Belos Edifícios de Valencia: Parte 2

Neste segundo post sobre os Belos Edifícios de Valencia, vocês poderão conhecer outros exemplos de edifícios que se destacam por sua originalidade arquitetônica e beleza decorativa existentes na cidade. O primeiro deles é o Edifício do Banco de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Banco de Valencia foi fundado em 1900, e este edifício constitui sua terceira sede. Sua perfeita localização, na intersecção de duas ruas do Centro Histórico, enaltecem sua singularidade. Foi projetado pelo arquiteto Javier Goerlich Lléo em 1935, embora tenha sofrido modificações construtivas com a participação de outros arquitetos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizado em 1942, o edifício é um exemplo da mudança radical que experimentou a arquitetura valenciana depois da Guerra Civil. A instituição bancária não estava de acordo com as propostas racionalistas do projeto original de Javier Goerlich, propondo soluções mais regionalistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAfinal, a construção adquiriu um aspecto clássico, com uma base, um corpo principal e o remate, ornamentado com cerâmicas decorativas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASeu formato curvo aumenta a imponência da estrutura…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção que me chamou a atenção, o Edifício Monforte foi construído em 1895 pelo arquiteto Lucas García Cardona, considerado o introdutor das novidades decorativas nos edifícios da cidade. Está situado na Plaza de la Reina, em frente à Catedral de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o edifício estava destinado ao aluguel de apartamentos em seus andares superiores, enquanto sua parte inferior foi ocupada por um armazém comercial. Atualmente, parte do edifício está ocupado por uma entidade bancária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua bela decoração está repletas de motivos relacionadas à cultura helenística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA policromia decorativa se combina com diversos tipos de materiais construtivos, como o tijolo, ferro, pedra, madeira e as peças cerâmicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo normalmente acontece na Espanha, determinados edifícios recebem uma placa comemorativa dedicadas a personagens famosos que o habitaram , como vemos no caso abaixo, em que o cientista Santiago Ramón y Cajal (1852/1934) viveu entre 1884 e 1886. No local iniciou as fundamentais investigações sobre o sistema nervoso humano, que lhe valeram o reconhecimento mundial com o título de Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1906.

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Residência de Estudantes – Madrid

A matéria de hoje está dedicada a uma das instituições culturais mais importantes de Madrid do século XX, a chamada Residência dos Estudantes. Fundada em 1910 pela Junta para a Ampliação de Estudos, tanto a residência, quanto a própria associação foram produtos das ideias renovadoras da Instituición Libre de Enseñanza (Instituição Livre de Ensino), criada em 1876 por Francisco Giner de los Ríos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua filosofia estava baseada na complementação do ensino universitário, através da criação de um ambiente cultural e de convivência adequados para os estudantes. Por isso, propiciou um diálogo permanente entre os diversos campos culturais, sejam artísticos ou científicos, atuando como um centro de recepção das Vanguardas Internacionais e transformando-se num foco difusor da modernidade no país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1915, sua sede definitiva estabeleceu-se na Colina de los Chopos, num conjunto de edifícios modernos de inspiração neomudéjar. Até 1939, foi considerado num dos principais núcleos da modernização científica e educativa da Espanha. Em seu período inicial, acolheu a grandes personagens da cultura espanhola, entre os quais Luis Buñuel (cineasta), Salvador Dalí (pintor) e Federico García Lorca (poeta), que conviveram num mesmo momento na Residência dos Estudantes. Com esse “time” podemos imaginar o grau de intercâmbio e criação artística que se desenvolveu no lugar. Outros residentes famosos, de equivalente importância na cultura do país foram, entre outros, Miguel de Unamuno (1864/1936: filósofo, poeta e dramaturgo), Manuel de Falla (1876/1946: compositor), José Ortega y Gasset (1883/1955: filósofo e político) e Santiago Ramón y Cajal (1852/1934: médico e cientista).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA liberdade que gozavam os residentes causava admiração em todos aqueles que a visitavam. Dispunha de uma rica biblioteca, com cerca de 16 mil livros, vários laboratórios e aulas de idiomas gratuitas. Abundantes também eram os concertos realizados em suas salas, hoje transformadas em locais para conferências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO prestígio da Residência dos Estudantes se incrementou ainda mais quando grandes nomes da cultura internacional foram convidados para realizarem exposições, dar conferências ou simplesmente comer juntos aos famosos residentes. Algumas das personalidades convidadas foram Paul Valéry, Albert Einstein, Igor Stravinsky, Marie Curie, Le Corbusier, só para citar alguns.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe importância fundamental foi o trabalho editorial realizado na instituição, pois nela foram publicadas obras de Ortega y Gasset, Miguel de Unamuno, Antonio Machado, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a Guerra Civil, as atividades na Residência dos Estudantes terminaram de forma abrupta. O edifício converteu-se em hospital durante a guerra, uma maneira de salvar suas instalações e a biblioteca. Depois, funcionou como orfanato e quartel. Durante a Ditadura de Franco, muitos dos principais professores foram forçados ao exílio. Em 1843, os livros da biblioteca foram levados a Universidade Complutense de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1986, os edifícios foram restaurados a fim de recuperar o velho espírito e as atividades culturais do centro. Em 2007, a Residência dos Estudantes foi declarada Patrimônio Europeu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente uma fundação privada e regida pelo Conselho Superior de Investigações Científicas, dedica-se à recuperação da memória da denominada Idade de Prata da Cultura Espanhola (1868/1936), através de exposições frequentemente realizadas e atos públicos. Abaixo, finalizamos com uma foto de um dos edifícios que serviram como residência de tantos personagens capitais da Espanha do séc. XX, cujo legado perdura hoje e sempre…

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Obras Fundamentais do Modernismo em Madrid

Como conclusao desta matéria sobre o Modernismo em Madrid, reservei alguns posts enaltecendo as construçoes existentes na capital que contribuíram de forma significativa no desenvolvimento deste estilo artístico. Na matéria de hoje, veremos duas delas. A primeira é a denominada Colonia de la Prensa (Colônia da Imprensa, em português), considerado um dos melhores conjuntos modernistas da época, e construída entre 1911 e 1921 pelo arquiteto Felipe Mario López Blanco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta espécie de condominio fechado de princípio do séc. XX foi a primeira cooperativa residencial subvencionada pela Lei de Casas Baratas, instituída em 1911, sendo construída  por iniciativa de uma associaçao de jornalistas que adquiriram uns terrenos no antigo município de Carabanchel, atualmente um bairro de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe López Blanco trabalhou quase que exclusivamente na colônia até sua morte em 1921. Dentro do espaço diversos detalhes modernistas adornam nao só as casas construídas, como também a portaria principal, cujas fotos vemos acima. Mençao à parte merecem os painéis de azulejos do famoso ceramista Juan Ruiz de Luna, de Talavera de la Reina (para maiores informaçoes sobra este tipo de cerâmica e a cidade onde se desenvolveu, ver os posts publicados entre 30/9/2013 e 1/10/2013). Um discípulo seu, Julián Montemayor, realizou as cerâmicas da portaria principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs casas da colônia combinam diveras tendências artísticas, desde o naturalismo da Art Noveau até o geometrismo do Modernismo Vienense, passando por detalhes do Modernismo Catalao e da Arquitetura Regionalista. Uma lástima que grande parte das construçoes perderam seu aspecto original, e apenas alguns detalhes recordam sua decoraçao do início do séc. XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das maiores contribuiçoes da arquitetura madrilenha para a História do Modernismo foi a construçao da denominada Necrópolis del Este (Necrópole do Leste, em português), um recinto que integra o Cemitério de Nossa Senhora de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Necrópolis del Este foi considerada um dos melhores recintos funerários da Europa na época de sua construçao. Realizado pelo arquiteto Francisco García Nava entre 1905 e 1927, sob um antigo projeto de Fernando Arbós e José Urioste, ganhadores de um concurso para a construçao do cemitério em 1877. Francisco Garcia modificou o projeto anrterior, promovendo uma síntese inovadora, combinando aspectos do Modernismo Vienense, do Modernismo Catalao, além de detalhes autóctonos como lembrança à arquitetura local (neomudejarismo) e um simbolismo decorativo como recurso para caracterizar o espaço funerário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande e monumental pórtico de entrada está composto por um conjunto de arcos levemente curvado em seus extremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maravilhosa capela é considerada uma verdadeira obra prima do Modernismo em Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua esbelta torre recorda alguns trabalhos do genial arquiteto catalao Antoni Gaudí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Cemitério de N.Sra de Almudena é o maior de Madrid, e um dos maiores de toda a Europa Ocidental. O número de pessoas que nele receberam sepultura, cerca de 5 milhoes, é superior  à populaçao atual da capital espanhola. O recinto funerário recebeu o nome da Virgem de Almudena, padroeira da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo cemitério estao enterrados uma grande quantidade de personalidades ilustres que viveram na Espanha, além de outros notórios espanhóis destacados de sua cultura, como por exemplo:

Fernando Rey (1917/1994) – Ator, um dos mais importantes do Cinema Espanhol.

Santiago Ramón y Cajal (1852/1934) – Cientista Espanhol e Prêmio Nobel de Medicina. Um resumo de sua vida e sua importância na ciência foram abordados no post a ele dedicado, em 7/4/2014.

Benito Pérez Galdós (1843/1920) – Escritor Espanhol, que retratou em muitas de suas novelas a vida dos madrilenhos e a história de sua cidade.

Alfredo Di Stéfano (1926/2014) – Jogador de futebol argentino, durante a década de 50 e 60 transformou-se num dos maiores jogadores da história do Real Madrid, e um dos melhores de toda a história do futebol mundial. Recentemente falecido, ocupava o cargo de Presidente de Honra do clube madrilenho.

Santiago Ramón y Cajal

Com o post de hoje, inauguramos uma nova categoria no blog chamada Personalidades. Com o tempo, conheceremos alguns dos mais renomados nomes do panorama histórico, artístico e cultural da Espanha. Iniciamos, pois, com um dos mais importantes cientistas do séc. XX e personagem destacado na história do país, Santiago Ramón y Cajal (1852/1934). Nasceu em Petilla de Aragón (Navarra), mas viveu em muitos povoados de Aragón, fato que fez com que tivesse um grande vínculo afetivo com a comunidade aragonesa. Os estudos primários realizou em Jaca e posteriormente em Huesca. Possuía inclinaçoes artísticas, mas graças a seu pai, decidiu tornar-se médico. A partir de 1870, passou a viver em Zaragoza, onde cursou a Faculdade de Medicina, cujo edifício, atualmente denominado Paraninfo, vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIMG_2792Ao entrar no edifício, vemos uma estátua dedicada a Ramón y Cajal no alto de uma bela escadaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizado o curso superior, foi aprovado num exame para o Corpo de Sanidade Militar, que o levou à Cuba,  que na época lutava por sua independência do domínio espanhol. Na ilha, foi vítima de doenças tropicais e regressou à Espanha em 1875. Parte das economias acumuladas na ilha caribenha lhe permitiram comprar seu primeiro microscópio, além de outros materiais para suas investigaçoes. Em 1877, conclui o doutorado, com apenas 25 anos. No ano seguinte, adoece de tuberculose, mas em 1879 obtém o cargo de Diretor de Anatomia da Faculdade de Zaragoza. No mesmo ano, se casa com a mulher com quem viveria 50 anos, e que lhe proporcionaria 7 filhos. Na década de 80, ocupa os cargos da cátedra de Anatomia na Faculdade de Medicina de Valencia e de Histologia na Universidade de Barcelona. 1888 foi definido pelo próprio cientista como seu “melhor ano”, graças as descobertas que realizou e que o tornaram famoso, a saber, sobre os processos conectivos dos neurônios, cuja teoria foi aceita pela comunidade científica em 1889. Esta descoberta revolucionária para o conhecimento das funçoes cerebrais passou a denominar-se “Doutrina dos Neurônios”. Abaixo, vemos um retrato e um busto do cientista na Real Academia de Medicina de Madrid, sobre a qual esteve dedicado o último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1892, ocupa a cátedra de Histologia e Anatomia Patológica na Universidade de Madrid. Graças a ele, foi criado um moderno laboratório de investigaçoes biológicas, germe da Escola Espanhola de Neurohistologia, um dos centros científicos mais importantes do país. Nele trabalhou até 1922, quando passa a dedicar-se ao Instituto Ramón y Cajal, criado em sua homenagem, onde manteve seu trabalho científico até sua morte. Em 1904 publica sua principal obra, “Histologia do Sistema Nervoso do Homem e dos Vertebrados”. Santiago Ramón y Cajal recebeu inúmeros prêmios de reconhecimento, entre os quais o Prêmio Internacional de Moscou (1900), Doutor Honoris Causa das Universidades de Clark, Boston, Sorbone e Cambridge. Em 1906, graças a sua descoberta dos mecanismos responsáveis pela morfologia e os processos conectivos das células nervosas, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina. Abaixo, vemos o Colégio de Médicos de Madrid, edifício neoclássico projetado por Francisco Sabatini no séc. XVIII, mas cuja construçao iniciou-se apenas em 1831.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada, uma placa comemorativa destaca a figura do grande cientista, e no interior da instituiçao, uma estátua em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO falecimento de sua mulher em 1930 representou um duro golpe para ele. Santiago Ramón y Cajal falece 4 anos depois, e foi sepultado no Cemitério de Almudena, situado em Madrid. Desde entao, inúmeras instituiçoes, como colégios, hospitais, centros de investigaçao, além de ruas espalhadas por todo o país, levam seu nome. A seguir, vemos a casa onde viveu, durante sua estadia na capita espanhola.

DSC08575DSC08573Outro monumento de destaque que homenageia Ramón y Cajal podemos ver no Parque do Retiro de Madrid, uma fonte inaugurada pelo rei Alfonso XIII em 1926.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA idéia de homenageá-lo com uma fonte partiu da Real Academia de Medicina, para celebrar os 70 anos de idade do cientista, que nao pôde comparecer à inauguraçao do monumento, por encontrar-se enfermo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com algumas célebres frases do grande homem e cientista:

“Enquanto o cérebro for um mistério, o Universo também continuará sendo”.

“O peor nao é cometer um erro, e sim tratar de justificá-lo, em vez de aproveitá-lo como um aviso providencial de nossa ignorância”.

“Ao carro da Cultura Espanhola, lhe falta a Roda da Ciência”.

“Nada me inspira mais veneraçao e assombro que um idoso que sabe mudar de opiniao”.

“Todo homem pode ser, se assim o deseja, escultor de seu próprio cérebro”

Santiago Ramón y Cajal, considerado o Pai da Neurobiologia Moderna.