Palácio Real de Madrid – Parte 2

O Palácio Real de Madrid já foi tema de um post publicado em 5/10/2012. No entanto, este que é um dos principais monumentos da cidade, por ter sido a residência oficial dos Reis da Espanha, necessita de algumas informações complementares, que não foram abordadas na publicação inicial.  Foi dito que o atual Palácio Real foi construído no mesmo local do antigo Alcázar, que foi destruído sem misericórdia por um incêndio em 1734, durante o reinado do primeiro rei da Dinastia Burbônica do país, Felipe V. O Alcázar transformou-se na residência real depois que a cidade foi reconquistada em 1086, ocupando o local da antiga fortaleza árabe. Não se sabe ao  certo o início de sua construção, e o primeiro documento que a ele se faz referência data das reformas realizadas durante o reinado de Pedro I, a mediados do séc. XIV. A partir de Juan II, o Alcázar passou a ser a residência preferida dos reis da Dinastia dos Trastámaras. O edifício passou  a seu um palácio com as reformas e ampliações realizadas pelo rei Carlos I, que encarregou os arquitetos Luis de Vega e Alonso de Covarrubias para as obras. Com a chegada da corte em 1561 durante o reinado de Felipe II, o Alcázar se converteu na primeira residência real permanente do país. Não existem gravados nem planos do Alcázar anterior às reformas realizadas a partir do séc. XVI. Porém, abaixo vemos uma imagem do aspecto que possuía o Alcázar na primeira metade do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe II prosseguiu com as reformas, acrescentando um novo pátio chamado Pátio de la Reina (Pátio da Rainha), já que o antigo Alcázar possuía apenas um. Dessa forma, a construção ficou dividida em duas: a ala oeste para o rei e a leste para a rainha. A seguir, vemos uma maquete do Alcázar, que mostra também o seu aspecto no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmpliações e novas remodelações foram realizadas pelos demais reis da Dinastia dos Habsburgos. O incêndio que destruiu o Alcázar durou 3 dias, e lamentavelmente muitas obras de arte que o decoravam foram perdidas. O monarca Felipe V não gostava do antigo Alcázar (apesar de repleto de obras de arte, não possuía o mesmo conforto do Palácio de Versalhes, local onde viveu o rei ante de chegar ao trono espanhol), e este fato levantou suspeitas com respeito ao seu suposto vínculo com o incêndio. Atualmente, esta suposição parece infundada. Felipe V ordenou a construção do novo palácio ao melhor arquiteto da época, o italiano Filippo Juvara, que realizou um projeto de dimensões gigantescas que não contou com a aprovação real, já que Felipe V desejava que o novo palácio fosse construído no mesmo local que o alcázar destruído pelo fogo. Juvara, que chegou em Madrid em 1735, veio a falecer no ano seguinte. Felipe V contrata, então, seu discípulo Juan Bautista Sachetti, que modifica o projeto de seu mestre, adaptando-o ao gosto do monarca e à sua atual localização. Abaixo, vemos a fachada principal (sul), que dá de frente para a Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira pedra foi colocada em 1738 , e o Palácio Real finalizou-se em 1764 durante o reinado de Carlos III, que tornou-se o primeiro rei em habitá-lo. Abaixo, vemos a estátua do rei colocada logo na entrada do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um busto do rei que ordenou sua construção, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Real de Madrid possui uma planta quase quadrada, com 120m de comprimento e 28 de altura. Possui três níveis principais e dois subterrâneos, e se distribui em torno a um grande pátio. A fachada oeste oferece estupendas vistas do Campo del Moro e suas belas fontes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada norte tem como referência outra das áreas verdes que o circundam, os Jardins de Sabatini.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, a fachada leste dá para a Praça do Oriente e o Teatro Real, de onde foi tirada a foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção combina o cinza do granito com o branco da pedra calcárea de Colmenar. Na sequência, vemos uma imagem do Palácio Real de Madrid visto desde as margens do Rio Manzanares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a impressionante escada principal do palácio, que permite o acesso às dependências visitáveis do mesmo…

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Teatro Real – Segunda Parte

Depois das reformas realizadas nos anos 90, o Teatro Real foi reaberto em 1997, com uma festa de gala presidido pelos Reis de Espanha, na qual foi representada obras de Miguel de Falla. Desde 1993, é considerado como um Bem de Interesse Cultural. O teatro dispoe de salas de ensaios para orquestra, coro e corpo de baile, bem como uma sala de cenas com as mesmas dimensoes da sala principal. Aos artistas também estao reservadas salas de ensaios individuais. Abaixo, vemos um esquema com a planta do teatro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, é um dos principais teatros operísticos da Europa e sua orquestra titular é a Sinfônica de Madrid. Acolhe uma média de 180 obras de ópera e ballet por temporada, além de um amplo programa de concertos e recitais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO requinte e o bom gosto estao presentes em todas as suas dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teatro pode ser conhecido através de uma visita guiada mais que recomendada, que possibilita o acesso a zonas que de outra forma seria impossível. Existem distintos tipos de visita: a geral, a artística e a técnica. O edifício pode ser percorrido circularmente, através de uma série de saloes. Abaixo, vemos o vestíbulo principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs vários níveis do teatro podem ser alcançados por belas escadas, e cada espaço disponível está decorado com objetos relacionados à vida do teatro, como por ex., instrumentos antigos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs saloes situam-se na segunda planta, estando decorados cada qual com uma cor predominante, que os distinguem dos demais. O Salao Goya ocupa a fachada da Praça do Oriente e oferece espetaculares vistas da mesma e do Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Salao de Felipe IV, destacam quadros dos reis que estiveram relacionados diretamente com a história do teatro, como Juan Carlos I, Fernando VII e Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salao Carlos III, de tonalidade azul, está decorado com belos espelhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATapetes dos séc. XVII e XVIII podem ser admirados nas paredes do Salao Arrieta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo teatro podemos também saborear excelentes pratos da cozinha espanhola, num magnífico restaurante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local ocupa o antigo Salao de Bailes e no seu teto se reproduz o céu de Madrid tal como se encontrava na noite de sua reabertura, no dia 11/10/1997.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo parte integrante da decoraçao, vemos elegantes trajes históricos, utilizados pelas estrelas que atuaram no Teatro Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a última matéria sobre o Teatro Madrilenho.

Teatro Real – Madrid

O Teatro da Ópera de Madrid é considerado um dos mais importantes, nao só da Espanha, como de toda a Europa. Em suas representaçoes, destaca habitualmente a presença da Família Real. Sua fachada principal está situada na Praça do Oriente, em frente ao Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rei Fernando VII promoveu a construçao do teatro, incluído no projeto de remodelaçao da Praça do Oriente. Para tanto, ordenou a demoliçao do antigo Teatro de los Caños del Peral. O projeto foi realizado pelo arquiteto Antonio López Aguado, que desenhou um edifício de planta hexagonal irregular, com duas fachadas, uma para a mencionada praça acima e outra, de menor impacto, para a Praça de Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades financeiras da casa real impediram que as obras fossem iniciadas antes de 1830. Com a morte do arquiteto encarregado, o projeto foi assumido por Custodio Teodoro Moreno. Com a chegada ao trono da rainha Isabel II, uma ordem real promulgada em maio de 1850, exigiu a finalizaçao das obras dentro de um prazo de 6 meses. Dessa forma, o teatro foi inaugurado em novembro de 1850, com a ópera “La Favorita”, de G.Donizetti. Abaixo, vemos a fachada da Praça de Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas primeiras temporadas, representaram suas obras, entre outros, Rossini e Verdi, que se converteu no compositor favorito do público madrilenho, principalmente depois da estréia de sua ópera “La Forza del Destino” em 1863, um acontecimento social que marcou época. Os anos de esplendor do teatro verificaram-se no último quarto do séc. XIX. No início do séc. XX,  foram destaque as apresentaçoes dos grandes cantores espanhóis, embora os repertórios eram dominados pelas óperas de Puccini e Wagner.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os concertos históricos  de música clássica, cabe mencionar o realizado em 1908 pela Filarmônica de Berlin, na época dirigida por Richard Strauss. A partir de entao, o teatro sofreu um enorme declínio, devido às crises econômicas e políticas que sacudiram o continente. No entanto, seu prestígio foi temporalmente resgatado com as míticas apresentaçoes de  Nijinsky em 1917, e Igor Stravinsky em 1921, ambas realizadas com o Ballet Russo de Sergei Diagilev.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1925, o teatro foi fechado por decreto real, pois poderia demolir-se devido a inestabildade de sua construçao, agravada pelas obras do metro que se realizavam em suas imediaçoes. Depois da Guerra Civil, decidiu-se por sua reabilitaçao como sala de concertos e para servir de sede a Orquestra Nacional, fato que acabou sucedendo somente em 1966. Desde esta data, até 1988, foi a única sala de concertos da cidade, na qual se apresentavam tanto a Orquestra Nacional, como a recém criada Orquestra Sinfônica da RTVE (Rádio e Televisao Espanhola).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante este período, atuaram as principais orquestras do mundo (Viena, Berlin, Leningrado, Chicago, etc) e seus grandes diretores (Karajan, Bernstein, Claudio Abbado, etc). Entre 1991 e 1997, o teatro foi reformado para sua reconversao em uma sala de ópera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço cênico original foi reaproveitado e instalou-se uma complexa e moderna estrutura que permite o movimento vertical de 18 plataformas a partir do solo. Abaixo, vemos umas imagens que nos proporciona uma idéia da complexidade da estrutura, que possibilita a mudança de decorados e cenas de forma quase instantânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sala principal, foi mantida o estilo italiano original, bem como sua decoraçao, ambos inspiradas no grandes teatros europeus, como o Scala de Milao. Abaixo, vemos o camarote real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de destaque da sala principal é seu enorme e belo lustre, fabricado na famosa fábrica de vidros da Granja de San Ildelfonso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos com a visita pelo Teatro Real…nao percam !!!

Praça do Oriente – Madrid

A Praça do Oriente localiza-se no centro histórico de Madrid e possui um formato retangular, de caráter monumental. A praça está presidida por dois dos edifícios mais emblemáticos da capital. De um lado vemos o Palácio Real e, do outro, o Teatro Real. Além dos edifícios citados, alberga também o solar onde viveu o pintor Diego Velázquez.

Um de seus maiores impulsores foi o rei José I, irmão de Napoleão Bonaparte, quem ordenou a demolição das casas medievais situada no local. Para a origem do nome existem várias teorias. A mais aceitada corresponde a sua situação geográfica, a oriente do Palácio Real. Outra hipótese é uma referência a José I e sua possível relação com a maçonaria e a obediência que tinha com a Grande Loja do Oriente da França.

A idéia de construir-se uma grande praça junto ao Palácio Real se remonta ao séc. XVIII, com um projeto de Juan Bautista Sachetti, um dos arquitetos responsáveis pela construçao de dito palácio. Após as demolições realizadas entre 1808/1813 durante o reinado de José I, efetuou-se o nivelamento do terreno, já durante o governo de Fernando VII. O projeto de González Velázquez, realizado em 1817, tinha como prioridade a construção de um teatro no lado oposto ao do Palácio Real. Em 1836, durante o reinado de Isabel II tomou-se a decisão de erguer o Teatro Real, finalizado somente em 1850.

O desenho definitivo da praça coube ao arquiteto Narciso Pascual y Colomer, realizado em 1844.

Os jardins da praça sofreram importantes variações com o passar do tempo. Até 1941, estavam dispostos de forma circular ao redor do Monumento a Felipe IV, que ocupa o centro da praça. Atualmente, os jardins foram remodelados na forma quadricular, segundo o modelo barroco de jardineria.

Em torno à estátua do monarca, estavam situadas 44 esculturas representativas dos reis espanhóis. Porém, em 1927 seu número foi reduzido a 20. Atualmente, as esculturas estão dispostas longitudinalmente, em duas fileiras de 10 estátuas cada, a ambos lados do monumento central. Representam a 5 reis da época visigoda e a 15 dos primeiros reis cristãos da reconquista. O grupo de estátuas forma parte de uma série dedicada a todos os reis espanhóis, que adornariam o Palácio Real, e foram executadas entre 1750/1753.

Num princípio, a idéia era de que as estátuas se situassem na cornisa superior do palácio, fato que jamais ocorreu. Temia-se que a estrutura não suportasse o peso. A tradição, porém, conta que a rainha Bárbara de Bragança teve um sonho apocalíptico, em que as estátuas caíam da parte superior do palácio. Finalmente, foram distribuídas em diferentes pontos da cidade. Além da Praça do Oriente, vemos grupos de estátuas no Parque do Retiro, nos Jardins de Sabatini, por ex. Outras, no entanto, foram levadas a Pamplona (estátuas referentes aos monarcas navarros) e a Burgos. As estátuas foram realizadas pelos escultores reais Juan Domingo Olivieri e Felipe de Castro.

Durante os anos da ditadura franquista, a praça converteu-se num símbolo político daqueles favoráveis ao Regime de Franco, que nela realizavam manifestações de exaltação ao general ditador.

A estátua eqüestre de Felipe IV que preside a praça foi realizada no séc. XVII pelo escultor italiano Pietro Tacca. Já as fontes situadas ao seu redor são do séc. XIX.

O conjunto foi inaugurado durante o reinado de Isabel II, dotando a escultura de um suporte monumental, realizado pelos escultores Francisco Elias Vallego e José Tomás. O primeiro realizou os 4 leoes de bronze situados em suas partes laterais, enquanto o segundo esculpiu os baixo-relevos que decoram o pedestal sobre o qual se ergue a estátua. Um deles representa o monarca Felipe IV colocando ao pintor Velázquez o hábito da Ordem de Santiago e o outro é uma alegoria da proteção que o monarca dava às artes e às letras.

A estátua propriamente dita é de bronze e está disposta olhando para o Teatro Real.

 Foi esculpida entre 1634/1640 pelo mencionado escultor Pietro Tacca. Seus modelos foram dois quadros do rei pintados por Velázquez, um eqüestre e outro de meio corpo. A estátua foi fundida em Florença e o escultor contou com o acessoramento de Galileu Galilei, para que o cavalo que monta o monarca pudesse manter-se exclusivamente sobre suas patas traseiras. A solução encontrada pelo genial cientista consistiu em fazer a parte traseira maciça e a dianteira oca. Trata-se da primeira estátua eqüestre do  mundo com esta disposição.

A obra foi colocada, num primeiro momento, no pátio do Palácio del Buen Retiro e, posteriormente, no frontispício do antigo Alcázar, antes de ser levada à Praça do Oriente.

A mediados dos anos 90 do século passado, a praça foi novamente remodelada, ganhando novos espaços para pedestres.