Fórum Romano de Tarragona – Parte 2

Neste segundo post sobre o Fórum Romano de Tarragona veremos outros vestígios arqueológicos pertencentes ao incrível conjunto de restos romanos da antiga Tarraco que se conservam na cidade, declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Como dito na matéria  anterior, o Fórum constituía o centro da vida pública de qualquer cidade romana, estando composto por seus principais edifícios administrativos, religiosos e jurídicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda zona pertencente ao Fórum Romano de Tarraco é visitável, mediante o pago de uma modesta entrada. Seus vestígios arqueológicos foram documentados por primeira vez na segunda metade do século XIX, com a derrubada das antigas muralhas renascentistas. Abaixo, vemos um busto em homenagem a Joan Serra i Vilaró, o primeiro em escavar as ruínas desta parte do Fórum Romano de Tarraco, em 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto está formado por duas zonas separadas por uma rua e unidos por uma pequena ponte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é considerada a praça inferior do Fórum, ao estar situada numa zona mais baixa da cidade. Tinha umas dimensões impressionantes, de 318 m de comprimento por 175 m de largura, estando cercada em três de seus lados por uma complexa estrutura de pórticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Fórum situava-se o denominado Templo Capitolino, o principal de Tarraco, em homenagem à tríade romana formada pelas divindades Júpiter, Juno e Minerva. Sua parte conservada se restringe à sua fundação estrutural feita com o chamado cimento romano (Opus Caementicium).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma reconstrução gráfica idealizada do monumento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local imprescindível no Fórum Romano era a Basílica, um edifício de 3 naves separados por colunas, com finalidades administrativas, políticas e, principalmente, jurídicas, além de constituir um ponto de encontro social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma sala central presidia o interior da Basílica, onde se reunia o senado local, ou Curia. Seu exterior estava formado por colunas de ordem coríntia, 14 delas dispostas em seu comprimento e 4 colunas em seu sentido lateral (14×4). Posteriormente, os cristãos utilizaram a estrutura das basílicas romanas para a construção de suas igrejas, motivo pelo qual muitas delas, principalmente catedrais, possuem uma planta basilical.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs quarteirões das casas estavam delimitados por ruas de pedra com uma largura de 6 metros. O planejamento urbano das cidades romanas estava composto por duas ruas que se cruzavam perpendicularmente, o Decumano (sentido leste-oeste) e o Cardo (orientação norte-sul). O Decumano principal denominava-se Decumanus Maximus, que cruzava com o Cardo Maximus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro desta zona do Fórum Romano de Tarraco se conservam também vestígios de casas e pequenos comércios. Abaixo, vemos uma cisterna que pertenceu a uma residência construída no século II aC, anterior portanto à própria construçao do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Mérida (situada na Comunidade de Extremadura) foi, junto com Tarraco, uma das principais cidades romanas de Hispania. Antiga Emerita Augusta, foi a capital da Província da Lusitânia. Uma placa oferecida à cidade de Tarragona pela “hermana histórica” foi colocada dentro da área protegida do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de todos estes monumentos pertencentes ao seu passado romano que estamos vendo no blog, se conservam outros lugares icônicos da antiga Tarraco, situados a poucos quilômetros da cidade, como o Aqueduto. Construído no século I dC, originalmente tinha 15 km de extensão, dos quais foram preservados “apenas” 217 m de comprimento e 27 m de altura em sua parte central. Uma pena que não tive a oportunidade de visitá-lo…

Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.

Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Tarragona Romana: Teatro e Anfiteatro

No mundo romano, os espetáculos populares constituíam uma parte fundamental da vida cotidiana. O dito latino “Panis et Circenses” refere-se justamente ao controle popular exercido pelos Imperadores Romanos através da organização destes espetáculos. Em Tarraco, nome romano de fundação da cidade de Tarragona, não era diferente. Atualmente se conservam os três edifícios públicos construídos para esta finalidade, o Circo, o Teatro e o Anfiteatro. Neste post, veremos os dois últimos. O Teatro Romano de Tarraco foi o primeiro em ser construído, no final do século I aC, em época de Augusto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado próximo ao Fórum da Colônia, nele eram realizadas representações teatrais e foi construído aproveitando-se o desnível natural do terreno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Teatro Romano de Tarragona deixou de ser utilizado no século III dC, e posteriormente novos edifícios foram construídos com seus materiais. Ao contrário dos outros dois espaços, o Teatro encontra-se abandonado e não está aberto à visitação pública, pois carece de infraestrutura para tal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá com o Anfiteatro, a situação é completamente distinta, pois representa uma das principais atrativos do Conjunto Arqueológico de Tarragona, estando aberto aos visitantes. O primeiro que chama a atenção do Anfiteatro Romano de Tarragona é sua excepcional localização, junto ao Mar Mediterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de edifício era usado para os espetáculos com animais ferozes, lutas de gladiadores e também como local de execução pública. Nele, no ano de 259 dC, foram martirizados o Bispo Fructuoso e dois de seus diáconos, como foi dito anteriormente, dentro do contexto da perseguição religiosa contra a comunidade cristiana, ordenada pelo Imperador Diocleciano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século II dC, num local que havia sido uma área funerária, foi reformado em 221 dC. O Anfiteatro foi construído junto ao mar com a finalidade de facilitar o acesso público e também para o desembarque de animais. Tinha capacidade para 15 mil espectadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século V dC perdeu sua função original e no seu recinto foi edificada uma Basílica Visigoda de 3 naves no final do século seguinte, para celebrar o martírio do bispo e dos diáconos. Ao seu redor, se construiu um cemitério com tumbas escavadas na arena e mausoléus funerários adossados à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XII se ergueu, sobre os cimentos da antiga Basílica Visigoda, um novo templo sob a titularidade de Santa María del Milagro. Esta igreja de estilo românico manteve-se de pé até 1915. No entanto, conservam-se os restos de ambas igrejas.

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Tarragona Romana – Patrimônio da Humanidade

O Conjunto Arqueológico de Tarragona, referente ao seu passado romano, é considerado um dos mais importantes de toda a Hispania, razão pelo qual foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000. Representa o assentamento romano mais antigo de toda a Península Ibérica, com muitos monumentos conservados.

DSC02067Dois foram os critérios estabelecidos pela Unesco para que a Tarragona Romana recebesse esse almejado título. O primeiro deles: “Os restos romanos de Tarraco são de uma importância excepcional no desenvolvimento do planejamento urbano romano, servindo de modelo para as capitais provinciais do Império Romano“. Em segundo lugar: “Proporcionam um testemunho eloquente e incomparável de uma etapa significativa na história das terras mediterrâneas da antiguidade”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua muralha é a construção mais antiga de toda a Tarraco Romana. Foi construída no final do século III aC, e ampliada no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha romana tinha 3500m de perímetro, dos quais se conservam 1100m, que rodeia o Centro Histórico de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das torres originais foram preservadas, como a chamada Torre de Minerva e a do Arcebispo. A muralha pode ser conhecida em sua totalidade num Paseo Arqueológico, cuja entrada vemos abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma das portas da muralha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da parte interior da muralha, junto ao centro histórico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha romana sofreu diversas modificações ao longo da história…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1368, se construiu uma nova muralha medieval denominada “La Muralleta“, cuja construção mais emblemática é a Torre de les Monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre de formato octogonal estava situada num dos extremos da Muralleta. Em 1530, diante do medo de um ataque marítimo, a torre transformou-se num ponto de vigilância costeira. Esta torre encontrava-se junto ao Circo Romano, que em breve veremos no blog, e sua fachada converteu-se no muro interno desta fortificaçao do século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralleta estava composta por 4 torres, e esta é a única conservada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra modificação se realizou no século XVIII, em 1737, durante o reinado de Fernando VI. Uma antiga porta medieval, o chamado Portal de Sant Antoni, foi reformado no estilo barroco, adquirindo um aspecto de Arco de Triunfo. Em sua parte superior, foi colocado o escudo do monarca, que atualmente encontra-se bastante desgastado.

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Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

Tarragona – Comunidade de Catalunha

Situada ao sul da Comunidade de Catalunha e capital da província homônima, Tarragona é um centro turístico importante, por estar banhada pelo Mar Mediterâneo, que lhe proporciona praias de águas cálidas, e por sua larga história de mais de dois milênios, oferecendo ao visitante um vasto repertório de monumentos históricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem se deve aos romanos, que fundaram a antiga Tarraco como um acampamento militar durante a guerra que o império travou contra Cartago. Com o tempo, transformou-se na capital da Hispania Citerior Tarraconensis,a maior província romana da península ibérica, sendo considerada seu assentamento romano mais antigo. Antes de sua ocupação e incorporação romana, porém, esteve povoada pelos povos Ibéricos, que estabeleceram contatos comerciais com gregos e fenícios localizados na costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto arqueológico romano conservado na cidade recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, outorgado pela Unesco, no ano 2000. Seu período de maior esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, sendo que a maioria dos monumentos que vemos em Tarragona pertencem a esta época.

A muralha que rodeia parte de seu centro histórico é a parte mais antiga do recinto arqueológico. Construída no séc. II aC, se conserva 1km do seu perímetro original, que possuía aproximadamente 4 km.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Foro Romano era um conjunto monumental imenso, composto por duas grandes praças nas quais estavam edificadas as principais construções administrativas, religiosas e culturais. Erguido no ano 73 dC, durante o reinado do imperador Vespasiano, seu uso foi mantido até o séc. V dC. A denominada Torre do Pretório marcava a entrada ao foro, unindo a parte baixa da cidade e o circo (através de galerias subterâneas) com suas praças. Na Idade Média, a torre tornou-se propriedade da Coroa Aragonesa, passando a ser residência real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, alberga o Museu Arqueológico, com várias peças de grande valor histórico.

No museu, existe uma maquete que mostra a paisagem urbana da antiga Tarraco.

Do alto da torre, se contempla uma bela vista de Tarragona.

O Circo, situado nas proximidades do foro, foi construído no séc. I dC,e nele se celebravam as populares corridas de cavalos, e também cumpriu esta função até a desintegração do império no séc. V. Durante as épocas seguintes, a arena foi utilizada como espaço para novas construções residenciais, de modo que o circo permaneceu incrustado em pleno centro urbano, que dessa forma facilitou curiosamente sua conservação.

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Abaixo, vemos a galeria que comunicava o foro com o circo.

O Anfiteatro chama a atenção por sua localização, próximo ao mar. Esta construção do séc. II dC foi utilizada na centúria seguinte como local de execução de cristãos, durante a perseguição a que foram submetidos. Tal foi o caso do bispo da cidade Fructuoso e seus diáconos Augúrio e Eulogio, que se tranformaram nos primeiros mártires da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No anfiteatro disputavam-se todos os tipos de espetáculos sangretos, como lutas de gladiadores e contra animais. Tinha capacidade para 15 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. V, como conseqüência da política religiosa dos imperadores cristãos, foi perdendo sua função original e um século depois se aproveitaram suas pedras para a construção de uma basílica, na qual pudessem ser venerados os santos citados acima, já na época visigoda.

Ao redor do templo foram construídos também um cemitério com tumbas escavadas na arena e mausoléus funerários, adossados à igreja. A invasão muçulmana fez com que o local fosse abandonado, até que no séc. XII se ergueu, sobre os restos da antiga basílica, um novo templo românico dedicado a Santa Maria do Milagre. Esta igreja permaneceu de pé até 1915.

Outro dos monumentos romanos conservados é o Foro Colonial, espaço reservado aos assuntos comerciais e administrativos.

O Portal de San Antonio está situado nas muralhas, porém sua origem nao é romana. Foi levantada em 1737 (época barroca) e em sua parte superior vemos o escudo do rei Felipe V.

A Catedral de Tarragona é seu principal monumento religioso. Construída a partir de 1171, foi concluída em 1331, e apresenta um estilo de transição do românico ao gótico.

A portada central, por ex., pertence ao estilo gótico, e nela vemos a Virgem Maria no parteluz e a profetas e apóstolos esculpidos nas laterais.

Para conhecer melhor a catedral, visite o post publicado nos dias 8 e 9/3 de 2013. Outro local de interessante visita é a Casa Castellarnau, um palacete gótico do séc. XV, que sedia um Museu de História.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas dependências, podemos admirar móveis dos séc. XVIII e XIX.

O espaço conserva estruturas arquitetônicas de várias épocas, como o pátio e a escada com colunas góticas.

Uma das muitas tradições do povo catalão e representada nas datas festivas é o denominado Castells ou pirâmide humana. Em Tarragona há uma estátua que a homenageia. Existem concursos nos quais os vencedores são aqueles capazes de fazer a pirâmide mais alta e estável.

Finalizamos o post na Praça do Sedassos. Nela, vemos a original decoração do edifício que pertence ao pintor Carles Arola. O mural representa uma típica fachada do séc. XIX, composta por personagens tradicionais e incorpora elementos festivos próprios da cultura popular. Pintado em 1995, o artista utilizou recursos da técnica do claro-escuro e da perspectiva, conseguindo um efeito de realidade das pessoas e objetos. Dessa forma, a obra cria situações que parecem verdadeiras, aos olhos do observador.