Patrimônio Religioso de Salamanca

Além de sua histórica Universidade e da grande quantidade de palácios nobres que possui, Salamanca conta com um rico patrimônio religioso. Basta dizer que é uma das poucas cidades da Espanha com duas catedrais (posts publicados em 23 e 24/4/2012), diversos conventos, como o de San Esteban (matéria do dia 3/5/2012) e templos, como a Igreja de la Clerecía (tema da matéria publicada em 22/2/2015), entre muitas outras. Neste post e no seguinte, veremos outras fundações religiosas de importância na cidade, com uma grande variedade de estilos artísticos. Por exemplo, da arquitetura românica destaca a curiosa Igreja de San Marcos, de inusual planta circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma certa controvérsia a respeito de sua construção, mas parece que foi edificada no final do século XI ou no começo do XII. Única dentro do Românico Espanhol por seu singular formato, seu interior, no entanto, não possui uma planta centralizada típica das construções circulares, estando dividida por 3 naves com seus respectivos ábsides, que não podemos observar desde o exterior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém originária de época românica, a Igreja de San Millán foi reedificada a partir de 1765, cujo projeto foi elaborado por Jerónimo García de Quiñones, um importante arquiteto de Salamanca, filho de Andrés García de Quiñones, igualmente arquiteto, responsável de diversas intervenções no centro histórico da cidade. Atualmente é a sede do Centro de Interpretação do Patrimônio Histórico de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas igrejas não sobreviveram à passagem dos séculos, e permaneceram em ruínas, caso da Igreja de San Polo, cujo nome representa um arcaísmo de San Pablo. Construída  a partir do século XII no estilo românico-mudéjar e reformada no século XVI, ficou abandonada no século XIX devido ao seu péssimo estado. Em 1984 foram realizadas escavações arqueológicas no local, um pouco antes de se construir um polêmico hotel, sendo que as ruínas foram incorporadas ao novo estabelecimento comercial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro caso similar, em que um templo foi abandonado pelos prejuízos causados pelos acontecimentos históricos, é o atual Auditório de San Blás. Situado próximo ao Colégio do Arcebispo Fonseca, tema de uma matéria recentemente publicada e que vemos no fundo da foto abaixo, sua origem se remonta ao século XIII, quando se construiu a Igreja de San Blás, com a finalidade de prestar serviço religioso a uma zona isolada da cidade na época. No século XVIII teve que ser reconstruída por seu estado lamentável, mas voltou a ser castigada durante a Guerra da Independência Espanhola no início do século XIX. O templo ficou abandonado, e na década de 80 do século XX a antiga igreja foi cedida à Prefeitura de Salamanca, que a habilitou como Auditório Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo passado, a importância de uma cidade se refletia na quantidade de ordens religiosas que nela se estabeleciam, ordenando a construção de conventos e suas respectivas igrejas. Em Salamanca, a Ordem dos Carmelitas adquiriu um grande protagonismo. Abaixo, vemos o antigo Convento de San Andrés, uma antiga fundação carmelita cuja igreja é o única parte sobrevivente do mesmo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira construção data do século XV, mas foi destruída por uma enchente em 1626. O atual templo foi edificado em 1756, projetado por Manuel de Lara Churriguera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo desaparecido convento viveu durante quatro anos San Juan de la Cruz (1542/1591), que junto com Santa Teresa de Ávila, foram os responsáveis pela reforma carmelita, que deu origem a Ordem das Carmelitas Descalças. Ambos são considerados  referências da poesia mística cristã e San Juan de la Cruz foi proclamado o Padroeiro dos Poetas de Língua Espanhola. Uma placa comemorativa na fachada da igreja enaltece a presença do santo dentro do antigo convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à igreja foi colocado um monumento em homenagem a San Juan de la Cruz, inaugurado em 1993 e realizado pelo escultor Fernando Mayoral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do antigo Convento de San Andrés passou a ser conhecida como a Iglesia del Carmen de Abajo (por estar situada numa zona próxima ao Rio Tormes), para diferenciá-la de outra construção carmelita, a Iglesia del Carmen de Arriba, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo barroco foi realizado no final do século XVII, sendo a única construção que se conservou do Convento e Colégio de San Elías, pertencente à Ordem Carmelita. Na fachada vemos uma imagem de San Elías.

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Monastério de la Encarnación: Ávila

O Monastério de la Encarnación é um lugar de visita obrigatória para as pessoas que desejam realizar o itinerário turístico existente em Ávila, relacionado com a vida de Santa Teresa. Nele, a santa viveu 30 anos, dos quais 27 como freira e posteriormente 3 anos em que exerceu o cargo de Priora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrimeira comunidade feminina da Ordem das Carmelitas em Ávila, o Monastério de la Encarnación foi fundado em 1479 por um desejo de D.Elvira González de Medina. Inicialmente situado em residências nobres, foi levado ao local atual em 4 de Abril de 1515, no mesmo dia em que Santa Teresa foi batizada na Igreja de San Juan Bautista. Durante muitos anos, tornou-se o monastério preferido pelas famílias da nobreza, chegando a contar com 200 freiras em 1565. Foi neste momento quando passou por dificuldades econômicas, por não poder alimentar a todas elas com o monastério ainda em construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi fundado, a instituição era uma espécie de casa de oração, um Beatério, para mulheres solteiras, viúvas, ou em situação de desamparo. Não constituía ainda um monastério ou convento, pois não pertencia a nenhuma ordem religiosa. Adotou a Regra Carmelita em 1515, ano de nascimento de Santa Teresa. Este lugar transformou-se num local simbólico, pois nele Santa Teresa realizou a Reforma Carmelita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa nele ingressou em 1535, quando tinha 20 anos de idade. Entre 1571 e 1574 tornou-se sua Priora. Seu estado atual pouco mudou desde que nele viveu a santa. O melhor de tudo é que o monastério é visitável, sendo que seu museu conta com diversas lembranças materiais da época de Santa Teresa e várias relíquias, como uma parte do seu braço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um pedaço de madeira que Santa Teresa usava como uma espécie de almofada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Monastério de la Encarnación Santa Teresa viveu suas experiências religiosas mais intensas, e muito dos quadros e pinturas conservadas  retratam suas vivências místicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa escada principal, que vemos abaixo, a santa encontrou-se com o Menino Jesus

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conserva 3 locutórios, espaços sagrados que foram testemunhos dos momentos místicos da santa. Em um deles, teve a visão de Cristo preso à coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva sua cela original e a chave da mesma, onde experimentou a “Transverberación“, quando foi atingida pelo “fogo divino”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro doado por D.Alonso, pai da santa, quando sua filha ingressou no monastério. Este quadro representa o encontro de Jesus com a Samaritana, episódio bíblico que Santa Teresa tinha especial devoção. Devido as dificuldades econômicas por que passava sua família na época, seu pai em vez de realizar doações em dinheiro, decidiu fazê-lo com obras de arte, como esta que decorava sua casa natal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1628, o Bispo de Ávila Francisco Márquez Gaceta ordenou que a cela da santa fosse transformada na Capela da Transverberación, o momento espiritual mais transcendental de sua vida. Abaixo, vemos outras dependências do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de la Encarnación também está ligado à figura de San Juan de la Cruz, que nele viveu entre  1573 e 1577. Este grande poeta místico colaborou de forma decisiva na Reforma Carmelita, pois enquanto a santa fundou Conventos Femininos da Ordem das Carmelitas Descalças, San Juan de la Cruz foi o responsável pela fundação de Conventos Masculinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos apreciar também uma bela coleção de instrumentos antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1562, Santa Teresa saiu do Monastério de la Encarnación e fundou o Convento de San José de Ávila, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças na Espanha. Posteriormente, regressa ao monastério, já como Priora. A visita do Papa João Paulo II em 1982 representou um momento auge na vida deste espaço sagrado, um dos referentes de todo o mundo em relação à Ordem do Carmelo.

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Universidade de Alcalá de Henares – Parte 2

O Colégio Maior de San Ildefonso se organizou em torno a três pátios, e todos eles podem ser vistos na excelente visita guiada que se realiza pelas dependências da Universidade de Alcalá de Henares. O primeiro é o Pátio Maior, edificado entre 1657 e 1652. De estilo herreriano, foi construído inteiramente em granito, estando composto por 3 níveis de arcos, os dois primeiros semicirculares (Arco de meio ponto), e o terceiro denominado Arcos Carpaneles (simétricos e um pouco mais rebaixado, proporcionando-lhe uma forma arredondada). Este espaço foi dedicado a Santo Tomás de Villanueva, em memória ao primeiro aluno da universidade que alcançou a santidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior das galerias de arcos, vemos o escudo de armas do Cardeal Cisneros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Pátio dos Filósofos ou dos Contínuos representava uma espécie de distribuidor central dos edifícios universitários, abrigando várias oficinas de serviços e da reitoria, além  de residência para os estudantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seu perímetro foi construído dois espaços para as cátedras de Filosofia Moral e Natural, daí o seu nome. Restaurado na segunda metade do século XX, nele encontramos a chamada Porta dos Burros, por onde entravam ou saiam os alunos reprovados nos exames da universidade, entre as cruéis piadas de seus companheiros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo Pátio dos Filósofos existe um acesso ao último e mais antigo de todos, o denominado Pátio Trilíngue. Construído entre 1557 e 1570 no estilo renascentista, se conserva praticamente igual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém é conhecido como Pátio do Teatro ou do Paraninfo, graças à antiga porta que permitia a entrada principal ao teatro da universidade, que veremos no próximo post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele esteve situado o Colégio Menor de San Jerónimo, fundado por uma disposição testamentária do Cardeal Cisneros em 1528, oferecendo cursos de retórica, grego e hebraico para uma comunidade formada por 30 jovens pobres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do recinto do Colégio Maior de San Ildefonso podemos observar outro símbolo associado ao Cardeal Cisneros, poços com a representação de cisnes, uma referência ao sobrenome do fundador da universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante os séculos XVI e XVII, a Universidade Cisneriana se transformou num grande centro de excelência acadêmica. O prestígio de seus cursos, além da fama de seus mestres, logo se tornaram um modelo sobre a qual se constituíram as universidades na América Espanhola. Além do mais, representou o principal foco do Humanismo em toda a Espanha. Em suas classes se formaram missionários e santos como São Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus (ou dos Jesuítas), San Juan de la Cruz, poeta místico e reformador da Ordem dos Carmelitas, junto com Santa Teresa de Ávila, etc. Entre os grandes nomes da literatura, destacam Lope de Vega, Quevedo, somente para citar alguns. Um dos pilares sobre o qual se desenvolveu foi a invenção da imprensa em 1450, fato que possibilitou a publicação da denominada Bíblia Poliglota Complutense. Financiada pelo próprio Cardeal Cisneros, trata-se da primeira edição poliglota de uma bíblia completa da história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara sua realização, Cisneros contratou os melhores teólogos da época, que iniciaram os trabalhos em 1502, sendo finalizada 15 anos mais tarde. Contava com as melhores traduções da bíblia em grego, hebraico e latim, incluídas algumas partes em aramaico. Publicada em 6 volumes, os quatro primeiros estão relacionados ao Antigo Testamento. Cada página está dividida em 3 colunas paralelas, com a Bíblia Hebraica no exterior, a Bíblia Grega no interior, e a Vulgata Latina no meio. O quinto volume apresenta as escrituras gregas do Novo Testamento, dispostas em duas colunas, uma em grego e a outra em latim, além de um dicionário destes dois idiomas. Se considera a primeira publicação do Novo Testamento impresso da história. O sexto volume inclui elementos para o estudo da bíblia, como um dicionário dos idiomas hebraico e aramaico, além de uma gramática hebraica. A Bíblia Poliglota Complutense é considerada um dos testemunhos mais relevantes do Humanismo Cristão do Renascimento. Se publicaram cerca de 600 cópias, das quais se conhece atualmente 123.

Um Passeio por Úbeda

Passeando por Úbeda, é uma constante encontrarmos lugares históricos de interesse, como por exemplo, a Praça Primeiro de Maio. Durante muitos séculos, nela se celebrou o mercado da vila, além de ser o local onde eram realizados atos públicos, tanto políticos, quanto de índole religiosa e econômica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça vemos um monumento em homenagem a San Juan de la Cruz, que faleceu em Úbeda em 1591 (foto acima, à direita). Ao lado da estátua do santo, a Igreja de San Pablo, a segunda em importância da cidade, depois da Igreja de Santa Maria  de los Reales Alcázares, que em breve conheceremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das mais antigas da cidade, foi construída no séc. XIII, apesar de que seu estilo predominantemente gótico, visível nos arcos que compoem a construçao, pertence ao séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das laterais da praça, vemos a Antiga Casa Consistorial, um belo edifício renascentista de influência italiana, cujas primeiras referências datam de 1512. Atualmente, é a sede do Conservatório de Música de Úbeda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO toque romântico da praça fica por conta do correto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de admirar a beleza desta praça, fui ao Museu Arqueológico, situado numa antiga Casa Mudéjar, como podemos observar em seus arcos de ferradura da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a entrada do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu foi habilitado como tal nos anos 60 do século passado. A casa está constituída por dois níveis e um pátio central que comunica as diversas estâncias do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com uma grande quantidade de peças encontradas na regiao, de várias épocas e que nos dao uma idéia do seu passado histórico.

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Igrejas de Baeza – Parte 2

No post de hoje, daremos continuidade às mais belas e importantes igrejas e conventos de Baeza. Algumas delas nao resistiram a passagem dos séculos e atualmente apresentam-se num estado de ruínas, como a Igreja de San Juan Bautista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, esta igreja era considerada a mais importante da cidade, erguida no estilo românico. Prova disso era seu grande tamanho, constituída por 3 naves e o mesmo número de ábsides.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado das ruínas, podemos observar o antigo Palácio dos Bispos, hoje em dia sede do Instituto da Mulher.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista crista realizada por Fernando III, Baeza passou a ter 12 templos, dos quais apenas a Igreja de Santa Cruz permaneceu mais ou menos intacta até os dias atuais. Sua construçao, de extrema simplicidade, é um belo exemplo da arquitetura românica na cidade. A fachada principal foi transformada no séc. XX, quando sua portada foi substituída pela da Igreja de San Juan Bautista, que vimos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento religioso de relevância em Baeza é o Convento de San Francisco, uma das obras primas de Andrés de Vandelvira e considerada um dos melhores exemplos do Renascimento da Andalucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem Franciscana chegou à cidade em 1227, e este foi o terceiro assentamento da instituiçao, depois que os outros dois foram destruídos. O edifício começou a ser construído em 1538 e finalizou-se apenas em 1628 pelos seguidores de Andrés de Vandelvira, como uma capela funerária para Diego Valencia de Benavides e sua esposa Leonor de Guzmán y Mendoza. Na fachada vemos um belo relevo que representa a Sao Francisco na Porciúncula, no exato momento em que recebe os estigmas de Cristo e inicia sua vida religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do relevo, estao esculpidos os escudos dos fundadores e em sua parte superior, um medalhao com a Virgem. No começo do séc. XIX, um movimento sísmico fez com que a bôveda ficasse num estado lamentável, tendo que ser desmontada para sua reparaçao. Porém, esta nunca chegou a realizar-se, devido à invasao das tropas francesas, que saquearam o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de la Concepción é um templo intimamente relacionado com um primitivo hospital para doenças nao contagiosas, que funcionou desde 1529 até 1940. Sua portada foi realizada em 1625, e nela vemos um relevo com a Imaculada rodeada pelo sol e a lua, e franqueada pelos escudos do Bispo Moscoso Sandoval, patrocinador da obra (E), e da cidade de Baeza (D).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Retábulo Maior da igreja, vemos uma imagem da Virgem do Carmo no centro e a Santa Teresa de Jesus (E) e San Juan de la Cruz (D) nas laterais. Na parte superior, figuras femininas representam as denominadas virtudes teológicas: fé, caridade e esperança.

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Igreja de San José – Madrid

Situada na Calle Alcalá, próxiao à intersecçao desta com a Gran Vía, a Igreja de San José constitui um dos maiores tesouros barrocos de Madrid. O templo foi levantado sobre o antigo Convento de San Hermenegildo, pertencente à Ordem das Carmelitas Descalças. Dito convento foi concluído em 1605 e no séc. XVIII foi derrubado. A construçao atual iniciou-se em 1730 e finalizou-se doze anos depois, obra prima do arquiteto Pedro de Ribera, durante o reinado de Felipe V de Bourbon. Abaixo, vemos a fachada e sua ornamentada decoraçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem das Carmelitas foi fundada no séc. XII por Sao Simao Stock na Palestina, apesar que suas origens míticas remontam ao profeta Elias. Santa Tereza de Jesus e San Juan de la Cruz, ambos espanhóis, reformaram a ordem, reconduzindo a vida conventual ao acetismo e à meditaçao. Por sua vez, a Paróquia de San José foi fundada em 1754 pelo XI Duque de Frías. Inicialmente, a igreja situava-se no palácio do mencionado duque. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1836, se extingue todas as ordens de frades, e o antigo convento foi derrubado, permanecendo  somente a igreja, convertida  na Paróquia de San José. No local  do convento demolido, construiu-se o Teatro Apolo, lugar de estréia de famosas zarzuelas. Lamentavelmente, também foi derrubado em 1873. Na sequência, vemos outra foto da fachada da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da fachada, vemos uma imagem de N.Sra do Carmen, realizada pelo escultor Roberto Michel no séc. XVIII (artista que também colaborou na decoraçao da Fonte de Cibeles).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1912, época em que a Gran Vía estava no início de sua construçao, o arquiteto Juan Moya reformou completamente a fachada, ampliando as partes laterais para igualar sua altura com os edifícios colidantes. Abaixo, vemos uma antiga foto da igreja de 1900, e se percebe as partes laterais originais, com uma altura mais baixa.

DSC07984Do lado direito da igreja, vemos a antiga casa do cura, onde o rei Alfonso XIII “cravou a piqueta”, um gesto simbolico que deu início à construçao da Gran Vía em 1910. Outras imagens decoravam a fachada, como as de San José e San Hermenegildo. Atualmente, ambas encontram-se no átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do teto do átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente, numa visita ao interior da igreja, um simpático e solícito senhor se aproximou de mim, e vendo meu interesse sobre o templo, me explicou com detalhes as muitas obras de arte existentes na igreja. Levou-me também a um local normalmente de acesso restrito, a Sacristia, cuja beleza divido com vocês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos o teto decorado da Sacristia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo recinto, admiramos belas imagens, como esta, representando a N.Sra do Rosário, executada por Ricardo Bellver. Este escultor tornou-se famoso pela escultura do Anjo Caído, que encontramos no Parque do Retiro. Meu companheiro recordou que o artista, depois de realizar a controvertida obra, passou a representar virgens…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor da nave central, encontramos duas naves laterais, que acolhem numerosas capelas, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos com mais detalhes o interior da Igreja de San José…

Bairro das Letras – Madrid

Em Madrid, existem lugares que normalmente passam inadvertidos pelos turistas em geral, desconhecedores de seus inúmeros atrativos. Um deles é o Bairro das Letras, também chamado dos Literatos. Seu nome se deve à intensa atividade literária que se desenvolveu no local ao longo do denominado Século de Ouro Espanhol, como ficou conhecido o período de máximo esplendor da cultura do país, compreendido entre os séculos XVI (renascimento) e XVII (barroco).

No bairro, estabeleceram sua residência alguns dos mais famosos escritores de sua literatura, como Cervantes, Lope de Vega, Quevedo, Góngora, etc. Uma boa forma de conhecê-lo é a partir da Praça de Santa Ana, criada na época em que José Bonaparte, irmão de Napoleão, assumiu o governo do país. Para tanto, mandou derrubar o antigo Convento de Santa Ana em 1810, fundado por San Juan de La Cruz em 1586. Num dos extremos da praça, situa-se o Teatro Espanhol, antigo Teatro ou Coral dos Príncipes, inaugurado em 1583, onde foram representadas muitas obras de Lope de Veja e Calderón de la Barca.

Em 1849, foi transformado no atual teatro, que continua hoje em dia como uma referência cultural no panorama artístico da cidade.

Em frente a ele, uma estátua homenageia o mais influente e popular poeta e dramaturgo espanhol do séc. XX, fuzilado durante a Guerra Civil, Federico Garcia Lorca (1898-1936).

No outro extremo da praça, outra estátua recorda a Calderón de la Barca (1600-1681).

Atrás do monumento, vemos o edifício Simeón, atualmente Hotel da rede Meliá, cujo destaque fica por conta do famoso Café Central, um dos templos do Jazz de Madrid. Em épocas passadas, o edifício, inaugurado em 1923, era ocupado pelo Gran Hotel Reina Victória, também chamado Hotel dos Toureiros, que nele se hospedavam quando vinham à cidade.

Em 2008, o bairro foi declarado Área de Prioridade Residencial, ficando restringido para o tráfico de veículos, salvo para os residentes. A maior parte das construções que conformam o bairro são dos séc. XIX e XX, embora se conservem algumas casas do século de ouro.

Um exemplo é a casa-museu de Lope de Vega (1562-1635), onde o escritor viveu os últimos 25 anos de sua vida. Considerado um dos mais importantes escritores e dramaturgos do século de ouro, foi também um dos mais prolíficos de toda a literatura universal. Foi o expoente máximo do teatro barroco espanhol, inimigo declarado de Góngora e grande rival de Cervantes.

De sua casa saiu o corpo do famoso literato, acompanhado por uma multidão até a Igreja de San Sebastián, onde está sepultado.

Fundada em 1541, foi saqueada em 1936 e praticamente destruída. O templo foi reconstruído entre 1943/1959 e dez anos depois declarado Monumento Nacional, graças ao extraordinário arquivo paroquial que possui, felizmente salvos do bombardeio a que foi submetida.

Dito arquivo contém milhares de dados bibliográficos de muitos personagens ilustres da vida cultural do país. Entre eles, que figuram nos dados relativos ao nacimento, batismo, casamento e defuntos, encontramos Cervantes, Gustavo Bécquer, o arquiteto Ventura Rodrigues, entre muitos outros. Aliás, o citado arquiteto também está enterrado na igreja, juntamente com Juan de Villanueva na denominada, é claro, Capela dos Arquitetos. Abaixo, outras imagens do interior da igreja.

Em algumas das ruas do bairro, podemos ver, ou melhor ler, poemas que recordam os grandes poetas, como vemos abaixo.

No próximo post, seguiremos conhecendo o imperdível Bairro das Letras…