Trujillo – Terra de Conquistadores

A Comunidade de Extremadura é conhecida como uma Terra de Conquistadores, devido ao grande número de exploradores e conquistadores que se aventuraram no novo continente depois da descoberta de Colombo. De todas as cidades desta comunidade espanhola, Trujillo é a que mais merece este título, pois nela nasceram alguns dos mais famosos. Neste último post sobre a cidade, veremos dois destes principais personagens, que proporcionaram fama a Trujillo. O primeiro deles é Francisco de Orellana (Trujillo-1511/Rio Amazonas-1546), que tornou-se um dos mais ricos exploradores do país. É conhecido por ter sido o primeiro em percorrer integralmente o curso do Rio Amazonas, desde os Andes até o Oceano Atlântico.  Em 1935, participou junto com Francisco Pizarro, o filho mais ilustre de Trujillo, na conquista do Peru. Em 1935, reconstruiu a cidade de Guayaquil (atualmente uma das principais cidades do Equador), que havia sido destruída pelos indígenas. Depois, partiu para Quito, onde organizou uma expedição com Gonzalo Pizarro, também nascido em Trujillo e irmão menor pelo lado paterno de Francisco Pizarro, que acabou com a descoberta do Rio Amazonas. Esta viagem pelo grande rio colaborou para recriar a lenda das mulheres guerreiras, as Amazonas da mitologia clássica. Depois, regressou a Espanha para organizar uma nova expedição, mas não contou com a aprovação necessária. Por isso dedicou-se à pirataria e dirigiu-se novamente ao Rio Amazonas, onde faleceu junto com a maior parte de sua tripulação, depois de um ataque realizado pelos índios locais. Abaixo, vemos o busto de Francisco de Orellana, situado no Centro Histórico de Trujillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANosso outro personagem é um dos mais conhecidos da Conquista Americana, Francisco Pizarro, filho de hidalgos nascido em Trujillo em 1478. Era primo distante do conquistador do México, Hernán Cortés, e chegou a América numa expedição em 1502. Participou na expediçao liderada por Vasco Núñez de Balboa (que nasceu na cidade de Jerez de los Caballeros, também situada na Extremadura), que culminou com a descoberta do Oceano Pacífico em 1513. Durante os primeiros anos da colonização americana, Pizarro fez parte de duas expedições em busca da costa peruana, em 1524 e 1526, já que os indígenas do Panamá lhe haviam relatado a existência de um rico império situado mais ao sul.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1532, realizou sua terceira e definitiva expedição ao Peru. Zarpou da cidade do Panamá junto com 180 soldados, desembarcando na fronteira norte do Peru, que integrava o Império Inca, e se extendía desde a Colombia até o Chile. Fundou, sem encontrar resistência, a primeira cidade espanhola em solo peruano, San Miguel de Piura. Deste local, realizou expedições ao coração dos Andes Peruanos, em busca de Atahualpa, o último imperador inca. Informado das lutas internas entre os incas, soube aproveitar a violenta guerra civil entre Atahualpa e seu irmao Huáscar pelo controle do império, ocorrida depois da morte do Imperador Huayna Cápac.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Incas tinham uma lenda que dizia que o Deus Viracocha regressaria de terras distantes cruzando o oceano. Com barba branca e olhos verdes, retornaria em tempos de dificuldades. Os espanhóis possuíam as mesmas características que a divindade inca. Informado da chegada dos espanhóis, e acreditando em sua origem mitológica, Atahualpa aceitou encontra-se com Pizarro na fortaleza inca de Cajamarca. Na realidade, o objetivo de Pizarro era capturar o chefe inca para poder ficar com as imensas riquezas do império. Fetio prisioneiro, Atahualpa foi obrigado a aprender o idioma espanhol para poder comunicar-se com Pizarro, e lhe contou onde haviam as imensas reservas de ouro e prata do império. O imperador inca ofereceu a Pizarro sua irmã favorita em matrimônio, Quispe Sisa, com quem teve dois filhos. Pizarro manteve uma estreita aliança com a nobreza de Cuzco, capital do império, e partidária de Huáscar, ocupando-a em 1533. Em troca de sua liberdade, Atahualpa propôs encher o local onde se encontrava preso com uma imensa quantidade de metais preciosos (84 toneladas de ouro e 164 de prata !!!), algo que evidentemente Pizarro aceitou. No entanto, em 26/7/1533, ordenou a execução do chefe inca por organizar uma revolta contra os espanhóis, delito de poligamia, adoração de deuses pagãos e por ter sido responsável da morte de Huáscar. Atahualpa foi estrangulado num poste depois de receber um nome cristão, Francisco…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPizarro foi capaz de conquistar o Império Inca com a colaboração de diversos líderes indígenas locais, que haviam sido anteriormente submetidos. Os cavalos, animal que os incas jamais haviam visto, as armas de fogo e as doenças trazidas pelos espanhóis, dizimaram sua população. Em 1535, Pizarro fundou na costa peruana a Cidade dos Reis, logo depois conhecida como Lima e posteriormente Trujillo, em homenagem a sua cidade natal. Uma guerra civil entre os próprios conquistadores, disputadas entre os partidários do falecido Diego de Almagro e o próprio Pizarro, provocou a morte do conquistador, falecendo em 1541 com mais de 20 feridas de espada. Foi sepultado na Catedral de Lima, onde atualmente se encontram seus restos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Trujillo, Extremadura, podemos visitar a Casa Museu de Pizarro, uma residência do século XV que foi a primeira da família Pizarro na cidade, cujo escudo decora sua fachada. A família Pizarro, procedente do norte da Espanha, estabeleceu-se em Trujillo depois da reconquista da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1992, para celebrar o quinto centenário do Descobrimento da América, a casa converteu-se num museu, sediando um Centro de Interpretação da Conquista Americana e onde podemos compreender mais a fundo a conquista do Império Inca. No andar térreo da casa se recria uma residência de um hidalgo espanhol do século XV, e no superior vemos uma exposição dedicada a Pizarro, cujas fotos vemos nesta matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto da Virgen de la Guía, situada numa pequena capela em Trujillo. De finais do século XV, Francisco Pizarro levou uma cópia desta imagem em sua aventura pelo continente americano.

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Museu Naval – Parte 2

O Museu Naval de Madrid possui um acervo tão imenso de peças e objetos históricos que se torna impossível um registro pormenorizado, de forma que veremos algumas delas. Uma grande quantidade de pinturas, representando os monarcas da Espanha, integra sua coleção, bem como retratos dos grandes marinheiros e exploradores espanhóis, como Vasco Núñez de Balboa (1475/1519), considerado o descobridor do Oceano Pacífico e o primeiro conquistador espanhol em fundar uma cidade permanente em terras americanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO descobridor do continente americano, Cristóvão Colombo, é representado no quadro abaixo, realizado em 1892 pelo pintor José Garnelo. O artista retrata o momento em que o navegante genovês chega à terra firme. As pinturas de caráter histórico adquiriram um grande protagonismo no século XIX com a eclosão do Movimento Romântico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Juan de la Corte (1597/1660) foi um pintor espanhol que realizou diversas obras sobre as campanhas militares espanholas nas costas brasileiras, com o intuito de recuperar zonas que foram ocupadas pelos holandeses no século XVII. Abaixo, vemos um quadro que representa uma das batalhas navais travadas entre os dois países.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a época em que a Espanha foi governada pelos reis da Dinastia Austríaca dos Habsburgos (séculos XV,XVI e XVII), o país tornou-se a primeira potência do mundo. A incorporação de Portugal à Espanha em 1580 fez com que a partir do reinado de Felipe II o Império Espanhol ficasse conhecido como “O Império onde jamais se põe o sol…”, uma referência ao tamanho das terras conquistadas e a enorme extensão pertencente à Monarquia Espanhola. Essa hegemonia foi conseguida através de sucessivas vitórias sobre os ingleses, franceses e holandeses em diversas batalhas navais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Batalha Naval de Lepanto (1571) foi uma das mais memoráveis, quando uma liga composta pelo Reino da Espanha, Veneza, os Estados Pontifícios e os Cavalheiros de Malta derrotaram os turcos otomanos sob o comando do espanhol Juan de Áustria, terminando com a expansão muçulmana no Mar Mediterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1588, Felipe II ordenou a modernização da frota naval espanhola, que passaria a ser conhecida como a “Armada Invencível“, com o objetivo de conquistar a Inglaterra, plano que acabaria sendo um um grande fracasso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do Museu Naval constituem a grande quantidade de reproduções feitas à escala de diversos tipos de embarcaçoes, tanto de uso civil quanto militares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés destes modelos podemos compreender a evolução tecnológica da construção naval, que foi determinada no plano militar pelo progresso da artilharia. A presença de armas de maior calibre possibilitaram o aparecimento de barcos como o galeão, de origem espanhola, que substituiu as antigas naus. Durante 150 anos foram os grandes navios de guerra que dominaram os mares do mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu podemos conhecer ainda as principais rotas de navegação realizadas na época dos descobrimentos, e uma ampla coleção de instrumentos náuticos de diversas épocas, que contribuiram para o avance da tecnologia naval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas salas do museu reproduzem o ambiente dos antigos barcos, tanto dos espaços reservados aos marinheiros, quanto aqueles destinados aos oficiais de maior patente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas peças mais valiosas é o Mapa realizado por Juan de la Costa em 1500, em que aparece por primeira vez o continente americano. No lado direito do mapa, vemos uma linha verde, que representa a demarcação estabelecida aos territórios  pertencentes a Espanha e Portugal com a assinatura do Tratado de Tordesilhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Naval possui um interessante conjunto de peças arqueológicas provenientes de navios afundados, como o da Nau de San Diego, que naufragou nas águas de Filipinas em 1600.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiversas e interessantes exposições temporárias se realizam, contribuindo para o conhecimento da história marítima espanhola. Tive a oportunidade de visitá-lo diversas vezes, e considero o Museu Naval um dos museus imprescindíveis de Madrid.

Um Passeio por Jerez de los Caballeros

Durante todo o dia estive passeando por Jerez de los Caballeros, descobrindo seus lugares mais belos e importantes. Um dos primeiros, logo ao chegar à cidade, foi a Igreja de Santa Catalina, construída provavelmente sobre um templo anterior medieval e ampliada no século XVI. No entanto, a igreja foi danificada pelo terremoto de Lisboa,e teve que ser reformada no século XVIII, quando se ergueu a torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo lado da fachada principal da igreja se construiu na mesma época a Casa Reitoral de Santa Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos foram os conventos existentes na cidade em seu período de maior esplendor, como o Convento de San Agustín, de finais do século XVI. Nele, destaca-se o claustro e atualmente é usado como diversas dependências administrativas e culturais, como o Arquivo Histórico Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACompletam o patrimônio religioso da cidade várias ermitas, espalhadas pelos seus bairros. A de maior dimensão e única ainda aberta ao culto é a Ermita dos Santos Mártires, provavelmente construída no início do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta outra transformou-se num restaurante, e por isso mesmo chamado La Ermita. A comida é deliciosa, e o atendimento hiper atencioso e simpático. Curioso é o ambiente do restaurante, que possui um retábulo antigo e que conservam pinturas murais de sua época religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de comer, dei uma descansada no Parque de Santa Lúcia, situado ao lado das muralhas de Jerez de los Caballeros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos filhos mais ilustres da cidade foi o explorador Vasco Nuñez de Balboa (1475/1519). De família nobre, partiu para o continente americano em 1501, sendo considerado o descobridor do Oceano Pacífico. Na cidade, podemos visitar sua casa natal e observar uma estátua em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma fonte histórica é a chamada dos Santos. Do século XVI, é feita de pedra com um formato octogonal, dos quais partem oito canos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Jerez de los Caballeros fica na saída da cidade, e foi inaugurada em 1862.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre suas festas mais famosas, o destaque fica por conta da Semana Santa, uma das mais belas de toda a comunidade, tanto por suas imagens históricas como pelas procissões que transcorrem por suas ruas…

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