Belos Ayuntamientos de España

Prosseguindo com a série sobre os edifícios sedes das Prefeituras de España, neste post e no próximo publicarei uma lista com alguns dos mais Belos Ayuntamientos do país. Evidentemente, trata-se de uma seleção totalmente subjetiva, levando em consideração apenas aqueles edifícios que tive a oportunidade de conhecer em minhas viagens pelo país. Alguns dos Ayuntamientos mais bonitos foram erguidos no século XVI, durante o Renascimento, período de grande florescimento na Arquitetura Civil Espanhola. Um exemplo é o Ayuntamiento de Úbeda, cujo edifício da Prefeitura está situado numa das praças mais impressionantes da Espanha. A cidade, junto com sua “irmã” Baeza, foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela excelência de seu conjunto renascentista preservado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto que levei em conta nesta lista, além da beleza do edifício, é sua própria localização, como ocorre com o Ayuntamiento de Morón de Almazán, um povoado da Província de Sória (Comunidade de Castilla y León) que possui um dos mais interessantes conjuntos renascentistas em terras castelhanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm edifício que não poderá faltar em nenhuma lista dos mais Belos Ayuntamientos de España é o de Tarazona, situado na Província de Zaragoza (Comunidade de Aragón). Sua fachada com uma grande riqueza de elementos decorativos é excepcional. Concluído em 1557, foi levantado junto à muralha da cidade e está composto por escudos, figuras mitológicas, alegorias, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo período barroco, se conservam belos exemplos, como o Ayuntamiento de Salamanca (Castilla y León), situado numa das Plazas Mayores mais fascinantes do país, concluído em 1755.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ayuntamiento de Pamplona (Comunidade de Navarra) também pertence ao século XVIII, sendo inaugurado em 1759. De seu balcão principal se inaugura uma das festas de maior renome do país, dedicado ao padroeiro da cidade, San Fermín, conhecida internacionalmente pelo Encierro de San Fermín, em que os touros correm num trajeto de quase 1 km pelo centro da cidade, junto com um grande número de valentes (e muitas vezes inconsequentes) participantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1791 é o Ayuntamiento de Ocaña (Castilla La Mancha), situado numa belíssima Plaza Mayor, que se caracteriza pela harmonia e homogeneidade arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com o Ayuntamiento de Alicante (Comunidade Valenciana), um exemplo do Barroco Levantino. Erguido no século XVII, foi reconstruído no século XVIII. Sua planta nobre está formada por 5 balcões, destacando em sua fachada as duas torres situadas nas esquinas.

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Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Palácio do Marquês de Dos Águas

Além dos templos religiosos, a Arte Barroca também foi utilizada na construção dos palácios nobres de Valencia. Um dos mais impressionantes é, sem dúvida nenhuma, o famoso palácio que pertenceu ao Marquês de Dos Águas, situado no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo edifício se destaca pela exuberância decorativa de sua fachada rococó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído no século XV, mas em 1740 foi reformado pelo antigo proprietário do palácio, Rabassa de Perellós, que recebeu o título de Marquês de Dos Águas. A fachada impactante foi realizada pelo pintor Hipólito Rovira e pelo escultor Ignacio Vergara. Abaixo, vemos alguns detalhes de sua decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças aos vestígios arqueológicos encontrados no pátio do palácio em 1743, se descobriu que no mesmo local, durante a época romana, existiu uma necrópole datada entre os séculos I e III dc. Na porta principal de acesso ao palácio, vemos a imagem da Virgem do Rosário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmbaixo da imagem, dois Atlantes vertem a água em duas vasilhas, uma referência aos dois rios mais caudalosos da Comunidade Valenciana, o Júcar e o Turia, alusão ao título nobiliário do proprietário (Marquês de Duas Águas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1941, este palácio foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Abaixo, vemos o pátio interior do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dependências que compõem o palácio impressionam por sua grande beleza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Dos Águas é, atualmente, a sede do Museu de Cerâmica González Martí, que vocês poderão conhecer no próximo post. Finalizo a matéria com algumas fotos das salas mais belas do palácio.

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Valencia Barroca

O estilo barroco deixou um importante legado artístico em Valencia, da mesma forma que as correntes precedentes, o gótico e o renascimento. Prova disso constituem os vários templos realizados ou mesmo reformados dentro da estética barroca. Um exemplo é a Igreja de Santo Tomás e San Felipe Neri, situada na Praça de San Vicente Ferrer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi construída entre 1732 e 1736 e formava parte do Convento da Congregação do Oratório de San Felipe Neri. O projeto de sua construção se deve ao arquiteto Tomás Vicente Tosca, que utilizou como material construtivo o tijolo. Se inspirou nos modelos barrocos da cidade de Roma. A Igreja de Santo Tomás, situada nas proximidades, encontrava-se em ruína em 1836, e sua titularidade foi unida à Igreja de San Felipe Neri. Em 1982, foi declarada Monumento Histórico-Artístico. Em frente ao templo, se colocou uma fonte em 1853, época em que os habitantes da cidade ainda tinham que recorrer às fontes para o abastecimento de água. Uma estátua feminina simboliza a Sociedade dos Amigos do País, promotora de sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra igreja construída no período barroco, apesar dos diversos estilos que a compõem, é a Basílica da Virgem dos Desamparados, uma das mais importantes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocaliza-se na Praça da Virgem, a principal praça do Centro Histórico de Valencia, assentada sobre o antigo Foro Romano. Ao seu lado, situa-se a Porta dos Apóstolos da Catedral. A Basílica da Virgem dos Desamparados foi a primeira construção barroca erguida na cidade, entre 1652 e 1657, cujo projeto se deve ao arquiteto Diego Martínez Ponce de Urrana. Foi edificada para acolher a imagem da Virgem dos Desamparados,  Santa Padroeira de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O culto à Virgem dos Desamparados se remonta ao século XV, momento em que se fundou a Confradía de la Madre de Dios de los Inocentes y Desamparados, um patronato ligado a criação do primeiro hospital psiquiátrico que existiu no mundo, inaugurado em 1409, que prestou um grande auxílio aos indigentes, dementes e condenados. A fachada principal do templo responde ao período final da estética renascentista, dentro dos critérios de proporção, equilíbrio e simetria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja obteve o título de Basílica somente em 1948, outorgado pelo Papa Pio XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ no interior do templo onde podemos contemplar o magnífico edifício barroco. Sua planta oval foi a primeira que se construiu na cidade. A grande devoção dos valencianos a Virgem dos Desamparados e suas propriedades curativas influiu na escolha da planta oval do templo, pois na época existia uma relação entre este formato com o simbolismo mariano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExcepcional por sua grandiosidade, a cúpula se destaca tanto em seu aspecto exterior quanto interior, pois foi totalmente decorada com frescos pelo pintor espanhol Antonio Palomino (1655/1726) em 1701.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem que se venera da Virgem é gótica, talhada em madeira no século XV. Abaixo, vemos o belo altar construído entre 1683 e 1694 para acolhê-la.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja é uma das preferidas dos habitantes da cidade para a celebração do casamento. Abaixo, vemos uma vista geral do interior.

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Convento de Santa Teresa: Ávila

Neste último post sobre a cidade de Ávila, veremos o Convento de Santa Teresa, outro lugar fundamental associado à sua vida. Foi levantado sobre a casa natal da santa no primeiro terço do século XVII, alguns anos após sua morte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi construído pelo Carmelita Descalço Fray Alonso de San José entre 1629 e 1636. Ambas datas sao simbólicas. A primeira pedra de sua construção foi colocada em 19/3/1629, dia de San José, e o convento foi consagrado em 15/10/1636, dia de Santa Teresa, que já tinha sido canonizada.

dsc00168Desde sua inauguração, foi severamente criticado, pois sua fachada ostentava uma riqueza decorativa que nao tinha nada que ver com a forma de vida levada pela santa. Na parte inferior da fachada se abriu uma galeria composta por 3 arcos de meio ponto. Logo acima, se colocou uma imagem da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Ávila, o convento é conhecido como a “Igreja da Santa“, constituindo a residência das Carmelitas Descalças na cidade natal de sua fundadora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formado por 3 naves. O altar maior ocupa parte do espaço onde antes se encontrava sua casa. O pai de Santa Teresa, devido a problemas econômicos, decidiu vender a residência familiar. Tempos depois, a Ordem das Carmelitas Descalças adquiriu o imóvel, com a intenção de erguer um convento em homenagem à santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um retábulo com freiras e frades carmelitas na parte inferior, e Santa Teresa escrevendo sua obra literária, em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto ao Presbitério se encontra o local mais importante do conjunto, a Capela do Nascimento, que coincide com o local onde veio ao mundo Santa Teresa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está presidido por um retábulo com uma imagem de Santa Teresa, esculpida pelo maior escultor do Barroco Espanhol, Gregório Fernández, que viveu nos anos imediatos à morte da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem retrata a santa comovida ante o sofrimento de Cristo, reproduzindo a visão que ela teve num dos locutórios do Monastério de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas partes laterais da capela, foram pintados quadros que representam os principais episódios de sua vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém encontramos um espaço onde se reproduz como deveria ter sido o quarto onde nasceu a santa, com uma inscrição em que D.Alonso, seu pai, comenta o nascimento da famosa filha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios de sua casa podem ser vistos na cripta. A partir da década de 80 do século passado, seu enorme espaço foi transformado em outro museu dedicado à vida e obra de Santa Teresa. Lamentavelmente as fotos estão proibidas, e vale muito a pena conhecê-lo. Finalizamos a matéria com uma foto que mostra a entrada ao museu.

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Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Igreja do Corpus Christi – Madrid

Madrid é uma cidade eminentemente barroca, em quanto a maioria de suas igrejas históricas. No princípio do século XVII, era  a capital de um grande império, e as ordens religiosas desejavam ter uma “casa mãe” na cidade. A Contrarreforma, que foi criada para deter o avance protestante na Europa, teve na Espanha e em sua monarquia o aliado principal  e sua grande defensora. Como consequência, Madrid torna-se uma cidade conventual. Tamanha concentração de templos atraiu a um grande contingente de artistas portugueses, italianos, flamencos, além dos próprios espanhóis, evidentemente, para decorar as inúmeras igrejas que se edificavam. A fase inicial do desenvolvimento do estilo barroco em Madrid possui algumas características que podemos identificar, como a simplicidade e austeridade exterior, mas uma rica coleção de imagens sacras no interior, destinadas à veneração dos santos como exemplo de conduta e a propagação da fé católica. Quadros e estátuas recriam a vida dos santos cristãos e os mistérios da fé católica para uma população em grande parte analfabeta, possibilitando a compreensão da doutrina. Um exemplo perfeito deste momento inicial na evolução do barroco na cidade é a Igreja de Corpus Christi, situada perto da Praça Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Apesar de sua localização em pleno Centro Histórico de Madrid, muitos habitantes da cidade nem sequer sabem de sua existência, ao estar numa praça algo escondida dos principais pontos turísticos e das ruas mais importantes. A Igreja do Corpus Christi é uma das mais acolhedoras da fase inicial do barroco madrilenho e, milagrosamente, chegou intacta aos dias atuais, sem qualquer tipo de reforma ou ampliação desde que foi construída em 1607. Na singela porta vemos as esculturas de Santa Paula e São Jerônimo adorando o Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que caracteriza esta fase primeira do barroco é o predomínio da linha reta sobre a curva, um aspecto sobrevivente do estilo anterior, o renascimento, principalmente relacionado com o monumento mais representativo deste estilo na Espanha, o Monastério de El Escorial, e seu principal artífice, o arquiteto Juan de Herrera. Na realidade, a igreja integra um conjunto maior, o Monastério de Jerónimas del Corpus Christi, um convento de clausura que continua funcionando como tal, sendo que suas freiras seguem fabricando seus deliciosos doces, cuja produção não atende a demanda, pois são poucas e de idade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi fundado por Beatriz Ramírez de Mendoza,  descendente de outra Beatriz que tornou-se famosa por ser a educadora dos filhos de Isabel La Católica, Beatriz Galindo, que realizou diversas obras assistenciais na cidade. Entre outras qualidades, possuía um domínio perfeito do latim. Um dos principais bairros de Madrid para comer tapas homenageia esta mulher avançada para a época em que viveu, com o apelido que ficou conhecida, “La Latina“. O projeto construtivo da igreja e do convento se deve ao arquiteto Miguel de Soria, que realizou um templo de uma nave, como vemos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato curioso repercutiu de forma permanente para a igreja e o nome como ela popularmente passou a ser conhecida foi o achado de um quadro da Imaculada Conceição numa carbonería, local onde se produz o carbón, carvão em português. Este quadro foi adquirido por uma frade franciscano, que o levou ao convento mais próximo onde se encontrava, o Convento do Corpus Christi. Uma vez colocado no interior da igreja, adquiriu a fama de milagroso por seus devotos. A partir deste momento, a igreja ficou conhecida como “Las Carboneras“, as freiras que custodiaram a obra. Abaixo, vemos dito quadro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja guarda inúmeras obras de importância artística, como o Retábulo Maior do século XVII, uma magnífica obra de Antón de Morales, síntese magistral de arquitetura, pintura e escultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO destaque do retábulo é um excelente quadro da Última Ceia realizado por Vicente Carducho, raro por seu posicionamento vertical. A ambos lados, ente colunas de Ordem Corintio, vemos as esculturas de São Jerônimo (esquerda) e São João Batista (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACulmina o retábulo um calvário atribuído a Pompeo Leoni, escultor que realizou diversos e impressionantes bustos dos monarcas espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XVII é o retábulo dedicado à Virgem das Tribulações e da Paz Interior, atribuído a Pedro de la Torre. A escultura da virgem foi realizada em 1812 por José de Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, veremos a Igreja das Calatravas, pertencente à segunda fase do Barroco Madrilenho….