Monastério de Piedra – Parte 2

Durante os quase 650 anos que o Monastério de Piedra foi habitado, os monges tiveram que abandoná-lo em três ocasiões. A primeira delas ocorreu em 1809, durante o contexto da Guerra da Independência. Um decreto do irmão de Napoleao, José I, supôs a supressão da comunidade religiosa. Os monges foram expulsos e o monastério foi saqueado pelo exército do imperador francês, transformando-se num hospital. Terminada a guerra em 184, o rei espanhol Fernando VII autorizou os monges sobreviventes a recompor a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1820, durante o processo político conhecido como Triênio Liberal, a comunidade voltou a ser suprimida e os bens religiosos foram nacionalizados, sendo que alguns deles acabaram leiloados. Três anos depois, os monges novamente retornaram ao monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1835, a rainha regente Maria Cristina de Borbón decretou a promulgação da lei de dissolução das ordens religiosas masculinas e a desamortização dos bens eclesiásticos, provocando o fim definitivo do Monastério de Piedra. Durante a visita que se realiza por suas dependências, observamos a grande quantidade de imagens que foram mutiladas durante o século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do século XII, edificada na fase final do estilo românico, foi destruída durante o início do século XIX. Acima e abaixo, podemos observar algumas imagens do templo que atualmente se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro, um dos pilares da vida monacal, é robusto e austero, seguindo os ditames prescritos pela Ordem Cistercense. Recentemente foi restaurado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo seu redor, se organizam as várias dependências do monastério. A Sala Capitular, por exemplo, constituía um local de reuniões em que se tomavam as principais decisões a respeito da vida na abadia, como seu planejamento econômico, a admissão de novos integrantes e a confissão pública de faltas cometidas. Nela eram lidos os capítulos da Regra de San Benito. Este emblemático espaço do século XII se conserva, felizmente, em boas condições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm lugar impressionante dentro do monastério é o denominado “Passadizo de los Conversos“, uma espécie de túnel utilizado pela comunidade de conversos, formada por indivíduos que auxiliavam os monges nas tarefas diárias. Trata-se do único existente no país construído dentro do estilo românico que ainda se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério possuía um local que servia como depósito de provisões e onde se guardava o vinho elaborado pelos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o local acolhe uma exposição de aparatos agrícolas e o Museu do Vinho da Denominação de Origem Calatayud.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outra de suas dependências podemos admirar uma exposição de carruagens antigas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos fatos mais curiosos do monastério sucedeu  na cozinha, pois foi nela que se produziu por primeira vez o chocolate na Europa, quando um monge que pertencia ao monastério trouxe, em 1531, o cacau do continente americano e a receita do delicioso produto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1840, cinco anos depois do processo de desamortização, o monastério passou a ser uma propriedade privada, cujo dono se chamava D. Pablo Muntadas Campeny. Seu filho, Juan Federico Muntadas, transformou a horta do monastério num excepcional parque natural, que veremos no próximo post. Além do mais, converteu parte das instalações conventuais num hotel com funções hidroterápicas. Hoje em dia, podemos visitar o parque e o monastério e passar alguns dias na própria hospedaria do monastério, com conforto, excelente gastronomia, num ambiente perfeito que reúne  beleza natural e história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20160912_180846Em 1983, o Monastério de Piedra foi declarado Monumento Nacional.

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Catedral de Burgos – Parte 2

A Catedral de Burgos é um desses lugares em que o olhar se perde diante de tanta beleza. Inumeráveis são suas obras de arte e sem fim os lugares que vale a pena comentar. Por isso, dividi a matéria em três parte, e ainda assim, não será suficiente para vê-la em toda sua dimensão. No post de hoje e no próximo, veremos alguns dos locais mais espetaculares desta construção emblemática do espírito humano e de sua capacidade para refletir o divino numa representação material. A Catedral de Burgos possui planta basilical de cruz latina, com três naves e girola, assim denominado o espaço sagrado que contorna o presbitério e o altar maior. Toda a nave está cercada por um trifório, um elemento tipicamente gótico, correspondente às galerias situadas entre as arquerías e os vitrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO trifório foi construído no séc. XIII, durante a etapa inicial do erguimento da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro é um dos lugares mais importantes de qualquer catedral. Nele, os religiosos se sentam para realizar os cantos litúrgicos, e em muitos casos sua qualidade artística se manifesta pelo exímio trabalho dos melhores escultores, como no caso da catedral burgalense. Inicialmente, o coro situava-se na cabeceira do templo, mas no séc. XVI foi removido aos pés da nave central, uma solução construtiva tipicamente espanhola. Dessa forma, são criados espaços para os fiéis tanto em frente do altar maior, quanto na parte traseira do coro, denominada Trascoro. Nos assentos do coro foram talhadas imagens da vida dos santos e episódios do Antigo e Novo Testamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, na lateral do coro são colocados os órgaos. A Catedral de Burgos possui dois deles, um de cada lado do coro. Abaixo, vemos o órgão mais antigo, de 1636, e depois vemos uma foto do outro, realizado em 1806.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem interna do maravilhoso Rosetón situado na parte superior da Porta de Sarmental, que vimos no post anterior,  o único que se conserva do período gótico na catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes vitrais circulares são um símbolo da arquitetura gótica, e possuem um simbolismo relacionado à Virgem Maria, cuja devoção alcançou grande popularidade durante o período de construção das catedrais góticas europeias. Por isso mesmo, grande parte delas foram dedicadas à Virgem, como é o caso da Catedral de Santa Maria de Burgos. Outro elemento arquitetônico de destaque é o cimbório, uma estrutura que se sobressai na parte externa do templo, e situado na intersecção da nave central com a nave transversal, sobre a cúpula. O cimbório da catedral derrubou-se e em 1539 foi novamente erguido, composto de uma impressionante estrutura octogonal com reminiscências mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro foi construído no final do séc. XIII e princípio do XIV. Para chegar a ele, passamos por uma belíssima porta que conserva parte de sua policromia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta propriamente dita foi talhada provavelmente por Gil de Siloé, um dos grandes nomes do Renascimento Espanhol, no final do séc. XV, com cenas relativas à entrada de Jesus em Jerusalém e o Descenso ao Limbo, junto com as figuras de São Pedro e São Paulo na parte inferior. No tímpano, vemos a cena do Batismo de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGeralmente, o claustro é o local mais importante de um Convento, Monastério ou Catedral, depois da igreja. De planta quadrada ou retangular, nele a comunidade de religiosos percorriam seu perímetro lendo os episódios da Bíblia sendo, portanto, um local de recolhimento e meditação. Também utilizado como lugar de enterramento, o claustro possui um simbolismo ligado ao Paraíso Celestial, com um grande pátio central onde florescem árvores frutíferas e uma fonte de água no centro. Abaixo, vemos algumas imagens do claustro da Catedral de Burgos.

IMG_2857IMG_2866O claustro comunica com vários outros espaços religiosos, como capelas, por exemplo. A denominada Capela de Santa Catalina possui outra magnífica porta, com uma cena do Descendimento de Cristo realizada no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sala Capitular recebe este nome porque nela os religiosos se reuniam para a leitura dos capítulos da ordem de cada comunidade, normalmente relacionados com a Regra Beneditina ou de Santo Agostinho. O mais interessante da sala capitular da catedral é o teto, decorado com um artesanato de estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Catedralício, cujo acesso se dá também a partir do claustro, possui uma grande quantidade de obras de arte, entre pinturas, esculturas e objetos litúrgicos. Uma das peças mais famosas é a escultura de Cristo preso à coluna, do grande escultor Diego de Siloé, filho do mencionado Gil de Siloé.

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Monastério de San Antonio El Real – Parte 2

Neste segundo post sobre o Monastério de San Antonio El Real de Segóvia, veremos as principais dependências que o compõem, todas elas belíssimas e caracterizadas por uma esbelta decoração. Desde a igreja, que vimos na matéria anterior, passamos à Sacristia, um espaço coberto por um teto feito de madeira policromada e decorado com motivos vegetais e o escudo de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADa Sacristia chegamos ao Claustro Principal, também chamado dos Franciscanos. Como se fosse um verdadeiro museu, nele encontramos diversas obras de arte. Além do mais, também está coberto por um incrível teto decorado com artesanato mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre todos os objetos expostos no claustro, destacam os denominados Trípticos Flamencos de Utrech, nos quais observamos uma feliz combinação de pintura e escultura, realizados por artistas flamencos. Em um deles, vemos uma cena central realizada em alto-relevo e feita de barro policromado com o tema do Calvário. Em outro, se representa o Santo Enterro. Nas laterais vemos pinturas de santos da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas obras são uma referência ao período em que Segóvia manteve um estreito contato com Flandres, quando exportava tecidos aos Países Baixos (séc. XV). Desde o claustro se abrem alguns dos recintos mais belos do conjunto conventual. O refeitório, por exemplo, está formado por uma grande sala retangular, com um banco que a rodeia e utilizado pelas freiras na hora das refeições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas paredes estão repletas de pinturas murais, com a representação de santos e motivos florais. Entre todas as pinturas, destacam a de Cristo com Santa Clara e a Imaculada Conceição, situada no centro do refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO púlpito, do séc. XV e profusamente decorado, está situado no centro da sala, e era utilizado durante as refeições para a leitura da bíblia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a chamada Sala dos Frailes, com uma grande quantidade de objetos religiosos de interesse. Está coberta por um teto decorado, similar ao da Sacristia. Nela foram encontrados recentemente dois registros de água que conectavam diretamente com um canal procedente do famoso Aqueduto de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs detalhes decorativos tornam a visita ao Monastério de San Antonio El Real uma experiência inesquecível…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE finalmente chegamos à Sala Capitular, um maravilhoso espaço formado por um teto de formato octogonal, também mudéjar. Sua vista impressiona ainda mais pela baixa altura em que se encontra. Estrelas de 12 pontas decoram o teto, com os símbolos da Ordem Franciscana e as armas do rei Enrique IV e sua esposa Joana. No centro da sala, vemos um retábulo do séc. XVIII, com as imagens de São Francisco e Santa Clara.

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Catedral de Málaga – Parte 2

Na matéria de hoje, veremos alguns dos elementos mais importantes do interior da Catedral de Málaga, formado por 3 naves de igual altura (41,79m), sendo que a central é mais larga que as laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas partes mais valiosas é o Coro, considerado uma obra prima do Barroco Espanhol, onde o grande Pedro de Mena deixou um maravilhoso trabalho escultórico em suas 42 imagens repletas de misticismo e expressividade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais do Coro, vemos dois órgaos barrocos, formados por 4 mil tubos e fabricados entre 1779 e 1781.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Trascoro destaca a imagem da Piedade, esculpida em mármore branco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço compreendido pelo Presbitério possui um formato semi-decagonal, estando delimitado por 6 colunas suspensas por arcos de meio ponto. O Altar Maior foi realizado por Diego de Vergara em 1541 e presidido por um tabernáculo construído no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui inúmeras obras de arte destacáveis, como o mausoléu renascentista do arçobispo Luis de Torres. Construído por Guglielmo Della Porta, seu grande valor artístico reside na combinaçao cromática dos materiais empregados em sua execuçao (mármore branco e negro, além do bronze na escultura).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o perímetro da catedral está formado por Capelas Laterais, construídas em várias épocas em que participaram grandes figuras da Arte Espanhola. Abaixo, vemos a Capela de Santa Bárbara, com um retábulo gótico do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVI, a Capela de Sao Francisco possui um amplo repertório de santos franciscanos (além de Sao Francisco de Assis, vemos a Santo Antônio de Pádua, Sao Diego de Alcantara, etc).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao séc. XVII existem várias capelas, como a da Concepçao, com um quadro da Imaculada realizado por Mateo Cerezo, embora alguns eruditos atribuem a obra a Cláudio Coelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela do Rosário, destaca um quadro realizado por Alonso Cano entre 1665 e 1666.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela da Encarnaçao, também conhecida como Capela Dourada por sua decoraçao, foi projetada por Ventura Rodríguez ou Juan de Villanueva. Seu retábulo do séc. XVIII reflete o gosto artístico da Corte Espanhola, ditado pelos princípios estéticos  neoclássicos da Real Academia de Belas Artes de San Fernando.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMais recente é a Capela da Virgem do Pilar, com um retábulo construído em 1946.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos destaques do interior da Catedral de Málaga se encontra na Capela dos Caídos, com um conjunto escultórico belíssimo de Cristo Crucificado e uma imagem da Virgem Dolorosa, realizados pelo acima citado Pedro de Mena e também por Alonso de Mena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sala Capitular é apresentada como um verdadeiro museu, com obras de artistas como José de Ribeira, representado por um quadro de Sao Paulo Ermitao, realizado em 1630.

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Monastério de Plobet – Segunda Parte

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A visita pelo interior do monastério inicia-se num pátio (final do séc. XIV) que comunica várias dependências, como o palácio inacabado do rei Martin I, hoje habilitado como museu e a clausura. Em seguida, chegamos a um átrio, que comunica o antigo dormitório dos conversos com o claustro, com destaque para sua porta românica.

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O dormitório dos conversos situava-se precisamente próximo à saída do monastério, já que constantemente saíam do recinto para o trabalho nas granjas e campos das proximidades. No séc. XIV, esta estância mudou de função, agora dedicada à elaboração do vinho. O refeitório dos conversos transformou-se em bodega.

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O claustro representava o centro da vida monacal, e ao seu redor situavam-se as principais dependências do monastério. Segundo pequenas variações, esta distribuição é característica dos demais monastérios cistercenses existentes. Iniciado no séc. XII, caracteriza-se por sua uniformidade e simplicidade, como pregava São Bernardo.

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Em seu muros, vemos as tumbas de nobres que aqui tiveram o privilégio de repousar.

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A primeira estância que vemos no claustro é a cozinha, uma ampla sala coberta com bôveda de crucería, em cujo centro constava uma clarabóia para a saída da fumaça. Nas laterais, duas pequenas janelas permitiam que os pratos fossem deixados no refeitório.

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O refeitório foi finalizado no séc. XII, e nele vemos o púlpito, onde um monje recitava as escrituras, enquanto os demais permaneciam em silèncio. A regra postulava apenas uma refeição ao dia que, no entanto, podia variar segundo a época do ano e os trabalhos agrícolas.

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Em frente ao refeitório, ergue-se uma maravilhosa fonte românica do séc. XII. Servia para que os monges lavassem as maos antes de entrar no refeitório, quando retornavam dos campos. A fonte é um elemento clássico de todos os monastérios cistercenses. 

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Ao lado do refeitório, situava-se o calefatório, local onde uma chaminé aquecia os monjes nos duros dias de inverno (séc. XIII). Na Sala Capitular, realizavam-se os atos mais importantes do cotidiano monacal, como a eleiçao do abade, entrega dos hábitos aos noviços e também como lugar de enterramento dos abades. Nela, eram lidos os capítulos da regra de São Bento.

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Construída no séc. XIII, representa a fase final do românico e o incipiente estilo gótico.  Está formada por 4 torres octogonais com delicados capitéis, dos quais arrancam os nervos das bôvedas.

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O sobreclaustro ou claustro superior foi edificado na época dos Reis Católicos. A partir dele, obtemos uma bela vista do cimbório e da torre campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPelo monastério, foram realizados várias estruturas de ferro, no estilo modernista, que dao um toque especial ao conjunto.

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Abaixo, vemos o dormitório dos monges, uma imensa nave com quase 90m. No teto, por primeira vez as bôvedas de pedra foram substituídas por uma estrutura de madeira, solução utilizada em outros locais do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a última parte da matéria sobre o Monastério de Poblet, quando conheceremos sua igreja e o Panteao Real.

Basílica de San Francisco – Segunda Parte

Como comentamos no post anterior, a Basílica de San Francisco possui, além da Capela Maior, 6 outras secundárias, que contornam a planta circular da igreja. Vimos três delas, e agora conheceremos as outras que faltam.

A Capela da Paixão está composta por um quadro em que se representa o Calvário, obra de Germán Hernández Amores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra De La Merced está decorada com um quadro da Virgem, feito pelo artista Carlos Luis de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, vemos a Capela de Santo Antônio de Pádua, com um quadro da Imaculada Conceição, de Mariano Salvador Maella e uma formosa escultura do santo, realizada no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACabe ressaltar que em cada uma das capelas, existem 3 grandes quadros, e apenas comentamos os centrais, de maior importância. A decoraçao de todas as capelas e suas respectivas obras foram realizadas  no final do séc. XIX, com exceçao dos quadros de Goya, situado na Capela de San Bernardino, e o quadro da Imaculada Conceiçao, de Mariano Salvador Maella, que vimos acima, ambos pintados em 1784.

O contorno da igreja está adornado por 12 grandes estátuas dos Apóstolos, esculpidas em mármore branco de Carrara, e medem mais de 2.5m cada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO elemento mais impressionante de todo o conjunto é a cúpula que, com 33m de diâmetro e a uma altura máxima de 42m do solo, é considerada a quarta maior cúpula de todo o mundo cristão, sendo superada apenas pelo Panteão de Roma (43m), a Basílica de São Pedro (41.5m) e a Catedral de Santa Maria de Fiori, em Florença (42m).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAToda a cúpula está decorada com um conjunto de pinturas, cuja temática central se refere a glorificaçao de Maria como rainha dos Anjos, e está dividida em 8 partes.

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Sua decoração se completa com uma série de vitrais policromados, situados nos vãos que rodeiam a parte inferior. Os vitrais foram construídos na cidade de Munique, em 1882.

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O templo acolhe também uma excelente coleção de quadros pertencentes, principalmente, ao Barroco Espanhol. Na Sala Capitular, foram reunidos os mais importantes, como os quadros de Francisco de Zurbarán (San Buenaventura recebendo a visita de São Tomás de Aquino) e o de Alonso Cano (San Antônio de Pádua).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a decoraçao do teto da sala capitular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sacristia também é depositária de belos quadros e pinturas murais.

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Recomendo muito a visita guiada realizada na Basílica que, além das excelentes informações que nos possibilita conhecer melhor o templo, nos permite o acesso a outras dependências do recinto que, de outra forma, seria impossível visitar.

A Basílica de San Francisco foi declarada Monumento Nacional em 1980, e mais que recomendada, sua visita é obrigatória.

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Românico em Barcelona

Do legado românico em Barcelona, poucas sao as construçoes que sobreviveram, ocultas entre a magnificência dos edifícios góticos. De qualquer forma, o visitante interessado no tema poderá encontrar verdadeiras jóias do estilo, como o antigo Monastério de Sant Pau Del Camp, uma das edificaçoes românicas melhor conservadas da cidade. Sua documentação, porém, é escassa e confusa. Parece que foi fundado a finais do séc. IX, informação conhecida graças ao descobrimento de uma lápide sepulcral do conde fundador no local, muito embora aceita-se que já existia anteriormente uma construção, convertendo o monastério num dos mais antigos de toda a Catalunha.

DSC07350Originalmente, situava-se fora da proteção das muralhas, fato que explica a origem de seu nome, pois localizava-se no campo. No ano 985, foi atacado pelo caudilho árabe Almanzor e praticamente destruído, sendo abandonado pela comunidade que nele vivia. A partir de então, transformou-se numa pequena igreja dedicada a São Paulo. No final do séc. XI, foi reformado, estabelecendo-se um novo grupo de religiosos. Em 1114 foi novamente atacado, sendo outra vez reconstruído, passando, com o tempo, a fazer parte de outros monastérios, como os de San Cugat e o de Montserrat, por ex.

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O monastério foi abandonado definitivamente com a lei da Desamortizaçao de Mendizábal, em 1836. Em 1842, transformou-se em escola e depois em quartel militar. Em 1879 foi declarado Monumento Nacional.

A fachada conserva sua estrutura românica. No tímpano, vemos Jesus rodeado por São Paulo e São Pedro. Estão representados os símbolos tetramórficos dos evangelistas: Leão (São Marcos), Toro (São Lucas), Anjo (São Mateus) e Águia (São João).

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Outro relevo circular representa a mao de Deus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui planta de cruz grega, e está formada por 3 ábsides. O templo que vemos atualmente provavelmente foi levantado em sua segunda fundação, durante o primeiro quarto do séc. XII.

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A sala capitular pertence ao período gótico e na imagem abaixo, vemos a janela da sala e um dos sepulcros que se encontram no monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte mais importante de todo o conjunto é o claustro, devido a singuaridade de seus arcos lobulados, provavelmente devido a alguma influência mourisca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe pequenas dimensões e de planta quadrada, o claustro foi erguido no séc. XIII. Os arcos se apóiam em colunas geminadas, rematados por capitéis em que se representam motivos vegetais, temática bíblica, além de sereias, guerreiros, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo capitel a seguir, vemos um relevo de Adao e Eva, com a serpente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste outro, já deteriorado, um sapo mordendo a uma figura humana.

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Em relação às obras de arte do período românico que se podem apreciar em Barcelona, no post realizado em 31/10/2012, vimos o impressionante acervo de pinturas românicas do Museu Nacional da Catalunha (MNAC).

Em relaçao à escultura românica, é insuperável o Museu Frederic Marès, situado em pleno bairro gótico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção destaca-se pela quantidade e qualidade das obras. A obra mais importante de todo o acervo do museu procede do Monastério de Sant Pere de Rodes (Província de Girona). Trata-se de um relevo que adornava a portada do antigo monastério, e nele está representada a apariçao de Jesus no mar, com seus discípulos. A obra foi realizada por um artista anônimo, conhecido como o mestre de Cabestany, no séc. XII.

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Além da chamada escultura monumental, como a mencionada obra acima, o museu apresenta uma significativa mostra de talhas em madeira que decoravam o interior das igrejas. O motivo principal é a representação da Virgem com o menino Jesus, muito habitual nas representações esculturais do românico. Um bom exemplo vemos abaixo, uma imagem do séc. XII.

Representa a Maria como Sedes Sapientiae, ou seja, como trono de sabedoria, que se encarna no menino divino. A imagem caracteriza-se por uma tendência mais naturalista, que a distancia das imagens mais populares e estereotipadas.

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Outra representação freqüente do museu é a de Cristo crucificado, que faziam parte dos conjuntos denominados Descendimento da Cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente ao Monastério de Pedralbes (retratado em 4/2/2013), localiza-se uma construção chamada de Conventet, um pequeno estabelecimento monástico franciscano. Construído aprox. em 1340, acolhia frades encarregados de atender espiritualmente a comunidade de religiosas do monastério. O edifício sofreu os estragos decorrentes da Desamortizaçao de Mendizábal em 1836, ficando abandonado e em estado de semi-ruína. Em 1920, passou a ser propriedade privada e foram encomendadas obras de reabilitaçao, a cargo do arquiteto Enric Sagnier i Villavechia, que aproveitou várias peças românicas originais, procedentes da desaparecida igreja de Santa Maria da localidade de Besalú (Província de Girona).

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A incorporaçao das peças refletia uma moda em voga no início do séc.XX, a de projetos construtivos de tipo historicista. Dentre as peças aproveitadas, destacam o tímpano da portada principal e os capitéis que sustentam as galerias superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post comentando que românica é a Capela de Santa Lúcia, que integra a Catedral de Barcelona. No entanto, a ela será dedicada uma matéria especial…até lá…