Canal de Isabel II – Parte 2

O Canal de Isabel II continua sendo o responsável pelo abastecimento de água de Madrid. Na época de sua inauguração em 1858, sua infraestrutura encontrava-se fora da cidade, mas com o crescimento urbano incorporou-se à paisagem, e alguns dos principais elementos que o constituem podem ser vistos ainda hoje. Evidentemente, o canal foi ampliado, mas se conservam várias partes do projeto original, como muitos dos aquedutos construidos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais importante destes aquedutos construídos que podemos ver em Madrid é o chamado Aqueduto de Amaniel. Com 120m de comprimento, está formado por 17 arcos, sendo a última estrutura visível do  canal, pois a partir dele se torna subterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO trajeto do canal finalizava nos imensos depósitos de água, alguns dos quais foram transformados em centros culturais, como o de abaixo, em que se organizam exposições temporárias.

20160531_19311320160531_184243Outros depósitos foram transformados em zonas de ócio para a população…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o depósito situado no Paseo de la Castellana, também utilizado para fins culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma bela fonte foi construída para homenagear o Rio Lozoya, simbolizado por uma figura feminina em sua parte central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a presença da Rainha Isabel II e autoridades municipais, o Canal foi inaugurado oficialmente em 24 de junho de 1858, entrando em funcionamento a primeira fonte situada na Calle de San Bernardo, em frente à Igreja de Montserrat. O engenheiro responsável ordenou a abertura das comportas dos depósitos, e a água se elevou a uma altura impressionante. Um escritor da época relatou surpreendido como “O Rio Lozoya se havia posto de pé…”. Podemos ver a representação deste acontecimento histórico no quadro abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente,a fonte foi levada a outro local, e em seu lugar se colocou uma pequena placa. Atualmente existe outra fonte, que nao tem nada a ver com a original.

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Canal de Isabel II

O dia 24 de junho de 1858 representou uma data histórica para Madrid, pois foi inaugurado o Canal de Isabel II. A partir deste momento, toda a população da cidade passou a ter água corrente em sua própria casa, e os velhos e obsoletos “Viajes de Água” passaram a fazer parte do passado.

20160531_193217Projetado em 1851 para o abastecimento de água de Madrid, foi construído num tempo recorde de apenas 7 anos. Sua construção foi possível graças à iniciativa de Juan Bravo Murillo, designado em 1848 Ministro de Obras Públicas e posteriormente Ministro da Fazenda. Entre 1851 e 1852 foi também Presidente do Governo de Espanha. Uma das ruas mais compridas da cidade leva seu nome, e uma estátua homenageia este grande homem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA autorização para a realização desta obra de enorme magnitude foi dada pela Rainha Isabel II, que vemos representada no quadro abaixo.

dsc08518Uma das maiores obras de engenharia realizada no país, com uma grande complexidade tecnológica, o canal está composto por um conjunto de inúmeras represas, túneis, aquedutos etc. A maior parte de sua construção e de seus elementos constituintes foi registrada pelo fotógrafo inglês Charles Clifford, e algumas das fotos podemos ver nesta matéria, que pertencem ao Arquivo do Canal de isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto consistiu na criação de uma infraestrutura para captar as águas do Rio Lozoya, que desce pela Serra de Guadarrama, num percurso total de 70 km até a capital. As dificuldades técnicas eram enormes, devido a complicada comunicação entre as várias zonas obreiras e o transporte de materiais. A falta de trabalho especializado representava outro problema, e decidiu-se pelo emprego de presidiários, que eram vigilados por soldados. Durante os 7 anos de construção, trabalharam aproximadamente entre 10 a 12 mil pessoas, das quais 2 mil eram presidiários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA criação do Canal de Isabel II supôs novidades técnicas que foram incorporadas na construção de uma represa e na canalização da água até os depósitos construídos em Madrid, e o estabelecimento de uma rede de distribuição a todas as residências da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira parte da obra consistiu na edificação de uma grande represa chamada El Pontón de la Oliva, de 30m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto de Clifford, tirada durante sua construção…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma rede de aqueduto e os canais que ainda podemos ver na Serra de Guadarrama.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO resultado final das obras foi admirado por todos, e uma de suas represas serviu de modelo para a construção do novo abastecimento de água de Nova York no final do século XIX.

Os “Viajes de Água” – Parte 2

Na primeira metade do século XVII se construíram os principais “Viajes de Água” de Madrid. Os quatro mais importantes se  chamavam Alcubilla (do século XIV), Abroñigal Alto (1614), Abroñigal Bajo (1612) e da Castellana (1612). O denominado Viaje de Amaniel era propriedade exclusiva da Coroa. Construído também no século XVII, sua finalidade era o abastecimento de água do antigo e reformado Alcázar, a residência real. Como comentamos no post anterior, existem indícios na cidade da existência dos “Viajes de Água“. Um deles encontramos num dos locais mais conhecidos do centro histórico, a chamada Plaza de Puerta Cerrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome da praça é uma referência a uma das portas que compunham a muralha cristã de Madrid, erguida no século XII. Devido ao seu peculiar desenho, estreita e com curvas, era aproveitada pelos bandidos para assaltar as pessoas que entravam e saiam. Por este motivo, permanecia a maior parte do tempo fechada (Cerrada, em espanhol), até que foi derrubada em 1569. No centro da praça existe uma cruz que serve de ornamento, e embaixo dela existe um “Viaje de Água“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARestos arqueológicos dos viajes podem, no entanto, serem vistos em alguns pontos da cidade, como no denominado Palácio dos Condes de Tepa, atualmente convertido num hotel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo subsolo deste palácio do século XVIII se conservam restos do “Viaje de la Castellana“.  O local foi protegido por uma estrutura de vidro, que não favorece a qualidade das fotos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs galerias que  formavam os “Viajes de Água” tinham que ser suficientemente grandes para que os homens pudessem realizar reparações. Em alguns locais existiam respiradeiros que foram tapados por um bloco de pedra chamado Capirote. Tive a oportunidade de ver uma destas tampas, graças a meu amigo Gregório, que me mostrou um deles situado num parque de Madrid chamado Dehesa de la Villa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dados curiosos refletem a desigual distribuição da água nos séculos XVII, XVIII e XIX, de acordo com a classe social. Em 1631, quando a construção dos principais Viajes de Água se deu por finalizada, o porcentagem de água que se destinava às 23 fontes públicas existentes correspondia a 53,5 % do total, para a grande maioria da população. Já as fontes particulares, privilégio de um número insignificante de habitantes, representava os 46,5% restantes. Ou seja, o abastecimento de água privada era um bem associado às elites, que podiam pagar para a instalaçao de canos em suas residências, conectando-os com os “Viajes de Água“. Posteriormente, enquanto milhares de pessoas tinham a disposição 37,2% do volume total, pouco mais de 200 casas dispunham de 62,8 % para seu consumo particular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs madrilenhos que gozavam de água em seus domicílios estavam vinculados à aristocracia, grandes comerciantes, altos funcionários, e as Ordens Religiosas. O consumo particular da água era caríssimo. No século XIX, com a chegada massiva de imigrantes e seu decorrente crescimento populacional, os “Viajes de Água” colapsaram, pois eram incapazes de satisfazer a demanda hídrica. Em 1848, Madrid contava com 6624 casas, das quais somente 441 dispunham de água corrente, com uma média absurda de 864 litros ao dia em relação ao volume total. A média das mais de 6 mil casas restantes situava-se em torno de 61 litros ao dia, abastecidas pelas 54 fontes públicas existentes. A água disponível para a grande maioria da populaçao de Madrid  Madrid era, portanto, escassa, principalmente se comparamos a cidades como Londres (70 litros por habitante) e Paris (120 litros por habitante).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs problemas do abastecimetno de água foram constantes a partir do século XVIII, e várias tentativas foram feitas, como aumentar o volume de água do Rio Manzanares de forma artificial. O elevado custo das obras impediram sua realização. Ante os fracassos da Prefeitura de Madrid para solucionar o problema, em 1848 o então ministro de Instrução, Comércio e Obras Públicas encarregou um estudo de viabilidade para a construção de um canal que utilizasse as águas de outro rio que desce pela Serra de Guadarrama, o Lozoya. Este  informe seria o germe para a construção do Canal de Isabel II, uma impressionante obra de engenharia, que veremos a partir do próximo post. A partir de 1858, todo habitante de Madrid passaria a dispor deste elemento de vital importância.

Os “Viajes de Água” – Madrid

Apesar de sua importância histórica, o Rio Manzanares nunca pôde contribuir para a cidade com o elemento indispensável à vida, a água. Isso ocorreu devido à peculiar localização do Centro Histórico de Madrid, situado num barranco a 70 metros de desnível em relação ao rio, como podemos ver abaixo na imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, Madrid é uma cidade que possui um abundante lençol freático, com uma grande quantidade de água subterrânea. Para poder aproveitá-la, se construiu uma rede de galerias ou minas de captação de água denominadas “Viajes de Água“. Este sistema estava formado por uma rede de tubos feitos de barro ou chumbo que conduzia a água até as fontes públicas da cidade, distribuídas pelo centro antigo. De origem árabe, esta técnica de abastecimento continuou sendo utilizada e ampliada durante o período subsequente à dominação árabe, principalmente depois que Madrid tornou-se a capital permanente do Reino no século XVI (1561) e o incrível crescimento populacional verificado a partir deste momento. O próprio nome árabe da cidade, Mayrit, significa local onde sao abundantes os canais subterrâneos de abastecimento de água, ou seja, os “Viajes de Água“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid foi a única cidade que articulou seu abastecimento graças a este sistema. Sua técnica consistia, primeiro, em localizar uma zona aquífera, e depois, cavar poços que se comunicavam entre si mediante as galerias. Todas estas galerias se reuniam numa só, que conduzia a água até a cidade pelo desnível existente entre a área de captação (zona norte da cidade) e o centro histórico. O trajeto do líquido finalizava em uma fonte pública ou particular, na qual  jorrava livremente, sem que houvesse a existência de um meio regulador como as torneiras de hoje em dia. O abastecimento de água se complementava com os chamados “Viajes de Água Grossos“, assim denominado pela pior qualidade da água e o pior gosto que tinha, sendo usada para a agricultura e o consumo industrial. Além do mais, existia a água procedente dos poços situados nos pátios residenciais. O escasso nível de água do Rio Manzanares foi usado somente para a lavagem de roupa, como vimos nas matérias anteriores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs “Viajes de Água” foram os responsáveis pelo abastecimento de água de Madrid até mediados do século XIX, quando se inaugurou o Canal de Isabel II, que veremos em breve.Durante o reinado de Felipe II (segunda metade do século XVI), Madrid já se destacava pela qualidade de suas águas, distribuídas nas 15 fontes públicas existentes. A completa rede de “viajes” foi regulamentada em 1617 por um órgão recém criado denominado “Junta de Fuentes“, função até então exercida pelo Conselho de Madrid. As classes humildes acudiam às fontes, com seus cântaros e outros tipos de recipientes. Já a classe média e a aristocracia se asseguravam o consumo de água mediante o transporte feito através de carroças puxadas por jumentos. Outra possibilidade era a contratação  de funcionários que levavam água à domicílio, os chamados “Aguadores“.

dsc07974No século XVII haviam cerca de  mil aguadores que levavam água das fontes públicas aos domicílios. Seu ofício, como muitas outras atividades, foi regulamentado pelo poder público. Eles tinham, como mínimo, o direito à metade dos canos existentes numa fonte para poder encher seus recipientes. Por este motivo, ocorreram vários conflitos entre a população de baixa renda e os aguaderos, pois estes tentavam ocupar, sob multa, todos os canos e ganhar mais dinheiro. Como os “Viajes de Água” eram subterrâneos, atualmente podemos  observar sua existência através de indícios que provam sua presença, como esta rara tampa que ainda podemos ver numa das ruas da cidade (vemos escrito na parte inferior, Viaje Antiguo de Água e, na parte posterior, Ayuntamiento de Madrid, ou seja, a Prefeitura da cidade).

20150720_180345No próximo post, publicarei a segunda parte dos “Viajes de Água“…nao percam !!!!

Parque Regional del Sureste

A última reserva natural criada para proteger as águas do Rio Manzanares, o Parque Regional del Sureste (Sudeste, em português) foi inaugurado em 1994.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado na zona sudeste da Comunidade de Madrid, o que explica seu nome, esta reserva possui mais de 31 mil hectares, protegendo o curso médio e baixo nao só do Manzanares, como também do Rio Jarama, curso fluvial onde desemboca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO meio natural onde se localiza está altamente humanizado, pois seu entorno está cercado por 16 municípios que compõem a zona metropolitana de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo ponto de vista geográfico, predominam os cerros e as planícies onde se cultivam cereais e olivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque possui vários assentamentos arqueológicos e paleontológicos, demostrando que a zona onde se localiza foi ocupada a milhares de anos atrás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANumerosas espécies de animais habitam o parque, com destaque para os mamíferos como o gato montês, o javali, a lebre e a raposa. Cerca de 120 espécies de aves podem ser vistas, que encontram alimento na vegetação ribeirinha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque Regional del Sureste possui uma enorme importância ambiental, devido à interação entre os ecossistemas e as atividades humanas realizadas ao longo do tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste parque é um dos mais desconhecidos da Comunidade de Madrid. Tive a oportunidade de visitá-lo como parte do curso de história sobre Madrid que realizei, junto com o grupo de alunos. Então, a rica vegetação do parque desbordava em todo seu esplendor, como podemos ver nas imagens.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra de suas atrações constituem as várias zonas úmidas existentes, como a Lagoa del Campillo, criada artificialmente para a extração de areia, matéria prima utilizada na construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste parque natural é perfeito para as caminhadas e o passeio em bicicleta, existindo várias trilhas que podem ser percorridas.

Parque Lineal del Manzanares

Atualmente o Rio Manzanares, em seu trajeto pela cidade de Madrid, acolhe diferentes ecossistemas de grande valor ambiental, que foram protegidos em duas reservas naturais. Quando seu curso se dirige para a região sul da capital, encontra-se dentro dos limites do Parque Lineal del Manzanares, uma belíssima área natural que vale a pena conhecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste recente parque constitui uma das paisagens naturais mais valiosas de Madrid, e transformou-se no refúgio de várias espécies animais, principalmente aves e pequenos mamíferos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua topografia predominantemente plana é perfeita para uma caminhada descontraída, e algumas trilhas foram realizadas para a contemplação das espécies vegetais que nele encontramos. As vistas da cidade resultam espetaculares, um verdadeiro mirante natural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA criação deste parque possibilitou a conservação do Rio Manzanares em seu curso baixo. Antes de sua transformação em reserva natural, nesta zona se depositavam todo tipo de escombros e resíduos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas várias passarelas construídas para a ideal observação do rio, foram colocados outro emblema da cidade, o Escudo de Madrid, conhecido como o Urso e o Madroño (para saber mais sobre ele, ver a matéria publicada em 5/11/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto de uma colina artificial, vemos um dos símbolos do parque, a “Dama del Manzanares“, uma curiosa escultura criada pelo artista Manolo Valdés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as várias espécies vegetais existentes no parque, destacam os Álamos, Olmos, Fresnos e Sauces, todas elas típicas dos bosques peninsulares.

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Rio Manzanares – Parte 3

Na segunda metade do século XIX se construiu uma nova ponte sobre o Rio Manzanares. Primeira ponte ferroviária de Madrid, foi construída por engenheiros franceses, motivo pelo qual passou a ser chamada de Ponte dos Franceses. Outra explicação para seu nome é que foi construída para a Companhia Ferroviária do Norte (Cia de Ferrocarriles del Norte), de capital francês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComposta de 5 arcos, foi inaugurada em 1860 e tornou-se famosa durante a Guerra Civil Espanhola, por ter sido frente de batalhas durante o assédio dos nacionalistas a Madrid. A guerra produziu a destruição de todos os bairros situados junto ao rio, e muitos dos monumentos tiveram que ser reconstruídos, como a histórica Ponte de Segóvia. Abaixo, vemos uma foto antiga realizada durante as obras de construção da Ponte dos Franceses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1909 se inaugurou outra das pontes que cruzam o Rio Manzanares, a Ponte da Reina Victoria. Seu nome é uma homenagem a Victoria Eugenia, esposa do rei Alfonso XIII, e foi projetada por Eugenio Rivera com alguns toques modernistas. A seguir vemos duas imagens da estrutura, uma antiga e outra atual…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo dos séculos, muitas foram as festas que se realizavam, e continuam sendo organizadas, junto ao rio, como a Romaria que se celebra anualmente em homenagem ao santo padroeiro de Madrid, San Isidro Labrador, como vemos na foto abaixo, tirada em 1936.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o Rio Manzanares foi canalizado em duas ocasiões. A primeira, realizada em 1914, supôs a limpeza das margens do rio. Podemos ver atualmente vários dos canais que foram edificados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o rio antes de ser canalizado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pouca profundidade o Rio Manzanares fez com que fosse utilizado para banhos públicos, principalmente a partir do século XIX, com a introdução das teorias higiênicas. Com sua canalização, começaram a aparecer piscinas que tiveram um grande êxito de público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, surgiu a denominada Playa de Madrid, um complexo que estava formado por uma represa e um conjunto desportivo que tornou-se um verdadeiro fenômeno popular. Enquanto a população de baixa renda optava pela praia, a elite frequentava as piscinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA contaminação industrial prejudicou os banhos, tornando-o impossível. Nas décadas finais do século XX, o anel viário que circunda a cidade passou a fazer parte das margens do rio. A construção da denominada M-30, uma grande via de circulação de carros, provocou o isolamento do rio em relação ao resto da cidade, condenado o pobre rio à sua marginalização. Felizmente, em 2003 as autoridades municipais, conscientes do grave erro que haviam cometido, aprovaram uma lei para o soterramento da vía. Todo o espaço liberado foi convertido numa grande zona de ócio, o Parque Madrid-Rio. Esta intervenção constituiu uma das principais reformas urbanas da história recente de Madrid, transformando radicalmente as margens do rio, atualmente frequentada em peso pelos habitantes da cidade. Uma das principais obras realizadas, a Ponte de Arganzuela dotou suas margens de uma atmosfera moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetada pelo arquiteto francês Dominique Perrault, possui 278m de comprimento, sendo exclusiva para pedestres e bicicletas. Inaugurada em 2011, sua estrutura está formada por uma espiral metálica de grande beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção deste parque fez com que praticamente todo o trajeto do rio por Madrid estivesse protegida, criando um corredor ecológico com as demais reservas criadas antes que o Manzanares desemboque no Rio Jarama. No próximo post veremos um destes novos parques…até lá !!!!