Guadalajara – Parte 2

Na segunda metade do séc. XIV se estabelece em Guadalajara a influente e poderosa Família dos Mendoza, cujo destino marcou a paisagem e história da cidade. Seus membros constituuem a denominada Casa do Infantado, título nobiliário concedido pelos Reis Católicos em 1475 ao primeiro duque da casa, Diego Hurtado de Mendoza. Entre as muitas opçoes de interesse existentes na cidade, o Palácio dos Duques de Infantado é, talvez, a mais conhecida. Por sua importância,  lhe dedicamos uma matéria, realizada no dia 2/9/2012. O edifício, um dos exemplos mais relevantes da última fase do gótico civil europeu, foi construído entre 1480 e 1497 pelo arquiteto Juan Guas para a família.

DSC07863O exterior destaca-se pela profusa decoraçao da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio foi reformado no séc. XVI e bombardeado durante a Guerra Civil Espanhola. Por este motivo, foi restaurado entre 1960 e 1974. No interior, podemos admirar o famoso Pátio dos Leoes, assim denominado pelas muitas representaçoes do felino em seus relevos, bem como os escudos heráldicos da família dos Mendoza.

DSC07870DSC07867Entre outros membros de importância, citamos a Iñigo López de Mendoza (1398/1458) e Pedro González de Mendoza (1428/14959, Cardeal de Toledo e conselheiro dos Reis Católicos. Na parte lateral do palácio, podemos percorrer um formoso jardim, com uma perspectiva diferente da construçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio dos Duques de Infantado sedia atualmente o Museu Provincial de Guadalajara, repleto de obras de arte. O acervo está constituído por peças que abarcam diferentes períodos históricos, começando pelos povos celtíberos que habitaram a regiao.

DSC07899Os mosaicos romanos também estao representados, bem como peças do período da dominaçao árabe, decisiva para a fundaçao da cidade.

DSC07898Dos séc. XIV/XV, o destaque fica por conta de uma peça com inscriçoes hebraicas, procedente de uma Sinagoga Medieval situada em Molina de Aragón.

DSC07896Como podemos constatar, na Idade Média, da mesma forma que ocorreu em outras cidades espanholas, em Guadalajara conviveram comunidades cristas, árabes e judias, que deixaram sua marca na arquitetura mudéjar, que em breve veremos no blog. Outra das atraçoes do Museu Provincial sao os sepulcros ricamente talhados, pertencentes a famílias nobres. Abaixo, vemos um deles, pertencente, evidentemente, a um membro dos mendoza, D. Aldonza de Mendoza.

DSC07888Figuras de tradiçao popular podem ser conhecidas, como o Botarga. Normalmente associado como um símbolo do mal, sao representados dançando de maneira agressiva. Segundo a tradiçao, costumam acompanhar as procissoes dos santos, realizando travessuras e distraindo os fiéis durante a missa.

DSC07903Entre os muitos quadros de temática religiosa que estao expostos, alguns sao de alta qualidade artística. Abaixo, vemos um Ecce Homo, realizado no séc. XV e de autoria desconhecida.

DSC07879A seguir, vemos o Êxtase de Sao Francisco, uma obra da escola toledana, realizada provavelmente por um discípulo de El Greco (XVI/XVII).

DSC07910Do séc. XVI, podemos apreciar este quadro representando a Sao Jerônimo no estudio. Pertence à escola italiana, e foi pintado por Romulo Cincinato. O santo está representado em suas variadas facetas, enquanto escreve a denominada Bíblia Vulgata. A cena está representada num escritório, repleto de detalhes alusivos a sua vida como eremita (caveira, crucifixo), intelectual (livros, cartas) e cardeal (chapéu). Aparece também o leao, um dos símbolos a ele atribuído.

DSC07908A Bíblia Vulgata foi escrita por Sao Jerônimo em 382 dC, e traduzida ao latim a partir da antecessora Bíblia grega. Utilizada pela Igreja Católica durante séculos, no Concílio de Trento (séc. XVI) foi declarada a versao oficial pela ortodoxia católica, e ainda hoje é utilizada para diversas traduçoes.

Igreja de la Magdalena – Torrelaguna

No post anterior, comentamos que a Igreja de la Magdalena de Torrelaguna não é só o principal monumento da cidade, como também um dos principais templos góticos de toda a Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção compreende desde os primeiros anos do séc. XV ao primeiro quarto do séc. XVII. A igreja foi construída sobre um templo românico anterior, e foi catalogada como Monumento Histórico-Artístico em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua esbelta torre foi levantada no período inicial da construção, estando formada por três partes. Na parte superior, estão representados os escudos da vila e do Cardeal Cisneros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ábside, podemos observar os poderosos contrafortes que colaboram para a sustentação do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO exterior possui duas portas de acesso à igreja. Na foto que segue, vemos uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Porta Principal, construída no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior compõem-se de grossos pilares e, no teto, as típicas bôvedas de crucería do período gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACinco são as capelas laterais do interior. Aos pés do templo, situa-se o coro alto, que se eleva sobre 3 arcos, com uma rica decoração renascentista, feita de gesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior Barroco é de 1752, atribuído ao artista Narciso Tomé. Feito de madeira dourada e policromada, em sua parte central vemos uma escultura da titular do templo, Maria Magdalena, realizada pelo exímio escultor Luis Salvador Carmona, no segundo terço do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das capelas, encontramos uma Pia Batismal do período gótico (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Cardeal Cisneros, principal impulsor de sua construção, está representado nas vidreiras situadas na parte alta da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo solo, vemos inumeráveis sepulcros eclesiásticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO púlpito surpreende por sua bela ornamentação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, um Cristo Crucificado também gótico, conhecido como Cristo de Cisneros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante minha estância na igreja, recebi a inesperada, enriquecedora e elucidativa ajuda de 3 garotos, que com seus amplos conhecimentos sobre o templo, tornaram minha visita uma experiência inesquecível. Na foto abaixo, vemos dois deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste post está dedicado a eles. David, Álvaro y Jaime, gracias por todo. Vuestra inestimable ayuda hizo possible la realización de este post. Un fuerte saludo.

Roberto

Concatedral de Logroño – Segunda Parte

No último post, vimos que o corpo central da Concatedral de Logroño foi construído no séc. XVI. No séc. XVIII, foi completada a estrutura principal com a construçao de duas belíssimas capelas. A Capela do Santo Cristo situa-se na parte traseira do presbitério, e  acolhe o sepulcro do bispo D.Pedro González del Castillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo da capela foi realizado pelo artista Juan Bascardo, de inúmeras obras espalhadas pela Comunidade da Rioja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do templo é um quadro atribuído a Michelângelo, situado na mesma capela. Representa um calvário, com Cristo vivo, e foi pintado para Vittoria Colonna, esposa de D.Francisco de Ávalos, que faleceu em 1525 em decorrência das feridas sofridas durante a Batalha de Pávia. A obra encontra-se protegida por uma caixa blindada, dificultando as boas fotos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao quadro, vemos uma representaçao da Virgem da primeira metade do séc. XV. Embaixo, uma Pia Batismal datada de 1587.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA monumental Capela de N.Sra de los Ángeles, de 1762, é realmente maravilhosa. Nela, podemos admirar sua bela porta, no estilo rococó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo retábulo dedicada à Virgem, apreciamos uma esplêndida imagem do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decorada cúpula que adorna a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro, local da igreja onde os religiosos cantavam os ofícios religiosos, foi construído em 1607.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACoroando o Presbitério, o Retábulo Maior foi realizado no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, está representado a Árvore de José, que reconstitui a genealogia de Cristo, e presidido por uma imagem da Virgem titular do templo, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte frontal do presbitério, encontram-se dois púlpitos octogonais, de estilo plateresco, esculpidos em 1540.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto dos vitrais que iluminam este inesquecível espaço religioso.

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Capela do Bispo – Madrid

Situada na Praça da Paja, no Bairro da Latina, a Capela do Bispo forma parte do conjunto paroquial de San Andrés, e foi erguida onde se encontrava o antigo cemitério da paróquia. Declarada Monumento Nacional desde 1931, pertence ao período de transiçao entre os estilos gótico, visível em sua planta, e o renascentista, em sua decoraçao tanto exterior quanto interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a praça, admiramos a porta renascentista de grande beleza que permite o acesso ao interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela foi construída entre 1520/1535 para albergar os restos mortais de San Isidro, respondendo a uma iniciativa de Francisco de Vargas, para cuja família, uma das mais poderosas da Madrid medieval, havia trabalhado o santo, no séc. XII. O impulso definitivo para a obra foi dado pelo seu filho, Gutierre de Vargas Carvajal, bispo de Plasencia, a quem se deve a fundaçao da capela e a decoraçao interior. Em sua homenagem, a construçao começou a ser conhecida como Capela do Bispo, abandonando-se, a nível popular, o nome oficial de Capela de Santa Maria e San Juan Letrán. O acesso à capela se realiza a partir de um pequeno claustro. A porta interior foi realizada em 1544, feita de madeira de nogal, e está decorada com relevos que representam episódios do Antigo Testamento. É considerada uma obra prima da escultura renascentista espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO corpo de San Isidro permaneceu na capela até 1534, quando entao foi levado à Igreja de San Andrés. A disputa pela custódia dos restos do santo entre os religiosos da capela e os da Paróquia de San Andrés fez com que a porta que unia os dois templos fosse definitivamente fechada. A família Vargas decidiu, entao, transformar a capela em um Panteao Familiar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO escultor Francisco Giralte realizou magníficamente os sepulcros situados a ambos lados do presbitério, pertencentes aos pais do bispo, bem como o do próprio, situado num dos muros laterais da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mencionado escultor foi também o responsável pelo retábulo que preside o ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela pode ser visitada durante uma das oraçoes realizadas pelas religiosas, e realmente vale a pena contemplar o ofício e a capela…

Catedral de Taragona – Segunda Parte

Declarada Monumento Nacional em 1905, a Catedral de Taragona possui planta basilical com 3 naves e transepto (também denominado cruceiro, corresponde ao espaço perpendicular à nave central, o “braço da cruz”). Nas naves laterais, numerosas capelas, construídas entre os séculos XV e XVIII, mostram a evolução estilística da arte, com elementos góticos, renascentistas, barrocos e neoclássicos. A Capela dedicada à Virgem de Montserrat, por ex., possui um retábulo do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela do Santíssimo Sacramento, uma das mais belas de toda a catedral, foi construída no séc. XVI, com influências da arte italiana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela de Santa Lúcia, vemos pinturas murais do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no meio da nave central, o coro é uma obra do séc. XV, realizado com madeira de roble.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo seu lado esquerdo, vemos um magnífico órgao, de grandes proporçoes, construído na segunda metade do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi esculpido por Pere Johan na primeira metade do séc. XV. É considerado um dos expoentes da escultura gótica catalana. Nele, estão representadas cenas da história da vida e do martírio de Santa Tecla, titular da Catedral de Taragona, além de outras que nos mostram episódios do Novo Testamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central, vemos a Virgem com o menino Jesus, e nas laterais, a Santa Tecla e São Paulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte inferior foi realizada com alabastro policromado, e nele vemos episódios da vida de Santa Tecla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no Presbitério, o sepulcro de Juan de Aragón, morto em 1334, e responsável pela consagração do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos locais do conjunto catedralício, podemos admirar maravilhosas estruturas de ferro. Em espanhol, são conhecidas como rejas, e delimitam o espaço compreendido pelas capelas, o coro e até mesmo o altar maior. Representam, por si só, verdadeiras obras de arte, pela elegância e refinamento de sua composição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outras imagens da catedral.

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Catedral de Barcelona – Segunda Parte

O interior da igreja mede 90m de comprimento por 40 de largura. Está formado por 3 naves de mesma altura, sendo que a central possui o dobro de largura que as duas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA girola, também denominada deambulatório, rodeia o presbitério, formando 9 capelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJusto encima se encontram os vitrais mais antigos da catedral, que iluminam o ábside (1317/1334). Existem aqueles que foram realizados no séc. XV e os do trifório, de época contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, existem outras 17 capelas. Abaixo, vemos algumas delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO cimbório foi iniciado em 1422 e finalizado de forma definitiva somente em 1913.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior, vemos uma imagem da exaltação da cruz, rodeada por 6 anjos, realizada pelo escultor Frederic Marès (cujo excepcional museu será brevemente tema de um post), em 1976. Em sua parte inferior, está a cátedra, ou cadeira do bispo, talhada a mediados do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cripta de Santa Eulália situa-se bem embaixo do presbitério, e sua construção se deve a Jaime Fabre, no princípio do séc. XIV. O sarcófago da santa encontra-se no centro da cripta, e foi feito em mármore, também no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos tesouros da catedral é o excepcional coro, iniciado em 1390.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele vemos, esculpidos em madeira, o púlpito, a cadeira episcopal e uma maravilhosa silhería, decoradas com brasões correspondentes aos Cavalheiros da Ordem do Tosão de Ouro.

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O trascoro é uma obra renascentista do séc. XVI e está adornado com relevos que representam cenas da vida e do martírio de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgão, espetacular, é renascentista (1538) e existem somente 4 similares a ele  em toda a Europa. A caixa é original, bem como a maioria dos tubos. A parte técnica é atual. Além de acompanhar os cantos litúrgicos, são celebrados, com freqüência, concertos na catedral, em que o órgão é o protagonista principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral acolhe numerosas tumbas dos soberanos do Condado de Barcelona e da Coroa de Aragón. Junto à sacristia, sobre um fundo pintado em 1545, estão os sepulcros do Conde Ramón de Berenguer I e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a característica bôveda de crucería, típica do gótico.

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Românico em Barcelona

Do legado românico em Barcelona, poucas sao as construçoes que sobreviveram, ocultas entre a magnificência dos edifícios góticos. De qualquer forma, o visitante interessado no tema poderá encontrar verdadeiras jóias do estilo, como o antigo Monastério de Sant Pau Del Camp, uma das edificaçoes românicas melhor conservadas da cidade. Sua documentação, porém, é escassa e confusa. Parece que foi fundado a finais do séc. IX, informação conhecida graças ao descobrimento de uma lápide sepulcral do conde fundador no local, muito embora aceita-se que já existia anteriormente uma construção, convertendo o monastério num dos mais antigos de toda a Catalunha.

DSC07350Originalmente, situava-se fora da proteção das muralhas, fato que explica a origem de seu nome, pois localizava-se no campo. No ano 985, foi atacado pelo caudilho árabe Almanzor e praticamente destruído, sendo abandonado pela comunidade que nele vivia. A partir de então, transformou-se numa pequena igreja dedicada a São Paulo. No final do séc. XI, foi reformado, estabelecendo-se um novo grupo de religiosos. Em 1114 foi novamente atacado, sendo outra vez reconstruído, passando, com o tempo, a fazer parte de outros monastérios, como os de San Cugat e o de Montserrat, por ex.

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O monastério foi abandonado definitivamente com a lei da Desamortizaçao de Mendizábal, em 1836. Em 1842, transformou-se em escola e depois em quartel militar. Em 1879 foi declarado Monumento Nacional.

A fachada conserva sua estrutura românica. No tímpano, vemos Jesus rodeado por São Paulo e São Pedro. Estão representados os símbolos tetramórficos dos evangelistas: Leão (São Marcos), Toro (São Lucas), Anjo (São Mateus) e Águia (São João).

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Outro relevo circular representa a mao de Deus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui planta de cruz grega, e está formada por 3 ábsides. O templo que vemos atualmente provavelmente foi levantado em sua segunda fundação, durante o primeiro quarto do séc. XII.

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A sala capitular pertence ao período gótico e na imagem abaixo, vemos a janela da sala e um dos sepulcros que se encontram no monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte mais importante de todo o conjunto é o claustro, devido a singuaridade de seus arcos lobulados, provavelmente devido a alguma influência mourisca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe pequenas dimensões e de planta quadrada, o claustro foi erguido no séc. XIII. Os arcos se apóiam em colunas geminadas, rematados por capitéis em que se representam motivos vegetais, temática bíblica, além de sereias, guerreiros, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo capitel a seguir, vemos um relevo de Adao e Eva, com a serpente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste outro, já deteriorado, um sapo mordendo a uma figura humana.

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Em relação às obras de arte do período românico que se podem apreciar em Barcelona, no post realizado em 31/10/2012, vimos o impressionante acervo de pinturas românicas do Museu Nacional da Catalunha (MNAC).

Em relaçao à escultura românica, é insuperável o Museu Frederic Marès, situado em pleno bairro gótico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção destaca-se pela quantidade e qualidade das obras. A obra mais importante de todo o acervo do museu procede do Monastério de Sant Pere de Rodes (Província de Girona). Trata-se de um relevo que adornava a portada do antigo monastério, e nele está representada a apariçao de Jesus no mar, com seus discípulos. A obra foi realizada por um artista anônimo, conhecido como o mestre de Cabestany, no séc. XII.

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Além da chamada escultura monumental, como a mencionada obra acima, o museu apresenta uma significativa mostra de talhas em madeira que decoravam o interior das igrejas. O motivo principal é a representação da Virgem com o menino Jesus, muito habitual nas representações esculturais do românico. Um bom exemplo vemos abaixo, uma imagem do séc. XII.

Representa a Maria como Sedes Sapientiae, ou seja, como trono de sabedoria, que se encarna no menino divino. A imagem caracteriza-se por uma tendência mais naturalista, que a distancia das imagens mais populares e estereotipadas.

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Outra representação freqüente do museu é a de Cristo crucificado, que faziam parte dos conjuntos denominados Descendimento da Cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente ao Monastério de Pedralbes (retratado em 4/2/2013), localiza-se uma construção chamada de Conventet, um pequeno estabelecimento monástico franciscano. Construído aprox. em 1340, acolhia frades encarregados de atender espiritualmente a comunidade de religiosas do monastério. O edifício sofreu os estragos decorrentes da Desamortizaçao de Mendizábal em 1836, ficando abandonado e em estado de semi-ruína. Em 1920, passou a ser propriedade privada e foram encomendadas obras de reabilitaçao, a cargo do arquiteto Enric Sagnier i Villavechia, que aproveitou várias peças românicas originais, procedentes da desaparecida igreja de Santa Maria da localidade de Besalú (Província de Girona).

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A incorporaçao das peças refletia uma moda em voga no início do séc.XX, a de projetos construtivos de tipo historicista. Dentre as peças aproveitadas, destacam o tímpano da portada principal e os capitéis que sustentam as galerias superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post comentando que românica é a Capela de Santa Lúcia, que integra a Catedral de Barcelona. No entanto, a ela será dedicada uma matéria especial…até lá…