A Judería de Toledo: Parte Final

A sociedade plural e tolerante de Toledo inicia sua decadência a partir do século XIV. Em 1391 ocorreram os primeiros ataques dos católicos contra a Judería Toledana. A convivência entre ambas comunidades se agravou quando o Rei Pedro I de Castilla, último monarca que protegeu a judeus e muçulmanos, foi assassinado por seu irmao Enrique de Trastámara durante a guerra civil travada em Castilla pelos direitos de sucessão ao trono. Nesta época, os monarcas castelhanos empreenderam um proceso para a construção de um estado moderno com a oposição da nobreza, que desejava manter seu poder. Estes viam na comunidade judaica colaboradores do poder real, que fez com que aumentasse o ódio dos inimigos que não desejavam o fortalecimento dos monarcas. Samuel Leví, tesoureiro maior de Pedro I, prestou inúmeros serviços para o rei. No entanto, devido aos problemas entre cristãos e judeus, o rei proibiu a construção de novas sinagogas, mas não pôde negar a seu amigo que edificasse a Sinagoga do Trânsito, pelo apoio recebido contra seu irmão Enrique, que almejava o trono. Apesar disso, o rei mandou prendê-lo e logo depois foi executado em 1361. Abaixo, vemos uma foto desta Sinagoga, atualmente sede do Museu Sefardí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe exatamente quantos judeus viviam na Espanha na Idade Média, mas seguramente era o país com a maior população judaica da Europa. Em Toledo viviam cerca de 350 famílias, que representava a maior comunidade de Castilla. Em todo o país, existiam outras juderías importantes, como as de Sevilha, Barcelona, Zaragoza, Tudela, etc. Nos primeiros tempos da reconquista, os judeus gozaram de uma situação jurídica especial, pois os monarcas os consideravam uma propriedade real, pertencentes ao tesouro real, e por este motivo eram protegidos. Este fato possibilitou que os judeus tivessem acesso direto aos reis, e privilégios foram concedidos. Um deles constituía numa multa coletiva, aplicada a uma cidade quando aparecia um judeu morto e o assassino não era encontrado.

DSC09355Os cristãos não viam com bons olhos as doações realizadas pelos monarcas às comunidades judaicas, nem os privilégios que ostentavam. No século XIII entra em vigor a lei eclesiástica que proibia o empréstimo com juros (usura), justamente num momento em que vários membros da comunidade judaica se especializaram em negócios financeiros. O ambiente social se agravou com a chegada na Península Ibérica das idéias anti judaicas reinantes pelo resto do continente europeu, e a propaganda contra a comunidade cresceu por todas as partes. As acusações contra os judeus de terem envenenado a água e de profanar hóstias consagradas aumentaram com a peste negra que assolou o continente entre 1348 e 1350. Também no ano de 1391 chegou à Toledo San Vicente Ferrer, monge dominicano e anti judeu declarado, que exaltou os ânimos contra a população judaica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta época já existiam na Espanha judeus que se converteram ao catolicismo. A partir do momento em que começaram a ocupar cargos de importância se criou uma atmosfera de inimizade e ódio. Quando se descobriu que muitos deles mantinham seus antigos rituais hebraicos, iniciou-se uma guerra aberta contra as comunidades judaicas no país. Uma das mais importantes ocorreu em Toledo em 1449. Os ataques se sucederam e grande parte das 12 sinagogas da cidade foram destruídas, além de muitas das casas habitadas por judeus. Apenas se conservaram as duas sinagogas que vemos atualmente, a de Santa María la Blanca e a Sinangoga do Trânsito, pois foram transformadas em igrejas católicas. Abaixo, vemos uma imagem interior da Sinagoga de Santa María

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara solucionar o problema converso, os Reis Católicos obtiveram em 1478 uma bula papal autorizando a criação do Tribunal de Santo Ofício da Inquisição. Dois anos depois, foram nomeados os primeiros inquisidores, que começaram a atuar em Sevilha, e instigaram os monarcas para que a comunidade judaica fosse expulsa do país. Em 1480, foi promulgada uma lei real em Toledo que estabelecia novos bairros para a população judaica, situado fora do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1492 os Reis Católicos decretaram o édito de expulsão dos judeus da Espanha. Num prazo de 4 meses, todos aqueles que não optassem pela conversão tiveram que deixar o país. Os bens comunitários, sinagogas e cemitérios, por exemplo, foram confiscados pelo tesouro real. A expulsão gerou uma série de problemas, originados pela falta de pessoas com boa preparação intelectual e mão de obra qualificada. Muitas foram as explicações dadas pelos estudiosos sobre a decisão dos Reis Católicos, como a própria ambição real, que desejavam confiscar os bens da comunidade judaica. Outra razão foi a luta entre a nobreza e as grandes somas de dinheiro que os reis e a própria nobreza deviam a financeiros judaicos. Os judeus que permaneceram no país, obrigados à conversão, tomaram esta atitude para não perder seus bens, mas continuaram a serem perseguidos, principalmente quando mantinham suas tradições na intimidade do lar. Os judeus conversos foram apartados do poder, já que lhes exigiam responder ao denominado estatuto de “Pureza de Sangue“, sendo obrigados a demonstrar que seus antepassados eram cristãos velhos. Abaixo, vemos tumbas hebraicas de época medieval na Sinagoga do Trânsito.

DSC09454Se desconhece o número de judeus que partiram para outras terras, principalmente Portugal, Países Baixos, sendo que muitos foram acolhidos pelo antigo Império Otomano. O édito de 1492 representou um grande acontecimento em toda a Europa. Espanha, a terra européia judaica por excelência, lhes expulsava de seu território. Somente em 1968 se reconheceu oficialmente a abolição do édito promulgado pelos Reis Católicos. A comunidade judaica voltou a viver no país, e atualmente existem 12 delas espalhadas pelo território espanhol, principalmente em Madrid, Barcelona, Valencia, Palma de Mallorca, etc. Abaixo, vemos uma homenagem de Toledo aos judeus que viviam na cidade e que foram confinados e assassinados nos campos de extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de 1492, o Bairro da Judería foi abandonado e ficou esquecido, mas muitas instituições religiosas católicas construíram conventos e monastérios em seu perímetro, como o Monastério de Santo Antônio, instalado em 1525 por uma comunidade de freiras franciscanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOu o Convento de Carmelitas Descalças, a quinta instituição fundada por Santa Teresa de Ávila em seu processo de renovação da Ordem Carmelita (1569), que encontrou abrigo na Judería de Toledo….

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Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Um Passeio por Murcia

Na matéria de hoje veremos outros lugares de interesse histórico e cultural que realizei durante minha visita à cidade de Murcia. A Universidade, por exemplo, ocupa o local do antigo Convento de la Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Universidade de Murcia possui um belíssimo claustro renascentista que data do séc. XVII. Suas esbeltas colunas de mármore culminam em capitéis toscanos. As galerias que compõem o claustro são utilizadas por seus alunos como espaço cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ considerado um dos claustros universitários mais belos do país. Bem próximo à Universidade localiza-se a Praça de Touros da cidade, já centenária…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro centro cultural importante é a sede do Colégio de Arquitetos, onde pude ver uma excelente exposição fotográfica sobre a Semana Santa, uma das principais festividades da cidade. O edifício foi construído em 1816 sobre um antigo palácio que pertenceu ao Tribunal da Inquisição. A fachada foi conservada, mas o interior foi totalmente remodelado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre um lugar e outro, aproveitei para descansar em algumas de suas inúmeras áreas verdes. O denominado Jardins del Malecón é um dos principais da cidade. Na entrada, vemos a Portada del Huerto de las Bombas, que pertenceu a um palacete cujo nome se deve a uma batalha ocorrida em suas imediações em 1706, durante o período da Guerra da Sucessão Espanhola. No centro da portada foi colocado o escudo nobiliário do proprietário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro parque interessante é o Jardim do Salitre, também chamado da Pólvora, graças a uma fábrica que existiu no local, fundada em 1754. Proporcionou balas para os guerrilheiros da cidade, durante a resistência de seus habitantes contra a invasão de Napoleão no início do séc. XIX. Da antiga fábrica, se conserva sua chaminé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma iniciativa da prefeitura que muito me agradou foi a colocação de avisos nas ruas da cidade, no sentido de alertar a população contra acidentes de pedestres, numa época em que as pessoas falam no celular ou escrevem no whatsApp e se esquecem de sua própria segurança.

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A Judería de Tarazona

Um dos grandes fatores que explicam a riqueza e variedade do patrimônio histórico, cultural e artístico da Espanha, é que em seu território passaram uma imensa quantidade de povos distintos. Desde os gregos e fenícios, passando pelos romanos, visigodos, árabes, etc, cada qual deixando uma parte de seu legado nas terras do país. Em determinados momentos históricos, muitas destas culturas conviveram simultaneamente num mesmo local, caso dos cristãos, muçulmanos e judeus, sendo muitas as localidades que ostentam o título de “Cidade das 3 culturas“, como Toledo, Córdoba, Zaragoza, etc. A cidade de Tarazona também se inclui na lista. O bairro judeu, também denominado de Judería ou Aljama, constitui uma das principais atrações do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado um dos principais centros judaicos da Comunidde de Aragón, a Judería de Tarazona está formada por ruas estreitas e sinuosas, próprias do urbanismo medieval. Passear pelo bairro é uma experiência das mais interessantes, nos levando direto à Idade Média.

DSC01328A presença judaica na cidade se remonta a época romana, consolidando-se de forma importante durante o domínio muçulmano. O bairro judeu era independente dos demais, possuindo suas próprias entradas e saídas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bairro judeu de Tarazona inclui na realidade dois espaços urbanos distintos, a Judería Velha e a Judería Nova. Com relação à primeira, se assentou no chamado Bairro del Cinto, próximo ao Palácio Episcopal, que vimos recentemente. Depois da reconquista crista em 1119, os hebreus não foram obrigados a mudar de local, de forma que permaneceram no bairro onde sempre viveram. A Judería Velha situava-se também próximo ao castelo da cidade, isto é, junto ao símbolo do poder político local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Judería Nova se estabeleceu a partir de 1450. As casas mais antigas conservadas da Judería de Tarazona pertencem ao final do séc. XIV. Muitas delas chamam a atenção pelo belo colorido que possuem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO  séc. XIII, a época dourada do judaísmo espanhol, representou um momento de esplendor para a comunidade de judeus de Tarazona. A cidade chegou a possuir duas Sinagogas e um importante centro de tradução, onde eram traduzidas obras do árabe ao latim, contribuindo para a preservação e difusão do conhecimento. Alguns códices hebraicos ainda se conservam no Arquivo Capitular da cidade. Foi neste momento histórico que viveu um dos personagens fundamentais da Juderia de Tarazona, Moshé de Portella, que ocupou um importante papel na administração e nas finanças do antigo Reino de Aragón. Sua memória foi preservado num museu a ele dedicado, situado no bairro em que foi seu máximo representante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais atrações conservadas do bairro são as conhecidas Casas Colgadas (literalmente, casas penduradas), que foram edificadas junto às muralhas. Nelas viviam as famílias nobres de Tarazona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO clima de relativa tolerância histórica entre as três culturas que conviveram em Tarazona se rompeu com a chegada do Tribunal da Inquisição, também chamado de Tribunal do Santo Ofício, em 1484. Uma vez decretada a expulsão dos judeus em 1492 durante o reinado dos Reis Católicos, quase a metade da população hebraica da cidade preferiu converter-se ao catolicismo antes que abandonar o lugar onde sempre viveram, enquanto o resto migrou para o Reino de Navarra, que ainda permanecia independente do resto do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o principal monumento da cidade de Tarazona, sua magistral e recém restaurada catedral….

Universidade de Baeza

A Universidade de Baeza é, históricamente, a instituiçao cultural mais importante da cidade. Sua criaçao se deve a Rodrigo López, capelao e familiar do Papa Paulo III, de quem obteve a bula fundacional em 1538. Dois anos depois, o pontífice nomeia como padroeiro da instituiçao a Juan de Ávila, clérigo da Diocese de Córdoba, dando permissao para a fundaçao de uma escola de letras, sob a advocaçao da Santíssima Trindade. Em 1542, se transforma na Universidade de Humanidades e em 1565 sao criadas as cátedras de Retórica, Gramática, Grego, Filosofia e Teologia. Juan de Ávila converteu a fundaçao no centro cultural mais importante de sua época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom a importância adquirida, o primitivo edifício da Universidade de Baeza ficou pequeno (atualmente é o Museu da cidade) e o canônigo D.Pedro Fernández de Córdoba inicia a construçao de um novo edifício finalizado em 1593, cuja foto vemos acima. Esta nova construçao situa-se ao lado da Igreja de San Juan Evangelista e junto ao chamado Arco das Escolas ou do Barbudo, nome dado em homenagem a Martín Yanéz de la Barbuda, Mestre de Alcântara, que em 1394 saiu de Baeza para lutar contra os muçulmanos em Granada. Abaixo, vemos uma foto da igreja e do arco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa Igreja de San Juan Evangelista, o destaque é a torre quadrada rematada por uma estrutura octogonal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante um certo período de tempo, as duas instituiçoes, a primitiva e a nova, tiveram uma vida paralela, conservando sua independência. Na portada da universidade, vemos um relevo com a representaçao da Santíssima Trindade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o corpo docente da Universidade de Baeza estava constituído por cristaos novos, descendentes de judeus conversos. O Santo Ofício da Inquisiçao, alarmado pelas novas correntes teológicas que surgiram na época, acusaram os professores de Alumbrados, uma corrente reformista espiritual ligada à heresia protestante. Apesar de prender seus principais membros, a instituiçao conseguiu sobreviver. Na sequência, vemos o amplo pátio da universidade, um espaço onde se distribuíam as diversas dependências da universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1824, a Universidade de Baeza deixou de exercer suas funçoes, e o edifício foi destinado a escola de latim e primeiro grau. Posteriormente, transformou-se no Instituto de Ensino Secundário Santíssima Trindade, funçao que desempenha desde 1875 até os dias atuais. Finalizamos a matéria com o Salao Paraninfo, situado numa das dependências que compoem o pátio.

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Igrejas de Baeza

Tanto o patrimônio civil, formado por palácios e edifícios públicos, quanto o religioso, composto por igrejas, conventos e a catedral da cidade de Baeza sao invejáveis, contribuindo para que fosse declarada Patrimônio da Humanidade. No post de hoje e no próximo, conheceremos algumas das belas igrejas que conformam o seu centro histórico. Começamos pela Igreja  de San Andrés, dedicada ao padroeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi levatada no séc. XVI, e dois sao os elementos que mais chamam sua atençao, sua esbelta torre quadrada e a portada plateresca com o relevo do santo titular da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos templos góticos mais relevantes de Baeza, a Igreja de San Pablo foi construída entre os séc. XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada principal da igreja é de 1665, com a imagem esculpida em meio corpo de San Pablo, realizada por Eufrasio López de Rojas, um artista que colaborou com vários trabalhos na Província de Jaén.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem geral do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Retábulo Maior, vemos uma escultura da Virgem Imaculada e em sua parte superior, a do santo titular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAImpressiona também seu belíssimo órgao neoclássico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das instituiçoes religiosas de Baeza foram afetadas, algo que ocorreu em todo o país, depois do decreto de desamortizaçao dos bens eclesiásticos, promovido por Mendizábal em 1836. Um exemplo é o Convento dos Trinitários Descalzos, fundado no séc. XVIII e demolido após a execuçao do decreto. Sua igreja foi o único que se salvou do convento, graças a intervençao dos habitantes da zona onde se localiza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada da igreja caracteriza-se pela austeridade, praticamente sem nenhum tipo de elementos decorativos. Atualmente, nao sao realizados cultos na igreja, sendo utilizada como salao de atos e local de exposiçoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com um local que nao recorda a bela arquitetura, nem a beleza de seus retábulos, e sim com o período em que o Tribunal da Inquisiçao deixou sua marca na cidade, ao executar mais de uma centena de seus habitantes. Na Praça da Cruz Verde, podemos ver os restos da antiga sede do tribunal.

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Palácio de Santa Cruz – Madrid

Como consequência do grande crescimento que  Madrid experimentou logo depois de tornar-se Capital da Espanha em 1561, a cidade transformou-se também na “Capital do Crime e da Delinquência”, com as taxas de delitos mais altas da Europa.Em 1650, por exemplo, durante 6 meses houve 160 mortes violentas, para uma cidade com cerca de 100 mil habitantes. Apesar da existência da Pena de Morte, estes números aterradores nao diminuiram. No séc. XVI, Madrid nao possuía nenhum edifício destinado a cadeia, motivo pelo qual eram requisitados de forma temporária imóveis para alojar os presos. Somente em 1543 foi construída a prisao da vila, derrubada em 1621. Já durante o governo de Felipe IV (1621/1665) foi levantado o edifício sede da Prisao de Madrid, digna para a capital do império, situada na Praça da Província.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de abrigar a prisao da vila, passou a sediar também uma instituiçao de origem medieval, o Tribunal de Alcaldes de Casa y Corte (original em espanhol). A primeira pedra foi colocada em 1629, sendo finalizado em 1636. O novo edifício centralizava todas as funçoes jurídicas e penais da Madrid de los Áustrias, denominaçao da dinastía monárquica na época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANaquele período, a Justiça Civil  predominava, enquanto o Tribunal da Inquisiçao julgava os delitos de heresía. O Tribunal de Alcades era responsável por averiguar 90 % dos delitos cometidos. Com esta cifra, fica fácil perceber a importância deste edifício no séc. XVII. O denominado Alcalde exercía a funçao de juiz, e impunha as sentenças de condenaçao. O presidente da prefeitura chamava-se corregidor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi projetado por Juan Gómez de Mora, arquiteto real, e foi edificado num estilo herreriano (de Juan de Herrera, construtor do Monastério do Escorial), numa época já determinada pelos preceitos do barroco. Combina o tijolo, o granito e a pizarra (ardósia, em português), usada na parte superior das torres, situadas em cada esquina da construçao. Trata-se do edifício mais importante do reinado de Felipe IV, e um dos mais emblemáticos da capital espanhola. Abaixo, vemos uma inscriçao original na fachada que recorda o dito acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos  o escudo de Felipe IV que preside a fachada, bem ocomo um retrato do monarca, realizado entre 1630/1635, por artistas pertencentes ao círculo do pintor Diego Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas humildes que recebiam a pena máxima eram enforcados na Plaza de la Cebada, enquanto os nobres eram degolados pela frente na Plaza Mayor, situada a poucos metros da prisao. Já os bandoleiros tinham seus membros cortados e expostos em lugares públicos. Abaixo, vemos uma foto da Plaza Mayor de Madrid.

DSC02000Outro instrumento capital, de invençao espanhola, foi o Garrote Vil. O pobre condenado sentava-se num assento e um aro de ferro era colocado ao redor do pescoço. Um carrasco girava um tornilho situado na parte traseira do assento, e o réu falecia afixiado, de forma quase imediata. Os bancos feitos de bronze da Plaza Mayor contam a história da praça, e neles podemos observar o mecanismo do Garrote Vil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O edifício foi utilizado como prisao até o reinado de Felipe V, já no séc. XVIII. Um terrível incêndio, ocorrido em 1791, destruiu a quase totalidade do nível superior da construçao. O arquiteto Juan de Villanueva foi o encarregado de sua reconstruçao. Um pouco antes, em 1767, passou a abrigar apenas a Sala de Alcaldes, e a prisao foi levada a um edifício próximo. As execuçoes públicas foram abolidas somente em 1900. A partir de entao, foram realizadas nos quartéis. Desde 1938, tornou-se a sede do Ministério de Assuntos Exteriores e Cooperaçao, funçao que exerce até os dias de hoje. No ano seguinte, passa a ser conhecido como Palácio de Santa Cruz, dada a proximidade com a parróquia de mesmo nome. O Ministro de Assuntos Exteriores vive na parte lateral do edifício, no chamado Palácio do Duque de Rivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome procede de um dos proprietários do palácio, Ángel de Saavedra y Ramírez de Baquedano, II Duque de Rivas. Personagem importante na época (séc. XIX), foi deputado, ministro, Presidente do Conselho de Estado e Prefeito de Madrid. Como humanista, foi poeta, dramaturgo e diretor da Real Academia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1939, quando era propriedade do Marquês de Viana, o Ministério de Assuntos Exteriores adquiriu o palácio, transformando-o em residência ministerial.