Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

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Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

O Museu de Antequera

No post de hoje conheceremos o interessantíssimo Museu de Antequera, uma das principais instituições culturais, não só da cidade, como de toda a Comunidade de Andalucía. Sua origem situa-se no antigo Museu Arqueológico Municipal, criado em 1908. Em 1966, o Museu Municipal foi levado ao Palácio de Nájera, sua atual localização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância do museu se comprova pela elevada qualidade artística das obras expostas, seu excelente estado de conservação e a variedade histórica  das peças arqueológicas, pinturas e esculturas de seu acervo permanente. Depois de uma ampla reforma realizada em 2009, o museu conta com 5 mil metros quadrados de área construída, e seu acervo está dividido em 20 salas expositivas, realizada de forma cronológica. Veremos, pois, algumas das obras mais relevantes do Museu de Antequera. O período romano está muito bem documentado, com algumas obras únicas a nível nacional. Um exemplo é o monumental mausoléu pertencente à família de Acilla Plecusa, uma das mais influentes da época. Datada do séc. II dC, esta tumba familiar é do tipo “columbário“, sendo que as urnas funerárias eram colocadas na parte lateral da estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do patrimônio romano espanhol encontra-se exposto no museu. Trata-se do Éfebo de Antequera, uma estátua de bronze do séc.I dC inspirada no original grego. Para muitos estudiosos, é considerada a escultura romana mais bela do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra de importância fundamental é a Vênus de Antequera (séc.II dC),  uma das representações mais belas da Deusa do Amor, esculpida em mármore grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Arte Sacra, o Museu de Antequera possui obras notáveis, como a escultura da madeira policromada de São Francisco de Assis, realizada pelo grande Pedro de Mena (1628/1688) em 1663. Originalmente, a peça foi talhada para a Catedral de Toledo, e descreve visão que o Papa Nicolás V teve ao contemplar a múmia do santo em sua visita à cripta de Assis: de pé, olhando ao céu, com as mãos ocultas nas mangas, descalço e com os estigmas nos pés e no costado. Por este motivo, a escultura possui um grande naturalismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de madeira é a escultura de Santa Eufemia, padroeira da cidade de Antequera, anônima do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma escultura de São José com o Menino Jesus, anônima do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInúmeras e de qualidade são as esculturas religiosas existentes no acervo do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais singulares é esta Pia Batismal do séc. XV, feita de barro e vidro de cor verde no estilo mudéjar renascentista, uma das poucas que se conservam em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte pictórica, destaca a presença de alguns pintores antequeranos de grande maestria, como José María Fernández (1881/1947), que doou a maior parte de suas obras ao museu. Abaixo, vemos uma das salas, dedicada à pintura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente curiosa é a obra do artista Cristóbal Toral, caracterizada por sua obsessão pelas malas de viagem, como podemos ver, tanto nas esculturas, como nos quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACristóbal Toral iniciou sua formação na Escola de Artes e Ofícios de Antequera e completou seus estudos na Real Academia de San Fernando de Madrid. Em 1975, participou na Bienal de São Paulo. Abaixo, vemos sua singular interpretação do famoso quadro de Velázquez, “Las Meninas“, em que os personagens foram substituídos pelas maletas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas dependências do museu constituem, por si só, verdadeiras obras de arte, como vemos na imagem abaixo.

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Um Passeio por Tarazona – Parte 2

Na Idade Moderna, houve uma proliferação de novas comunidades religiosas em Tarazona, quando se transforma numa cidade conventual com a chegada das Ordens dos Jesuítas, Capuchinos, Carmelitas, etc. Um exemplo dos conventos que podemos ver em Tarazona é o da Concepción, edificado no séc. XVI e que albergava os filhos das famílias nobres da cidade. O templo foi construído ao redor de uma muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes da chegada destas comunidades, Tarazona contava apenas com duas ordens religiosas na Idade Média, a dos Franciscanos e a dos Mercedários. Tive a ocasião de realizar uma visita guiada pelo interessante e histórico Convento de São Francisco de Assis, a primeira fundação conventual da cidade, situado ao lado da Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradição, o convento foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis, durante o tempo que esteve em Espanha, realizando a peregrinação a Santiago de Compostela no ano 1214. No entanto, a documentação conservada não permite afirmar sua criação como anterior a 1270.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA primitiva igreja conventual, edificada no séc. XIV, foi reformada entre 1523 e 1542. Abaixo, vemos imagens de sua nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais da nave, podemos observar várias capelas. A Capela Maior, situada no centro da nave, foi construída durante as reformas realizadas no séc. XVI. Já o Retábulo Maior é barroco do séc. XVII. A imagem da Imaculada Conceição preside o conjunto, realizado para exaltar a Ordem Franciscana, com alguns de seus santos mais conhecidos, como São Francisco de Assis, São Bernardino de Siena e Santo Antônio de Pádua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO final da vida conventual ocorreu com a Desamortização de Mendizábal em 1836. Logo depois, o local foi transformado num hospital e muitas dependências do anterior convento se perderam, com exceção da igreja, transformada em paróquia no séc. XX, e do claustro, caracterizado por sua simplicidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma visita a Tarazona, é obrigatório conhecer a Antiga Praça de Touros, uma das mais originais do país e também uma de suas praças históricas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi inaugurada em 1792 e na época se denominava Praça Nova, pois as corridas de touros eram realizadas na Praça do Mercado, em frente da Prefeitura de Tarazona, como vimos na última matéria. Possui uma planta octogonal e está cercada por um conjunto residencial, fato que a torna realmente uma Praça de Touros diferente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas residências foram habitadas desde a origem da praça, situadas ao redor do espaço central onde eram realizadas as corridas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso ao interior da praça se realiza através dos 4 túneis existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Velha Praça de Touros de Tarazona integra a uma associação denominada União das Praças de Touros Históricas de Espanha, erguidas antes de 1800, como as de Aranjuez, Ronda e Sevilha.

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Monastério de San Antonio El Real – Parte 2

Neste segundo post sobre o Monastério de San Antonio El Real de Segóvia, veremos as principais dependências que o compõem, todas elas belíssimas e caracterizadas por uma esbelta decoração. Desde a igreja, que vimos na matéria anterior, passamos à Sacristia, um espaço coberto por um teto feito de madeira policromada e decorado com motivos vegetais e o escudo de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADa Sacristia chegamos ao Claustro Principal, também chamado dos Franciscanos. Como se fosse um verdadeiro museu, nele encontramos diversas obras de arte. Além do mais, também está coberto por um incrível teto decorado com artesanato mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre todos os objetos expostos no claustro, destacam os denominados Trípticos Flamencos de Utrech, nos quais observamos uma feliz combinação de pintura e escultura, realizados por artistas flamencos. Em um deles, vemos uma cena central realizada em alto-relevo e feita de barro policromado com o tema do Calvário. Em outro, se representa o Santo Enterro. Nas laterais vemos pinturas de santos da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas obras são uma referência ao período em que Segóvia manteve um estreito contato com Flandres, quando exportava tecidos aos Países Baixos (séc. XV). Desde o claustro se abrem alguns dos recintos mais belos do conjunto conventual. O refeitório, por exemplo, está formado por uma grande sala retangular, com um banco que a rodeia e utilizado pelas freiras na hora das refeições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas paredes estão repletas de pinturas murais, com a representação de santos e motivos florais. Entre todas as pinturas, destacam a de Cristo com Santa Clara e a Imaculada Conceição, situada no centro do refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO púlpito, do séc. XV e profusamente decorado, está situado no centro da sala, e era utilizado durante as refeições para a leitura da bíblia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a chamada Sala dos Frailes, com uma grande quantidade de objetos religiosos de interesse. Está coberta por um teto decorado, similar ao da Sacristia. Nela foram encontrados recentemente dois registros de água que conectavam diretamente com um canal procedente do famoso Aqueduto de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs detalhes decorativos tornam a visita ao Monastério de San Antonio El Real uma experiência inesquecível…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE finalmente chegamos à Sala Capitular, um maravilhoso espaço formado por um teto de formato octogonal, também mudéjar. Sua vista impressiona ainda mais pela baixa altura em que se encontra. Estrelas de 12 pontas decoram o teto, com os símbolos da Ordem Franciscana e as armas do rei Enrique IV e sua esposa Joana. No centro da sala, vemos um retábulo do séc. XVIII, com as imagens de São Francisco e Santa Clara.

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Igrejas de Baeza – Parte 2

No post de hoje, daremos continuidade às mais belas e importantes igrejas e conventos de Baeza. Algumas delas nao resistiram a passagem dos séculos e atualmente apresentam-se num estado de ruínas, como a Igreja de San Juan Bautista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, esta igreja era considerada a mais importante da cidade, erguida no estilo românico. Prova disso era seu grande tamanho, constituída por 3 naves e o mesmo número de ábsides.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado das ruínas, podemos observar o antigo Palácio dos Bispos, hoje em dia sede do Instituto da Mulher.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista crista realizada por Fernando III, Baeza passou a ter 12 templos, dos quais apenas a Igreja de Santa Cruz permaneceu mais ou menos intacta até os dias atuais. Sua construçao, de extrema simplicidade, é um belo exemplo da arquitetura românica na cidade. A fachada principal foi transformada no séc. XX, quando sua portada foi substituída pela da Igreja de San Juan Bautista, que vimos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento religioso de relevância em Baeza é o Convento de San Francisco, uma das obras primas de Andrés de Vandelvira e considerada um dos melhores exemplos do Renascimento da Andalucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem Franciscana chegou à cidade em 1227, e este foi o terceiro assentamento da instituiçao, depois que os outros dois foram destruídos. O edifício começou a ser construído em 1538 e finalizou-se apenas em 1628 pelos seguidores de Andrés de Vandelvira, como uma capela funerária para Diego Valencia de Benavides e sua esposa Leonor de Guzmán y Mendoza. Na fachada vemos um belo relevo que representa a Sao Francisco na Porciúncula, no exato momento em que recebe os estigmas de Cristo e inicia sua vida religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do relevo, estao esculpidos os escudos dos fundadores e em sua parte superior, um medalhao com a Virgem. No começo do séc. XIX, um movimento sísmico fez com que a bôveda ficasse num estado lamentável, tendo que ser desmontada para sua reparaçao. Porém, esta nunca chegou a realizar-se, devido à invasao das tropas francesas, que saquearam o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de la Concepción é um templo intimamente relacionado com um primitivo hospital para doenças nao contagiosas, que funcionou desde 1529 até 1940. Sua portada foi realizada em 1625, e nela vemos um relevo com a Imaculada rodeada pelo sol e a lua, e franqueada pelos escudos do Bispo Moscoso Sandoval, patrocinador da obra (E), e da cidade de Baeza (D).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Retábulo Maior da igreja, vemos uma imagem da Virgem do Carmo no centro e a Santa Teresa de Jesus (E) e San Juan de la Cruz (D) nas laterais. Na parte superior, figuras femininas representam as denominadas virtudes teológicas: fé, caridade e esperança.

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O Grego de Toledo – Parte 2

Em 1586, El Greco foi encarregado de realizar o quadro “O Enterro do Conde de Orgaz”, possivelmente sua obra mais conhecida e merecidamente considerada uma obra prima da Pintura Universal. O quadro foi pintado para a Igreja de Sao Tomé de Toledo, e passados mais de quatro séculos, ainda permanece no mesmo local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEl Greco narra nesta magnífica obra o episódio do sepultamento de Gonzalo Ruiz de Toledo, Conde de Orgaz, responsável pelas reformas da mencionada igreja no séc. XIV, que a converteram num templo mudéjar. Desta forma, o pintor retrata uma cena ocorrida séculos antes, com a presença de membros destacados da aristocracia toledana da época. Por este motivo, o quadro é considerado o primeiro retrato coletivo da Pintura Espanhola. Segundo a tradiçao, durante o enterro do conde, desceram do céu Sao Esteban, o primeiro mártir da Igreja Católica, e Santo Agostinho, para ajudar a carregar o corpo e levá-lo para o sepulcro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte inferior esquerda, El Greco retrata seu filho Jorge Manuel, que com a mao aponta para a cena principal do quadro. Na parte superior, vemos anjos , a Virgem Maria e a Jesus que aguardam a chegada da alma do defunto. A dupla dimensao da obra, a terrenal e a divina, situada em planos opostos, é outra das características da obra do pintor. Tal é a fama deste quadro que em muitos lugares de Toledo podemos admirá-lo, até mesmo num bar, nesta representaçao feita de azulejos pintados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo curiosidade, na famosa trilogia do escritor Érico Veríssimo “O Tempo e o Vento”, exite um personagem num dos livros que compoem a obra, precisamente na parte denominada “O Retrato”, que é um pintor espanhol, que dizia que um dos cavalheiros pintados por El Greco neste quadro, situado no lado esquerdo da composiçao, era ele próprio…

Toledo, a finais do séc. XVI, era uma cidade eminentemente conventual. Somente pertencente à Ordem Franciscana, existiam 13 conventos na cidade. Naturalmente, El Greco realizou inúmeros quadros retratando a Sao Francisco (um total de 25 quadros), que tiveram um grande êxito. Abaixo, vemos “Sao Francisco em Oraçao”, exposto no Hospital Tavera de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEl Greco retrata o santo de corpo inteiro como um ideal a ser imitado de vida ascética, penitência e dedicado à oraçao, valores que nas instituiçoes assistenciais adquiriram uma importância fundamental. A pintura de santos se desenvolve na carreira do pintor a partir de 1580. A seguir, vemos o quadro “Madalena Penitente”, pintado em 1590, no qual Madalena se encontra sobriamente vestida, meditando diante o crucifixo e mostrando a caveira em que se converterá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1595, realiza a “Sagrada Família com Santa Ana”, que também pode ser visto no Hospital Tavera. A cena é uma representaçao da Virgem do Leite, com Maria dando o peito para o Menino Jesus, sob o atento olhar de Santa Ana e Sao José. Observamos o intenso cromatismo e a luminosidade com que El Greco realiza a obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última década do séc. XVI foi uma etapa crucial em sua carreira, recebendo uma grande quantidade de encargos, graças a sua já estabelecida reputaçao artística e a amizade travada com um grupo de mecenas locais, tanto da aristocracia, quanto do clero. Suas figuras sao cada vez mais alargadas e retorcidas, e os quadros mais altos e estreitos. Abaixo, o quadro “Sao Joao Evangelista e Sao Joao Batista”, realizado entre 1605 e 1610, atualmente exposto no Museu de Santa Cruz de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1603 e 1607, El Greco realiza o quadro intitulado “Lágrimas de Sao Pedro”, onde o santo aparece no interior de uma gruta com um fundo escuro. Seus olhos imploram a generosidade do Senhor com um gesto de dor e arrependimento, relacionado com o vergonhoso ato de sua açao, ao negar a Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAos 73 anos de idade, El Greco falece em Toledo, recebendo sepultura no Convento de Santo Domingo. Evidentemente, nesta matéria publiquei apenas uma pequena coletânea de sua obra, algumas delas emblemáticas para conhecer a arte deste artista formidável, de estilo único e perfeitamente reconhecível. A última parte da publicaçao estará dedicada ao Museu El Greco de Toledo, único em Espanha em memória ao pintor.