Praça de San Lorenzo – Segóvia

Segóvia é uma cidade repleta de surpresas. Mesmo depois de visitá-la inúmeras vezes, ainda me surpreende com lugares que nao havia conhecido antes. Recentemente, estive no Bairro de San Lorenzo, um dos mais pitorescos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado fora da muralha que rodeia o centro histórico de Segóvia, este bairro conserva de modo magistral sua atmosfera medieval e a praça dedicada a San Lorenzo é o centro de sua vida comunitária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, seus habitantes dedicavam-se ao trabalho agrícola nas hortas e moinhos existentes nas margens de um dos dois rios que cortam a cidade, o Eresma. As casas que circundam a praça refletem em sua arquitetura tradicional, este modo de vida. Feitas de tijolos e com vigas de madeira, sua conservaçao é uma memória viva desta cidade à sua dilatada história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas casas tradicionais possuem dois andares, como podemos observar nas fotos, e muitas delas conservam sua porta composta por um arco de meio ponto. Na casa abaixo, vemos refletida em sua janela a torre da Igreja de San Lorenzo Mártir, que domina o centro da praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta belíssima igreja românica possui uma cronologia indeterminada. No entanto, seus elementos estruturais a situam entre o séculos XII e XIII, ainda que alguns estudiosos afirmam que poderia ser mais antiga, talvez do séculos X ou mesmo do IX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua torre é um exemplo do denominado Românico Mudéjar. Destacam também em sua estrutura o triplo ábside e a galeria, típica do Românico Segoviano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA galeria está formada por colunas duplas, e nelas podemos apreciar a rica iconografia presente nos relevos de seus capitéis, com cenas históricas notáveis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos numerosos elementos decorativos da Igreja de San Lorenzo sao tao arcaicos que dificultam a leitura de suas cenas. Outros, porém, estao muito bem preservados, como o que representa o Martírio de San Lorenzo. Este santo aragonês, que viveu entre 225 e 258 dC, foi queimado vivo numa fogeira, mais precisamente num assador e sua representaçao é uma das mais comuns associadas à iconografia deste santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra cena impressionante é a que representa o Sacifício de Isaac, patriarca bíblico e único filho de Abraao com Sara, e pai de Esaú e Jacó. Isaac, no momento de seu sacrifício, foi substituído por um carneiro, e o episódio se refere à obediência de seu pai à Deus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com uma das portas de acesso ao templo, que estava fechado para visitaçao…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts veremos outro local maravilhoso de Segóvia, o Monastério de San Antonio, nao percam…

Salamanca Romana e Românica

Os primeiros povoadores do que hoje conhecemos como a cidade de Salamanca se assentaram nas margens do Rio Tormes há cerca de 2500 anos atrás. No ano de 220 aC, Aníbal, o grande general de Cartago, em seu avanço pela Península Ibérica, sitiou e conquistou a antiga cidade de Helmántica. Finalizada a II Guerra Púnica, o vitorioso exército romano expandiu-se pela península, anexionando a cidade, que passou a integrar a Província Romana da Lusitânia. Durante este período, se construiu uma enorme ponte que cruza o Rio Tormes, também conhecida como Ponte Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARestaurada em diversas ocasioes, dos 26 arcos que está constituída, 15 sao de época romana. Sua data de construçao nao se conhece com precisao, estando situada entre os mandatos dos imperadores Augusto e Vespasiano, durante o séc. I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao da ponte visava oferecer uma estrutura que cruzasse o rio para os viajantes que percorriam a denominada Via de la Plata, que comunicava as antigas cidades romanas de Emérita Augusta (hoje Mérida) com Astorga. Entre os séculos XII e XIII, se reconstruiu a parte da ponte mais afastada do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1627, foram realizadas uma das maiores intervençoes em sua estrutura, devido às fortes enchentes provocadas pelo rio. Declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931, seu uso atualmente é exclusivo para pedestres, que aproveitam o espaço criado em seu entorno para a prática desportiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalamanca esteve fortificada em vários períodos de sua história. A chamada Cerca Velha foi levantada durante a dominaçao romana. A muralha nova foi erguida na Idade Média (séc. XIII),mas grande parte de seu perímetro se perdeu durante o processo de expansao da cidade, conhecido como Ensanche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco se sabe da época visigoda de Salamanca, exceto que foi sede episcopal já no séc. VI dC. Conquistada pelos muçulmanos no séc. VIII, ficou praticamente destruída durante as frequentes invasoes a que foi submetida, e a cidade foi abandonada. Salamanca foi reconquistada pelos Reinos Cristaos e repovoada por Raimundo de Borgonha, genro do monarca Alfonso VI, da mesma forma que sucedeu com a cidade de Segóvia. A partir de entao, se formam as bases da cidade atual. Muitas das construçoes desta época foram edificadas no estilo em voga naquele momento, o Românico. Um exemplo é a Igreja de San Marcos, que foi construída num pouco habitual formato circular, no final do séc. XI ou no começo do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs estudiosos nao chegam a uma conclusao defintiva sobre o porquê e com que finalidade foi levantada desta forma, já que a planta circular é rara dentro dos templos religiosos românicos. A construçao se caracteriza também pela quase total ausência decorativa de seus muros, compondo uma estrutura sóbria e austera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPróxima à belíssima Praça Maior de Salamanca, que em breve veremos com detalhes, encontramos a Igreja de San Martín, erguida no Estilo Românico no séc. XII. San Martin de Tours é um santo francês, e entre os episódios de sua vida se tornou famoso aquele que montado sobre um cavalo, divide suas roupas com um mendigo, fato retratado numa escultura policromada que decora a Porta do Bispo da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das construçoes pertencentes ao periodo românico se perderam, como a Igreja de San Cebrián, levantada no séc. XII e desaparecida no XVI. Se conserva apenas a cripta, um lugar lendário que, segundo a tradiçao popular, era o local onde lecionava aulas de ciências ocultas o próprio Satanás. Disfarçado de sacristao, dava cursos de adivinhaçao, magia, etc, a sete alunos durante sete anos, um dos quais permaneceria o resto de sua vida ao serviço do diabólico mestre. O escritor Miguel de Cervantes ofereceu um caráter burlesco a lenda em sua novela “A Cova de Salamanca”. A tradiçao foi levada a América Espanhola, e muitos dos lugares de reunioes de bruxas e demônios ficaram conhecidos como Salamancas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois da reconquista, a Diocese de Salamanca foi restaurada, iniciando-se a construçao da Catedral Românica no séc. XII, cuja matéria foi publicada em 24/07/2012. Abaixo, vemos uma foto da Capela Maior e seu impressionante retábulo, coroado por frescos representando o Juízo Final, realizado pelo pintor Nicolás Florentino em 1445.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo está presidido por uma imagem da Virgen de la Vega, padroeira da cidade. Finalizamos o post com uma imagem da Capela de San Martín, repleta de pinturas murais medievais.

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Manuscritos Medievais do Castelo de Ponferrada – Parte 2

“Cada folha de um manuscrito ilustrado equivale a visita de uma ampla galeria de Arte Medieval”. Esta frase revela a importância destes documentos, que serviram de inspiraçao a artistas dos campos da pintura, arquitetura e escultura dos períodos românico, gótico e renascentista. Como vimos no post anterior, na Exposiçao Tempum Libri, sediada no Castelo de Ponferrada, podemos admirar as obras que mais influenciaram a cultura medieval. Uma delas é o famoso Códice Calixtino, um dos mais importantes da Idade Média. Trata-se de um conjunto de textos de diversos autores, parte deles atribuído ao monge francês Aymerie Picaud. Os 225 pergaminhos que compoem o códice estao compostos por 5 livros e 2 apêndices. O quinto livro constitui uma espécie de guia turístico para os peregrinos que realizavam o Caminho de Santiago. Além do mais, o códice contêm hinos, sermoes, milagres e relatos da vida do Apóstolo Santiago. O exemplar que se encontra na Catedral de Santiago de Compostela é o mais antigo e completo da obra conhecida como Liber Sancti Iacobi, das cerca de 200 cópias existentes na Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe finais do séc. XV é o Breviário de Isabel La Católica, cujo original se encontra na British Library. A obra foi um presente oferecido à rainha por seu embaixador, Francisco de Rojas, para comemorar o casamento duplo de seus filhos, os infantes Juan e Juana, assim como os êxitos de seu reinado, como o Descobrimento da América e a Conquista do Reino de Granada, ambos ocorridos em 1492. O breviário saiu de Espanha durante a Guerra de Independência, depois do assalto das tropas francesas ao Monastério do Escorial, onde se guardava. Levado à França, em 1851 foi parar nas maos de um banqueiro, que o vendeu ao British Museum por 3 mil libras. O Breviário reflte a história artística e política da época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a obra principal do Cristianismo Celta, o famoso Livro de Kells foi realizado por monges irlandeses no ano 800 dC, na Abadia de Kells. Um dos manuscritos iluminados mais suntuosos realizados na Idade Média, muitos o celebram como o mais importante vestígio da Arte Religiosa Medieval. Escrito em latim, contêm os 4 evangelhos do Novo Testamento, e o original se encontra na Biblioteca do Trinity College, de Dublin.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Leccionario Farnese é um livro litúrgico reealizado no séc. XVI para o Cardeal Alejandro Farnesio. Obra excepcional, destaca por suas dimensoes e extraordinária riqueza decorativa. Durante séculos, foi utilizado na Capela Sixtina durante solenes cerimônias nela realizadas. Reflete a exuberância da pintura renascentista, constituindo uma das obras principais de Julio Clovio, célebre artista ilustrador italiano do séc. XVI. O original está na Biblioteca Pública de Nova York.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEscrito em latim no séc. XII por uma autor anônimo, o Bestiário de Sao Petersburgo relata um conjunto de fábulas populares, alguma provenientes da antiga tradiçao celta da regiao de York, razao pela qual o livro também é conhecido como Bestiário de York. Testemunho do apogeu das técnicas de iluminaçao inglesa do período românico, o manuscrito original encontra-se na Biblioteca Russa, situada em Sao Petersburgo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos manuscritos religiosos, na exposiçao podemos ver alguns de caráter científico, como o conhecido Canon de Avicena (médico, filósofo e cientista de origem persa). Avicena escreveu cerca de 300 obras sobre temática diversa. Seus discípulos o denominavam Príncipe dos Sábios, e atualmente é considerado um dos médicos mais importantes de todos os tempos. O Canon de Avicena foi trazido à Espanha durante as cruzadas, influenciando a prática e o ensino da medicina durante séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra fundamental é o Livro do Saber de Astronomia do rei Alfonso X “El Sábio”. O manuscrito, escrito em 1277, contêm 16 tratados de astronomia e os instrumentos de observaçao. Escrito em pergaminho com letras góticas, existem apenas 9 cópias em todo o mundo, sendo que o original encontra-se na Biblioteca da Universidade Complutense de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPedro de Teixeira foi um importante cartógrafo português (Lisboa-1595/Madrid-1662), que viveu muitos anos de sua vida na capital espanhola. Conhecido pelos mapas da cidade que realizou com infinidade de detalhes em 1656, o rei Felipe IV lhe encarregou a execuçao de um atlas em 1634, que tornou-se famoso na época, pela minuciosidade com que retratou a costa da Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas obras de caráter literário chamam a atençao na exposiçao, como esta ediçao de Don  Quijote de La Mancha, a universal obra de Cervantes, ilustrada por Salvador Dalí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA invençao da imprensa no séc. XV representou o fim da Arte dos Manuscritos, apesar de que até os finais do séc. XVI se continuou a escrever sobre pergaminhos.

Cifuentes – Província de Guadalajara

A cidade de Cifuentes é outra das belas localidades existentes na Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla-La Mancha). Sua origem se remonta a época da conquista da Taifa de Toledo pelos reis cristaos de Castela, ao final do séc. XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIV, o infante D.Juan Manuel adquiriu o senhorio de Cifuentes e ordena a construçao de um castelo, que ainda podemos ver na parte mais elevada da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo foi edificado a partir de 1324 sobre os restos de uma fortaleza árabe anterior. A partir de entao, Cifuentes transformou-se numa vila de realengo, isto é, dependente diretamente da administraçao real. No séc. XV, o monarca Enrique IV concede a vila a Juan de Silva, alférez maior de Castela, ostentando o título de primeiro Conde de Cifuentes. Na época medieval, a cidade estava toda rodeada por uma muralha, construída no séc. XIV. Permaneceu de pé até mediados do séc. XX, e atualmente podemos observar apenas uma pequena parte de seu perímetro original, correspondente a denominada Porta Salinera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADas  4 portas que existiam, esta é a única que se conserva, apresentando duas torres. Possibilitava o acesso a uma importante área de produçao de sal, explorada desde a época romana, daí a explicaçao de seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o nome da cidade provém da junçao de cem e fontes, uma referência a grande quantidade de mananciais do pequeno rio que atravessa o local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal templo religioso de Cifuentes é a Igreja de San Salvador, que combina elementos do românico, gótico, renascimento e do barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores destaques da igreja é a Portada de Santiago, construída no séc. XIII no estilo românico, uma das melhores mostras deste estilo em toda a província.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada está composta por 12 colunas e uma complexa decoraçao escultórica, com a presença de cenas relativas à vida de Jesus, anjos e referências morais quanto aos pecados condenados pela igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Igreja de San Salvador, situa-se o antigo Convento de Sao Domingo, transformado atualmente numa Oficina de Turismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do conjunto formado pela igreja e o convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAContinuaremos a visita por Cifuentes no próximo post, até lá…

Arquitetura Negra – Província de Guadalajara

Situados num Parque Natural na Serra Norte da Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla-La Mancha), existem uma série de povoados que  conservam um dos conjuntos mais impressionantes da  arquitetura popular européia. Atualmente, estes povoados se encontram num período de declaraçao de Patrimônio da Humanidade pela Unesco, dado seu excepcional valor etnográfico, arquitetônico e paisagístico. A principal característica destes pueblos é a utilizaçao de uma pedra denominada pizarra negra (parecida com a ardósia) na construçao de suas casas e monumentos. Extraída do próprio ambiente natural da regiao, proporciona a tonalidade escura desta singular arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizada a cerca de 60 km de Guadalajara, o povoado de Tamajón é a base para conhecer a maioria dos Pueblos de Arquitetura Negra da província. Apesar de seu reduzido tamanho, possui uma belíssima igreja renascentista dedicada à N.Sra da Asunçao, levantada no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal elemento destacável do templo é a galeria porticada que vemos em sua fachada, datada do séc. XIII e construída no estilo românico, resto de uma primitiva construçao. Nela, vemos uma série de canecillos, como sao chamadas pequenas esculturas de figuras humanas que adornam o muro da galeria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPróximo de Tamajón, encontramos o primeiro povoado de Arquitetura Negra, chamado Campillo de Ranas,  situado a 1100m de altitude.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pizarra é o elemento construtivo tanto dos muros, quanto do teto das casas. Devido ao rigor climático do inverno, seus muros sao grossos e os aposentos sao reduzidos, com um grande espaço interior reservado para a cozinha e as chaminés. Além do mais, existe uma clara e bem estabelecida divisao do espaço para os moradores, para a exploraçao agrícola e para o gado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de arquitetura popular foi aplicada a todos os edifícios constituintes dos povoados, sejam casas, pontes ou igrejas, mimetizando os povoados com seu entorno natural, numa estreita simbiose que possibilita um caráter de grande uniformidade cromática. Abaixo, vemos a Igreja Paroquial de Santa Maria Magdalena, cujas tradicionais pizarras foram misturadas com pedra calcárea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPassear com tranquilidade por suas ruas nos permite contemplar detalhes que anunciam os laços de fraternidade que unem os habitantes do lugar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra imagem de Campillo de Ranas e sua especial arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA distância entre os pueblos de Arquitetura Negra é pequena, e a paisagem circudante está repleta de campos de girassóis e belas paisagens.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos a visita por estes rústicos e atraentes pueblos, cuja insólita arquitetura transformou a vida de seus habitantes, tornando a regiao conhecida e formando parte do Patrimônio Turístico da Província de Guadalajara.

Igreja de Santa Maria – Brihuega

Situada junto ao Castelo de Brihuega, a Igreja de Santa Maria é atualmente o templo paroquial da cidade.

DSC08103OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como as demais igrejas de Brihuega, também foi construída no séc. XIII, sob as ordens do Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada. A influência da Arquitetura Cistercense é evidente, como demonstra a austeridade decorativa que caracteriza a construçao.

DSC08077O templo é um exemplo do denominado Românico de Transiçao, com elementos próprios do românico e outros derivados do incipiente Gótico, como o Arco Ojival, que podemos ver na portada principal.

DSC08100Abaixo, uma imagem geral da Igreja de Santa Maria, vista desde o ábside.

DSC08084O interior está composto por 3 naves, sendo a central mais larga que as laterais.

DSC08051Preside o altar uma imagem da Virgem de la Peña, padroeira de Brihuega.

DSC08030DSC08031Segundo a tradiçao, esta imagem apareceu a uma princesa moura numa gruta, que podemos encontrar ao descer por uma escada, cujo acesso se dá pelo interior da igreja. Infelizmente, quando estive visitando o local, a gruta estava fechada, e apenas pude ver a escada que conduz a ela.

DSC08243Abaixo, vemos imagens do coro e de uma das vidreiras que embelezam o interior da igreja.

DSC08033 - copiaDSC08068DSC08048Finalizamos o post com uma foto da cúpula deste belíssimo templo, que preside um dos locais com mais encanto de toda a cidade, o Prado de Santa Maria.

DSC08074A próxima matéria estará dedicada a um incrível lugar, que coroa uma visita à cidade, o Museu de Miniaturas do Professor Max, imperdível….

Românico em Brihuega

Em Brihuega se conservam ainda hoje excelentes exemplares de Igrejas Românicas, entre as quais destacamos a de San Miguel, San Felipe e de Santa Maria. Todas elas foram construídas no séc. XIII, durante o período em que a vila se tornou possessao do Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximénez de Rada. O conjunto arquitetônico românico de Brihuega é um produto do contexto histórico resultante do processo de reconquista e a posterior colonizaçao do território. Quando os cristaos conseguiram dominar a bacia do Rio Duero, as terras da Província de Guadalajara continuaram, entretanto, a sofrer períodos de inestabilidade, consequência de sua posiçao limítrofe com os Reinos Árabes. Com a pacificaçao da regiao, ocorreu um aumento demográfico que se traduz na construçao de inúmeras igrejas dentro do estilo próprio daquela época, o Românico. Todas as igrejas de Brihuega se classificam no período final do estilo, também chamado Românico Tardio, e sua fábrica está inspirada nos modelos da arquitetura cistercense. Este período é conhecido também como Românico de Transiçao, pois já se observam elementos que anunciam o Estilo Gótico. O primeiro templo que vamos conhecer é a Igreja de San Miguel.

DSC08225Nesta construçao aparecem elementos oriundos do Mudéjar Toledano, como podemos apreciar no ábside poligonal, feito de tijolo (ladrillo, em espanhol), e nos  contrafortes.

DSC08224A Igreja de San Miguel sofreu um incêndio entre os séc. XVI e XVII, e perdeu praticamente todas as obras de arte que possuía. Abaixo, vemos a fachada principal e a portada.

DSC08226Depois de finalizada a Guerra Civil Espanhola, a igreja ficou praticamente abandonada e, finalmente, seu teto e as naves derrubaram-se. Em 1979, foi restaurada pela Associaçao Amigos de Brihuega, e atualmente é utilizada para eventos culturais. Abaixo, vemos uma imagem da parte lateral da igreja, com uma porta mais simples que a da fachada.

DSC08228A Igreja de San Felipe é justamente considerada uma das mais belas de Brihuega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua lindíssima fachada apresenta um conjunto de 3 rosetones admiráveis, e uma bela portada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosamente, a torre de planta octogonal nao está unida ao templo, pois foi edificada aproveitando-se uma das torres da muralha da cidade, e posteriormente levantou-se o nível superior para os sinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na fachada, podemos apreciar curiosos e enigmáticos capitéis figurados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da Igreja de San Felipe está composto por 3 naves, algo habitual no Românico, separadas entre si por 5 arcos sustentados por colunas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o ábside semicircular, cuja aparente simplicidade construtiva revela sua própria beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1904, uma vela produziu um incêndio que se propagou pelo teto de madeira. O criterioso processo de restauraçao realizado devolveu, felizmente, o aspecto original que a igreja tinha quando foi construída. A seguir, vemos uma Pia Batismal, que no Românico foi decorada com maravilhosos relevos, com inúmeros exemplos por todo o território espanhol. A que vemos, no entanto, apresenta uma decoraçao mais austera e simples.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria veremos num post à parte, quando conheceremos o encantador local onde se localiza, o Prado de Santa Maria. Até lá…