Apóstolo Santiago – Parte 2

O Apóstolo Santiago, um dos 12 apóstolos de Jesus e Padroeiro da Espanha, foi chamado de Santiago Maior para diferenciá-lo de outro discípulo de mesmo nome, que passou a ser conhecido como Santiago Menor, por ser mais jovem. A origem do nome Tiago deriva indiretamente do latim Iacobus, por sua vez uma latinização do nome hebraico Yaakov, em português Jacó. Com o decorrer do tempo, o nome evoluiu em diversas denominações segundo os distintos idiomas:  Jakob em alemão, James em inglês, Giacomo em italiano e Jacques em francês. Na Catalunha é conhecido como Jaume ou Jaime.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XI, os peregrinos que realizavam o Caminho de Santiago, com destino final em Santiago de Compostela, se converteram num fenômeno de massa a nível europeu. Esta famosa rota de peregrinaçao foi impulsionada por monarcas, como o Rei Alfonso VI, e também pela importante Ordem Beneditina de Cluny (França), que introduziu na Península Ibérica a liturgia romana e fixou o traçado do Caminho de Santiago, que atravessa o norte da Espanha. Este fato foi fundamental para transformar a imagem do apóstolo em Santiago Peregrino, uma de suas principais manifestações no campo iconográfico e artístico. A influência do Caminho de Santiago na configuração das lendas associadas ao apóstolo é enorme. Um de seus principais atributos, que permitem identificá-lo, é a espada com a qual foi martirizado (decapitado) e o livro, símbolo da doutrina evangélica. Como Santiago Peregrino, normalmente aparece com um chapéu de aba larga, bastão de caminhante, e a Concha de Vieira, outro de seus símbolos principais. Acima e abaixo, vemos representaçoes de Santiago como Peregrino, em esculturas pertencentes ao Museu do Caminho de Astorga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté princípios do século XVI, o Apóstolo Santiago é representado com seus atributos de Peregrino, mas conservando suas características de apóstolo, como o livro, a vestimenta e os pés descalços. Outra faceta fundamental do apóstolo é como defensor da fé católica dentro do processo de Reconquista da Espanha, um santo guerreiro. Segundo a tradição, durante as batalhas entre os muçulmanos e os cristãos ao longo dos séculos em território espanhol, milagrosamente aparecia o Apóstolo Santiago num cavalo branco, com a espada na mão, auxiliando o exército cristão a derrotar o inimigo. Os mouros aparecem aplastados sob as patas do cavalo do apóstolo. Um exemplo é a Batalha de Clavijo, ocorrida na atual região da Rioja, no ano de 844. Abaixo, vemos um quadro que retrata a Batalha de Clavijo, situado na Igreja de Santiago de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta forma, nasce a representação de Santiago Matamoros, uma das mais habituais relativas ao santo, sendo que é assim representado por primeira vez no ano 1230. Sempre segundo a tradição das lendas a ele associadas, o Apóstolo Santiago também interviu em outra batalha fundamental, a das Navas de Tolosa, ocorrida no século XIII. Abaixo, vemos uma escultura de Santiago Matamoros do século XVIII, presente na Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mesma cena aparece na fachada da Igreja de Santiago em Logroño, capital da Rioja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra cena constante é o transporte de seu sepulcro, puxado por bois. Na Capela de Santiago da Catedral de Segóvia, vemos um retábulo com esta representação. Na parte central vemos Santiago Peregrino e, na parte superior, Santiago Matamoros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o século IX, os reis cristãos reconheceram o Apóstolo Santiago como Padroeiro da Espanha, e estabeleceram o Voto de Santiago, que consistia numa oferenda obrigatória que as terras reconquistadas deveriam realizar anualmente como bens à Catedral de Santiago de Compostela, graças ao auxílio recebido pelo apóstolo na reconquista. Sua figura teve também um papel inspirador na Conquista da América, onde foi declarado padroeiro de várias cidades latino americanas, como Santiago do Chile, Santiago de Cuba e Caracas, entre muitas outras. Abaixo, vemos a Igreja de Santiago de Medina de Rioseco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1630, durante o reinado de Felipe IV, o Papa Urbano VII declarou o Apóstolo Santiago como o único Padroeiro da Espanha. Abaixo, vemos a estátua equestre do monarca, situada na Plaza del Oriente de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos símbolos mais famosos associados ao Caminho de Santiago e ao apóstolo é a Concha de Vieira, um molusco abundante na Galícia. Sua origem é duvidosa, mas uma lenda conta que o apóstolo salvou um cavalheiro que caiu no mar, sendo coberto por conchas. O que se sabe com certeza é que os peregrinos que chegavam à Santiago de Compostela recebiam, como prova da realização do caminho, um diploma feito de pergaminho que comprovava a façanha, e colocavam no seu sombreiro uma Concha de Vieira. Portar a concha passou a ser considerado um tributo ao apóstolo. Na capital galega e por todo o Caminho de Santiago, é habitual ver a concha,  que vemos representada na arquitetura, junto a Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Concha de Vieira marca também a rota do caminho, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XII, com o intuito de proteger os peregrinos e também para colaborar no processo de Reconquista, foi criada a Ordem Militar de Santiago. Seu símbolo é uma cruz vermelha simulando uma espada, uma referência ao seu caráter guerreiro e ao seu martírio. Às vezes, o Apóstolo é representado como um cavalheiro, com a espada e um estandarte branco, com a Cruz da Ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz de Santiago aparece, de forma curiosa, numa das sobremesas tradicionais da Galícia, que podemos provar por todo o país, a Torta de Santiago. Sua origem é remota, provavelmente do século XVI. Feita de amêndoas e ovos, em 1924 uma confeitaria de Santiago de Compostela decidiu enfeitar o dôce com a Cruz de Santiago

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria sobre o Apóstolo Santiago com outra igreja dedicada ao santo, em Ávila..

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Santiago de Compostela

Minha viagem com o Marcelo e a Cristina pela Galícia finalizou de forma maravilhosa em Santiago de Compostela, cidade monumental cujos adjetivos escasseiam para definir sua beleza e importância histórica. Capital da Comunidade da Galícia, sede do governo e do parlamento galhego, meta última dos milhares de peregrinos que realizam o Caminho de Santiago, pois acolhe o sepulcro do Apóstolo Santiago, padroeiro da Espanha, e Patrimônio da Humanidade desde 1985, Santiago de Compostela é uma destas cidades que merecem ser visitadas ao menos uma vez na vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas origens estão intimamente relacionadas ao culto do apóstolo que lhe dá nome, pois até o descobrimento de seus restos no início do século IX, se pode dizer que a cidade não existia. O crescimento e importância desta cidade se deve à enorme quantidade de peregrinos que desde a Idade Média visitam a tumba do apóstolo, situado em sua impressionante Catedral Românica, que recebiam o apelativo genérico de “francos“, independente de seu local de origem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome “Compostela” deriva da expressao latina “Campus Stellae“, que significa “Campo de Estrela“. Segundo a tradição medieval, no ano de 813 um eremita chamado Pelayo, alertado pelas estrelas que iluminavam o céu noturno num bosque denominado Libredón, encontrou os restos do Apóstolo Santiago e avisou ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia sobre as relíquias do santo. A descoberta propiciou que o Rei Alfonso II de Asturias (760/842) realizasse a primeira peregrinação a este novo local sagrado para o Cristianismo, pois as outras rotas de peregrinação, como Roma, encontravam-se, naquele momento, num período de decadente, e Jerusalém estava sob o poder dos árabes. Abaixo, vemos a imagem do apóstolo que preside a incrível fachada barroca da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco a pouco a cidade começou a desenvolver-se devido a este protagonismo religioso, mas foi destruída pelo General Almanzor em 997, numa batalha situada dentro do processo de reconquista cristã das terras ocupadas pelos mouros. Almanzor, respeitou, no entanto, a tumba do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra explicação para o nome da cidade vem da expressao “Composita Tella“, que significa “Tierras Hermosas“. A cidade foi reconstruída e fortificada a partir do século XI, momento em que se construiu uma nova muralha, além de transformar-se numa sede apostólica pelo Bispo Cresconio. Em 1075, o Bispo Diego Pelaéz ordenou a construção da Catedral Românica, que atualmente contemplamos apesar das reformas realizadas, principalmente em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ponto de vista político, destaca-se a coroação do Rei Alfonso VI (1040/1109) na catedral compostelana. Este monarca foi Rei de León, Castilla e da Galícia. Em 1181, o Papa Alexandro III concedeu o privilégio do Ano Santo Jacobeu. Nesta época foi redatado o famoso Códice Calixtino, um conjunto de textos que tornou-se uma fonte primordial para os peregrinos que realizavam o caminho, e que atualmente encontra-se protegido dentro da catedral, depois que foi roubado há poucos anos atrás e posteriormente reencontrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra data fundamental para a cidade foi 1643, quando o Rei Felipe IV estabeleceu o Apóstolo Santiago como o Padroeiro da Espanha. A prosperidade alcançada fez com que se tornasse um grande centro artístico a partir da época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos a Plaza del Obradoiro, a principal da cidade, onde situa-se a fachada principal da Catedral, a Prefeitura, um maravilhoso Parador de Turismo e um dos edifícios de sua famosa Universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, Santiago de Compostela é uma cidade de serviços em virtude do intenso turismo religioso e cultural que possui. Sua economia destaca-se também pela indústria de telecomunicações e do setor madeireiro, além de centro universitário e sede administrativa do Governo Autônomo da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive o privilégio de ficar 4 dias na cidade, e conhecer boa parte de seus monumentos, igrejas, praças, ruas e pontos de interesse turístico. A partir de hoje, inicio uma extensa série de matérias, onde os leitores (as) do blog poderão conhecê-la com mais profundidade.

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Um Passeio por Córdoba

Para se conhecer o Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o ideal é caminhar por suas ruas sem pressa, pois sempre existem lugares de interesse para os visitantes curiosos por sua milenar história. Ao redor da Mesquita-Catedral, por exemplo, existem várias construções que se destacam, como o antigo Hospital de San Sebastián, construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” entre 1512 e 1516.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição foi criada pela Confraria de San Sebastián, cuja origem se deve a grande quantidade de crianças abandonadas que haviam na época. Atualmente o edifício é a sede do Palácio de Congresso e Exposições, e conserva a bela fachada de sua igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Real Alcázar situa-se uma grande edifício, as Reales Caballerizas de Córdoba, fundada pelo Rei Felipe II com a finalidade de criar cavalos de pura raça espanhola para os serviços da Casa Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757 sofreu um incêndio, sendo reconstruído durante o reinado de Carlos III. Em 1822, os cavalos utilizados pela corte foram retirados, e o edifício passou a ser usado pelo Corpo de Cavalaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2002 foi adquirido pela Prefeitura de Córdoba como um espaço cultural. Atualmente se realizam espetáculos equestres no local, além de visitas guiadas pelo interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto das Reales Caballerizas tirada desde o Real Alcázar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar emblemático do centro histórico é a Plaza de la Corredera, um verdadeiro ponto de encontro dos habitantes da cidade, declarada Bem de Interesse Cultural em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a única praça de formato quadrangular de toda a Comunidade de Andaluzia, ao modo das praças castelhanas, possui 113m de comprimento por 55m de largura. Seu espaço foi sempre utilizado para a representação de espetáculos públicos, como as Corridas de Touros. Em uma delas, a arquibancada de madeira caiu, para o desespero das pessoas que se encontravam no local. Se projetou então uma nova praça, antes irregular, num espaço uniforme, alinhando as fachadas dos edifícios de três níveis de altura e melhorando a segurança dos espetáculos públicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da nova praça realizaram-se no final do século XVII e foram pagas pelos próprios habitantes da cidade. O projeto se deve ao arquiteto Antonio Ramós Valdés. Grandes personagens da época presenciaram as Corridas de Touros, como o Rei Felipe IV e inclusive Cosme de Médici. A Plaza de la Corredera conserva edifícios cuja construção é anterior a própria praça, como a antiga Casa Consistorial, erguida no final do século XVI pelo arquiteto Hernán Ruiz II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de representar o centro político da cidade, nela se situava também a prisão, que permaneceu no local até 1821, quando foi levada ao Real Alcázar de Córdoba. Em 1846, o edifício foi adquirido por um empresário cordobês, José Sánchez Peña, que instalou uma fábrica de sombreros, colocando as residências dos trabalhadores em sua parte superior. Depois, passou a abrigar o Mercado da cidade. Outro espetáculo famoso realizado na praça, antes da reforma, ocorreu em 1571, durante as festividades celebradas pela vitória na Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, quando se organizou uma verdadeira batalha naval na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisição também escolheu a praça para a realização de vários autos de fé, quando foram julgados os condenados por cometer delitos contra os dogmas da igreja. Escavações realizadas na praça durante as reformas descobriram mosaicos romanos em seu subsolo, atualmente expostos no Real Alcázar, cujas imagens já publiquei na matéria sobre a Córdoba Romana. Durante a Guerra da Independência no início do século XIX, os franceses colocaram patíbulos na praça para execução pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX,  a praça foi pintada nas cores vermelha, verde e ocre, retornando ao aspecto que tinha no final do século XVII. Se dizia que nesta época a tonalidade vermelha se conseguia com o próprio sangue dos touros sacrificados na praça. É mole?

Medina de Rioseco – Prov. Valladolid

A Comunidade de Castilla y León é um verdadeiro museu a céu aberto, com uma quantidade enorme de lugares históricos de grande interesse para o visitante. Recentemente, estive três dias viajando pela Província de Valladolid com o objetivo de conhecer algumas das cidades da região. Minha primeira parada foi a cidade de Medina de Rioseco, que conta com apenas 5 mil habitantes, mas que possui um patrimônio histórico extremamente rico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMedina de Rioseco é conhecida como a Cidade dos Almirantes desde o século XV, quando Don Alfonso Enríquez recebeu do Rei Enrique III o título de Almirante de Castilla em 1405. Em 1423, outro monarca, Juan II, lhe concedeu o senhorio desta vila. Sua importância aumenta quando os reis castelhanos concedem à cidade um mercado semanal e uma feira anual. O auge econômico de Medina de Rioseco ocorre no século XVI, quando são construídos os templos mais importantes. O município se converte no centro mundial de distribuição de prata que chegava do continente americano através do porto de Sevilha. Uma placa colocada numa das ruas da cidade homenageia os habitantes da cidade que participaram da conquista do novo continente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMedina de Rioseco faz parte do Caminho de Santiago que começa em Madrid e termina em Sahagún, no norte da Espanha, quando se une com o tradicional Caminho Francês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1632, o Rei Felipe IV concede o título de cidade a Medina de Rioseco e, em 1725, Felipe V suprime o título de Almirante que ostentavam os senhores da vila. A cidade teve uma participação fundamental na Guerra da Independência contra os franceses em 1808, momento em que foi travada nos campos de Medina de Rioseco a Batalha de Moclín, uma das mais importantes da guerra. A terrível derrota do exército espanhol, que contabilizou mais de mil mortos nesta batalha, propiciou o avance das tropas de Napoleão a Madrid. Antes, porém, o exército francês saqueou e incendiou a cidade. O próprio imperador francês ordenou que o nome desta batalha fosse gravada no Arco do Triunfo de Paris. Segundo o próprio Napoleão, a vitória nos campos de Medina de Rioseco possibilitou a chegada ao trono espanhol de seu irmão, José Bonaparte. Em 1908, em homenagem ao centenário da batalha, foi esculpido um monumento, que podemos apreciar atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMedina de Rioseco possui um dos maiores legados culturais da Província de Valladolid, motivo pelo qual recebeu o título de Conjunto Histórico-Artístico. A tranquila cidade se transforma durante a Semana Santa, a principal festividade de seu calendário, com belíssimas procissões realizadas pelas 16 cofradías existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA paixão de seus habitantes pela Semana Santa é herdeira de tradições antigas que se remontam ao século XVI, quando foi criada a primeira cofradía da cidade, a de Vera Cruz. Devido à sua antiguidade e importância, a Semana Santa de Medina de Rioseco foi declarada Festa de Interesse Turístico Internacional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgreja de Santa Cruz é a sede do Museu da Semana Santa, que vale a pena ser visitado pelas impresionantes imagens que contém e que participam das procissões. A igreja foi construída em 1549 sobre um anterior templo gótico, e foi afetada pelo Terremoto de Lisboa de 1755.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada da igreja foi inspirada na Igreja dos Jesuítas de Getsu, em Roma. Sua decoração representa a exaltação de Santa Cruz e seus milagres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade possui também lugares de grande beleza natural, como o Canal de Castilla, que veremos num post especial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFiz minha viagem de Madrid a Medina de Rioseco em ônibus, num trajeto de um pouco mais de 3 horas. Até 1969, a cidade esteve comunicada por uma ferrovia de via estreita que realizava o percurso de Valladolid a Medina, inaugurada em 1884. O serviço foi suprimido e atualmente somente podemos ver uma locomotiva que realizou o trajeto entre 1911 e 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA antiga estação ferroviária foi transformada num Mercado, cuja estrutura principal vemos abaixo…

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Ponte de Toledo – Madrid

De todas as pontes que cruzam o Rio Manzanares, e que atualmente se encontram dentro dos limites do Parque Madrid Rio, a Ponte de Toledo é a mais bela, sem dúvida nenhuma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo dos séculos, várias pontes receberam esta denominação, mas foram destruídas pelas enchentes do rio. Em 1718, durante o reinado de Felipe IV, o Marquês de Vadillo, corregidor da vila, encarregou ao grande arquiteto barroco Pedro de Ribera a construção de uma nova ponte, finalizada em 1732, que felizmente se conserva atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formada por 9 arcos e  foi construída de forma sólida e bem estruturada, para resistir à força das águas. O objetivo primordial de sua construção foi enlaçar a vila de Madrid com o antigo caminho à Toledo e Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra função da Ponte de Toledo era que houvesse uma entrada digna à capital do reino desde o município de Carabanchel, hoje em dia integrado à cidade como um de seus distritos, uma zona em que foram edificados vários palácios aristocráticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi finalizada, a Ponte de Toledo sofreu várias críticas dos intelectuais e escritores da época, que comentavam que se tratava de “muita ponte para pouco rio…”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte foi decorada com duas estruturas que acolhem as imagens do santo padroeiro de Madrid, San Isidro, e de sua esposa, Santa María de la Cabeza, que vemos acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Isidro aparece realizando seu milagre mais conhecido, o chamado “Milagre do Poço“. Conta a tradição que seu filho caiu num poço profundo e o santo, através de suas orações e fé, conseguiu fazer com que a água do poço subisse, podendo desta forma resgatá-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente foi colocada a imagem de Santa María de la Cabeza

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte de Toledo une duas rotatórias (em espanhol chamadas de Glorietas), a Glorieta de Pirâmides com a Glorieta do Marquês de Vadillo. Na Glorieta de Pirâmides vemos dois obeliscos, construídos em 1831.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas belas fontes construídas por Pedro de Ribera embelezam este lado da ponte….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, na Glorieta do Marquês de Vadillo, vemos duas torres também decoradas, uma espécie de porta de entrada a ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o detalhe decorativo da parte superior das torres….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, a Ponte de Toledo serviu de estacionamento para os jogos disputados no Estádio Vicente Calderón, que abaixo vemos ao fundo de um dos arcos que constituem a ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1956 foi declarada Monumento Histórico-Artístico e em 1966 passou a ser utilizada somente para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo a série sobre o Parque Madrid Rio…até o próximo post !!!!

Igreja de las Góngoras – Madrid

Madrid é considerada uma das capitais mundiais da Arte Barroca, graças a grande quantidade de igrejas existentes na capital construídas neste estilo. Um exemplo é a Igreja de las Góngoras, apelido popular com a qual se conhece a Iglesia de las Mercedarias Descalzas de la Purísima Concepción (original em espanhol), uma das mais belas e também desconhecidas da cidade.

20171203_125343Este templo está localizado no Centro Histórico de Madrid, em pleno Bairro de Chueca. Integra o convento fundado por D.Juan Jiménez de Góngora (Ministro do Conselho de Castilla e representante do Rei Felipe IV) em 1663. O Rei Felipe IV, depois de uma fase dissoluta de sua vida (o monarca ficou conhecido por sua intensa vida amorosa, dentro e fora do matrimônio…), passou a “cultivar” o espírito, patrocinando a construção de várias igrejas em Madrid, como esta. Curiosamente, a igreja está situada na Calle Luís de Góngora (1561/1627), em homenagem ao grande poeta do século XVII, fato que originou a denominação popular da igreja e uma certa confusão.

20171203_125605A igreja foi entregue a Ordem de la Merced, instituição religiosa fundada no século XIII por San Pedro Nolasco e San Raimundo Peñafort com o objetivo principal de resgatar os reféns cristãos em poder dos muçulmanos. Abaixo, vemos o escudo da ordem colocado no muro exterior da igreja e uma imagem da rua onde se situa o templo…

20171203_12530420171203_125435A igreja foi projetada pelo arquiteto Fray Manuel de San Juan Bautista y Villarreal e finalizada por Manuel de Olmo. Este último arquiteto foi o responsável pela construção da cúpula e de boa parte do interior. Nada no exterior da igreja, simples e austero, nos faz pensar que no interior da igreja encontremos uma das amostras mais significativas do Barroco Madrilenho.

20171203_124042Na foto acima, vemos uma parte da cúpula da igreja, um exemplo deste tipo de estrutura arquitetônica denominada Cúpula Encamonada, isto é, construída por uma armaçao de madeira e revestida com gesso. Esta forma de construir tinha como finalidade baratear os custos construtivos, numa época de grande crise econômica como no século XVII. A seguir, vemos uma foto tirada debaixo da cúpula.

20171203_124649A decoração interior é belíssima, com destaque para o Retábulo Maior, realizado por Diego Martínez de Arce em 1762 e presidido pela imagem central da Imaculada Conceição, feita pelo grande escultor Juan Pascual de Mena. Na parte superior, vemos a Deus Pai rodeado de anjos e, nas laterais, duas esculturas de religiosas mercedárias, Santa María de Cervelló e da Beata Mariana de Jesús, também de Pascual de Mena. Quatro colunas jônicas rematadas com capitéis dourados, feitos de madeira policromada imitando o mármore, completam o conjunto.

20171203_124620Juan Pascual de Mena (1717/1784) foi diretor da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, e responsável pelo projeto de uma das fontes mais conhecidas de Madrid, a Fonte de Netuno. A nave transversal foi decorada com dois grandes tapetes, algo que eu nunca tinha visto na decoração de uma igreja.

20171203_12474320171203_124632A Igreja de las Góngoras chegou aos dias atuais em perfeito estado de conservação, com inúmeras obras de arte que podem ser admiradas. Abaixo, vemos o retábulo de N.Sra de la Soledad de la Victoria (século XVIII), com um quadro representativo da virgem do século XVII.

20171203_124550Outro grande escultor barroco espanhol, Luis Salvador Carmona (1708/1767), deixou sua maestria nesta imagem de São José.

20171203_124116Uma das conhecidas Virgens Negras da Espanha, Nossa Senhora de Montserrat, foi representada neste quadro do século XVII…

20171203_124603Belíssimas esculturas de Cristo integram a ornamentação da igreja, como esta do denominado Cristo da Boa Morte, do século XVII.

20171203_124307Abaixo, vemos outra foto do interior da igreja, onde observamos espaços dedicados à clausura das freiras.

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Ayuntamiento de Madrid

Finalizando esta série sobre os Ayuntamientos de España, no post de hoje vocês conhecerão o edifício histórico da Prefeitura de Madrid. Está situado na Plaza de la Villa, um dos locais mais bonitos do centro histórico da capital, junto à Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de la Villa ostenta esta denominaçao desde o século XV, quando Madrid recebeu o título de “Noble y Leal Villa“, outorgado pelo Rei Enrique IV. Antes, o local se chamava Plaza de San Salvador, em virtude da igreja homônima que se localizava em frente à praça. No átrio desta igreja se realizava o Conselho de Madrid desde o século XIV, função que exerceu até o final do século XVI, sendo que no século XIX foi derrubada. Atualmente, o espaço da igreja está ocupada por edifícios de finais do século XIX, e uma placa recorda a existência do templo religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo sendo Capital da Espanha desde 1561, Madrid demorou em ter um edifício próprio como sede do Ayuntamiento. A construção da denominada Casa de la Villa iniciou-se em 1645, segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora, um dos principais arquitetos da época, durante o reinado de Felipe IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo construtivo durou 48 anos, e o Edifício do Ayuntamiento foi inaugurado em 1693. Depois da morte de Juan Gómez de Mora, outros arquitetos de importância retomaram o curso das obras, como José de Villareal, Sebastián Hurtado, José de Olmo e Teodoro Ardemans, que realizou os últimos detalhes do edifício e sua decoração exterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi edificada sobre as residências que pertenceram a D.Juan de Acuña, que recebeu o título de Marqués del Valle. O edifício se caracteriza por seu desenvolvimento horizontal, com duas torres cobertas com uma estrutura de pizarra nas esquinas (pedra de ardósia, em português). Os materiais construtivos se restringem à pedra de granito e o tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi alvo de algumas reformas, como a sucedida em 1798, quando o famoso arquiteto Juan de Villanueva construiu um balcão na fachada que dá para a Calle Mayor, para que os monarcas pudessem assistir as procissões de Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua função principal como Casa Consistorial, na Casa de la Villa funcionou também a Prisão da cidade. No começo do século XX, o arquiteto Luis Bellido construiu uma passagem unindo o Ayuntamiento com o antigo Palácio de Cisneros (construído em 1537 por Benito Jiménez de Cisneros, sobrinho do famoso Cardeal Cisneros), que havia sido adquirido pela prefeitura em 1906 para ampliar suas instalações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada principal podemos ver no lado esquerdo o Escudo de Madrid, o “Urso e o Madroño“, e o Escudo Real no centro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto antiga da Plaza de la Villa e o Ayuntamiento de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ uma pena que atualmente a Casa de la Villa não esteja  aberta à visitação pública, pois seu interior está formado por belas dependências e conta com uma rica coleção de obras de arte. No entanto, estas sim podem ser admiradas, pois muitas delas se encontram expostas no Museu de História de Madrid, situado na Calle de Fuencarral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi a sede do Ayuntamiento de Madrid desde o final do século XVIII até 2007, quando foi transferido para outro belo edifício, o Palácio das Comunicações, situado na conhecida Plaza de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntiga sede dos Correios e Telégrafos da Espanha, o Palácio das Comunicações foi construído no início do século XX pelos arquitetos Antonio Palacios e Joaquín Otamendi. Atualmente, funciona como um centro cultural, e em sua parte traseira se instalou o Ayuntamiento de Madrid. Abaixo, vemos o edifício iluminado e a parte traseira com sua imponente cúpula de cristal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Casa de la Villa é utilizada apenas como local de eventos oficiais e recepções.