As Viagens do “Guernica”

Antes de abandonar Salamanca, tive a oportunidade de ver uma interessantíssima exposição sobre o quadro “Guernica“, a obra prima do mais influente artista do século XX, Pablo Ruiz Picasso (1881/1973). A exposição foi montada na Plaza de Anaya, situada ao lado das Catedrais de Salamanca, e foi organizada pelo Centro Cultural Caixa Forum, que está percorrendo várias cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O “Guernica” já foi o tema de um post publicado em 17/5/2012, junto com o museu onde se encontra exposto, o Museu Reina Sofía de Madrid, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos atrás, pude fotografar o “Guernica“, algo impensável atualmente, mesmo porque está proibido captar imagens do quadro.

DSC03525A exposição de Salamanca discorre sobre as viagens que o quadro realizou depois de ter sido pintado por Picasso, participando de diversas exposições internacionais antes de seu retorno a Espanha. Considerado uma das obras mais conhecidas, reproduzidas, admiradas e reinterpretadas da História da Arte, o “Guernica” transformou-se num verdadeiro ícone do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro foi realizado por Picasso entre maio e junho de 1937 e seu título é uma referência ao bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação alemã no dia 26 de abril deste ano, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Este ataque aéreo é considerado o primeiro realizado contra uma população civil da história das disputas bélicas. Na realidade, sua elaboração por parte de Picasso foi um encargo do governo republicano para ser exposto no Pavilhão Espanhol, montado durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, com a finalidade de atrair a atenção pública à causa republicana. Abaixo, vemos uma foto do pavilhão, cujo projeto construtivo se deve aos arquitetos Josep Lluís Sert e Luis La Casa, e o quadro exposto no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra Civil Espanhola em 1939 e o início do governo ditatorial do General Franco, Picasso manifestou o desejo que o quadro retornasse ao país somente depois que voltasse a ser uma nação democrática. Depois de sua exibição na Exposição Internacional de Paris, muitas outras foram realizadas no continente europeu, como a de 1938/1939 no Reino Unido, com grande êxito de público e organizada para arrecadar fundos para o Comitê de Ajuda aos Refugiados Espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, o quadro viajou por boa parte do mundo, antes de ser custodiado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) a partir de 1958, onde permaneceu exposto até 1981. Abaixo, vemos o itinerário do “Guernica“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de criação da obra foi plenamente documentado pelo pintor através de esboços preparatórios e também por fotografias realizadas por Dora Maar (1907/1997), uma artista plástica francesa que se tornou uma das mulheres da vida de Picasso. Este material constitui um dos melhores exemplos documentados do progresso de uma obra artística em toda a História da Arte Universal. Picasso realizou, num prazo de 6 meses, (antes, durante e depois da conclusão do quadro), uma série de 45 esboços que atualmente encontram-se expostos no Museu Reina Sofía de Madrid, junto com a famosa obra do artista de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Guernica“, um exemplo memorável da Arte Cubista, além de sua importância histórica e indiscutível qualidade artística, impressiona por seu tamanho (7.76m de comprimento x 3.49m de altura). Foi pintado utilizando-se somente as cores branca, negra e várias tonalidades de cor cinza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do título da obra e suas circunstâncias históricas, não existe no quadro nenhuma referência explícita ao bombardeio da cidade de Guernica, pois trata-se de uma composição simbólica, e não narrativa, retratando o horror à guerra e os sofrimentos que infringe a todos os seres humanos. Por este motivo, o quadro converteu-se num símbolo de protesto antibélico, utilizado contra os vários confrontos do século passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgo que desconhecia e que pude orgulhosamente constatar, é que durante as viagens do “Guernica” pelo mundo, o quadro esteve presente no Brasil em 1953, durante a realização da II Bienal de São Paulo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro serviu de motivo inspiratório a inúmeras obras em todo o mundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1981, o quadro retornou a Espanha, com uma ampla divulgação da imprensa, escrita e televisiva…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada do “Guernica” no Aeroporto de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o quadro permaneceu no Casón del Buen Retiro, uma das dependências que faziam parte do destruído Palácio del Buen Retiro, originalmente construído dentro do Parque do Retiro, de propriedade real na época de sua construção, que ainda podemos contemplar passeando pela cidade.

DSC08622OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o “Guernica” passou a ser exposto permanentemente no Museu Reina Sofía, considerado um dos centros de Arte Contemporânea de maior prestígio de todo o mundo, cuja visita, evidentemente, recomendo !!!!!

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Museu do Azeite – Illescas (Parte 2)

Neste segundo post sobre o Museu do Azeite de Illescas veremos outros aspectos deste produto de grande tradição na Espanha, destacando principalmente seu método tradicional de fabricação. Para a comercialização do produto, e dependendo de sua qualidade, existem três tipos de azeite: O Azeite de Oliva Virgem Extra é aquele de máxima qualidade, sendo obtido diretamente das azeitonas unicamente através de procedimentos mecânicos. O seu grau de acidez não pode superar 0.8 %. O Azeite de Oliva Virgem segue os mesmos parâmetros de qualidade do anterior. A diferença é que não pode superar os 2 % de acidez. Por último, o Azeite de Oliva é obtido a partir do refinamento dos azeites que não alcançaram os critérios de qualidade dos demais (não pode superar o 1% de acidez).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs componentes principais das azeitonas constituem o azeite (23%), açúcares (19%), água (de 50 a 60%), celulose (6%) e proteína (menos de 2%). Sua cor pode variar do amarelo/dourado ao verde mais acentuado, dependendo dos pigmentos predominantes da azeitona no momento da colheita. No início, será mais verde devido à presença de clorofila. Na medida em que fica mais madura, perde clorofila, tornando-se mais amarelada. A variedade de Azeitona predominante na região de Illescas é a Cornicabra, ligeiramente amarga e um pouco picante. A Comunidade de Castilla La Mancha é a maior produtora da Espanha deste tipo de azeitonas. Abaixo, vemos uma foto da Almazara (fábrica onde se elabora o azeite) de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos motivos para a criação do Museu do Azeite na cidade foi o excelente estado de conservação das máquinas da Almazara, que seguia o padrão tradicional de fabricação do azeite de oliva. Evidentemente, o primeiro passo para a obtenção do azeite é a colheita das azeitonas de sua árvore, a Oliva ou Oliveira. Realizava-se manualmente com um golpe que se dava na árvore com uma vara flexível. Depois, separavam-se as azeitonas procedentes da mesma daquelas caídas no solo. Na Espanha, a colheita é realizada entre outubro e dezembro. Em seguida, efetua-se o transporte das azeitonas à Almazara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa chegada das azeitonas na Almazara, inicialmente se separavam as azeitonas defeituosas das normais, que passavam por distintos processos de fabricação. A segunda etapa envolve processos de limpeza da azeitona, com o objetivo de eliminar folhas, pequenos talhos e pó, através de ventiladores de ar. Em seguida, se procede à lavagem das azeitonas com água para eliminar barro ou possíveis pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, a azeitona é triturada por um moinho com o objetivo de facilitar a extração do azeite. O moinho da Almazara de Illescas está praticamente em desuso por sua baixa rentabilidade em relação aos atuais métodos utilizados. Por outro lado, é considerado um moinho de grande importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rompimento da azeitona efetuada pelo moinho produz uma pasta que é pressionada para a saída do azeite. As gotas de azeite se aglutinam formando uma etapa oleosa com a finalidade de separar a água, a pele, a pulpa e o osso da fruta. Em seguida, se realiza um processo intermediário de separação dos componentes sólidos e líquidos, momento no qual é obtido o azeite de máxima qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA separação do azeite dos demais componentes realiza-se tradicionalmente pelo método de prensado. O método clássico é o que se realizava na Almazara de Illescas. A pasta oleosa é colocada sobre discos porosos feitos de fibra, colocados uma encima do outro. Os discos se colocam numa prensa, liberando a parte líquida da pasta. Atualmente esta parte do processo de fabricação do azeite é realizada pelo método de centrifugação, com a pasta sendo colocada num cilindro horizontal que gira a grande velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do processo é a decantação, que se baseia na diferença de densidade, realizado em depósitos comunicados entre si nos quais o líquido permanece em repouso. Uma vez terminado e antes de ser engarrafado, o  azeite é filtrado para eliminar possíveis materiais indesejados em suspensão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO azeite é armazenado e posteriormente envasado. Abaixo, vemos outras imagens do interior da Almazara de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria um um poema de Federico García Lorca denominado “Paisaje“, no qual o grande poeta rende uma homenagem aos campos de cultivo da Oliva, que podemos admirar em boa parte do território espanhol.

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Museu do Azeite – Illescas

Quando viajamos, muitas vezes no surpreendemos positivamente quando conhecemos algo que não esperávamos encontrar. Isso foi exatamente o que sucedeu comigo quando visitei o Museu do Azeite, situado em Illescas. A cidade situa-se numa zona plana com pequenas ondulações, um terreno propício para o cultivo da oliva. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de conhecer um museu dedicado a um produto de grande tradição na Espanha, o Azeite de Oliva, e pude observar o processo tradicional de fabricação, as origens do cultivo da oliva, curiosidades a respeito da árvore e seu fruto, a azeitona, a história do museu, tudo isso com a ajuda das atentas e simpáticas funcionárias do museu. Na Espanha, as instalações onde se obtém o azeite de oliva denomina-se Almazara e foi em um destes locais onde se inaugurou o Museu do Azeite de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Almazara de Illescas está incluída dentro do patrimônio industrial e etnográfico da cidade, estando sediada numa típica construção castelhana do século XX. O lugar chama-se “El Molino del Marqués“, apesar de nunca ter sido propriedade de um marquês. O moinho, construído sobre um anterior que foi derrubado, é de mediados do século XX,  estando situado num local que compreendia três propriedades diferentes. Uma delas incluía o pátio, a fábrica de azeite, armazéns e um palomar (uma pequena construção que serve como “residências de palomas”, isto é, de pombas). Em outra situava-se a horta, jardins, a casa do proprietário e outras dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Em 1947, a Almazara foi adquirida por uma família de Madrid e os últimos proprietários realizaram as gestões administrativas para que o local fosse vendido à Prefeitura de Illescas, em 2003. A partir deste momento, o local foi adaptado para sediar um Centro Turístico e Cultural, que inclui o Museu do Azeite, além de outros espaços, como Oficina de Turismo e salas onde podemos realizar atividades culturais relacionadas a gastronomia, artesanato e artes cênicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oliva ou Oliveira, uma árvore pertencente a família das Oleáceas, foi cultivado por primeira vez durante o período inicial do desenvolvimento da agricultura, há 7 mil anos atrás na região da Ásia Menor. Adaptou-se bastante bem às condições climáticas e de relevo na zona mediterrânea, que desde então tornou-se o principal centro de produção de azeitonas e do azeite de oliva. Foram os fenícios que levaram seu cultivo às costas do sul a Península Ibérica ao longo do século XI aC. Com a chegada dos romanos, sua expansão levou o cultivo a todas as partes do império. Os primeiros documentos escritos conhecidos sobre a Oliva constituem tábuas de barro de época micênica, realizadas durante o reinado do Rei Minos (2500 aC). Na Bíblia encontramos inúmeras referências a ela, bem como na Mitologia Clássica. A oliva cultivada é uma espécie de tamanho médio, de 4 a 8m de altura, dependendo da variedade. Possui um tronco grosso, como podemos ver no exemplar abaixo, cuja foto tirei no Parque Municipal de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma oliveira pode permanecer viva e produtiva durante séculos. Suportam altas temperaturas no verão, se possuem suficiente humidade no solo, e temperaturas de até 12 graus negativos no inverno. Sua fruta, a azeitona, e o azeite produzido possuem uma grande quantidade de efeitos benéficos para o organismo, pois facilitam o processo digestivo, são antioxidantes e previnem doenças cardiovasculares. Possui um valor calórico de 167 calorías para cada 100g.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Azeite de Oliva é considerado um azeite vegetal de uso predominantemente culinário, mas também tradicionalmente e ainda hoje empregado para usos cosméticos, medicinais, nas cerimônias religiosas e na iluminação. Quase um terço da polpa da azeitona está composta pelo azeite. Por isso, desde a antiguidade foi extraído através de uma pressão realizada por um moinho. Atualmente, cerca de 90 % da produção mundial de azeitona está destinada para a fabricação do azeite. A Espanha é o maior produtor mundial de Azeite de Oliva, produzindo quase a metade do total, seguido pela Itália e a Grécia. Abaixo, vemos algumas das variedades de azeitonas produzidas no país, dentro das mais de 260 cultivadas nos solos espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, se armazenava o Azeite de Oliva em cântaros de cerâmica. Hoje em dia, os recipientes mais utilizados são feitos de garrafas PET, vidro, lata e papel revestido. Recomenda-se sempre a utilização de embalagens opacas que não permitam a entrada de luz, para que o sabor do azeite não seja alterado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cor do Azeite de Oliva não constitui um parâmetro nem é indicativo de sua qualidade. Por este motivo, durante as provas de degustação do produto, utilizam-se copos de cristais de cor azul translúcido, para que nao se possa distinguir sua cor e se deixe influenciar por ela, realizando a valorização de sua qualidade de forma adequada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo todo produto tradicional comercializado no país, como o Jamón e o Vinho, entre outros, existe um órgão regulador da qualidade do azeite de oliva, denominado “Denominación de Origen“. Na região de Illescas, chama-se D.O.Montes de Toledo, com uma grande quantidade de municípios produtores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte desta matéria sobre o Museu do Azeite de Illescas, enfatizando o processo de elaboração tradicional do produto…

Ampliação do Museu Reina Sofia

O Museu Reina Sofia de Madrid é considerado um dos museus de Arte Contemporânea mais importantes de todo o mundo. Sua exposição permanente exibe obras dos artistas mais influentes dos séculos XIX e XX, como Picasso, Dalí, Miró, etc. Entre todas as pinturas deste museu imprescindível destaca-se o famoso quadro de Picasso “Guernica“, possivelmente o quadro mais importante do século XX (ver post publicado em 17/5/2012). Realizei também, entre 29/6 e 4/7/2016, uma série de publicações sobre as obras primas do museu, que servem de referência a uma visita ao Reina Sofia. O museu encontra-se sediado no edifício do antigo Hospital de San Carlos, entidade fundada no século XVI pelo Rei Felipe II com a finalidade de centralizar todos os serviços de atendimento hospitalar que se encontravam dispersos pela capital da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, o monarca Carlos III decidiu construir um novo edifício para o hospital, já que as instalações do edifício anterior ficaram insuficientes com o crescimento populacional da cidade. O projeto foi encarregado aos arquitetos José de Hermosilla e, principalmente, a Francisco Sabatini. Ainda hoje, a sede principal do museu é conhecida como Edifício Sabatini. O hospital foi clausurado em 1965, e o edifício sobreviveu apesar dos rumores sobre sua demolição, principalmente depois que foi catalogado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, garantindo sua continuidade. Em 1980 inicia-se sua restauração e em 1986 se inaugura o Centro de Arte Reina Sofia, utilizando os primeiros andares do edifício como salas de exposições temporárias. No final de 1988 se construíram as torres de aço e vidro para servir de elevadores. A coleção permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, seu nome completo, foi inaugurada em 1992, com a presença do Rei Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Sofia, com os fundos artísticos provenientes do antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2001 e 2005, o museu foi alvo de uma grande ampliação, a cargo do arquiteto francês Jean Nouvel, cujo resultado contribuiu para transformar o aspecto do museu e da própria paisagem urbana de Madrid.

20190202_125010O custo da obra foi de 92 milhões de euros e possibilitou um aumento de 60% da superfície do museu. Uma praça, decorada com uma escultura de Roy Lichtenstein, conecta o Edifício Sabatini com as estruturas de ampliação realizadas por Jean Nouvel.

20190202_132209Jean Nouvel (França – 1945) é considerado atualmente um dos arquitetos de maior prestígio internacional e recebeu em 2008 o Prêmio Pritzker de arquitetura. Para ele, a arquitetura constitui uma arte visual, uma produção de imagens que provocam emoções e sensações, algo que podemos comprovar numa visita ao museu.

20190202_13222920190202_133023A ampliação do museu possibiltou a construção de uma excelente biblioteca, duas novas salas para exposições temporais, dois auditórios, uma loja e um restaurante, cujas imagens vemos abaixo…

20190202_13014720190202_131525Qualquer pessoa pode conhecer esta parte do museu, sem a necessidade de pagar entrada para ver o acervo permanente, visita que evidentemente recomendo. A seguir vemos o contraste entre os dois edifícios, o histórico de Sabatini e a obra realizada por Jean Nouvel.

20190202_13365220190202_133630Vale a pena subir na parte mais alta do edifício e contemplar as vistas que oferece, principalmente da Estação Ferroviária de Atocha, situada nas proximidades do museu.

20190202_133239Finalizo o post com outras fotos do Museu Reina Sofia

20190202_13342620190202_13345420190202_131815

 

Museu de Cáceres

Para se conhecer as etapas históricas de Cáceres, bem como poder contemplar inúmeras peças artísticas, recomendo visitar o Museu da cidade, situado na Plaza de San Mateo. O museu encontra-se sediado no Palácio de los Veleta, um dos inúmeros palácios existentes no Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local onde atualmente se ergue o edifício, no século XIII se levantava o antigo Alcázar Árabe. Na segunda metade do século XV, o Rei Enrique IV concedeu a Diego Gómez de Torres a possibilidade de construir sobre a fortaleza um novo palácio, com a condição que não tivesse elementos defensivos. No entanto, o edifício que vemos atualmente se deve a Lorenzo de Ulloa y Torres. Na fachada, vemos os escudos de ambas as linhagens, dos Ulloa e da família Torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do museu é que se conserva o antigo Aljibe Árabe, um local utilizado como depósito de água. Excavado em parte na rocha, o espaço ocupado pelo Aljibe está formado por 5 naves separadas por arcos de ferradura. Suas colunas conservam elementos de épocas romana, que foram reutilizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu de Cáceres foi inaugurado em 1933, cuja origem se deve a sua importante coleção de peças arqueológicas, formada a partir do final do século XIX e que abrangem desde o Paleolítico até a Idade Média. Do período ibérico estão expostos vários Verracos, como se conhecem as esculturas zoomórficas feitas de granito, que representam touros, porcos ou javalis e utilizados como marcadores de territórios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras peças de grande interesse histórico constituem as Estelas, monumentos funerários onde guerreiros são representados de maneira heróica. O Museu de Cáceres possui uma das maiores coleções deste tipo de obras da Idade de Bronze. Os guerreiros aparecem junto às suas armas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém relacionado à cultura ibérica, o denominado Tesouro de Aliseda foi descoberto em 1920, estando considerado uma importante façanha da Arqueologia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da seção de arqueologia, o Museu de Cáceres está composto pelo acervo de Etnografía e Belas Artes, esta com várias peças de interesse, tanto na pintura quanto na escultura. Abaixo, vemos um Cristo Crucificado de marfim, feito por um artista anônimo das Filipinas, no século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste outro foi esculpido em madeira, no século XV, por um artista espanhol anônimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a representação da Santíssima Trindade, uma escultura feita de alabastro do século XVI (anônimo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Pintura, vários quadros despertaram meu interesse, entre os quais um de El Greco (1541/1614), com a representação de Jesus Salvador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um belíssimo tríptico flamenco da Paixão de Cristo, anônimo do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALuca Giordano (1632/1705), um pintor italiano que realizou diversas obras em solo espanhol, realizou este quadro de Santo André

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPintura Contemporânea Espanhola também faz parte do acervo pictórico do museu. Um exemplo é o pintor Darío Villalba (1939/2018), que realizou esta obra intitulada “Noche 81” em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra interessante, o quadro feito de acrílico intitulado “Agressión” em 1976 foi realizado pelo artista valenciano Juan Genovés, nascido em 1930.

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Trujillo – Terra de Conquistadores

A Comunidade de Extremadura é conhecida como uma Terra de Conquistadores, devido ao grande número de exploradores e conquistadores que se aventuraram no novo continente depois da descoberta de Colombo. De todas as cidades desta comunidade espanhola, Trujillo é a que mais merece este título, pois nela nasceram alguns dos mais famosos. Neste último post sobre a cidade, veremos dois destes principais personagens, que proporcionaram fama a Trujillo. O primeiro deles é Francisco de Orellana (Trujillo-1511/Rio Amazonas-1546), que tornou-se um dos mais ricos exploradores do país. É conhecido por ter sido o primeiro em percorrer integralmente o curso do Rio Amazonas, desde os Andes até o Oceano Atlântico.  Em 1935, participou junto com Francisco Pizarro, o filho mais ilustre de Trujillo, na conquista do Peru. Em 1935, reconstruiu a cidade de Guayaquil (atualmente uma das principais cidades do Equador), que havia sido destruída pelos indígenas. Depois, partiu para Quito, onde organizou uma expedição com Gonzalo Pizarro, também nascido em Trujillo e irmão menor pelo lado paterno de Francisco Pizarro, que acabou com a descoberta do Rio Amazonas. Esta viagem pelo grande rio colaborou para recriar a lenda das mulheres guerreiras, as Amazonas da mitologia clássica. Depois, regressou a Espanha para organizar uma nova expedição, mas não contou com a aprovação necessária. Por isso dedicou-se à pirataria e dirigiu-se novamente ao Rio Amazonas, onde faleceu junto com a maior parte de sua tripulação, depois de um ataque realizado pelos índios locais. Abaixo, vemos o busto de Francisco de Orellana, situado no Centro Histórico de Trujillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANosso outro personagem é um dos mais conhecidos da Conquista Americana, Francisco Pizarro, filho de hidalgos nascido em Trujillo em 1478. Era primo distante do conquistador do México, Hernán Cortés, e chegou a América numa expedição em 1502. Participou na expediçao liderada por Vasco Núñez de Balboa (que nasceu na cidade de Jerez de los Caballeros, também situada na Extremadura), que culminou com a descoberta do Oceano Pacífico em 1513. Durante os primeiros anos da colonização americana, Pizarro fez parte de duas expedições em busca da costa peruana, em 1524 e 1526, já que os indígenas do Panamá lhe haviam relatado a existência de um rico império situado mais ao sul.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1532, realizou sua terceira e definitiva expedição ao Peru. Zarpou da cidade do Panamá junto com 180 soldados, desembarcando na fronteira norte do Peru, que integrava o Império Inca, e se extendía desde a Colombia até o Chile. Fundou, sem encontrar resistência, a primeira cidade espanhola em solo peruano, San Miguel de Piura. Deste local, realizou expedições ao coração dos Andes Peruanos, em busca de Atahualpa, o último imperador inca. Informado das lutas internas entre os incas, soube aproveitar a violenta guerra civil entre Atahualpa e seu irmao Huáscar pelo controle do império, ocorrida depois da morte do Imperador Huayna Cápac.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Incas tinham uma lenda que dizia que o Deus Viracocha regressaria de terras distantes cruzando o oceano. Com barba branca e olhos verdes, retornaria em tempos de dificuldades. Os espanhóis possuíam as mesmas características que a divindade inca. Informado da chegada dos espanhóis, e acreditando em sua origem mitológica, Atahualpa aceitou encontra-se com Pizarro na fortaleza inca de Cajamarca. Na realidade, o objetivo de Pizarro era capturar o chefe inca para poder ficar com as imensas riquezas do império. Fetio prisioneiro, Atahualpa foi obrigado a aprender o idioma espanhol para poder comunicar-se com Pizarro, e lhe contou onde haviam as imensas reservas de ouro e prata do império. O imperador inca ofereceu a Pizarro sua irmã favorita em matrimônio, Quispe Sisa, com quem teve dois filhos. Pizarro manteve uma estreita aliança com a nobreza de Cuzco, capital do império, e partidária de Huáscar, ocupando-a em 1533. Em troca de sua liberdade, Atahualpa propôs encher o local onde se encontrava preso com uma imensa quantidade de metais preciosos (84 toneladas de ouro e 164 de prata !!!), algo que evidentemente Pizarro aceitou. No entanto, em 26/7/1533, ordenou a execução do chefe inca por organizar uma revolta contra os espanhóis, delito de poligamia, adoração de deuses pagãos e por ter sido responsável da morte de Huáscar. Atahualpa foi estrangulado num poste depois de receber um nome cristão, Francisco…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPizarro foi capaz de conquistar o Império Inca com a colaboração de diversos líderes indígenas locais, que haviam sido anteriormente submetidos. Os cavalos, animal que os incas jamais haviam visto, as armas de fogo e as doenças trazidas pelos espanhóis, dizimaram sua população. Em 1535, Pizarro fundou na costa peruana a Cidade dos Reis, logo depois conhecida como Lima e posteriormente Trujillo, em homenagem a sua cidade natal. Uma guerra civil entre os próprios conquistadores, disputadas entre os partidários do falecido Diego de Almagro e o próprio Pizarro, provocou a morte do conquistador, falecendo em 1541 com mais de 20 feridas de espada. Foi sepultado na Catedral de Lima, onde atualmente se encontram seus restos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Trujillo, Extremadura, podemos visitar a Casa Museu de Pizarro, uma residência do século XV que foi a primeira da família Pizarro na cidade, cujo escudo decora sua fachada. A família Pizarro, procedente do norte da Espanha, estabeleceu-se em Trujillo depois da reconquista da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1992, para celebrar o quinto centenário do Descobrimento da América, a casa converteu-se num museu, sediando um Centro de Interpretação da Conquista Americana e onde podemos compreender mais a fundo a conquista do Império Inca. No andar térreo da casa se recria uma residência de um hidalgo espanhol do século XV, e no superior vemos uma exposição dedicada a Pizarro, cujas fotos vemos nesta matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto da Virgen de la Guía, situada numa pequena capela em Trujillo. De finais do século XV, Francisco Pizarro levou uma cópia desta imagem em sua aventura pelo continente americano.

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Centro de História de Zaragoza

No post de hoje veremos um local que foi transformado em um importante Centro Cultural, depois que perdeu suas funções religiosas originais. O Centro de História de Zaragoza situa-se no antigo Convento de San Agustín, sendo considerado uma das instituições culturais mais ativas da cidade.

20181113_124253O Convento de San Agustín foi fundado no século XIII pela Ordem dos Agostinhos. No princípio do século XVIII foi reformado no estilo barroco em uma de suas fachadas, fato que originou a criação  da Plaza de San Agustín, que vemos abaixo.

20181113_131143Deste período, se conservam a fachada da igreja e parte do convento. Esta instituição religiosa desempenhou um papel fundamental na defesa da cidade durante os chamados Sítios de Zaragoza, quando foi sitiada pelo exército francês de Napoleão Bonaparte, entre 1808 e 1809. Ao estar localizado na primeira linha defensiva da cidade, foi transformado em baluarte. No entanto, os franceses conseguiram abrir uma brecha através da qual penetraram na cidade, ocasionando a devastação do convento. Poucos anos depois, com o processo de desamortização dos bens religiosos, o convento foi finalmente abandonado e transformado em quartel.

20181113_130711Em 1978, o local foi adquirido pela Prefeitura de Zaragoza, que realizou vários projetos de recuperação, que culminaram na criação do Centro de História, aberto ao público em 2003.

20181113_13041420181113_130334Atualmente, o Centro de História de Zaragoza promove uma intensa atividade cultural, com exposições, conferências, debates, apresentações de livros, etc.

20181113_12505020181113_125818O centro acolhe também o Museu do Origami, considerado um dos melhores da Europa.

20181113_125636Quando lá estive, pude ver uma interessante exposição sobre as Festas do Pilar, celebradas anualmente no mês de outubro, em homenagem à Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha.

20181113_13063820181113_130120Depois da visita, tomei um café em sua moderna cafeteria…

20181113_124640O Convento foi habilitado como biblioteca, que tive a oportunidade de visitar e fotografar um detalhe arquitetônico…

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