (1080), e o impulso dado pelo monarca ao Caminho de Santiago, do qual Sahagun se tornou um dos locais imprescindíveis.

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O comércio se intensificou e a influência do monastério beneditino estendia-se a quase uma centena de outros conventos e igrejas da região. O próprio rei e quatro de suas esposas foram enterrados no monastério. No entanto, o sepulcro que continha seus restos foi destruído por causa de um incêndio em 1810 e seus restos mortais foram levados ao monastério das monjas beneditinas situado bem próximo às ruínas do antigo monastério. Abaixo, vemos uma foto deste monastério, e que pode ser visitado, pois também sedia um museu religioso.

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No séc. XVI, o monastério perde importância com a construção do Monastério Beneditino de Valladolid, e finalmente sua decadência é culminada com a desamortizaçao de Mendizábal no séc. XIX. O Monastério de San Bento possuía extraordinárias dimensoes, e atualmente se conservam apenas a Torre do relógio (a única preservada, das duas que existiam originalmente), que alberga a Capela de San Mancio, e o Arco de San Benito, um dos acessos à igreja do monastério. Construído em 1662, substituiu uma portada românica em ruínas, e representa ao modo de arco triunfal, um manifesto do poder do monastério e de sua fundação real. No primeiro corpo, vemos as imagens dos santos mártires, e em sua parte superior relevos que simbolizam o poder eclesiástico e monárquico, bem como as esculturas de Alfonso III e Alfonso VI. A seguir, vemos fotos das mencionadas estruturas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO patrimônio histórico-monumental de Sahagun, além de suas festividades anuais, a transformaram num destino turístico não só nacional, como também a nível internacional. Sua importância cultural é acentuada por ser um dos locais fundamentais do Caminho de Santiago. Os peregrinos que chegam à cidade podem hospedar-se no Albergue a eles destinado, situado na antiga Igreja da Trindade, que também funciona como Oficina de Turismo e auditório municipal. A igreja está documentada desde o ano 1221, e a aparência que hoje observamos é resultado de numerosas reformas iniciadas a partir do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente, situa-se a Igreja de San Juan, cuja construção iniciou-se em 1627, e as vivas cores da fachada recordam o aspecto do estilo neoclássico colonial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos o contraste entre os estilos de ambos os templos.

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A cidade é reconhecida no campo da arquitetura por possuir dois dos mais renomados exemplos de templos mudéjares de todo o território espanhol. Construídas praticamente em totalidade por tijolos, são parte integrante do denominado Românico de Ladrillo (tijolo, em espanhol).

A Igreja de San Lorenzo é a parroquia da vila. Obra do séc. XIII, possui 3 ábsides e uma esbelta torre, composta por 4 corpos que reduzem de tamanho à medida que ascendem. O resultado é uma estrutura de grandes dimensões, mas com um aspecto de leveza.

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Em 2011, seu mal estado de conservação a incluiu na lista de monumentos em perigo do patrimônio espanhol.

Já a Igreja de San Tirso é uma das mais célebres construções mudéjares de todo o país. Levantada no séc. XII, desde 1931 é considerada Monumento Nacional, e atualmente sedia um pequeno museu de arte sacra.

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Sua torre é magnífica, e igual que a de San Lorenzo, eleva-se a partir do ábside, característica singular das igrejas de Sahagun. Formada por dois corpos, o primeiro é maciço, para sustentar o peso da estrutura superior, e o segundo é oco. A torre original derrubou-se em 1948, e sua reconstrução, finalizada em 1960, reproduz fielmente o desenho original.

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Outra de suas atrações é a Ponte Canto, de origem romana, pois fazia parte da calçada que unia as diversas províncias do império. Foi reconstruída em 1085 durante o reinado de Alfonso VI e reformada nos séc. XVI e XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem que segue, vemos a típica vegetaçao das margens do rio Cea.

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Atualmente, Sahagun possui menos de 3mil habitantes, e seu número decresce de forma contínua, devido ao envelhecimento populacional, a baixa taxa de natalidade e a emigração a outras zonas mais desenvolvidas economicamente, como as cidades de León e Palencia.

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Toro – Castilla y León (Parte 2)

Ao largo de sua história, Toro contou com tres recintos defensivos, representados por suas respectivas muralhas. Da primeira, nao se conserva praticamente nada. Entre os restos da segunda, está o Arco do Postigo, que junto com a Porta do Mercado representavam as duas entradas à cidade. Sobre o arco que se construiu na Idade Média, existe uma capela dedicada a N.Sra. La Antigua e em sua parte superior, vemos um relevo da Anunciaçao.

A chamada Porta da Corredera fazia parte do terceiro recinto defensivo. Levantada no começo do séc. XVII para receber o rei Felipe III, tinha uma funçao meramente decorativa, simulando um arco triunfal.

A Igreja de San Lorenzo El Real é outro exemplo de construçao Românica-Mudéjar que se encontra na cidade. Erguida no séc. XII, possui apenas uma nave, e no interior podemos admirar o sepulcro gótico de Pedro de Castilla e sua esposa Beatriz de Fonseca.

O Retábulo gótico, do séc. XV, foi executado por Fernando Gallego.

Abaixo, vemos fotos da nave central e do ábside, além do coro, com destaque para seu artesanato de madeira no estilo mudéjar.

Na foto que segue, vemos uma bela imagem que decora o recinto.

A ponte que cruza o rio Duero foi edificada com pedra arenítica. Consta de 22 arcos e sua origem é incerta. Sua parte principal pertence ao séc. XIII, sendo reformada em séculos posteriores.

A pesca ainda é uma atividade praticada pelos habitantes da cidade.

A Igreja de San Sebastian de Los Caballeros acolhe uma importante coleçao de pinturas murais, procedentes do Monastério de Santa Clara. Datam do séc. XIV e estao assinadas por uma mulher, Teresa Díez. Se ignora, no entanto, se ela foi a autora ou a promotora das obras.

Abaixo, vemos uma imagem do interior da igreja e do retábulo que possui.

Um pouco afastada do centro histórico da vila, a Ermita de N.Sra Del Canto guarda em seu interior a venerada imagem da padroeira da cidade.

A ermita foi construída no séc. XIII, mas muito reformada em épocas posteriores.

As próximas publicaçoes estarao dedicadas ao principal monumento artístico e histórico de Toro, a magnífica Colegiata de Santa Maria. Nao percam…

Toro – Castilla y León

A cidade de Toro, localizada no noroeste da península, pertence à Província de Zamora, Comunidade de Castilla y León. Banhada pelas águas do rio Duero, situa-se num cerro elevado.

Está identificada com a “Arcobala” que aparece nos textos antigos e que, juntamente com Salamanca, foi conquistada pelo general cartaginês Aníbal no séc. III aC. Antes da dominação romana, este território pertencia aos Vetones, um povo ibérico. Sua organização era basicamente militar, com uma classe guerreira e outra servil, dedicada à pecuária,  base de sua economia. A este povo se deve a cultura dos Verracos, por suas esculturas monolíticas, representando animais. Uma destas esculturas, um touro, esteve muito tempo junto à Colegiata de Santa Maria e, segundo uma teoria, pode ter originado o nome da cidade.

Depois da invaso muçulmana, foi reconquistada por Alfonso III (séc. IX). Mas foi somente com Alfonso VII que adquire importância, que não deixou de aumentar, até a época dos Reis Católicos.

Durante a Idade Média, tornou-se uma das mais prósperas cidades do Reino de León, principalmente por sua produção de vinho, famoso até os dias atuais.

Touro foi a sede das cortes reais em várias ocasiões, mas o acontecimento histórico mais relevante da vila foi sua participação na guerra pela sucessão do trono de Enrique IV de Castilla, entre Juana La Beltraneja e Isabel La Católica. Este conflito dividiu o Reino de Castilla, e contou também com a participação de Portugal e do Reino de Aragón. A cidade tomou parte por Juana, mas em 1476 as tropas isabelinas lograram a vitória na chamada Batalha de Toro, crucial para que chegasse ao poder.

Depois da morte de Isabel, seu marido, o rei Fernando El Católico, convocou as cortes na cidade em 1505, onde leu o testamento de Isabel e se proclamou rainha de Castilla a sua filha Juana. Diante de demonstraçoes de demência, foi nomeado regente seu pai, Fernando El Católico. A partir de então, inicia-se o declínio da cidade.

Atualmente, porém, Toro goza de uma intensa vida cultural, e seu vasto patrimônio é merecedor de muitos turistas que visitam a cidade. A porta de entrada de seu centro histórico é a Torre do Relógio, construída no séc. XVIII.

Diz uma lenda que na argamassa utilizada em sua construçao, foi usado vinho em vez de água, pois era mais barato utilizá-lo do que subir a água do rio Duero. A torre está situada sobre a antiga Porta do Mercado e foi levantada na época do rei Felipe V. O desenho do projeto foi obra de Joaquim Churriguera.

Depois de passar pelo arco da torre e descendo a rua, encontramos a Casa Consistorial, ou prédio da Prefeitura, de 1778.

Projetado pelo arquiteto Ventura Rodríguez, substituiu o antigo edifício, destruído por um incêndio. Na praça onde se situa, ocorrem as festas da cidade, com várias manifestações culturais.

A Igreja de San Salvador de Los Caballeros, é a típica construçao do Românico-Mudéjar, erguida com tijolos.

Do séc. XIII, a igreja pertenceu à Ordem Templária, até a extinção da mesma. Em 1929, foi declarada Monumento Histórico, o que evitou sua ruína. Atualmente, sedia o Museu de Arte Sacra, com uma bela coleção de esculturas medievais. Abaixo, vemos algumas delas, como este Cristo articulado pertencente ao séc. XIII.

No museu, encontramos belos sepulcros medievais esculpidos, como os de abaixo.

Na nave central, podemos admirar pinturas ao fresco de estilo mudéjar.

No ábside central, as pinturas que o decoram são posteriores, do séc. XVII. Devido às pinturas murais que acolhe em seu interior, o templo é conhecido também como San Salvador, El Pintado.

O Monastério de Sancti Spiritus, construído a partir de 1316, acolhe a freiras dominicanas e, no interior, acolhe o sepulcro de Beatriz de Portugal, seu maior tesouro. A instituição foi fundada pela infanta portuguesa D.Teresa Gil.

O Alcázar é o único resto conservado do antigo sistema defensivo da cidade. De planta quadrada, foi local de residência dos Reis Católicos e de Juan II de Castilla. Do protagonismo que teve durante a Batalha de Touro em 1766, no séc. XVI deixa de acolher os monarcas, iniciando sua decadência. Declarado Monumento Histórico-Artístico desde 1931.

No próximo post, seguiremos desvendando os segredos desta bela cidade…