Parque Lineal del Manzanares

Atualmente o Rio Manzanares, em seu trajeto pela cidade de Madrid, acolhe diferentes ecossistemas de grande valor ambiental, que foram protegidos em duas reservas naturais. Quando seu curso se dirige para a região sul da capital, encontra-se dentro dos limites do Parque Lineal del Manzanares, uma belíssima área natural que vale a pena conhecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste recente parque constitui uma das paisagens naturais mais valiosas de Madrid, e transformou-se no refúgio de várias espécies animais, principalmente aves e pequenos mamíferos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua topografia predominantemente plana é perfeita para uma caminhada descontraída, e algumas trilhas foram realizadas para a contemplação das espécies vegetais que nele encontramos. As vistas da cidade resultam espetaculares, um verdadeiro mirante natural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA criação deste parque possibilitou a conservação do Rio Manzanares em seu curso baixo. Antes de sua transformação em reserva natural, nesta zona se depositavam todo tipo de escombros e resíduos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas várias passarelas construídas para a ideal observação do rio, foram colocados outro emblema da cidade, o Escudo de Madrid, conhecido como o Urso e o Madroño (para saber mais sobre ele, ver a matéria publicada em 5/11/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto de uma colina artificial, vemos um dos símbolos do parque, a “Dama del Manzanares“, uma curiosa escultura criada pelo artista Manolo Valdés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as várias espécies vegetais existentes no parque, destacam os Álamos, Olmos, Fresnos e Sauces, todas elas típicas dos bosques peninsulares.

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O Urso e o Madroño – Madrid

Na Porta do Sol situa-se um dos locais mais fotografados de Madrid, a estátua de um Urso apoiando-se numa árvore conhecida como Madroño. Não é uma estátua qualquer, pois representa o símbolo da cidade, formando parte do escudo de armas oficial da capital espanhola. A estátua foi inaugurada em 1967, obra do escultor Antonio Navarro Santafé (1906/1983). Feita de pedra e bronze, está apoiada num pedestal de granito. Com 4 m de altura e 20 toneladas de peso, esta emblemática estátua esteve sempre situada na Porta do Sol, embora mudasse de local 3 vezes.

DSC01998Como a maioria dos símbolos heráldicos em geral, suas origens são um pouco confusas, mas se sabe que sua primeira aparição no escudo da cidade data do séc. XIII. Antes, as armas estavam representadas somente por um urso pastando no campo. Os historiadores concordam que a presença do urso significa simplesmente que antigamente era um animal abundante ao redor da cidade, quando então estava coberta por bosques. Outros aponta que na realidade, trata-se de uma ursa, normalmente representadas nos escudos como símbolo de abundância e fertilidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs 7 estrelas ao redor do escudo estão vinculadas à Constelação da Ursa Menor, que contém a Estrela Polar, ou então como representação das sete escolas de astronomia existentes em Madrid no séc. X. Outra versão sugere que estão associadas ao céu madrilenho, famoso por sua claridade e pureza. Desde que Alfonso VIII concedeu  um foro de privilégios a cidade em 1202, iniciou-se uma disputa entre a Igreja e o Estado sobre a soberania dos bosques (incluindo a produção de madeira e as terras de caça), e os terrenos de pasto. Depois de 20 anos de disputa, chegou-se a um acordo. A Igreja estaria responsável pela jurisdição das terras de pasto e o Estado, pelos bosques. Neste acontecimento, surge o verdadeiro significado do escudo, aceito pelos historiadores. O urso simboliza o domínio da Igreja sobre os pastos e a árvore, a propriedade dos bosques pelo Estado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE porquê escolheu-se o Madroño propriamente para ser incluído no emblema? Provavelmente, quando foi desenhado o escudo, este arbusto deveria representar uma espécie genérica, ou seja, uma árvore qualquer, cujo significado pictórico era simbolizar a conciliação entre Igreja e Estado. Outra explicação dada é como forma de agradecimento do poder curativo de suas folhas, que inclusive curou o rei Carlos V  e um grande número de habitantes de uma praga que assolou a cidade, quando ainda não era capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Madroño (Arbustus Unedo) é utilizado como planta ornamental para parques e jardins. Sua altura média, quando adulta, varia entre 15 e 20m, e produz um fruto vermelho, utilizado na fabricação de conservas e marmeladas. Abaixo, vemos um exemplar jovem situado no Parque do Retiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar das diversas teorias existentes, ninguém sabe com absoluta certeza porque foram colocados o Urso e o Madroño no escudo da cidade. No entanto, apesar das mudanças sofridas no escudo ao longo dos séculos, ambos estiveram permanentemente representados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1554, o Parlamento de Valladolid concedeu a Madrid uma permissão para incluir a Coroa Real no escudo. Assim, a cidade passou a ser reconhecida oficialmente como vila. Este novo status foi considerado de grande importância, pois Madrid era, na época, um núcleo pequeno e de pouca influência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1842 foi colocado um novo elemento, certamente estranho e cuja razão se desconhece, um dragão. Permaneceu no escudo até 1967, quando finalmente foi abolido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe tudo o que foi dito, a única certeza é a onipresença do escudo pela cidade. Como vocês puderam observar, está em todos os lugares, nas fontes, monumentos, serviços públicos, nas calçadas, etc, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Taberna “El Madroño”, situada na Porta Cerrada, vemos o Urso e o Madroño pintados num belo mural de azulejos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da taberna, podemos observar a evolução do escudo ao longo do tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEnquanto o contemplamos, podemos aproveitar e pedir um Licor de Madroño…

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Porta do Sol -Madrid

A Porta do Sol foi sempre uma das praças mais populares de Madrid, rivalizando com a próxima Praça Maior o título de centro da cidade. Em suas origens, foi um dos acessos da muralha que rodeava Madrid no séc. XV. Seu nome explica-se pelo sol que decorava a entrada. Esta porta tinha caráter defensivo, sendo levantada em 1539, substituindo a anterior que havia. Com o crescimento urbano, a muralha e a porta foram demolidas.

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Os primeiros edifícios construídos na praça foram o Real Hospital da Corte e a Igreja del Buen Suceso, ambos desaparecidos. Outra edificação importante era o Convento de San Felipe El Real, fundado em 1547 e derrubado em 1838, devido às leis desamortizadoras.

Atualmente, o edifício mais antigo da praça é o do Correios, construído pelo arquiteto francês Jaime Marquet, entre 1766/1768. Posteriormente, transformou-se no Ministério do Interior em 1847 e no séc. XX, na Direção Geral de Segurança, durante a ditadura franquista. Atualmente, o edifício exerce a função de Presidência da Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da conversão da casa de Correios em Ministério, foram derrubadas algumas casas para realçar o edifício e dar-lhe mais segurança. O resultado foi a criação de uma nova praça, cuja fisionomia atual data do período compreendido entre 1857/1862.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo último dia do ano, milhares de espanhóis se reúnem na praça para escutar as 12 campanadas e, simultaneamente, comer 12 uvas, ritual que simboliza a contagem regresiva para a chegada do ano novo. No alto da torre, vemos os sinos responsáveis pelo evento, que são transmitidos pela TV Espanhola desde 1962.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2004/2009, foram realizadas obras para a construção de uma linha integrada de metrô e o sistema feroviário, uma das maiores estações do mundo. Sua entrada mais parece um iglu, repercutindo uma vez mais no aspecto deste lugar cambiante.

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Mudanças que igualmente são reivindicadas por centenas de espanhóis, que se aglutinam na praça para protestar por melhores condições de vida. Uma das manifestações mais conhecidas ocorreu em 15 de Maio de 2011, conhecida como Movimento 15M, quando centenas de espanhóis acamparam na praça.

Outro aspecto interessante da Porta do Sol é que desde 1950, se encontra no local o denominado marco zero das estradas espanholas.

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Três estátuas adornam seus limites, cada qual com sua história particular:

A estátua de Mariblanca é uma reprodução de uma antiga e popular escultura que servia de ornamento a uma fonte que ali existiu. A estátua original, de origem incerto, encontra-se no Museu de História da cidade,  foi trazida da Itália em 1625 e colocada encima da Fonte da Fé, demolida no séc. XVIII. Seu nome alude à brancura do mármore com a qual foi esculpida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento emblemático é a estátua que representa um Urso e um Madroño, uma espécie de árvore típica da Europa Ocidental. Foi realizada em 1967, e se ergue em frente ao edifício do Tio Pepe, logotipo da empresa González Byass, dedicada à produção de vinhos, cuja sede encontra-se em Jerez de la Frontera (Andaluzia).

DSC01999A estátua representa as armas heráldicas de Madrid, e sua imagem encontra-se estampada em muitos dos monumentos da cidade. Sua primeira representação no escudo da cidade data do séc. XIII, e significa a união dos poderes eclesiásticos e políticos. A escultura foi esculpida pelo artista Antonio Navarro Santafé (1908/1983).

DSC01998A última escultura colocada na praça homenageia ao rei Carlos III, denominado Rei Alcade (prefeito), em cujo reinado Madrid transformou-se de maneira notável. A estátua eqüestre é uma reprodução feita de bronze, obra de Miguel Ángel Rodríguez e Eduardo Zancada, do original de Juan Pascual de Mena, que se conserva na Real Academia de Belas Artes de San Fernando. Um dispositivo eletrônico foi instalado em sua estrutura para espantar as inúmeras pombas que teimavam em utilizar a estátua real como residência particular.

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Graças à sua importância histórica, a Porta do Sol aparece em inúmeras obras literárias e cinematográficas, como em “Vistas da Porta do Sol”, considerado um dos primeiros filmes realizados no cinema mundial, em 1896, por Alexandre Promio. Na pintura, foi cenário do famoso quadro de Goya, “La Carga de los Mamelucos”.