Grafites em Valencia

Encerramos esta grande série de matérias sobre Valencia com uma genuína e popular arte urbana, presente em todas as partes da cidade, os Grafites.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte dos Grafites em Valencia estão situados em bairros populares, mas é possível encontrá-los também no centro da cidade, como este abaixo, que reproduz a fachada de uma casa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos deles, foram retratados os monumentos mais conhecidos da cidade, como as portas das muralhas preservadas ou a Lonja de Valencia, que foram publicados no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muros da cidade foram aproveitados para que os grafiteiros pudessem demonstrar sua criatividade, com uma temática bem variada, como a música…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs ofícios tradicionais…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATemas assistenciais…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADitos populares que refletem sua sabedoria (Em terra de cego, quem tem um olho é rei…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPequenos detalhes decorativos na parte inferior dos muros fazem toda a diferença…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então aproveitando-se sua inteira superfície…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASou favorável a que em todas as cidades os espaços urbanos para o desenvolvimento desta autêntica arte sejam respeitados, contribuindo para o enriquecimento cultural.

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Um Passeio por Valencia – Parte 3

Nesta matéria veremos outros lugares de interesse histórico, cultural e gastronômico existentes em Valencia e que merecem ser conhecidos num passeio pela cidade. O primeiro deles é o Palácio Arcebispal, residência do Bispo de Valencia. Sua origem se remonta ao século XIII, mas foi continuamente reformado, principalmente no século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o edifício foi incendiado, perdendo grande parte de seus tesouros literários e religiosos. Por este motivo, teve que ser reconstruído ao final da guerra, cujo projeto foi realizado no estilo eclético pelo arquiteto Vicente Traver Tomás, entre 1941 e 1946.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção interessante e importante do ponto de vista arquitetônico é a Antiga Fábrica “La Lanera”. Como o próprio nome indica, foi construída entre 1917 e 1921 pelo arquiteto Alfonso Garin como uma fábrica têxtil. O edifício ocupa quase todo o quarteirão, e foi construído no Estilo Art Noveau. De grande desenvolvimento horizontal, foi um dos primeiros edifícios da cidade em que se utilizou o concreto armado. Felizmente, permanece de pé, como um belo exemplo da Arquitetura Industrial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPelo centro da cidade podemos admirar belas estátuas representativas de grandes personalidades valencianas, caso da estátua realizada pelo grande Mariano Benlliure em homenagem a outra figura imprescindível da cultura local, o pintor José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta estátua é considerada um dos melhores trabalhos de Mariano Benlliure (1862/1947), que a esculpiu quando tinha apenas 25 anos, consagrando-o como talentoso artista que era. Destaca-se por seu preciosismo técnico, e recebeu o primeiro prêmio de escultura da Exposição Nacional realizada em Madrid em 1887. Benlliure retrata o famoso pintor, mas também o típico cavalheiro espanhol do século XVII, com espada na mão. Como curiosidade, um dos botões da vestimenta do pintor encontra-se desabotoado, talvez pelo fato do escultor imaginar o pintor de forma descuidada, aspecto que muitas vezes caracterizam os gênios…

Em meus passeios pela cidades da Espanha, sempre que vejo um local que desperta minha atenção, entro para ver como é o interior do edifício, algo que me proporciona na maioria das vezes gratas surpresas. Este foi o caso do denominado Octubre Centro Cultural Contemporâneo, cuja sede ocupa um antigo armazém têxtil chamado Siglo Valenciano, que tornou-se famoso em sua época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço cultural realiza exposições relacionadas à Cultura da Catalunha, e também de Valencia, além de organizar atos públicos. Abaixo, vemos imagens de seu belo interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação aos Comércios Históricos, um dos mais conhecidos da cidade é a Horchatería Santa Catalina, que recebeu este nome ao estar localizada praticamente em frente da Igreja de Santa Catalina, bem no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA antiguidade do local se comprova pela visita de uma personalidade da família real, a Infanta Isabel, que esteve no lugar em 1907. Uma placa comemorativa assim o confirma…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADecorado por um belo conjunto de azulejos, neste estabelecimento tradicional da cidade se pode provar um delicioso chocolate quente ou então uma Horchata, uma refrescante bebida preparada com água, açúcar, canela, um pouco de limão e chufas, um tubérculo comestível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próximo post será o último dedicado a esta imprescindível cidade espanhola, e nele veremos uma arte genuína e popular, os Grafites

Cidade das Artes e das Ciências: Parte 2

O complexo da Cidade das Artes e das Ciências de Valencia está composto por vários edifícios, todos eles destinados a eventos de caráter científico e/ou cultural. O primeiro em ser inaugurado foi o Hemisférico, em 1998. Projetado por Santiago Calatrava, representa um grande olho humano, que se reflete nas águas que o rodeiam. Exibe espetáculos audiovisuais com a mais inovadora tecnologia. Possui várias salas de projeçao com telas côncavas, sendo que uma delas é considerada a maior da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu de Ciências Príncipe Felipe (atual Rei da Espanha com o nome de Felipe VI) está dedicado à Física e à Biologia. Um dos museus mais visitados do país, transformou-se num referente mundial da ciência interativa, mostrando a evolução dos vários campos científicos e da tecnologia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos detalhes da complexa arquitetura de Santiago Calatrava presentes na construção deste edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 2002, o Museu Oceanográfico é considerado o maior aquário da Europa, e nele estão representados os principais ecossistemas marinhos do planeta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 2005, o Palácio de Artes Reina Sofia oferece espetáculos musicais e teatrais. Sua construção levou 9 anos para ser finalizada, e constituiu o maior desafio dos projetos realizados por Santiago Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém conhecido como Opera House, sua admirável construção se assemelha uma extravagante nave espacial feita de concreto branco. Possui 4 salas, estando rodeada por um jardim de 87 mil metros quadrados. Sua cobertura de aço e vidro, que se abre em vários pontos, constitui a parte mais impressionante do projeto, por sua complicada estrutura geométrica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim foram colocados vários painéis com frases atribuídas aos grandes cientistas e sábios da história universal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção conhecida como Ágora funciona como um cenário multifuncional, onde se realizam congressos, concertos e exposições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara se visitar o Museu Oceanográfico, o preço para pessoas entre 12 e 65 anos é de 29 euros, mas existem entradas combinadas que também incluem o Hemisférico e o Museu das Ciências, no valor de 37 euros.

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Cidade das Artes e das Ciências: Valencia

Além de seu passado glorioso, refletido em seu impressionante centro histórico e a riqueza de seu patrimônio histórico-artístico, Valencia se transformou, a partir do século XXI, num centro vital em que a Arquitetura Contemporânea se sobressaiu de forma magistral, revitalizando a cidade, principalmente na zona reabilitada para o ócio popular depois que o Rio Turia foi desviado. Um exemplo é o Palácio de Congressos, um dos melhores edifícios desta nova etapa da cidade. Foi projetado pelo renomado arquiteto Norman Foster e inaugurado em 1998, predominando em sua estrutura o alumínio e o zinco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, a fama turística de Valencia se incrementou com a construção do mega projeto da Cidade das Artes e das Ciências, que não deixa a ninguém indiferente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste conjunto arquitetônico de beleza insuperável foi realizado com o intuito de fomentar a divulgação científica e cultural, e transformou-se rapidamente num dos símbolos da cidade. O complexo foi projetado pelo arquiteto espanhol de projeção internacional Santiago Calatrava (nascido em 1951) e por Félix Candela (1910/1997), que também participou em sua elaboração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo palavras do próprio Santiago Calatrava, “O elemento catalizador do projeto foi a água, servindo como um “espelho” entre cada um dos edifícios do conjunto”. Abaixo, vemos o Paseo de las Estátuas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACaminhar entre as construções que integram o complexo da Cidade das Artes e das Ciências é uma experiência visual formidável, difícil de esquecer. A seguir, vemos a impressionante estrutura que acolhe o Jardim Botânico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os edifícios principais que compõem o conjunto, além das atividades que neles se realizam…

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Museu de Belas Artes – Última Parte

Nesta última matéria sobre o Museu de Belas Artes de Valencia, veremos algumas das obras de seu acervo permanente relacionadas com a Pintura Neoclássica e outros artistas fundamentais do panorama espanhol dos séculos XIX e XX. O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes, quando o racionalismo exerceu o princípio básico nas manifestações humanas. Como reação aos excessos barrocos, surge o movimento neoclássico, que se desenvolve em todos os campos artísticos. Surgido na França na primeira metade do século XVIII, transforma-se na estética da Ilustração, recuperando os valores da cultura greco-romana, especialmente nos aspectos relacionados à simplicidade, simetria e elegância. Na pintura, o neoclassicismo exalta a claridade compositiva e o predomínio do desenho sobre a cor. Devido a que os restos pictóricos da antiguidade não estavam disponíveis, a Pintura Neoclássica se inspira na escultura. Os principais temas abordados incluem os retratos, fatos históricos e a mitologia. Da mesma forma que sucedeu na arquitetura, os monarcas espanhóis da Dinastia dos Bourbons trouxeram artistas estrangeiros para que realizassem a decoração do Palácio Real. Um deles, o pintor de origem alemã Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi o responsável pela difusão do neoclassicismo na Pintura Espanhola, principalmente depois que ocupou a direção da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando de Madrid, instituição acadêmica que impôs as regras do novo estilo, exercendo uma grande influência na formação de muitos artistas, entre os quais o pintor valenciano Mariano Salvador Maella (1739/1819). Abaixo, vemos o quadro de Maella intitulado “Sueño de San José“, que podemos contemplar no Museu de Belas Artes de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Mariano Salvador Maella tornou-se pintor de câmara durante o reinado de Carlos III, que reconheceu seu grande talento como retratista. Em 1799, alcançou o apogeu como pintor real, junto com Goya. Com a queda do Rei Carlos IV e a chegada ao trono do francês José I, irmão de Napoleão Bonaparte, o pintor prestou seus serviços ao monarca francês, fato que lhe acabou causando sua decadência, pois foi considerado afrancesado. Abaixo, vemos a obra”Exequias do Beato Gaspar Bono“, uma das quatro obras que realizou para a capela do beato, situada no Convento de San Sebastián de Valencia. Gaspar de Bono (1530/1604) foi um beato pertencente à Ordem dos Mínimos que destacou-se por sua caridade, sendo beatificado em 1786.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra da Independência e o retorno do rei espanhol Fernando VII ao trono, Mariano Salvador Maella foi afastado do cargo, sendo substituído pelo também valenciano Vicente López Portaña (1772/1850) como pintor de câmara a partir de 1815. Este pintor é considerado um dos maiores retratistas da pintura espanhola. Seu pessoal sentido realista dos personagens retratados foi herdado da tradição naturalista da escola valenciana, principalmente de Francisco Ribalta e José de Ribera. Além do mais, possuía uma excepcional capacidade para a reprodução dos tecidos e objetos de adorno. Durante uma visita do Rei Carlos IV à Valencia em 1802, Vicente López realizou um belo retrato do monarca, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes mestres da História da Pintura, Francisco de Goya y Lucientes (1746/1828) também cultivou a pintura neoclássica, apesar de que o grande pintor aragonês não pode ser classificado dentro de um estilo determinado, devido a sua variedade e personalidade artística. Com ele se inicia a pintura contemporânea, sendo considerado o precursor das vanguardas artísticas do século XX. Como retratista foi excepcional, recebendo inúmeros encargos reais e da aristocracia espanhola. Um exemplo é o “Retrato de Mariano Ferrer y Aulet“, datado entre 1780 e 1783. Este personagem foi secretário da prestigiosa Real Academia de San Carlos de Valencia, origem do atual Museu de Belas Artes. O fundo negro do quadro ressalta seu rosto, que se mostra sereno e relaxado diante do pintor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro quadro de Goya que representa sua enorme qualidade como retratista é o “Retrato de Joaquina Candado Ricarte“, pintado durante uma visita do pintor aragonês à Valencia. Realizado com grande desenvoltura técnica, existem controvérsias a respeito da verdadeira identidade desta personagem. Alguns afirmam que se trata da modelo utilizada por Goya nos famosos quadros “Maja Desnuda” e “Maja Vestida“, que podem ser vistos no Museu do Prado. Nesta obra, a retratada aparece de corpo inteiro e ricamente vestida, denotando sua elevada posição social. O retrato foi ambientado num espaço aberto, campestre. A dourada luz que inunda a personagem provoca um efeito de luz que anuncia o Impressionismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, algumas salas do Museu de Belas Artes de Valencia foram dedicadas exclusivamente a artistas valencianos de grande prestígio no final do século XIX e na primeira metade do XX. O primeiro deles é o pintor Joaquín Sorolla (1863/1923), a quem foi organizada uma excepcional exposição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArtista prolífico, Joaquín Sorolla deixou mais de 2200 obras catalogadas. Desde jovem mostrou interesse pela pintura ao ar livre, captando a luminosidade mediterrânea e o ambiente costeiro. Durante a fase final de sua vida, viveu em Madrid e sua casa foi transformado num museu cuja visita recomendo (ver post publicado em 8/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com Mariano Benlliure Gil (1862/1947), notável escultor valenciano, que possui um excepcional conjunto de obras no Museu de Belas Artes. Sua formação com o pintor Francisco Domingo Marqués lhe permitiu adaptar o realismo pictórico à escultura. Sua projeção internacional como escultor se consolidou com a Exposição Universal de Paris de 1900, quando obteve o Prêmio de Honra, a mesma distinção outorgada a Joaquín Sorolla. A grande coleçao de obras de Mariano Benlliure no museu se deve à generosidade do próprio artista, pois a maior parte das obras expostas foram doadas pelo escultor em 1940. Abaixo, vemos um “Autorretrato”, realizado em bronze para a Academia de Belas Artes de San Lucas, de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas mais influentes de sua época, Mariano Benlliure dedicou-se aos temas populares, monumentos comemorativos e retratos, tanto de personagens da sociedade quanto da família real, como o “Busto de Alfonso XIII“, um encargo do monarca para o casamento com Victoria Eugenia de Battenberg, que também foi representado numa escultura equestre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMariano Benlliure foi o tema de duas matérias realizadas em 19/11 e 20/11/2015, pois muitas das esculturas mais famosas de Madrid foram esculpidas por ele. Existe inclusive um trajeto pela cidade em que é possível admirar muitas de suas obras mais conhecidas.

Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Museu de Belas Artes – Parte 2

O acervo permanente do Museu de Belas Artes de Valencia inclui importantes obras de duas escolas fundamentais na evolução da História da Arte, o Renascimento e a Pintura Flamenca. A cidade foi uma das portas de entrada na Península Ibérica das novas idéias humanistas provenientes tanto da Itália, graças aos intensos contatos políticos com Sicília e Nápoles, então parte integrante do Império Espanhol, como também através da cidade francesa de Avigñon, na época sede pontifícia. Esta proximidade fez com que Valencia se tornasse um foco da cultura renascentista, que na Espanha tardou em implantar-se devido a persistência, principalmente religiosa, em relaçao à Arte Gótica. No século XVI, o Renascimento Italiano triunfa em todo o continente, e sua assimilação em território espanhol resulta inevitável. Abaixo, vemos um quadro intitulado “Virgen de las Fiebres“, pintado pelo italiano Bernardino di Benedetto Biagio (1454/1513), que representa os vínculos existentes entre Valencia e Roma nos finais do século XV graças à família dos Borgia. Francisco de Borgia, que aparece no lado direito do quadro, ocupou cargos importantes na corte pontifícia na época de seu parente, o Papa Alejandro VI. A Virgem, representada como Mãe da Sabedoria, ensina o filho a ler. Este quadro teve uma forte repercussão em Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à temática, escassos sao os quadros pintados por artistas espanhóis do Renascimento que tratam de temas mitológicos e de nus femininos, abundantes na Itália, devido ao predomínio dos temas religiosos que persistem no país. Um exemplo é o quadro da “Purísima Concepción” de Nicolás Falcó, artista ativo em Valencia no final do século XV e início do XVI. Pertencente à fase inicial do Renascimento Espanhol, a obra apresenta um marcado caráter eucarístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro artista que desenvolveu sua carreira em Valencia, já no período de maturidade do Renascimento no país (segundo quarto do século XVI), ficou conhecido como Mestre de Alzira. Este artista anônimo recebeu este nome devido a um retábulo dedicado à Virgem que realizou para uma igreja situada na cidade de Alzira, sendo considerado um dos personagens mais interessantes do panorama artístico valenciano da primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a obra por ele realizada “Cristo sobre o sepulcro com três anjos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia possui uma grande tradição artística, que se reflete na importância de alguns de seus pintores mais famosos. Juan de Juanes (1523/1579) é um deles, um nome fundamental do Renascimento Espanhol. Foi um dos criadores de imagens religiosas de maior popularidade na época e o mais importante pintor valenciano de seu tempo. Influenciado por Rafael, suas obras destacam pelo intenso colorido e perfeito equilíbrio compositivo. A seguir vemos um “Ecce Homo“, pintado por ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas obras mais conhecidas é este quadro da “Santa Ceia“, que retrata o momento em que Jesus anuncia que será traído por um de seus apóstolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADocumentado em Valencia entre 1505 e 1525, o pintor Fernando Llanos é de origem castelhano e colaborou com Leonardo da Vinci em Florença. O Museu de Belas Artes possui uma bela obra sua, o quadro “Flagelación“, pintado em 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes impulsores da arte de sua época foi o Rei Felipe II, verdadeiro mecenas  que colaborou para a assimilação da arte clássica. O Monastério de El Escorial, construído em seu reinado, tornou-se o modelo arquitetônico do Renascimento Espanhol, influenciando notavelmente as construções posteriores. Abaixo, vemos um retrato do monarca realizado por um anônimo flamenco no século XVI, que segue as tendências dos retratos cortesanos impostos pelo pintor holandês Antonio Moro (1519/1579) e o valenciano Alonso Sánchez Coelho (1531/1588).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pintura Flamenca foi uma das escolas preferidas pelos monarcas espanhóis, junto com a italiana. Abaixo, vemos um exemplo, o quadro de São Sebastião sendo atendida pela viúva Irene e sua criada, realizado por Matthias Storm (1600/1650), um discípulo de Caravaggio. O corpo do santo é iluminado por uma fonte de luz ausente do quadro, criando um ambiente melancólico e meditativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os grandes nomes da Pintura Espanhola presentes no acervo do Museu de Belas Artes de Valencia.