Centro de História de Zaragoza

No post de hoje veremos um local que foi transformado em um importante Centro Cultural, depois que perdeu suas funções religiosas originais. O Centro de História de Zaragoza situa-se no antigo Convento de San Agustín, sendo considerado uma das instituições culturais mais ativas da cidade.

20181113_124253O Convento de San Agustín foi fundado no século XIII pela Ordem dos Agostinhos. No princípio do século XVIII foi reformado no estilo barroco em uma de suas fachadas, fato que originou a criação  da Plaza de San Agustín, que vemos abaixo.

20181113_131143Deste período, se conservam a fachada da igreja e parte do convento. Esta instituição religiosa desempenhou um papel fundamental na defesa da cidade durante os chamados Sítios de Zaragoza, quando foi sitiada pelo exército francês de Napoleão Bonaparte, entre 1808 e 1809. Ao estar localizado na primeira linha defensiva da cidade, foi transformado em baluarte. No entanto, os franceses conseguiram abrir uma brecha através da qual penetraram na cidade, ocasionando a devastação do convento. Poucos anos depois, com o processo de desamortização dos bens religiosos, o convento foi finalmente abandonado e transformado em quartel.

20181113_130711Em 1978, o local foi adquirido pela Prefeitura de Zaragoza, que realizou vários projetos de recuperação, que culminaram na criação do Centro de História, aberto ao público em 2003.

20181113_13041420181113_130334Atualmente, o Centro de História de Zaragoza promove uma intensa atividade cultural, com exposições, conferências, debates, apresentações de livros, etc.

20181113_12505020181113_125818O centro acolhe também o Museu do Origami, considerado um dos melhores da Europa.

20181113_125636Quando lá estive, pude ver uma interessante exposição sobre as Festas do Pilar, celebradas anualmente no mês de outubro, em homenagem à Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha.

20181113_13063820181113_130120Depois da visita, tomei um café em sua moderna cafeteria…

20181113_124640O Convento foi habilitado como biblioteca, que tive a oportunidade de visitar e fotografar um detalhe arquitetônico…

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Apóstolo Santiago

Como complemento às matérias dedicadas a minha recente viagem realizada pela Galícia, decidi publicar uma pequena série de dois posts sobre o personagem fundamental destas terras, e motivo principal da existência de muitas das cidades que pertencem ao Caminho de Santiago, como a própria Santiago de Compostela. Refiro-me ao Apóstolo Santiago, o Santo Padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, Santiago (em português São Tiago) nasceu provavelmente na Galileia, e foi um dos filhos de Zebedeu e Salomé. Seu irmão, São João Evangelista, também fez parte do círculo íntimo de Jesus. Ambos o conheceram às margens do Mar da Galileia, quando pescavam junto com Simão Pedro e seu irmão André. Pedro, e os irmãos João e Tiago, formaram o trio de discípulos preferidos de Jesus e foram testemunhos diretos de alguns dos principais episódios da vida de Cristo. Depois da morte e ascensão de Jesus, Santiago começou a anunciar a nova fé e se encontrava em Jerusalém quando foi vítima da perseguição contra os cristãos promovida por Herodes Agripa, Rei da Judeia e neto de Herodes O Grande, que decapitou o santo pelas costas no ano 44. Santiago tornou-se, portanto, o primeiro apóstolo que foi martirizado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste pequeno resumo de sua vida constitui o ciclo evangélico da vida do santo. Com seu martírio em Jerusalém e seu posterior sepultamento em terras galegas, iniciou-se uma das maiores devoções a um santo cristão graças aos milhares de peregrinos que, desde a Idade Média, realizam o Caminho de Santiago para venerar seu sepulcro na Catedral de Santiago de Compostela. A tradição de seu enterramento na Galícia se fundamenta em vários textos que adquirem sua forma definitiva no século XII, como a “História Compostelana”, escrito em 1139 por ordem do Bispo Diego Gelmírez de Santiago de Compostela, e o Códice Calixtino, onde se relata os acontecimentos mais importantes de sua vida. Depois de predicar na região da Judeia, veio a Espanha para seguir com seu papel evangelizador. O primeiro em admitir a evangelização do apóstolo na Península Ibérica foi o famoso Beato de Liébana em seus comentários sobre o Apocalipse, redatado em 776. Foi ele também o primeiro em referir-se ao Apóstolo Santiago como Padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos episódios mais importantes da vida de Santiago na Espanha ocorreu na cidade de Zaragoza, quando no ano 40 a Virgem Maria, em “carne mortal”, ou seja, em vida, apareceu ao apóstolo no alto de uma coluna feita de jaspe, conhecida como Pilar. Como testemunho de sua presença, o apóstolo ergueu uma pequena capela, que com o passar dos séculos originou a construção da Basílica do Pilar, um dos centros de devoção mariana mais antigos e importantes do mundo, onde ainda hoje se venera a Coluna do Pilar. A denominada Virgem do Pilar foi declarada a Santa Padroeira da Espanha e do mundo hispânico. Abaixo, vemos uma foto da bela Basílica do Pilar de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois do martírio do santo em Jerusalém, seus restos foram trazidos por dois de seus discípulos, Atanasio e Teodoro, num barco à Galícia. Então, ambos discípulos começaram a procurar um local santo para seu enterramento, e foram recebidos pela Rainha Lupa, perversa governante da Galícia, que os enviou a uma de suas propriedades, onde prometeu bois para o transporte do sepulcro. No entanto, ao chegarem ao local, viram que se tratava de touros bravos. Também encontraram com um feroz dragão que esculpia fogo. Os discípulos, em vez de se assustarem, fizeram o sinal da cruz e, milagrosamente, o dragão explodiu e os touros se transformaram em bois mansos. Retornaram ao palácio da Rainha Lupa que, arrependida, se converteu ao cristianismo e transformou seu palácio numa igreja. Este fato foi mencionado no livro “A Lenda Dourada”, escrito em 1264 por Jacobo de la Vorágine. Abaixo, vemos uma pintura que retrata o episódio, que faz parte do acervo do Museu do Caminho, sediado no magnífico Palácio Episcopal de Astorga, projetado pelo arquiteto modernista Antoni Gaudí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sepulcro do santo foi enterrado na cidade de Iria Flávia, atual Padrón, e abandonado no século III devido às perseguições religiosas na época em que o território formava uma província do Império Romano, conhecida como Hispania. Perdida a memória exata do local onde foi enterrado o santo, segundo a lenda uma luz misteriosa apareceu ao eremita Pelayo indicando o local do sepulcro. O Bispo Teodomiro de Iria Flávia foi comunicado e descobriu o sepulcro de mármore do santo e de seus dois discípulos numa antiga necrópole da cidade. Este local, indicado por uma estrela, recebeu o nome de “Campus Stellae“, ou “Campo da Estrela“, origem da cidade de Santiago de Compostela. Na época do Rei Alfonso II “El Casto” (791/842), se difunde por toda a península a notícia da descoberta do sepulcro do santo, fato que originou uma das maiores rotas de peregrinação de todo o mundo cristão, o Caminho de Santiago. Abaixo, vemos o Apóstolo Santiago na fachada da igreja a ele dedicado, em Medina de Rioseco, cidade da Comunidade de Castilla y León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEvidentemente, na Espanha existem muitos templos dedicados ao seu santo padroeiro. Abaixo, vemos a Igreja de Santiago de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A Igreja de Santiago de Málaga, onde foi batizado Pablo Picasso em 1881…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitas capelas existentes nas Catedrais da Espanha vemos sua figura, como na Capela Funerária de Santiago da Catedral de Toledo, em sua parte superior…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu na Capela de Santiago, pertencente à Catedral de Segovia

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Parque de la Alameda – Santiago de Compostela

Bem próximo ao hotel onde me hospedei em Santiago de Compostela situa-se a maior área verde da cidade, o Parque de la Alameda. Por esta razón, e por tratar-se de um parque histórico, no final da tarde aproveitava para passear no parque e conhecer este belo lugar, além de contemplar as incríveis vistas que o local oferece, principalmente de sua famosa catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO parque possui três caminhos principais, que foram realizados para as distintas classes sociais do século XIX, quando o parque foi criado.O caminho da direita estava reservado para as classes menos favorecidas, o do centro para a nobreza e o caminho esquerdo para professores, clérigos e pessoas instruídas…Abaixo, vemos o denominado Paseo de los Leones, atualmente um dos mais populares pelas vistas do centro histórico que proporciona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro dos limites do parque podemos conhecer monumentos religiosos que integram o vasto patrimônio histórico de Santiago de Compostela, como a Igreja do Pilar, um templo barroco construído no século XVIII em homenagem à Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu a Capela de Santa Susana, que foi originalmente erguida no século XII no estilo românico, mas reformada nos séculos XVII e XVIII. Construída para receber as relíquias de Santa Susana trazidas de Portugal, conserva sua porta original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo todo parque que se preze, possui um belo coreto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque de la Alameda caracteriza-se por sua rica flora, com uma grande quantidade de espécies de árvores e flores…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção do parque iniciou-se em 1835 e foi finalizada em 1894….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas estátuas e monumentos homenageiam as personalidades do mundo literário, como a escritora e poetisa Rosalía de Castro, que nasceu na cidade em 1837 e faleceu em Madrid no ano de 1885. Um dos grandes nomes da Literatura Espanhola do século XIX, escreveu tanto em castelhano quanto no galhego, numa época em que este idioma era desprezado pela classe governante. Por este motivo e pela excelência de suas obras, Rosalía de Castro é considerada um expoente da alma e do povo da Galícia. Abaixo, vemos o monumento dedicada a escritora, que inclui personagens populares por ela criado em suas obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém podemos sentar ao lado de outro grande nome da Literatura Espanhola de final do século XIX e primeira metade do XX, o dramaturgo e escritor D. Ramón del Valle Inclán, nascido em 1866 e falecido em Santiago de Compostela em 1936.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa hora do cafézinho ou de uma refrescante bebida, o ideal é relaxar neste bar, que proporciona um toque de modernidade graças à sua inovadora arquitetura…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias outras interessantes construções de estilos diversos complementam a paisagem que rodeia o parque…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo o post com outras fotos do Parque de la Alameda….

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Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Praça Colón – Madrid

Como foi dito anteriormente, o Paseo de Recoletos termina na Praça de Colón (em referência a Cristóvao Colombo, em espanhol, conhecido como Colón). A partir dela, inicia-se o Paseo de la Castellana. Na praça, tremula a maior bandeira da Espanha existente no mundo, situada num amplo espaço aberto conhecido como Jardins do Descobrimento.

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No cruzamento da praça com a Calle Génova, se levantam as Torres de Colón, construída entre 1967/1976 pelo arquiteto Antonio Lamela Martínez.

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No centro, vemos o monumento dedicado a Cristóvao Colombo, erigido entre 1881/1885 no estilo neogótico. Consta de uma base quadrada com relevos esculpidos, um pilar octogonal realizado por Arturo Mélida, e uma estátua do navegador genovês, trabalhada em mármore branco italiano por Jerónimo Suñol.

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Os relevos esculpidos na base são uma referência a episódios da vida de Colombo. No lado oeste, por ex., vemos a rainha Isabel La Católica no centro, oferecendo a Colombo (à esquerda) empenhar suas jóias para ajudá-lo em sua nova exploração marítima.

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No lado leste, Colombo expõe seu projeto ao frade Diego de Deza, mediador entre o navegante e os Reis Católicos.

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No norte, representa-se uma caravela e um globo terráqueo, com a inscriçao “A Castilla y León, Nuevo Mundo, dío Colón”.

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Finalmente, no sul, vemos a Virgem do Pilar com Jesus, entre dois anjos. Debaixo dela, o nome das caravelas Pinta (esquerda), Niña (direita) e a nau Santa Maria (centro). Na parte inferior, estão escritos o nome dos 81 tripulantes da expedição.

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Inicialmente, o monumento foi construído para celebrar o casamento real entre Alfonso XII e Maria de las Mercedes de Orleans, em 1878. Foi realizado um concurso para premiar o projeto escolhido, um ano antes do matrimônio. A morte do monarca, um tempo depois, obrigou a suspensão das obras. Finalmente, foi inaugurada em 1892, coincidindo com o quarto centenário do Descobrimento de América. Abaixo, vemos uma foto do monumento, de finais do séc. XIX.

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Basílica de San Francisco – Madrid

Este post está dedicado a uma das mais belas e suntuosas igrejas de Madrid, a Real Basílica de San Francisco El Grande. Situada próxima a Catedral de Almudena, no centro histórico da cidade, forma parte do convento franciscano fundado a princípios do séc. XIII, sobre uma desaparecida ermita consagrada a Santa Maria que, segundo a lenda, foi fundada pelo próprio São Francisco de Assis em 1217.

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Quando em 1561 Felipe II transformou Madrid na capital do reino, o convento passou a ganhar riquezas e importância, e chegou a receber a custódia dos lugares santos conquistados pelos cruzados. Em 1760, os franciscanos derrubaram a primitiva construção, para levantar um templo maior, cujo projeto foi encarregado ao arquiteto Ventura Rodrigues. Porém, este projeto inicial foi recusado por um novo desenho, realizado pelo frade franciscano Francisco Cabezas, cuja característica principal era sua portentosa cúpula.

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Em 1768, as obras tiveram que ser interrompidas, devido às dificuldades técnicas da construção, obrigando a Cabezas a abandonar o projeto. As obras foram, então, encomendadas a Antonio Pló, que finalizou a cúpula em 1770. Em 1776, a comunidade de frades solicitou ao rei Carlos III a incorporação do arquiteto real Francesco Sabatini, que realizou a fachada em estilo neoclássico e as duas torres que a integram. O templo foi finalmente finalizado em 1784.

A fachada possui uma configuração convexa, necessária para adaptar-se à planta circular do edifício. Em sua parte superior, elevam-se 4 estátuas de santos, esculpidas em Londres em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo vestíbulo ou átrio, destacam as 7 portas que permitem a entrada ao recinto. Foram talhadas em madeira de nogal a finais do séc. XIX, representando diferentes cenas bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto está formado por mosaicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInstalado na parte superior do vestíbulo, já no interior da igreja, vemos o coro, e um de seus elementos mais significativos é o órgão da direita, construído em Paris em 1884, e restaurado em 2001.

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A bôveda está decorada com pinturas murais, cujo tema central é a morte de São Francisco de Assis, realizada em 1882. Debaixo do coro, situam-se duas pias de água benta feitas de mármore, sustentadas por anjos de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo já comentamos, a Basílica possui uma planta circular, com 6 capelas secundárias circundantes, dispostas simetricamente (três de cada lado), e presididas pela Capela Maior. Cada uma delas está coberta por uma pequena cúpula que imita, a menor escala, a grandiosa cúpula que se alça sobre o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mais importante de todas, e um dos maiores atrativos de todo o recinto, é a Capela de San Bernardino, graças ao quadro central representando a Predicação de San Bernardino de Siena ante Alfonso V de Aragón, executado por Francisco de Goya em 1784.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO artista aragonês se auto-representa na parte inferior do quadro (personagem com roupa amarela). Sobre o altar, vemos uma moderna imagem da Virgem do Pilar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da renomada capela e seguindo o sentido em direção à capela maior, vemos a Capela de Santiago. No grande quadro central, vemos a Santiago participando da Batalha de Clavijo, ocorrida em 844, na condição de Santiago Matamouros. A obra foi realizada pelo artista Casado del Alisal e, no altar, vemos uma imagem de São Francisco, de finais do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de Santiago é conhecida também pelo nome de Capela Das Ordens Militares, onde se representam os diferentes símbolos de cada uma destas ordens espanholas. Da direita para a esquerda, vemos a cruz da Ordem de Calatrava e de Santiago. As duas do lado esquerdo correspondem às Ordens de Montesa e Alcântara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela de Carlos III, também denominada de N.Sra del Olvido, em homenagem à ordem criada pelo próprio rei, em honra à Imaculada Conceição, vemos  no quadro central, o rei recebendo o colar de sua nova ordem, obra do pintor Casto Plasencia. Preside o altar uma escultura da Virgem del Olvido, da escola castelhana do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela Maior está instalada no ábside, estando composta por um conjunto de 5 pinturas murais, retratando distintos episódios da vida de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A meia bôveda que serve de cobertura foi decorada com pinturas de José Marcelo Conteras, sobre um fundo dourado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto a base das pilastras, vemos 4 estátuas dos evangelistas e seus respectivos símbolos ou atributos, talhados em madeira bronzeada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas imagens acima, vemos representados a Sao Lucas-Touro e a Sao Mateus-Anjo. Rodeando o presbitério, vemos uma silheria renascentista, oriunda do monastério segoviano de Santa María Del Parral, e adaptada ao local em 1885.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeguiremos com nossa visita à Basílica de San Francisco no próximo post…

Zaragoza Moderna e Contemporânea

Capital da província homônima e da Comunidade de Aragón, Zaragoza é a quinta maior cidade espanhola, somente superada por Madrid, Barcelona, Valencia e Sevilha. Com aprox. 700mil hab., concentra mais de 50% do total populacional da comunidade. Situa-se no vale do rio Ebro, numa posição estratégica, a meio caminho entre Madrid e Barcelona. Possui clima mediterâneo continental semidesértico, com verões quentes, invernos rigorosos e escassas chuvas. O denominado “cierzo”, vento que sopra no inverno, faz com que a sensação térmica seja ainda mais baixa.

Da Caesar Augusta romana à muçulmana Saraqusta, Zaragoza foi sempre um núcleo importante de comunicações.

De sua época fundacional, dedicamos um post à Zaragoza romana. Com a queda do império, foi ocupada pelos visigodos no séc. V, cujo auge se deu no séc. VII, com a figura do bispo Bráulio como protagonista.

Em 704 foi dominada pelos árabes e converteu-se num importante centro cultural e econômico. Com a decomposição do Califato de Córdoba, Zaragoza transformou-se num Reino de Taifa em 1018. O período de máximo esplendor ocorreu no séc. XI.

A reconquista crista sucedeu em 1118, através de Alfonso I “El Batallador”, e tornou-se capital do Reino de Aragón. Abaixo, vemos a estátua de Alfonso I, situada no Parque Grande.

Durante o reinado de Fernando “El Católico”, funda-se a universidade e a Lonja dos Mercadeiros. A expulsão dos judeus em 1492 e dos mouros em 1609 provocam uma certa paralizaçao no seu crescimento.

No séc. XIX, Zaragoza converteu-se num símbolo de resistência contra as tropas de Napoleão, na chamada Guerra de Independência. Encerrada dentro de seus muros, a população da cidade resistiu heroicamente ao assédio dos franceses, um inimigo cujo exército era considerado o melhor do mundo na época. Além do numerosa quantidade de mortos na batalha, uma epidemia de tifo assolou a cidade durante a contenda. O episódio ficou conhecido como os “Sítios de Zaragoza”, e muitos monumentos recordam os heróis e heroínas defensores da cidade.

O Monumento aos Sítios de Zaragoza, localizada na praça homônima, foi realizado por Agustín Querol, em comemoração ao seu centenário, sendo inaugurado em 1908 pelo rei Alfonso XIII e coincidindo com a Exposição Internacional Hispano-Francesa. (fotos acima).

A escultura mostra cenas do episódio, bem como vários de seus personagens, como a heroína Agustina de Aragón, defendendo a Porta del Portillo e ao Gen.Palafox, comandante do exército da cidade.

Agustina de Aragón é um dos nomes mais recordados dos sítios, por sua valentia e tomada de iniciativa. Quando tudo parecia perdido, e as tropas francesas após a derrubada de parte da muralha que rodeava a Praça do Portillo, praticamente tinham o caminho livre para invadir a cidade, Agustina, com um canhão ao lado, fez retroceder o exército invasor, e seu nome foi glorificado pelos comandantes do exército como modelo de resistência. Uma estátua na Praça do Portillo lhe rende homenagens, e atrás, vemos a Igreja de N.Sra. do Portillo, onde encontra-se sepultada.

A Porta de Carmen, construída em 1789, era uma das 12 vias de acesso ao interior da cidade. Durante os Sítios, serviu de ponto de apoio da resistência. As marcas de disparo são ainda visíveis em sua estrutura.

O mesmo se pode dizer deste palácio, igualmente afetado durante as batalhas.

Atualmente, Zaragoza é uma cidade moderna, que propicia excelente qualidade de vida aos seus habitantes. Com a inauguração, em 2003, das linhas ferroviárias de alta velocidade (AVE), se pode percorrer os 300km que separam tanto Madrid quanto Barcelona, em apenas 1h15min, desde a moderna Estação Delícias.

Em 2008, no ano do bicentenário dos Sítios de Zaragoza e no centenário da exposição hispano-francesa de 1908, a cidade acolheu a Exposição Internacional, dedicada à água e o desenvolvimento sustentável. Muitas obras de infraestrutura foram realizadas, como a reabilitação das margens do rio Ebro, promovendo uma nova opção de lazer, bem como iniciativas ecológicas de transporte urbano, como o sistema de aluguel de bicicletas, excelente medida numa cidade plana como Zaragoza.

Recentemente foi inaugurada a primeira parte do sistema de Tranvias, cujo objetivo é descongestionar o tráfico de veículos no centro da cidade.

Outra iniciativa exemplar é o projeto “Isso nao é um solar”, um programa de intervençao de espaços urbanos sem utilidade, que foram transformados em novas áreas públicas. Iniciada no centro histórico, logo extendeu-se por toda a cidade. O objetivo é tentar solucionar, a um custo baixo, numerosos edifícios urbanos em situaçao de degradaçao, criando parques, áreas esporivas, iniciativas ecológicas e artística, etc.

Veremos, agora, alguns dos principais monumentos modernos e contemporâneos desta acolhedora cidade.

O Palácio Arçobispal, situado ao lado da catedral de San Salvador, é a casa do bispo da cidade e, recentemente, foi inaugurado em uma de suas dependências o Museu Diocesano.

Construída em 1764, a Praça de Touros de La Misericórdia é uma das mais antigas de Espanha.

Como em outras cidades espanholas, em Zaragoza a tradiçao taurina começa desde cedo.

Inaugurado em 1929, o Parque Grande José Antonio Labordeta, anteriormente denominado Primo de Rivera, foi durante muito tempo a área verde por excelência dos zaragozanos. O atual nome homenageia um cantor e político aragonês, recentemente falecido.

O novo espaço cultural da cidade é o Museu Pablo Serrano, dedicado à obra do escultor aragonês, e também local para exposições temporais.

Situada na Praça do Pilar, a Fonte da Hispanidade foi realizada em 1991, durante as obras de reestruturaçao da praça. Seu desenho representa a América Latina.

Como Veneza, o leao é um dos símbolos da cidade, como estes, que sao os guardioes da Ponte de Pedra. O símbolo pode ser visto no emblema do principal clube de futebol da cidade, o Real Zaragoza.

A Jota Aragonesa é uma das manifestaçoes folclóricas mais representativas da comunidade, dentro do gênero musical. Tal como a conhecemos atualmente, data de finais do séc. XVIII e se expressa através da dança, do canto e da interpretaçao instrumental, principalmente com instrumentos de corda.

Passear por suas ruas nos permite apreciar a imensa variedade arquitetônica de seus edifícios.

A principal festa da cidade se celebra no dia 12 de outubro, em honra à Virgem do Pilar. Porém, a animaçao corre solta durante todo o ano, principalmente na zona da cidade denominada “El Tubo”, localizada no centro histórico, e formada por estreitas ruas com uma enorme quantidade de bares. Aliás, os zaragozanos dizem que a cidade detém o recorde na relaçao bares/habitantes. Nao sei até que ponto a afirmaçao é verdadeira, mas a quantidade de bares realmente impressiona…

Espero que vocês tenham gostado desta série de post de Zaragoza. Quando venham a Espanha, nao deixem de visitá-la, vale muito a pena.