Museu Nacional do Teatro – Almagro

A fundamental relação de Almagro com o teatro vai mais além de seu famoso Corral de Comédias, pois num dos extremos laterais de sua Plaza Mayor situa-se outro local de visita indispensável, o Museu Nacional do Teatro. Está sediado no Palácio Maestrales, construído a mediados do século XIII como residência dos membros mais importantes da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, o palácio passou a ser a residência do governador de Almagro e no século XVIII converteu-se num quartel de cavalaria. Em 1802, uma parte do palácio acolheu um novo convento da Ordem de Calatrava, mas com a Desamortizaçao de Mendizábal (1836), o edifício passou a ser propriedade de particulares. De seu aspecto original conserva a robusta torre em uma de suas esquinas (foto acima) e um belo pátio central arqueado, formado por arcos de ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1994 e 2001, o edifício foi reabilitado para acolher o museu, considerado um dos poucos Museus Nacionais situados fora de Madrid. Ocupa três andares, sendo o único museu dedicado exclusivamente à história do teatro no país. Está administrado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas e da Música, um organismo dependente do Ministério de Educação, Cultura e Deporte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASuas salas nos mostram uma interessante trajetória histórica do Teatro Espanhol, desde seus inícios em época romana, até o século XX, passando por seus maiores dramaturgos, atores e atrizes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Nacional de Teatro de Almagro possui um acervo de mais de 12 mil obras, entre desenhos, gravados, quadros, maquetes e esculturas. Abaixo, vemos um retrato do grande poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898/1936), realizado pelo pintor valenciano Alejandro Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande atriz María Guerrero (1867/1928) aparece retratada pelo pintor Anselmo Miguel Nieto (1881/1964) num quadro realizado em 1914.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos um gravado realizado por Salvador Dalí (1904/1989) para a peça “Don Juan Tenorio“, sendo responsável por sua decoração e vestuário. A peça estreou em 1949 no Teatro María Guerrero de Madrid, sendo considerada uma das melhores adaptações do clássico de José Zorrilla (1817/1893), publicada por primeira vez em 1844.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com inúmeras e formidáveis maquetes que retratam a história do teatro na Espanha. Abaixo, vemos uma delas, em que aparece o Parque do Retiro de Madrid, quando a partir do século XVII foi utilizado como cenário de representação teatral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola (XVII) está muito bem documentado no museu. Seus grandes dramaturgos realizaram obras eminentementes populares. Neste prolífico período cultural, todas as manifestações teatrais erm conhecidas como comédias, independente se a obra representada era um drama ou tragédia. A exceção constituíam os denominados Autos Sacramentais. A seguir, vemos um deles, realizado por Calderón de La Barca, um dos maiores expoentes do Teatro Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo campo escultural, o museu conta com vários bustos, entre os quais o de Fray Gabriel Téllez (1579/1648), mais conhecido por seu pseudônimo, Tirso de Molina, considerado um dos grandes dramaturgos do Barroco Espanhol. O busto foi realizado pelo escultor Lorenzo Coullaut Valera (1876/1932).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos escultores espanhóis que mais admiro, o valenciano Mariano Benlliure (1862/1947), realizou esta bela obra em que retrata a bailarina sevilhana Pastora Rojas Monje (1889/1979), uma das figuras mais representativas da história do flamenco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários trajes também podem ser vistos, como o que vemos abaixo, utilizado pela atriz Cristina Higueras, nascida em 1961, para a representaçao da peça “Doña Rosita la Soltera“, de Federico García Lorca, em 1980.

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Corral de Comédias de Almagro

Em plena Plaza Mayor de Almagro situa-se outro grande atrativo da cidade, o Corral de Comédias, famoso em todo o mundo por conservar o espaço teatral típico existente no século XVII, que foi o precursor dos teatros que conhecemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste é um dos poucos exemplares deste tipo de construção que se conservam na Espanha e, sem dúvida nenhuma, o mais famoso. É o único que permanece ativo tal como eram há 4 séculos, ainda que seu aspecto é um pouco distinto à construção original, pois foi destinado a outros usos ao longo de sua dilatada história. Os denominados Corrales de Comédias surgiram no século XVI e se difundiram a partir do século XVII por todo o país, coincidindo com o período conhecido como Século de Ouro da Cultura Espanhola (siglo de oro, em espanhol), momento em que o teatro constitui o grande alicerce cultural da população daquela época. Nomes como Tirso de Molina, Calderón de la Barca e Lope de Vega, entre muitos outros, consagraram o Teatro Espanhol em toda a Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Corrales de Comédias surgiram devido ao auge das representações teatrais e da grande quantidade de público que assistiam às obras, obrigando as prefeituras municipais a construírem espaços específicos para sua realização. O Corral de Comédias de Almagro deve sua construção ao presbítero da antiga Igreja de San Bartolomé, infelizmente derrubada, Leonardo de Oviedo. Em 1628, obteve a permissão da prefeitura da cidade para edificar um corral no pátio de um local já existente, uma espécie de restaurante-pousada chamado Mesón del Toro. Para sua construção, investiu uma verdadeira fortuna para a época, mais de 5 mil ducados. No ano seguinte, realizou-se a primeira peça no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA própria Plaza Mayor serviu de modelo construtivo, com uma estrutura de madeira formada por corredores em suas partes inferior e superior. O impulso definitivo para sua proliferação se deve às hermandades religiosas existentes na época, que cuidavam dos hospitais, e que começaram a organizar representações teatrais para arrecadar dinheiro. Um dos requisitos de sua construção foi que todas as representaçoes deveriam ser realizadas neste corral, sendo que os espectadores deveriam pagar uma parte do ingresso para o Hospital de los Hermanos de San Juan, que se encarregou de construir a metade dos bancos que seriam usados pelos espectadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, se pagavam três entradas, uma para ver a peça, outra para a instituição beneficente e a última para sentar. O dinheiro arrecadado pela venda de ingressos era dividido pela prefeitura, as companhias de teatro e o proprietário do local. O Corral de Comédias de Almagro está sustentado nas três partes que rodeiam o cenário por 54 pilastras feitas de madeira. As inferiores foram montadas sobre uma tosca base de pedra, para protegê-las contra a humidade do solo. Os aposentos laterais estavam formados por estrados que eram ocupados por comerciantes, militares e pessoas de uma condição social mais elevada que os demais espectadores. Também eram alugados para as famílias nobres por um período determinado de tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Dispunham de um acesso independente para manter o anonimato dos seus ocupantes, pois uma estrutura permitia que pudessem ver as obras sem serem vistos. As denominadas Cazuelas constituíam os locais destinados para as mulheres. Estavam situadas em frente ao cenário, no primeiro nível da construção, também com acesso independente. Nos aposentos privados, no entanto, homens e mulheres  permaneciam juntos, e são considerados os antecedentes dos atuais palcos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior do Corral, acima das cazuelas, eram ocupadas pelas autoridades civis e religiosas. Debaixo do cenário, oposto à entrada, encontrava-se o fosso, onde situava-se a companhia  teatral e que possibilitava uma excelente acústica, devido a caixa de ressonância que formava. Às crianças estavam proibida a entrada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA venda de bebidas alcólicas estava igualmente proibida, mas era servida uma bebida chamada Aloja, que misturava água, mel, canela e outras especiarias. Ás vezes, se colocava um pouco de vinho, para o deleite dos espectadores. Também estava proibido fumar, devido ao risco de incêndios. As peças duravam entre 4 e 6 horas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs condições higiênicas deixavam muito a desejar, pois não havia banheiros. As frequentes desordens, o risco de incêndio e a falta de higiene fizeram com que no denominado período da ilustração (século XVIII) se proibisse as obras teatrais nos corrales. O Corral de Comédias de Almagro transformou-se novamente numa pousada, onde se hospedavam os mercadeiros que visitavam a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o Corral de Almagro esteve a ponto de ser derrubado. Felizmente, foi declarado Monumento Histórico-Artístico e foi reabilitado, sendo reinaugurado em 1954. Atualmente é um referente mundial do Teatro Clássico, com uma ampla programação cultural.

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Casa-Museu Lope de Vega – Madrid

Félix Lope de Vega y Carpio (1562-Madrid/1635-Madrid) foi um dos mais importantes escritores e dramaturgos do denominado Século de Ouro Espanhol (séc. XVII). Conhecido como o “Fénix de los Ingenios”, renovou o Teatro Espanhol, numa época em que começava a ser um fenômeno de massa. É considerado o máximo expoente do Teatro Barroco do país, ao lado de Tirso de Molina e Calderón de la Barca. Em frente ao Monastério de la Encarnación de Madrid, vemos um monumento que homenageia o grande escritor e dramaturgo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstudou na Companhia de Jesus e na Universidade de Alcalá de Henares. Além de escritor, foi também militar, participando de algumas expediçoes, e secretário de personagens importantes, como o Duque de Sessa. Foi casado duas vezes, e depois da morte de Juana de Guardo em 1614, sua segunda esposa , tornou-se sacerdote. Sua vida sentimental foi deveras atribulada. Além das “esposas oficiais”, teve inúmeras amantes. Em 1587, devido a um desengano amoroso com Elena Osório, escreveu uns poemas insultantes a esta mulher, filha de um empresário teatral, que lhe causou 8 anos de desterro. Foi quando viveu em Valencia, Toledo e Alba de Tormes. Teve 15 filhos que estao documentados…Mesmo depois de tornar-se sacerdote, sua vida amorosa prosseguiu, sendo acusado de sacrilégio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo monumento acima citado, vemos algumas de suas principais obras. Lope de Vega foi um dos escritores mais prolíficos da Literatura Espanhola. Ele mesmo disse ter escrito mais de 1500 peças teatrais, das quais se conservam 500, ainda que apenas 314 delas estao confirmadas como sendo de sua autoria. Cultivou todos os gêneros literários de sua época, e ainda hoje suas obras sao frequentemente representadas pelos teatros do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1610, com 48 anos de idade, passa a viver definitivamente em Madrid e compra uma casa, na qual passou seus últimos 25 anos de vida. Situada em pleno Bairro das Letras, é considerada uma das jóias deste bairro repletos de referências literárias (para conhecer um pouco mais sobre ele, foram publicadas duas matérias, em 27/11/2012 e 29/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente transformada num museu, a casa onde viveu o escritor está localizada na Calle Cervantes, e pode ser visitada, mediante reserva em visitas guiadas. Durante muito tempo esteve abandonada e em mau estado, até que a Real Academia da Língua Espanhola se encarregou de sua restauraçao. Depois de sua morte, o imóvel foi vendido por seu neto, que vivia em Milao e que nao chegou a conhecer o famoso avô. Em frente a casa, uma inscriçao feita na própria rua, algo habitual no bairro, recorda o escitor e a casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA restauraçao da casa foi cuidadosamente realizada, e hoje em dia podemos ver como viveu o escritor. Inclusive se recuperou uma inscriçao em latim que vemos na fachada, na qual lemos:

Parva propria magna, magna aliena parva“. Traduzida literalmente significa: A casa própria é grande, ainda que seja pequena. A casa alheia é pequena, ainda que seja grande. Nela, Lope de Vega reflete sua satisfaçao em possuir um lar próprio, algo bastante difícil numa época em que os poetas viviam em constantes dificuldades econômicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1935, a Casa de Lope de Vega foi declarada Monumento Nacional durante a celebraçao do terceiro centenário de sua morte, abrindo-se ao público como museu. O inventário de seu testamento, realizado em 1627, e a documentaçao histórica do imóvel  foram as referências históricas utilizadas para sua restauraçao. Através de objetos pessoais, obras de arte e mobiliário antigo, foram recriados os diversos ambientes de uma típica residência madrilenha do séc. XVII. Infelizmente, as fotos interiores nao estao permitidas. Abaixo, vemos o jardim, situado no fundo da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, a parte traseira da casa, vista desde o jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1635, Lope de Vega falece na casa onde viveu. Seu enterro constituiu uma das maiores manifestaçoes de dor que a cidade presenciou. Uma multidao acompanhou o cortejo fúnebre pelas ruas do Bairro das Letras de Madrid, e parou no conhecido Convento das Trinitárias, situado próximo a casa do escritor, para que sua filha Marcela, que havia entrado no convento como freira, pudesse do alto de seus muros de clausura dar o último adeus a seu pai. Recordamos que neste convento foi sepultado Miguel de Cervantes, cujos restos, que se haviam perdido, parece que foram encontrados…

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Casa Alberto – Madrid

A partir de hoje, veremos algumas das mais tradicionais Tabernas Madrilenhas. A Casa Alberto é uma delas. Localizada em pleno Bairro das Letras (Calle Huertas, 18), este estabelecimento possui todos os elementos que caracterizam as Tabernas Tradicionais, como a fachada vermelha, a antiga caixa registradora, as colunas de ferro, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa Alberto é uma das mais antigas tabernas da cidade em funcionamento, pois foi fundada em 1827, como comprova a data colocada na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes que a taberna fosse construída, havia no local um edifício anterior levantado em 1589. Nele viveu Miguel de Cervantes entre 1613 e 1614, publicando vários capítulos da segunda parte de D.Quixote e concluindo sua novela Viagem ao Parnaso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de ser considerada uma Taberna Taurina, a Casa Alberto é também uma Taberna Teatral. Sua proximidade com o famoso Teatro Espanhol fez com que o local fosse um ponto de vendas de entradas baratas para os espetáculos, com a condição que o público deveria aplaudir entusiasticamente os momentos chaves das peças. Por este motivo, o local era apreciado e frequentado por artistas e atores do mundo cênico. Abaixo, vemos algumas imagens do interior desta emblemática Taberna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO taberneiro mais conhecido desta casa chamava-se Alberto de Dios, que batizou a taberna nos anos 20 do século passado. Seu atual proprietário, Alfonso Delgado, restaurou a taberna que esteve a ponto de desaparecer e preside atualmente a Associação de Restaurantes Centenários de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outros elementos antigos que se conservam na Taberna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosas são as advertências colocadas nos móveis de madeira, proibindo os hábitos inadequados de higiene e má educação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara aqueles que desejem conhecer a Casa Alberto, uma boa pedida é provar os tradicionais pratos  servidos, como o Bacalhau à Madrilenha, o Cordeiro ou a Almôndega de ternera.

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Teatro Maria Guerrero – Madrid

Pertencente ao Ministério da Cultura de Espanha, o Teatro Maria Guerrero é a sede do Centro Dramático Nacional. Impulsionado pelo Marquês de Monastério, Alfonso Osorio de Moscoso (1857/1901), que ordenou a construçao do edifício, o teatro foi inaugurado em 1885, com o nome de Teatro de la Princesa. O acontecimento contou com a presença da rainha Maria Cristina e a destronada Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo do marquês foi criar um local seleto, no qual nao havia localidades baratas. Desde finais do séc. XIX, começou a destacar no palco a figura da atriz Maria Guerrero, que entao possuía a licença de exploraçao do Teatro Espanhol, propriedade da prefeitura de Madrid. No entanto, seus compromissos artísticos na América Latina dificultavam suas obrigaçoes junto às autoridades municipais. O problema, cada vez maior, solucionou-se quando o marido de Maria Guerrero decidiu adquirir o Teatro de la Princesa em 1908, convertendo-o no centro de interpretaçao da atriz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta época, sao encenadas obras de Jacinto Benavente, Valle-Inclán, etc. As dificuldades econômicas do casal aumentaram com a construçao do Teatro Cervantes, em Buenos Aires. Como consequência, tiveram que mudar-se para a parte superior do teatro, onde permanecerao até o falecimento de María Guerrero em 1928.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO imóvel foi, entao, comprado pelo estado espanhol, que muda o nome do teatro, em homenagem à atriz. O início da Guerra Civil em 1936 provocou seu fechamento, sendo reaberto somente em 1940, sob a denominaçao de Teatro Nacional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1996, foi declarado Bem de Interesse Cultural, e em 2000 e 2003 foram realizadas obras que lhe devolveram seu aspecto original, segundo o projeto do arquiteto construtor do teatro, Agustín Ortiz de Villajos.

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Breve História do Teatro Espanhol

A partir de hoje, iniciamos uma série de matérias sobre o Teatro Espanhol, começando por um breve resumo de sua história. Como o teatro europeu, surgiu vinculado ao culto religioso. As representaçoes, realizadas dentro das igrejas, no coro ou na parte central da nave foi, paulatinamente, tornando-se mais largas e espetaculares. Assim, foi aparecendo uma espécie de teatro religioso, que é considerado o teatro medieval por excelência. Posteriormente, foram sendo colocados elementos profanos e cômicos nas obras que, por razoes óbvias, tiveram que abandonar os templos para serem encenadas em locais públicos. Em Espanha, se conservam poucos documentos escritos e ainda menos obras teatrais desta época. A mostra mais antiga do teatro castelhano é a obra Auto de los Reyes Magos, de finais do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs parâmetros medievais seguirao relevantes no teatro espanhol até o séc. XVI, quando inicia-se um processo modernizador que cria vária tendências, como o classicismo, influências italianas ( cujo principal representante foi Juan de Encina), e as de tradiçao nacionalista (Juan de La Cueva). A obra dramática mais importante do período é denominada de “A Celestina”, de Fernando de Rojas, de complicada estrutura, com mais de 20 atos, e que continua atualmente com enorme dificuldade para ser representada. A época auge, nao só do teatro, como também de toda a cultura espanhola, é o séc. XVII, também chamado “Século de Ouro”, pela quantidade e qualidade de personagens que se desenvolveram em todos os campos artísticos. A representaçao pública converte-se num princípio moral e estético.  O mundo é um teatro e, como tal, é a arte mais adequada para representar a vida. Sao criadas as primeiras salas teatrais, chamadas de Corrales de Comédias, gestionadas pelas hermandades, verdadeiros precedentes  dos empresários do teatro moderno. Abaixo, vemos uma imagem do local onde antigamente se situava o famoso Corral de la Cruz, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante este século, proliferam os grandes artistas e as companhias teatrais. Entre os grandes dramaturgos, destacamos Lope de Vega, um dos mais prolíficos, já que escreveu mais de 1500 peças teatrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro das Letras de Madrid (post publicado em 27 e 29/11/2012), é possível visitar a casa-museu onde viveu o artista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto a seguir, vemos uma estátua que homenageia Lope de Vega, situada em frente ao Monastério de la Encarnación, também em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATirso de Molina foi outro grande dramaturgo do Século de Ouro e, na sequência, vemos sua estátua, localizada na praça que também leva seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACalderón de la Barca foi o autor de uma das obras fundamentais do Teatro Espanhol, “La vida és sueño”. Abaixo, vemos sua estátua, localizada na Praça de Santa Ana, na capital espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra praça de Madrid presta homenagem a Francisco de Quevedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a segunda parte desta matéria introdutória sobre o Teatro Espanhol.

Bairro das Letras – Madrid

Em Madrid, existem lugares que normalmente passam inadvertidos pelos turistas em geral, desconhecedores de seus inúmeros atrativos. Um deles é o Bairro das Letras, também chamado dos Literatos. Seu nome se deve à intensa atividade literária que se desenvolveu no local ao longo do denominado Século de Ouro Espanhol, como ficou conhecido o período de máximo esplendor da cultura do país, compreendido entre os séculos XVI (renascimento) e XVII (barroco).

No bairro, estabeleceram sua residência alguns dos mais famosos escritores de sua literatura, como Cervantes, Lope de Vega, Quevedo, Góngora, etc. Uma boa forma de conhecê-lo é a partir da Praça de Santa Ana, criada na época em que José Bonaparte, irmão de Napoleão, assumiu o governo do país. Para tanto, mandou derrubar o antigo Convento de Santa Ana em 1810, fundado por San Juan de La Cruz em 1586. Num dos extremos da praça, situa-se o Teatro Espanhol, antigo Teatro ou Coral dos Príncipes, inaugurado em 1583, onde foram representadas muitas obras de Lope de Veja e Calderón de la Barca.

Em 1849, foi transformado no atual teatro, que continua hoje em dia como uma referência cultural no panorama artístico da cidade.

Em frente a ele, uma estátua homenageia o mais influente e popular poeta e dramaturgo espanhol do séc. XX, fuzilado durante a Guerra Civil, Federico Garcia Lorca (1898-1936).

No outro extremo da praça, outra estátua recorda a Calderón de la Barca (1600-1681).

Atrás do monumento, vemos o edifício Simeón, atualmente Hotel da rede Meliá, cujo destaque fica por conta do famoso Café Central, um dos templos do Jazz de Madrid. Em épocas passadas, o edifício, inaugurado em 1923, era ocupado pelo Gran Hotel Reina Victória, também chamado Hotel dos Toureiros, que nele se hospedavam quando vinham à cidade.

Em 2008, o bairro foi declarado Área de Prioridade Residencial, ficando restringido para o tráfico de veículos, salvo para os residentes. A maior parte das construções que conformam o bairro são dos séc. XIX e XX, embora se conservem algumas casas do século de ouro.

Um exemplo é a casa-museu de Lope de Vega (1562-1635), onde o escritor viveu os últimos 25 anos de sua vida. Considerado um dos mais importantes escritores e dramaturgos do século de ouro, foi também um dos mais prolíficos de toda a literatura universal. Foi o expoente máximo do teatro barroco espanhol, inimigo declarado de Góngora e grande rival de Cervantes.

De sua casa saiu o corpo do famoso literato, acompanhado por uma multidão até a Igreja de San Sebastián, onde está sepultado.

Fundada em 1541, foi saqueada em 1936 e praticamente destruída. O templo foi reconstruído entre 1943/1959 e dez anos depois declarado Monumento Nacional, graças ao extraordinário arquivo paroquial que possui, felizmente salvos do bombardeio a que foi submetida.

Dito arquivo contém milhares de dados bibliográficos de muitos personagens ilustres da vida cultural do país. Entre eles, que figuram nos dados relativos ao nacimento, batismo, casamento e defuntos, encontramos Cervantes, Gustavo Bécquer, o arquiteto Ventura Rodrigues, entre muitos outros. Aliás, o citado arquiteto também está enterrado na igreja, juntamente com Juan de Villanueva na denominada, é claro, Capela dos Arquitetos. Abaixo, outras imagens do interior da igreja.

Em algumas das ruas do bairro, podemos ver, ou melhor ler, poemas que recordam os grandes poetas, como vemos abaixo.

No próximo post, seguiremos conhecendo o imperdível Bairro das Letras…