Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola (Parte 2)

Lázaro Galdiano formou uma pinacoteca que, além de seu enorme valor, servisse de referência para avaliar a importância artística da Espanha e de sua própria história. Como outros grandes colecionadores da época, mostrou especial predileção pelos retratos de homens e mulheres ilustres, cuja coleção presente no museu é representativa de vários períodos, como veremos a seguir. O pintor Alonso Sánchez Coelho (1531/1588), por exemplo, tornou-se famoso por sua capacidade como retratista. Pintor de câmara do rei Felipe II, suas obras enaltecem os detalhes e a penetração psicológica do personagem, como neste quadro de Ana de Áustria (1549/1580), quarta esposa do rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada uma das mais refinadas da pintura cortesana do reinado de Felipe II. Do período barroco, destacam os retratos de Sebastián Herrera Barnuevo (Madrid-1619/1671). Além de pintor de câmara do rei Carlos II, foi também escultor e arquiteto. Realizou o retrato do monarca quando menino, que vemos abaixo. Carlos II (Madrid-1661/1700) passaria a posteridade com o apelido de “El Hechizado” (O Enfeitiçado) por seus problemas de saúde, baixa estatura e esterilidade. Filho e herdeiro de Felipe IV e Mariana de Äustria, morreu sem descendência, fato que provocou a Guerra da Sucessão Espanhola e a chegada da Dinastia dos Bourbones ao trono espanhol, com o rei Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monarcas e rainhas de Espanha foram representados não só por pintores espanhóis, mas também por artistas estrangeiros, como Ticiano, por exemplo. Considerado um dos precursores do neoclassicismo, Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi um grande  pintor alemão, além de teórico da arte, tornando-se célebre pelos retratos que realizou da corte europeia. Foi convidado pelo rei Carlos III para residir em Madrid, e nomeado pintor real. Retratou o monarca nesta importante obra que vemos na sequência. Carlos III (Madrid-1716/1788) era filho de Felipe V e Isabel de Farnesio. Entre 1734 e 1759 tornou-se o Rei de Nápoles e Sicília. Em 1759 foi proclamado Rei de Espanha, cujo reinado caracterizou-se pelas amplas reformas urbanas realizadas na capital. Por este motivo, passou a ser conhecido como o Rei Alcalde, sendo considerado até hoje como um dos melhores administradores que a cidade já teve em sua história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estética neoclássica na Espanha foi enriquecida com a obra de Zacarías González Velázquez (Madrid-1763/1834). Formado pela Real Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid, tornou-se posteriormente diretor desta instituição fundamental na vida artística do país. Sua capacidade criativa pode ser apreciada no refinamento de suas obras, que pode ser vista no quadro em que representa a Manuela González Velázquez tocando o piano, um quadro de forte influência francesa pintado entre 1820 e 1821.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas espanhóis mais admirados por Lázaro Galdiano foi Francisco de Goya. Adquiriu várias obras do pintor aragonês, cujo conjunto representa uma das maiores atrações do museu. Abaixo, o Enterro de Cristo, realizado entre 1771 e 1772.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro La Era ou El Verano, de 1786…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período compreendido entre 1797 e 1799, o Museu Lázaro Galdiano conta com várias obras do pintor, como esta Madalena Penitente, de grande influência impressionista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos a Santa Isabel curando as chagas de um enferma (esquerda) e San Hermenegildo na prisão (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas das obras mais apreciadas do acervo pictórico do museu representam o mundo tenebroso de Goya, como o quadro El Conjuro o las Brujas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o Aquelarre, nome pelo qual se conhece as reuniões de bruxas para a realização de rituais e feitiços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença de artistas estrangeiros na coleção de Lázaro Galdiano ampliaria o conhecimento do povo espanhol em relação à arte que se desenvolvia no continente, contribuindo para sua educação cultural. No próximo post, veremos algumas das principais obras das escolas italiana, flamenca, alemã, etc, presentes no museu.

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Oratório do Cavalheiro de Grácia – Madrid

O primeiro trecho da Gran Vía guarda um verdadeiro tesouro artístico-arquitetônico, o Oratório del Caballero de Grácia (original em espanhol). Esta construção foi a “culpada” pelo fato do traçado da avenida não ter sido reto nesta parte de sua extensão, pois foi desviada para preservá-lo. Felizmente, houve o bom senso de respeitar este monumento da Arquitetura Neoclássica de Madrid. A pequena igreja possui duas entradas, uma pela Gran Vía, e outra pela rua que passa detrás, denominada Caballero de Grácia. Mas quem foi ele?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJacobo de Grattis, seu verdadeiro nome, e não como indica  a placa da rua, foi um sacerdote italiano que nasceu em Módena em 1517, e faleceu em Madrid no ano 1619, vivendo, portanto, 102 anos. Sua vida esteve cercada por muitas lendas e mistérios. O que se sabe com certeza, é que veio a Madrid durante o reinado de Felipe II, como representante do Papa Gregório XIII. O título de cavalheiro lhe foi oferecido por uma das filhas do monarca espanhol. Como era muito rico, comprou várias casas na rua que leva seu nome. Organizava festas, ocasiões em que podia satisfazer sua fama de sedutor. Em um dos imóveis, viva Dona Leonor Garcés, uma bela mulher, esposa de um fidalgo aragonês. Jacobo se apaixonou por ela e tratou de seduzi-la, sem êxito. Tentou, então, raptá-la, através de narcóticos. Quando estava ponto de cometer o abominável ato, recebeu um sinal de Deus, e imediatamente mudou seus hábitos dissolutos por uma vida religiosa. Logo depois, foi ordenado sacerdote em Roma, e regressou a Madrid em pregando sua fortuna em obras de caridade, construindo colégios para órfãos, hospitais, etc. Fundou também a Associação Eucarística de Grácia no final do séc. XVI. Em 1654, foi construído um oratório para dita associação, com o dinheiro de sua herança. No séc. XVIII, a igreja apresentava péssimas condições, e a associação encarregou ao famoso arquiteto Juan de VIllanueva sua reconstrução. A sóbria fachada da Calle Caballero de Grácia foi construída entre 1828 e 1831. Nela vemos uma representação da última ceia de Leonardo da Vinci, realizada pelo artista José Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior desta pequena igreja é realmente maravilhoso. Juan de Villanueva foi capaz de criar uma sensação de monumentalidade num espaço bastante reduzido. As magníficas colunas de estilo coríntio criam a ilusão da existência de naves laterais, que na realidade são um produto da pequena separação das colunas com o muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui planta basilical com uma nave, ábside e uma incrível cúpula oval, cuja decoração foi realizada pelo pintor Zacarias González Velázquez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO pintor também realizou a decoração pictórica de vários retábulos, como o que representa São José com o Menino Jesus, de 1794.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a cobertura da nave e o órgão

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar, vemos um vitral sobre a Última Ceia elaborado pela prestigiosa Casa Maumejeán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs restos de Jacobo de Grattis descansam no Oratório, e uma placa comemorativa assim o certifica…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFico devendo uma foto do Cristo da Agonia, escultura considerada uma obra prima do Barroco Madrilenho, que podemos admirar em seu interior. Desde a Gran Vía, vemos o ábside semicircular, guardado por um arco triunfal construído em 1991 por Javier Felduchi, que proporciona um aspecto único a este templo peculiar e, ao mesmo tempo, belíssimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando passeamos pela Gran Vía, é difícil não reparar neste singular edifício religioso de Madrid. Recomendo que não se contentem com a impressionante fachada, pois sua visita interior nos revela uma joia neoclássica realizada por um dos grandes arquitetos espanhóis de toda sua história, Juan de Villanueva, responsável pelo projeto do Museu do Prado, da reconstrução da Praça Maior de Madrid, entre outras obras admiráveis.

Museu da Real Academia de San Fernando – Pintura Religiosa

O denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola desenvolveu-se principalmente durante a época do barroco, estilo predominante da Contrareforma (séc. XVII). O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid possui uma excelente coleçao de seus principais nomes, cuja temática religiosa foi um dos pilares de sua criaçao artística. Hoje conheceremos alguns deles, através de algumas obras expostas no museu. Iniciamos, porém, com um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol, Juan de Juanes (1510/1579). Em sua obra, notamos a influência da pintura italiana, dedicando-se sobretudo à iconografia religiosa. Abaixo, vemos o quadro que realizou da Sagrada Família.

DSC08563Também ao séc. XVI pertence o pintor Luis de Morales (Badajoz- 1515/1586). Em sua obra, sao abundantes as cenas da Paixao de Cristo. Foi apelidado de “El Divino” pela intensidade e força expressiva de sua temática religiosa, fruto de sua profunda fé. Abaixo, vemos a “Piedade”, pintada em 1570.

DSC08560O tema da Piedade se renova na obra de Morales devido à sua intensidade. Em vida, alcançou grande fama, e seu principal protetor foi o Bispo de Badajoz, Juan de Ribera. No mesmo ano (1570), realizou o quadro intitulado “Cristo ante Pilatos”. Este episódio também se denomina Ecce Homo (Eis aqui o Homem), palavras ditas por Pilatos, segundo a Paixao de Sao Joao. O fundo negro da cena elimina toda a referência espacial e o olhar do espectador se concentra sobre as três figuras de meio corpo da cena. Cristo aparece no meio de dois personagens de cruel sarcasmo. O da esquerda possui traços caricaturescos, enquanto o outro, pela vestimenta, representa a Pilatos.

DSC08562Um dos pintores mais representativos da Contrareforma, Francisco de Zurbarán (1598/1664) destacou-se na pintura religiosa, na qual sua arte revela uma grande força visual e um profundo misticismo. Amigo de Velázquez, tornou-se famoso graças aos quadros encarregados para conventos e monastérios. É conhecido como o “Pintor dos Monjes”, tema em que foi um mestre indiscutível. Um exemplo é o quadro “Frade Francisco Zumel”, um monje nascido em Palencia, e um dos membros mais conhecidos da Ordem da Merced.

DSC08554Em 1639, Zurbarán realiza a obra “Agnus Dei”. O cordeiro, que aparece com as patas presas, se converte no símbolo da inocência e do próprio Cristo, cujo sacrifício significou o triunfo sobre a vida e a morte.

DSC08556O tema da Crucificaçao foi retratado por muitos artistas do barroco, entre os quais Alonso Cano (Granada-1601/1667). A seguir, vemos “Cristo na Cruz”, proscedente do Convento de San Martín de Madrid, inegável obra prima pela perfeiçao do desenho e o sentimento de solidao e morte que consegue expressar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um excepcional artista, destacando-se tanto na pintura, quanto na escultura e arquitetura. Realizou diversas obras para os conventos e igrejas de Madrid. Abaixo, contemplamos o quadro “Cristo recolhendo suas roupas”, um tema que aparece na Itália no séc. XVI. O pintor retrata o momento que segue à flagelaçao de Cristo, narrado no Evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera (Xátiva, Prov. Valencia-1591/Nápoles-1652)  desenvolveu sua carreira artística em Nápoles, fato que contribuiu para que fosse conhecido como “El spagnoletto”. Foi um dos principais artistas que colaboraram na formaçao da Escola Napolitana de Pintura. Dele é a obra “Apariçao do Menino Jesus a Sao Antonio”, realizada em 1636. Sao Antonio de Pádua foi canonizado um ano depois de sua morte em 1232, sendo o santo mais popular da Contrareforma, superado apenas por Sao Francisco. Abaixo, vemos uma das melhores representaçoes do santo durante o período barroco, realizada por Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de José de Ribera logo foram enviadas a Espanha, influindo de maneira decisiva na técnica e nos modelos pintados por Velázquez e Murillo. Um dos artistas espanhóis mais apreciados no exterior, Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha-1618/1682) formou-se na chamada Pintura Naturalista. Com o tempo, evolucionou a formas próprias do barroco, antecipando o Rococó.  Além da Pintura Religiosa, cultivou continuamente a Pintura de Gênero. Em 1646, Murillo pintou o quadro “Sao Diego de Alcalá e os pobres”. O santo nasceu perto de Sevilha e faleceu em Alcalá de Henares. Seu corpo permaneceu incorrupto, suscitando a veneraçao popular. Murillo representa na obra tipos populares que reaparecerao em muitos outro quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XVIII, destacamos dois pintores. O primeiro deles, Zacarias González Velázquez, já mencionamos no post anterior sobre retratos. Acadêmico de San Fernando e Pintor de Câmara, alcançou o posto de Diretor de Pintura e Diretor Geral da Real Academia. Quando solicitou ser nomeado para a instituiçao, apresentou a obra “Cristo Crucificado” em 1790. O aspecto neoclássico da obra é resultado da influência do mesmo tema realizado por Antonio Raphael Mengs, mestre do estilo.

DSC08537Finalizamos o post com o pintor Mariano Salvador Maella (Valencia-1739/Madrid-1819). Este importante artista foi acusado de “Afrancesado”, por ter servido ao rei José I, irmao de Napoleao. Por este motivo, quando Fernando VII retorna ao país e assume o trono, foi apartado de suas funçoes e substituído por Vicente López. Maella é considerado o pintor das Imaculadas por excelência do último terço do séc. XVIII, como podemos comprovar a seguir.

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Museu da Real Academia de San Fernando – Retratos

No post de hoje, veremos uma série de pinturas de autores espanhóis que retrataram importantes personagens da Espanha de sua época, que podem ser vistos no Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madrid. Iniciamos com um dos mais importantes pintores espanhóis do séc. XVIII, Vicente López (Valencia-1772/Madrid-1850). Coetâneo de Goya, com ele finaliza-se o Barroco e se inicia o período Neoclássico na pintura. Dedicou-se fundamentalmente ao retrato, âmbito em que foi considerado um verdadeiro mestre. Vicente López alcançou grande fama ao retratar personagens da nobreza e da corte, sendo nomeado pintor de câmara durante o reinado de Fernando VII. O monarca foi pintado por López em 1830.

DSC08521Fernando VII foi rei de Espanha entre março e maio de 1808, e depois de finalizada a Guerra da Independência em 1814 até sua morte, em 1833. Durante o governo de José I, Fernando VII esteve preso na França, mas era reconhecido como o legítimo rei do país, já que era filho de Carlos IV e Maria Luiza de Parma, sendo seu sucessor natural. Foi apelidado de “O Desejado”, mas quando assumiu o trono adotou um regime absolutista. Vicente López retratou também a segunda esposa de Fernando VII, D.Maria Isabel de Bragança. Era filha de D.Joao VI e Carlota Joaquina, e casou com o rei em 1816. A rainha foi uma protetora e amante das artes, e a ela se deve a fundaçao do Museu do Prado. Fernando VII encarrega esta obra a Vicente López, como uma homenagem póstuma a sua falecida esposa.

DSC08525Vicente López sucedeu a Goya como pintor de Fernando VII, e realizou  retratos de personagens  conhecidos da época, como o arquiteto Isidro González Velázquez (1765/1840), que também formou-se na Real Academia.

DSC08523Finalmente, López, em 1823, pinta o retrato de  D. Maria Francisca de Braganza (1789/1834). Infanta de Portugal e Espanha, teve um papel decisivo na pretensao de seu esposo Carlos Maria Isidro de Borbón ao trono, fato que desencadeou as denominadas Guerras Carlistas, no séc. XIX.

DSC08519 Zacarias González Velázquez, irmao de Isidro, (Madrid-1763/1834) tornou-se acadêmico desde 1790, e foi nomeado pintor do rei Carlos IV em 1802. Abaixo, vemos seu autoretrato.

DSC08529Seu pai, Antonio González Velázquez, foi pintado por Zacarias em 1790, no momento em que o artista foi nomeado membro da Real Academia, cumprindo com sua obrigaçao de entregar um retrato.

DSC08527Andrés de la Calleja (Ezcaray, Rioja-1705/Madrid-1785) foi o pintor de câmara durante a dinastia borbonica no séc. XVIII, e realizou um retrato do rei Carlos III,  monarca conhecido pelo intenso trabalho realizado na cidade de Madrid, quando dota  a capital das infraestruturas básicas necessárias, cuja base foram realizadas nos reinados anteriores de Felipe V e Fernando VI. Foi, por isso, apelidado de Rei Alcalde (em português, Rei Prefeito).

DSC08549Antonio Carnicero (Salamanca-1748/Madrid-1814) é outro dos pintores representados no museu que também deixou um legado artístico constituido por retratos. Ingressou na academia em 1758, da qual tornou-se protetor. Nomeado pintor de câmara, foi mestre de desenhos dos infantes da família real, especialmente o entao Príncie de Asturias e futuro rei Fernando VII. A partir de 1809, para nao perder o cargo, foi obrigado a trabalhar para José Bonaparte, tal como aconteceu com Goya. No entanto, a diferença deste último, a Carnicero foi imputado um processo para ser afastado do cargo por ter servido ao rei estrangeiro. Sua importante coleçao de obras de arte, formada por mais de 1000 obras,  foi confiscada. Faleceu pouco antes da anistia outorgada por Fernando VII em 1814. Um de seus retratos corresponde a um dos políticos mais influentes da Espanha do séc. XIX, Manuel Godoy, cujo quadro foi pintado entre 1801 e 1803.

DSC08531Manuel Godoy (Badajoz-1767/Paris-1851) foi o favorito e primeiro ministro de Carlos IV entre 1792 e 1797, e novamente entre 1801 e 1808. Durante a Revoluçao Francesa, esteve à frente do Governo Espanhol , bem como na fase imperialista de Napoleao, que culminou com a invasao francesa de 1808 e o início da Guerra da Independência.

Museu da Cidade – Madrid

Situado no Bairro da Latina, este espaço cultural é connhecido, principalmente, por ter sido a residência onde viveu e morreu o padroeiro da cidade, San Isidro. O edifício atual, que data do séc. XVI, foi construído pela família Lujanes, erguido sobre o anterior Palácio dos Vargas, patrao de San Isidro e sua esposa, Santa Maria de la Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu guarda muitos fatos relacionados com a vida do santo, como vimos no post anterior sobre sua vida, em especial o poço milagroso. A capela, construída sobre o local onde viveu o santo, foi erguida no séc. XVII e reformada entre 1783/1789, época em que foi realizada a decoraçao que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, vemos uma escultura de San Isidro, anônima do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas da cúpula foram realizadas por Zacarías González Velázquez, pintor madrilenho pertencente a uma ampla família de artistas, durante a última reforma citada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício recebeu distintas denominaçoes, segundo seus sucessivos proprietários. Do séc. XVII ao XIX, pertenceu aos Condes de Paredes, sua etapa mais ativa e relevante, principalmente devido à construçao da capela. Depois de um período de decadência e abandono, o conjunto foi demolido quase que totalmente, e reconstruído prévia excavaçao arqueológica. Desta forma, o edifício permaneceu integrado aos elementos originais conservados, como o poço, a capela e um belo pátio renascentista do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das laterais do pátio, situam-se duas esculturas que decoravam a Fonte de Cibeles, representando a um dragao e a um leao, retiradas no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA exposiçao permanente do museu está dedicada à história arqueológica da cidade, razao pela qual o centro é conhecido também como o Museu das Orígens. As peças procedem do desaparecido Instituto Arqueológico, e compreendem desde a pré-história até o período em que Madrid transformou-se na capital do reino, em 1561.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstao expostas restos da fauna pré-histórica, bem como utensílios utilizados pelos primeiros habitantes da regiao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADa época romana, podemos apreciar belos mosaicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita permite compreender as várias etapas da formaçao da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMapas da época medieval possibilitam a visualizaçao do aspecto da cidade, pouco depois de tornar-se a capital do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu da Cidade é um local para se conhecer sem pressa e tranquilamente, aproveitando ao máximo a interessante e didática coleçao de peças que nos oferece a possibilidade de melhor compreender o processo evolutivo de Madrid.