Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha – Parte 2

Além das Alcazabas que vimos no post anterior, várias outras fortificações espanholas que vemos hoje em dia tiveram sua origem no período árabe ou islâmico. Veremos algumas delas, como o impressionante Castelo de Frías, situado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Sua origem se remonta ao século X, e no século XV foi cedido à família dos Fernández de Velasco, Duque de Frías.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla La Mancha), o Castelo de Molina de Aragón originou-se como um Alcázar muçulmano (palavra árabe que significa fortaleza), a residência dos governadores da Taifa de Guadalajara. Conquistado pelo Rei Alfonso I de Aragón em 1129, foi a partir deste momento reconstruído, dando-lhe o aspecto que vemos atualmente. Este belo castelo é considerado o maior de toda a Província de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Extremadura, Província de Cáceres, destaca o Castelo de Trujillo, construído entre os séculos IX e XII. Nele observamos detalhes arquitetônicos característicos  das construções islâmicas, como o Arco de Ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma vista panorâmica da fortaleza de Trujillo e uma imagem de sua muralha defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Aragón, gostaria de mencionar duas fortalezas relevantes do período islâmico. Na cidade de Calatayud, Província de Zaragoza, situa-se o Castelo de Ayyub, de origem muçulmano e construída no século IX. O nome da fortaleza é uma referência ao fundador da cidade Ayyub Ben Habib Al Lajmi, que fundou Calatayud no ano 716. Este castelo é uma das 5 fortalezas existentes nos cerros que delimitam a cidade, unidos por 4 km de muralhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade desde o alto do castelo impressionam, destacando suas belas igrejas mudéjares, que integram a lista deste tipo de edifícios aragoneses declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa capital e maior cidade da Comunidade de Aragón, Zaragoza, se conserva uma fortaleza de grande importância histórica relacionada às fortificaçoes do período islâmico, o Palácio da Aljafería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo palácio fortificado foi construído na segunda metade do século XI e reflete o esplendor alcançado pela Taifa de Zaragoza. Se considera o único palácio muçulmano que se conserva de toda a Espanha, relacionado ao período de Taifas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte mais antiga é a chamada Torre do Trovador, que vemos na esquina do lado direito na imagem acima. Esta fortaleza era um palácio de recreio dos governadores da Taifa de Zaragoza, e sua tradução significa “Palácio da Alegria“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista de Zaragoza pelo Rei Alfonso I “El Batallador” em 1118, a Aljafería passou a ser a residência dos reis aragoneses, quando a partir deste momento foi reformado no estilo mudéjar.

DSC_0195DSC_0194DSC04832O Palácio da Aljafería conserva inclusive sua mesquita

DSC00187Posteriormente, foi reformado durante o reinado dos Reis Católicos e transformou-se na prisão do Tribunal da Inquisição em Aragón. Também foi utilizado como quartel militar em séculos posteriores. Atualmente é a sede das Cortes de Aragón.

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Espanha – Patrimônios da Humanidade

A Espanha é um dos países mais visitados do mundo, graças ao seu ambiente festivo, sua gastronomia de renome mundial e seu impressionante patrimônio histórico e artístico. Em 2017, recebeu 82 milhões de turistas, somente superado no mundo pelo país vizinho, a França, que acolheu a 87 milhões de visitantes. Muitos dos lugares mais emblemáticos do país ibérico foram reconhecidos pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. De fato, a Espanha é o terceiro país do mundo com a maior quantidade de locais que receberam esta distinção, com 47 lugares nomeados. Neste quesito, somente a Itália (com 54 lugares declarados P.H.) e a China (com 52) a superam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de hoje, inicio uma série de matérias em que vocês poderão conhecer, senão todos, a grande maioria dos Patrimônios da Humanidade da Espanha. Começamos pela Comunidade de Aragón, que possui dois lugares declarados Patrimônio da Humanidade. Sua parte norte está formada pela Cordilheira dos Pirineus, que conforma a fronteira natural com a França. Possui um grande número de parques e reservas, entre os quais destaca o Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, declarado Patrimônio da Humanidade em 1997. Constitui o segundo Parque Nacional mais antigo da Espanha, sendo criado em 1918. Sua beleza, por si só, justifica o título…

DSC_0036DSC_0035Históricamente, a comunidade aragonesa constituiu um terreno fértil entre as várias culturas que a habitaram, algo que se pode estender a todo o país. Um de seus grandes logros é a Arquitetura Mudéjar, considerada o grande legado da cultura espanhola à arquitetura universal. Este estilo artístico é exclusivo da Espanha, e reflete a convivência entre a comunidade muçulmana e a cristiana ao longo dos séculos. Espalhado por boa parte do território espanhol, o Estilo Mudéjar apresenta características próprias segundo a região considerada. O denominado Mudéjar Aragonês possui uma lista de igrejas construídas neste estilo que foram declarados P.H. em 1986, e impressiona por sua beleza decorativa. Dois dos exemplos que foram reconhecidos pela Unesco são a Igreja da Madalena, situada em Zaragoza, e as maravilhosa torres mudéjares da cidade de Teruel, localizada ao sul de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Comunidade de Madrid está bem representada por locais protegidos devido a sua riqueza monumental e excelente grau de conservação. Possui 3 lugares declarados P.H., como a cidade de Alcalá de Henares, situada a pouca distância da capital, Madrid. Berço natal do grande Miguel de Cervantes, sua Universidade é uma das mais antigas e importantes do país. Recebeu o título de P.H. em 1998. Abaixo, vemos a Praça Cervantes e o Paraninfo da Universidade, local onde se celebra anualmente a entrega do Prêmio Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizada a somente 40 km de Madrid, Aranjuez foi inicialmente um local que pertenceu à monarquia e foi declarada P.H. em 2001. Numa visita à cidade, podemos admirar seu Palácio Real e os incríveis jardins que embelezam o núcleo urbano, repletos de fontes e estátuas.

20150923_163619OLYMPUS DIGITAL CAMERAAos pés da Serra de Guadarrama, que limita em sua zona norte a Comunidade de Madrid com a Comunidade de Castilla y León, situa-se o Monastério de El Escorial, um dos grandes monumentos do Renascimento a nível europeu. Construído durante o reinado de Felipe II, transformou-se no Panteão Real da Monarquia Espanhola (a maior parte dos reis e rainhas do país estão nele enterrados) e possui uma das bibliotecas mais ricas da Europa. Foi declarado P.H. em 1984.

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Centro de História de Zaragoza

No post de hoje veremos um local que foi transformado em um importante Centro Cultural, depois que perdeu suas funções religiosas originais. O Centro de História de Zaragoza situa-se no antigo Convento de San Agustín, sendo considerado uma das instituições culturais mais ativas da cidade.

20181113_124253O Convento de San Agustín foi fundado no século XIII pela Ordem dos Agostinhos. No princípio do século XVIII foi reformado no estilo barroco em uma de suas fachadas, fato que originou a criação  da Plaza de San Agustín, que vemos abaixo.

20181113_131143Deste período, se conservam a fachada da igreja e parte do convento. Esta instituição religiosa desempenhou um papel fundamental na defesa da cidade durante os chamados Sítios de Zaragoza, quando foi sitiada pelo exército francês de Napoleão Bonaparte, entre 1808 e 1809. Ao estar localizado na primeira linha defensiva da cidade, foi transformado em baluarte. No entanto, os franceses conseguiram abrir uma brecha através da qual penetraram na cidade, ocasionando a devastação do convento. Poucos anos depois, com o processo de desamortização dos bens religiosos, o convento foi finalmente abandonado e transformado em quartel.

20181113_130711Em 1978, o local foi adquirido pela Prefeitura de Zaragoza, que realizou vários projetos de recuperação, que culminaram na criação do Centro de História, aberto ao público em 2003.

20181113_13041420181113_130334Atualmente, o Centro de História de Zaragoza promove uma intensa atividade cultural, com exposições, conferências, debates, apresentações de livros, etc.

20181113_12505020181113_125818O centro acolhe também o Museu do Origami, considerado um dos melhores da Europa.

20181113_125636Quando lá estive, pude ver uma interessante exposição sobre as Festas do Pilar, celebradas anualmente no mês de outubro, em homenagem à Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha.

20181113_13063820181113_130120Depois da visita, tomei um café em sua moderna cafeteria…

20181113_124640O Convento foi habilitado como biblioteca, que tive a oportunidade de visitar e fotografar um detalhe arquitetônico…

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Parque Grande – Zaragoza

Zaragoza é uma das cidades pela qual sinto mais carinho, porque nela vivi 4 anos e principalmente pelas grandes amizades que fiz na capital da Comunidade de Aragón. Recentemente, passei dois dias na cidade dos maños (como são carinhosamente conhecidos seus habitantes), revendo meus queridos amigos e passeando um pouco, visitando locais que não havia conhecido e retornando a outros lugares emblemáticos, como seu principal parque urbano, popularmente conhecido como Parque Grande.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belo parque foi inaugurado em 1929 por Miguel Primo de Rivera (1870/1930), militar que governou o país como ditador entre 1923 e 1930. Durante 81 anos, oficialmente o parque se denominou Parque Primo de Rivera, mas em 2010 foi rebatizado como Parque José Antonio Labordeta, em homenagem ao cantor e compositor, escritor, além de político aragonês, falecido neste ano.

20181113_153531O Parque Grande é considerado a área verde mais importante de Zaragoza, com mais de 400 mil metros quadrados, e um local perfeito para contemplar a natureza e interessantes monumentos.

20181113_15192220181113_152624Quando foi construído, o parque situava-se fora do núcleo urbano, mas com o crescimento da cidade atualmente se encontra incorporado ao Distrito da Universidade de Zaragoza, e bem próximo ao Estádio de la Romareda, sede do Real Zaragoza, um time histórico do futebol espanhol. Caminhar pelo parque oferece momentos de grande prazer o ano todo, principalmente na primavera e no outono, quando as flores e o colorido das árvores transformam sua fisionomia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20181113_15222420181113_152442O parque acolhe espaços de grande importância, como o Museu de Etnologia e o Jardim Botânico, cuja origem se remonta a 1796.

20181113_152739A primeira fonte construída na cidade (1845), chamada Fonte da Princesa, também se encontra no interior do parque…

20181113_153315Em sua parte mais elevada foi colocada uma estátua em homenagem ao Rei Alfonso I “El Batallador”, para comemorar o oitavo centenário da reconquista da cidade, e inaugurada em 1925.

20181113_152139OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara admirar a escultura e as magníficas vistas que esta parte do parque oferece (primeira foto da matéria), basta subir a bela escada monumental decorada com uma fonte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso principal ao parque é feito através da Ponte dos Cantautores, como são designados, na Espanha, os artistas que escrevem, compõem e cantam suas próprias músicas, normalmente de caráter social e político, caso de José Antonio Labordeta.

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Museu Pablo Gargallo – Zaragoza

Apesar de que a obra de Pablo Gagallo se encontra distribuída em vários museus do mundo, um lugar obrigatória para se conhecê-la em profundidade é o museu a ele dedicado, situado na Praça de San Felipe, em Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Pablo Gargallo está sediado numa antigo palácio renascentista, com elementos próprios do barroco, e que por si só representa uma das grandes atrações culturais da cidade. O chamado Palácio de Argillo foi projetado por Juan de Mondragón e construído entre 1659 e 1651 como residência para D.Francisco Sanz de Cortés, Marquês de Villaverde e Conde de Atarés e Morata. Em 1837, foi adquirido pela Condessa de Argillo, de quem possui atualmente o nome. A partir de 1860, funcionou como o Colégio de San Felipe, função que ocupou durante quase um século. Em 1943, o palácio foi declarado Monumento Nacional e finalmente em 1977 foi comprado pela Prefeitura de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Pablo Gargallo foi criado depois de um acordo entre os familiares do artista, que doaram um grande número de esculturas, desenhos e documentação bibliográfica, e a Prefeitura da cidade, que se responsabilizou pelas obras de restauração e adaptação do Palácio de Argillo para sediar o novo museu, inaugurado em 1985.

20150816_124223O edifício consta de um grande pátio central, onde foram colocadas algumas de suas obras mais conhecidas, cercado por galerias e colunas. Seu acervo é bastante representativo de todas as etapas artísticas de Pablo Gargallo, acolhendo a maior quantidades de obras do escultor em todo o mundo.

20150816_12393120150816_124152OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2012, o Museu Pablo Gargallo recebeu o Certificado Herity, graças à excepcionalidade de sua coleção, assim como pelas modernas instalações disponíveis, que nos permitem aprofundar no conhecimento de sua vida e obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, o museu organiza periodicamente um amplo programa de atividades didáticas e de exposições temporárias, dedicadas à Escultura Moderna e Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas proximidades do museu podem ser vistas várias obras de Pablo Gargallo, que foram colocadas em pleno centro de Zaragoza. Duas delas decoram a fachada principal do palácio, representando dois atletas montados a cavalos, que foram encarregados ao artista para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929. Ambas esculturas ficaram expostas no Estádio Olímpico de Montjuich, onde permaneceram até 1981. Com a abertura do museu, foram trazidas para Zaragoza.

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Pablo Gargallo

A matéria de hoje e a próxima estão dedicadas a meu escultor preferido, o aragonês Pablo Gargallo (Maella, Província de Zaragoza-1881/Reus, Província de Taragona-1934). A primeira vez que conheci este artista de renome internacional e sua magistral obra vivia em Zaragoza, quando tive a oportunidade de visitar o museu a ele dedicado. De fato, Pablo Gargallo é considerado um dos mais destacados artistas do séc. XX, e um criador fundamental para a evolução da Escultura Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossuidor de uma sólida formação tradicional, sua vida se desenvolveu entre as cidades da modernista Barcelona e a vanguardista Paris, locais que lhe possibilitaram um inovador processo criativo, baseado na utilização de novos materiais como o cobre, o ferro, o latão, entre outros, que se tornaram a matéria prima em busca de um estilo pessoal e realmente único.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1906, Gargallo realizou sua primeira exposição individual em Barcelona, e manteve uma estreita colaboração com os arquitetos modernistas da cidade, como Lluís Domènech i Montaner, que lhe encarregou obras para locais representativos do denominado Modernismo Catalão, como o Hospital de Sant Paul i Santa Creus e o Palau de la Música Catalã. Durante toda sua carreira, o interesse preferencial pela representação do corpo humano foi uma constante.

20150816_123909Durante sua estadia em Barcelona, viveu durante algum tempo com Picasso, cuja cabeça modelou numa escultura.

20150816_124115Outro grande artista espanhol do séc. XX, Juan Gris, apresentou a Gargallo a mulher que se tornaria sua esposa, Magali Tartanson, com quem se casou em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPablo Gargallo combinou ao longo de sua vida a escultura clássica e a experimentação. Em relação a este último aspecto, é considerado como o precursor da escultura em ferro. Um exemplo do seu emprego podemos observar em uma de suas últimas obras, (para a grande maioria de seus admiradores, sua obra prima) denominada “El Profeta“.

20150816_123834Nesta obra maravilhosa, podemos contemplar uma de suas principais características, a exploração do vazio. Ao contrário da escultura tradicional, baseada no volume, o artista realiza experiências com a desintegração da forma e do espaço. Antes de Pablo Gargallo, as esculturas eram maciças. Nesta escultura, realizada em 1933, desenvolve o conceito cubista da escultura do vazio como forma, e da forma como vazio…Outra de suas célebres obras em que adota o mesmo conceito é “Urano“, também realizada em 1933, desta vez feita de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos últimos anos de sua vida, para esculpir a maior parte dos nus femininos que realizou, contava com a colaboração de modelos de origem nórdicas, como na peça abaixo, intitulada “Mujer del Espejo“, criada em 1934 e feita de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de bronze é a escultura “La Bestia del Hombre“, realizada no início de sua carreira, em 1904. Apresentada em sua primeira exposição individual, fazia parte de um conjunto sobre as virtudes e os pecados capitais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos a obra “David“, de 1934…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgualmente impressionante é uma escultura em que o artista retrata uma artista francesa, KiKi de Montparnasse (1928).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodas estas obras que aparecem na matéria fazem parte do acervo do Museu Pablo Gargallo de Zaragoza, um local fundamental para se descobrir a obra deste genial artista. No próximo post, conheceremos um pouco mais sobre ele…

A Origem de Madrid

Durante o período inicial da ocupação árabe da Península Ibérica, Toledo era o principal centro da chamada meseta central e capital da Marca Média, uma das 3 linhas defensivas do Califato de Córdoba (as outras duas eram Mérida, capital da Marca Inferior, e Zaragoza, capital da Marca Superior). Na segunda metade do séc. IX, o Reino de Asturias (que havia derrotado o invasor árabe no século anterior na Batalha de Covadonga) realiza um importante avanço, conquistando boa parte do Vale do Rio Duero. Por este motivo, os muçulmanos se tornam conscientes do risco que supunha este avance das tropas cristas, decidindo estabelecer um sistema defensivo ao sul dos Rios Duero e Tajo, formando uma rede de atalaias, castelos e torres defensivas. Situado em locais estratégicos, objetivava deter o ataque cristão e defender a cidade de Toledo e os territórios meridionais. Dessa forma, Madrid entra para a história, quando o emir cordobês Muhammad I ordena construir um baluarte defensivo onde atualmente se ergue o Palácio Real, constituído por um alcázar (fortaleza) e um primeiro recinto de muralhas (853/856 dC). A origem do nome da capital da Espanha se origina desta primeira fortificação, denominada Mayrit, que significa “local onde as águas são abundantes”. Este nome se deve aos inúmeros riachos que desciam do barranco natural onde se localizava o alcázar árabe em direção ao Rio Manzanares. De fato, Madrid se eleva a 70 metros sobre o rio, uma excelente localização para a construção de um sistema defensivo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid é considerada, portanto, a única capital europeia, cujo nome e fundação são de origens árabes. Para seguir avançando na conquista de Toledo, os cristãos necessitavam apoderar-se de Madrid. As expedições militares eram frequentes, mas não obtiveram êxito, graças ao poderoso conjunto de muralhas que rodeava o alcázar muçulmano. Construídas de pedra talhada, estavam formadas por robustas torres quadradas. Parte desta muralha foi descoberta em 1953, durante reformas urbanas. Com um comprimento de 120m, integra o Parque de Muhammad I, situado num desnível denominado Cuesta de la Vega, ao lado da Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira muralha de Madrid possuía cerca de 2 km de perímetro, estando composta por 3 portas de acesso, uma das quais chamava-se Porta de Xagra, situada próxima ao Palácio Real. Uma placa indica sua existência e localização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas portas de entrada possuíam uma estrutura central composta por um Arco de Ferradura, franqueado a ambos lados por duas maciças torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da guarnição militar que compunha o recinto, nasceu um pequeno povoado denominado Almudena, cuja função era abastecer os soldados com alimentos e outros serviços essenciais. Esta foi a primeira população de madrilenhos, e o nome Almudena significa cidadela, ou seja, um núcleo urbano fortificado. Dentro dele, existiam 3 áreas: ao norte, o alcázar; no centro, um espaço vazio, usado como campo de manobras (onde hoje localiza-se a Praça de Armería, entre o Palácio Real e a Catedral) e ao sul, o pequeno povoado. Estima-se a população deste núcleo inicial entre 2 e3 mil habitantes. Abaixo, vemos uma maquete que nos mostra o primitivo conjunto de muralhas da cidade de Madrid (identificado como a parte de cor laranja).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA rua principal do povoado comunicava as 2 portas principais, representando o eixo do que no futuro receberia o nome de Calle Mayor. A mesquita era o outro edifício fundamental desta Mayrit árabe, e situava-se no começo da Calle Mayor, no lado esquerdo da foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, a população muçulmana ultrapassou os limites da muralha, formando os primeiros arrabales (bairros). Dedicavam-se ao artesanato e à agricultura, e esta agora cidade (Medina) estava habitada também por cristãos, conhecidos como Mozárabes. Estas comunidades cristas conservavam seus costumes e tinham seus templos próprios, além de autoridades civis e religiosas, mas eram obrigados a acatar a soberania política do Islam. Poucos são os restos conservados desta primeira etapa de Madrid, pois muitas foram as reformas urbanas efetuadas ao longo dos séculos. No Museu das Origens, é possível ver, no entanto, peças de cerâmica e outros materiais, testemunhos dos princípios de Madrid.

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