Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.

Córdoba Romana

Antes de ser fundada pelos Romanos, a zona onde se situa a cidade de Córdoba já havia sido um núcleo populacional muito tempo antes. Estudos arqueológicos demonstram a ocupaçao do terreno a partir da Idade do Cobre, entre o segundo e o terceiro milênio antes de Cristo. Sua consolidação como núcleo urbano se remonta a fase final da Idade do Bronze, entre os séculos IX e VIII aC. Devido a sua riqueza mineral, atraiu outros povos do Mediterrâneo, como fenícios e gregos. Entre os séculos VII e VI aC se transforma numa cidade bem organizada. Foi habitada pelos Turdetanos, um povo pré-romano que habitava a Turdetânia, região que compreendia o vale do Rio Guadalquivir desde o Algarve (Portugal) até a Serra Morena, coincidindo com o território da antiga civilização de Tartessos. No Museu Arqueológico de Córdoba existem vestígios da presença humana na cidade em suas várias etapas históricas, como esta escultura que representa um leão, datada do século IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu esta dama ibérica, feita em pedra calcárea no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdornos de prata utilizados pela aristocracia pré-romana, também pertencente ao século II aC, podem ser admirados no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs descobertas arqueológicas e as fontes escritas confirmaram a hipótese tradicional que Córdoba foi fundada a mediados do século II aC pelo general romano Marcus Claudius Marcellus, com o nome de Corduba. A cidade prospera rapidamente graças a riqueza mineral de suas serras, os recursos agropecuários do vale e o comércio incrementado através do controle de seu porto fluvial, situado no Rio Guadalquivir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu urbanismo seguia as características próprias das cidades romanas, com uma muralha guarnecida por torres e um traçado urbano formado pelo Cardo Máximo e Decumano Máximo, as principais avenidas que se orientavam em relação aos quatro pontos cardeais. No século I aC foi destruída por Júlio César e seu exército, sendo novamente fundada, mas com um status de colonia, outorgando cidadania romana a seus habitantes. A partir deste momento, inicia-se um grande processo construtivo, conforme o modelo importado de Roma e o emprego sistemático de materiais nobres em suas construções, como o mármore. Diversas peças arqueológicas pertencentes ao período romano compõem o acervo do Museu Arqueológico de Córdoba, como esta máscara teatral feita de mármore do século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Baco adolescente, feito de bronze, datado entre os séculos I e II dC, que vemos abaixo no centro da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma peça que representa a deusa Afrodite agachada, também feita de mármore, do século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fragmento de sarcófago com a representaçao de Daniel na cova dos leões, do século IV dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos principais monumentos da cidade, o Alcázar dos Reis Cristianos (original em  espanhol), se exibem outras peças romanas de grande interesse, como este excepcional sarcófago do século III dC, feito num grande bloco de mármore e ricamente esculpido, que foi encontrado na cidade em 1958.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiversos mosaicos romanos, que originalmente decoravam as residências das famílias aristocráticas da cidade romana, podem ser contemplados no Alcázar. Compreendem figuras geométricas e motivos mitológicos principalmente, como este mosaico com a representação da Medusa, uma figura habitual na Arte Romana (século II dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu este mosaico com a representação de Polifemo e Galatea, também do século II dC, que decorava uma rica mansão na Corduba Romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os principais monumentos romanos que se conservam na cidade atual, que comprovam a importância que Córdoba teve desde sua origem.

Museu da Cultura Visigoda: Toledo

Além de sua beleza e dilatada história, no interior da Igreja de San Román de Toledo podemos conhecer o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda, que nos permite apreciar a trajetória do antigo Reino Visigodo, cuja capital foi precisamente a cidade de Toledo.

DSC09657As peças expostas referentes ao período visigodo facilitam a compreensão deste período histórico da Espanha, que vai do século V, quando uma variedade de povos godos invadiram a Península Ibérica logo após a queda do Império Romano, até o século VIII, quando os muçulmanos invadem o território e conquistam o Reino Visigodo, já decadente. Num primeiro momento, os povos que se assentaram na península estavam formados pelos suevos, vândalos, bizantinos e outros grupos, que acabaram sendo submetidos pelos visigodos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 567 dC, durante o reinado do monarca visigodo Atanagildo, Toledo se converteu na capital do Reino, que passa a ostentar uma perfeita organização política e administrativa, graças a unificação religiosa e jurídica entre o povo godo e a população hispano romana, que ocupava o território antes da conquista visigoda. Grande parte deste êxito se deve aos 18 concílios que foram realizados na cidade. Apesar que a celebração dos concílios em Toledo se inicia sob dominação romana, em 397, será com a consolidação do Reino Visigodo quando recebem seu verdadeiro impulso. Do ponto de vista histórico, destaca o III Concílio de Toledo (589), em que o Rei Recaredo oficializou sua conversão e do povo godo ao catolicismo, abandonando a doutrina considerada herética do Arrianismo, que negava a natureza divina de Jesus Cristo. A partir deste momento, os hispanos romanos se integram ao estado visigodo, já que o catolicismo era a religião maioritária da população. Como resultado, a igreja assumiu um enorme poder como autoridade religiosa, exercendo uma grande influência no poder público através dos concílios, assembléias que contavam com a presença dos nobres e bispos godos e presidido pelo rei. Os testemunhos mais antigos do catolicismo em território espanhol datam do século II, durante o período em que foi uma província do Império Romano, com o nome de Hispania (cujo nome significa terra de coelhos…). Abaixo, vemos um Crismón, antigo símbolo que representa o monograma do nome de Cristo, com as letras alfa e ômega, como princípio e fim de todas as coisas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos um sarcófago do período romano datado de finais do século IV dC, um dos poucos exemplos da escultura funerária da época, que pertenceu a personagens da alta aristocracia provincial (encontrado na vila romana de Carrenque, situada na Província de Toledo)

DSC09613No VIII Concílio de Toledo se produz a fusão entre as leis godas e as hispanos romanas num único código, conhecido como Lex Visigothorium, durante o reinado de Recesvinto. Graças ao respaldo estatal e das elites sociais, a igreja se converteu na principal impulsora da atividade cultural da época. Como figuras de importância, destacam San Ildelfonso, Bispo de Toledo e padroeiro da cidade, San Bráulio, Bispo de Zaragoza e principalmente San Isidoro de Sevilha, cuja obra literária tornou-se um referente para toda a Europa Medieval. Abaixo, vemos um relevo com a representação de São Lucas datado entre os séculos VI e VII, um touro alado segurando o livro de seu evangelho ( o touro é o animal associado ao apóstolo).

DSC09594Muitos poucos monumentos da época visigoda resistiram ao tempo. Atualmente, podemos encontrar algumas igrejas localizadas no âmbito rural, que possibilitam o conhecimento de sua arquitetura e elementos artísticos. A Arquitetura Religiosa Visigoda estava inspirada nos modelos romanos e orientais, especialmente em relação às basílicas. No museu podemos ver alguns dos elementos arquitetônicos relacionados aos templos religiosos do período visigodo, caracterizados por desenhos geométricos ou vegetais, inspirados na decoração dos mosaicos romanos, e por seu simbolismo.

DSC09604Abaixo, uma coluna decorada com uvas, símbolo da eucaristia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas destas colunas ou pilastras que formavam parte dos templos visigodos ainda podem ser vistas em Toledo, como esta peça exposta no museu. Sua decoração recebeu uma forte influência do mundo bizantino, e mostra cenas relacionadas à vida de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte sobre o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda, onde poderemos ver outros aspectos relacionados ao Reino Visigodo.

Museu Catedralício – Murcia

Uma visita à Catedral de Murcia não estaria completa sem o Museu Catedralício, situado no primitivo claustro da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAChegamos ao museu através de um espaço coberto por vidro no solo que conservam restos arqueológicos de época árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo de arte sacra deste museu é incrível, com obras representativas de vários estilos, tanto de pinturas, quanto de esculturas e objetos litúrgicos. Abaixo, vemos um Cristo Crucificado feito de marfim, do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1516, vemos este quadro com a Adoração dos Pastores, pintado por Fernando de Llanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu se conservam as capelas mais antigas da catedral, onde se celebravam liturgias, sendo que algumas delas exerciam uma função funerária, pois foram locais de enterramento para aqueles que ostentavam sua propriedade, que se estendiam aos seus descendentes. Abaixo, o retábulo gótico de Santa Lúcia, realizado em 1380 pelo artista Bernabé de Módena. OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste artista italiano tinha seu atelier em Gênova, fato que demonstra os fortes laços existentes entre esta cidade e Murcia. De 1374, Bernabé de Modena realizou esta obra com a representação da Virgem da Leite.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela do Sarcófago se expõe o retábulo, também do período gótico, de São Miguel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome desta capela é uma referência a um excepcional sarcófago romano de finais do séc. III ou começo do séc. IV dC.  Realizado em mármore e ornamentado com as musas, mestres e sábios, foi reutilizado no séc. XVI como uma peça sepulcral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo do museu conta com peças litúrgicas utilizadas durante as procissões de Corpus Christi, e são realmente impressionantes, como esta custódia barroca, uma das mais belas do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas obras, apesar de anônimas, mantêm o alto nível artístico da peças expostas, como este busto de São Paulo, do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Pinturas Murais de época medieval foram descobertas depois da reforma do museu em 2005, como a que representa a Coroação da Virgem da Misericórdia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre o Museu Catedralício com uma foto geral do claustro, transformado em museu…

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Zaragoza Romana

Zaragoza, a capital da Comunidade de Aragón, conta com mais de 2000 anos de história. A população mais antiga documentada data do séc. VII aC e as primeiras notícias de uma comunidade urbana, do séc. III aC, a cidade Ibérica de Salduie. Enclave estratégico habitado pela tribos dos Sedetanos, formava parte de uma zona que atuou como fronteira entre os povos ibéricos, localizados ao norte do rio Ebro, e os celtiberos, localizados ao sul. O povoado Salduie, que parece esteve fortificado, chegou a alcunhar moeda desde o séc. II aC, apesar do crescente influxo romanizador a que estava sendo submetida.

Sobre os restos do povoado Ibérico, no último quarto do séc. I aC, foi fundada a cidade romana de Caesar Augusta, que gozava do privilégio de ostentar o nome completo de seu fundador, o imperador César Augusto. O acontecimento sucedeu dentro do contexto das visitas que o imperador realizou a Hispania com o objetivo de submeter as guerreiras tribos dos cântabros, situados ao norte da península. A cidade surgiu como uma doação de terras aos soldados veteranos pertencentes às legiões romanas. Caesar Augusta tornou-se uma cidade imune, isto é, isenta de pagar impostos. Seu traçado realizou-se segundo as normas do urbanismo então em voga, um Decumanus Maximus, paralelo ao rio Ebro. A muralha, iniciada na época de Augusto, protegia o recinto.

A colônia contou também com uma ponte sobre o rio, que inclusive funcionava como aqueduto e situada no local onde atualmente contemplamos a Ponte de Pedra.

A partir da calçada que uniu Pompelo (Pamplona) com CaesarAugusta, construída pelos próprios legionários depois de sua fundação,a cidade converteu-se num centro de comunicações, enclave estratégico e militar e num núcleo urbano com influências sobre um amplo território. Alcançou seu período de máximo esplendor entre os séc. I e II dC e trouxe consigo muitas das obras que ainda podemos admirar e visitar, num itinerário turístico pela cidade atual.

Iniciamos nosso trajeto pelas Muralhas, construídas a partir  do séc. III dC. O cerco defensivo abarcava o centro histórico da cidade, com um total de 3km de perímetro e aprox. 120 torres. A largura dos muros chegava a 7m e as torres semicirculares chegavam a ter 8m de diâmetro. Correspondente aos 4 pontos cardeais, quatro portas de acesso permitiam a entrada à cidade.

Uma estátua de bronze do imperador fundador, doada a cidade pelo governo italiano nos anos 40 do séc. XX, homenageia a antiga cidade romana.

No séc. I dC, durante o mandato do imperador Tibério, construiu-se um grande Foro, um complexo religioso, administrativo, comercial e político. Tratava-se do centro da vida urbana, com edifícios diversos, além de inúmeras tabernas que satisfaziam as necessidades da população. Suas ruínas localizam-se embaixo da Catedral de la Seo e integram o museu dedicado ao seu estudo e conservação, cujos restos arqueológicos foram encontrados entre 1988-1991.

As estruturas encontradas pertencem à época fundacional da cidade, bem como a uma época posterior, de finais do séc. I aC e princípios do séc. I dC.

O visitante pode contemplar também uma grande cloaca desta época, que foi construída para evacuar a água desta parte da cidade em direção ao rio.

Devido à importância do porto fluvial que possuía a cidade e do tráfico que gerava, o foro zaragozano situava-se nas proximidades do grande rio.

No museu dedicado ao porto, observamos o importante papel desempenhado pelo dinâmico comércio fluvial e sua utilização para o transporte de mercadorias. Sua estratégica localização, entre a cidade de Tortosa, na desembocadira do rio, e de Logroño, lhe permitiu que se destacasse no cenário econômico do vale do rio Ebro.

Acima vemos uma maquete de como teria sido o porto fluvial de Caesar Augusta.

No museu das Termas Públicas, se conserva os restos de uma piscina porticada construída a mediado do séc. I dC, que formava parte do complexo termal. Localizada no eixo urbano integrado pelo foro, teatro e porto fluvial, as termas em época romana eram utilizadas como centro de convívio social, além de local para a prática desportiva e cultural. Contavam com várias dependências, como vestiério, salas de água quente, temperada e fria, academia, etc. Como os demais museus, a qualidade dos sistemas explicativos e didáticos recriam de forma convincente um mundo remoto e uma cultura desaparecida, mas cujos restos nos permite imajinar o alcance de seu esplendor. Descobertas em 1982, se conservam também um conjunto de peças que decoravam o local, como mármore, por ex. A ornamentação da sala se completava com várias estátuas.

Na sociedade romana, o Teatro desempenhava um papel fundamental na transmissão do idioma e da cultura do império. O teatro de Caesar Augusta era um dos mais imponentes de toda a província de Hispania, sendo o edifício mais representativo e espetacular da cidade, pois se erguia na parte mais elevada da mesma, alcançando uma altura de 25m e construído com materiais nobres, pouco usados na época.

A estrutura não correspondia ao típico teatro que aproveitava as irregularidades do terreno para edificar-se, mas no denominado modelo aéreo, em que se apoiava sobre túneis e galerias. Com 105m de diâmetro, tinha capacidade para cerca de 6 mil espectadores. Levantado também na época de Tibério (14/37 dC), foi utilizado até o séc. III, quando enfim entrou em decadência e utilizou-se seus materiais construtivos para construir a muralha que hoje vemos.

O teatro forma uma síntese da história da cidade, pois sobre suas ruínas se levantou o bairro muçulmano, no século XIII se localizou aí o bairro judeu e no séc. XV se edificaram igrejas e palácios.

Os vestígios do teatro afloraram em 1972, durante umas obras de restauração urbana. Depois de 30 anos de excavaçoes, o museu que o alberga foi inaugurado em 2003.

Na Igreja de Santa Engrácia, templo de uma bela portada renascentista, contemplamos em sua cripta sarcófagos de mártires zaragozanos, defensores da nova fé, num período de fortes perseguições. Pertencem ao período romano tardio, executados no séc. IV dC.

Finalizamos o itinerário pelos templos romanos da cidade no Museu Provincial, que em sua seção de arqueologia, expõe notáveis peças da época, como moedas, objetos cotidianos, mosaicos, etc.