Um Passeio por Córdoba – Parte 2

No post de hoje veremos outros lugares de interesse em Córdoba, alguns deles mais afastados do centro histórico da cidade, como o Palácio de la Merced, cuja belíssima fachada me impressionou deveras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta construção pertenceu ao Convento da Ordem Mercedária, fundado no século XIII. No século XVIII (1757) sofreu uma remodelação que o transformou num dos conjuntos arquitetônicos mais importantes da cidade. Com a desamortizaçao de 1834, o convento foi abolido, e depois transformou-se num hospital para idosos. As pinturas que decoram a fachada imitam o mármore, uma das características do barroco em Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA antiga igreja conventual ainda se conserva, e ocupa o centro da fachada principal….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o Palácio de la Merced é a sede da Diputación Provincial de Córdoba. Outro lugar interessante, já em pleno Centro Histórico da cidade, é a Torre de San Juan, o único vestígio conservado de uma mesquita muçulmana. O monarca Fernando III doou a mesquita à Ordem dos Cavaleiros de San Juan de Jerusalém, que transformou a mesquita numa igreja paroquial, função que ocupou até 1880. A partir de então, transformou-se na Igreja Conventual das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada bem próximo ao antigo Fórum Romano, a Plaza de las Tendillas constitui hoje em dia o principal centro comercial da cidade. O centro da praça está presidida pelo monumento em homenagem a Gonzalo Fernández de Córdoba, mais conhecido como “El Gran Capitán“. Este genial militar, considerado um dos mais importantes de toda a história espanhola, prestou seus serviços aos Reis Católicos, participando em batalhas decisivas que proporcionaram a incorporação de novas terras ao Império Espanhol, principalmente na Itália. Sua capacidade como estrategista possibilitou a formação dos futuros “Tercios“, a unidade de elite do exército a serviço dos Reis da Dinastia dos Habsburgos, e se tornaram famosos por sua resistência nos campos de batalha. Combinou à perfeição a artilharia, cavalaria e infantaria, além do apoio naval. O monumento, uma estátua equestre em bronze (com exceção da cabeça, realizada em mármore branco) foi realizado em 1923, e o modelo para a figura do homenageado foi um organista da Igreja de San Nicolás, templo que vimos na matéria sobre as Igrejas Históricas de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos vários dias em que estive em Córdoba, percorri praticamente toda a extensão da cidade, buscando lugares de interesse histórico, além de locais de uma singela beleza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveitei também para saborear a gastronomia espanhola, como no dia em que provei uma deliciosa salada com pimientos (pimentão, em português) de primeiro prato e um suculento bacalhau de segundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos pratos mais tradicionais da cozinha cordobesa é o Salmorejo, um tipo de sopa feita à base de tomate, mas com um aspecto mais denso. Este prato se popularizou fora da Andaluzia, e atualmente pode ser encontrado em todo o país. Abaixo, vemos a receita do Salmorejo, que encontrei em minhas andanças pela cidade…

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Igreja de las Góngoras – Madrid

Madrid é considerada uma das capitais mundiais da Arte Barroca, graças a grande quantidade de igrejas existentes na capital construídas neste estilo. Um exemplo é a Igreja de las Góngoras, apelido popular com a qual se conhece a Iglesia de las Mercedarias Descalzas de la Purísima Concepción (original em espanhol), uma das mais belas e também desconhecidas da cidade.

20171203_125343Este templo está localizado no Centro Histórico de Madrid, em pleno Bairro de Chueca. Integra o convento fundado por D.Juan Jiménez de Góngora (Ministro do Conselho de Castilla e representante do Rei Felipe IV) em 1663. O Rei Felipe IV, depois de uma fase dissoluta de sua vida (o monarca ficou conhecido por sua intensa vida amorosa, dentro e fora do matrimônio…), passou a “cultivar” o espírito, patrocinando a construção de várias igrejas em Madrid, como esta. Curiosamente, a igreja está situada na Calle Luís de Góngora (1561/1627), em homenagem ao grande poeta do século XVII, fato que originou a denominação popular da igreja e uma certa confusão.

20171203_125605A igreja foi entregue a Ordem de la Merced, instituição religiosa fundada no século XIII por San Pedro Nolasco e San Raimundo Peñafort com o objetivo principal de resgatar os reféns cristãos em poder dos muçulmanos. Abaixo, vemos o escudo da ordem colocado no muro exterior da igreja e uma imagem da rua onde se situa o templo…

20171203_12530420171203_125435A igreja foi projetada pelo arquiteto Fray Manuel de San Juan Bautista y Villarreal e finalizada por Manuel de Olmo. Este último arquiteto foi o responsável pela construção da cúpula e de boa parte do interior. Nada no exterior da igreja, simples e austero, nos faz pensar que no interior da igreja encontremos uma das amostras mais significativas do Barroco Madrilenho.

20171203_124042Na foto acima, vemos uma parte da cúpula da igreja, um exemplo deste tipo de estrutura arquitetônica denominada Cúpula Encamonada, isto é, construída por uma armaçao de madeira e revestida com gesso. Esta forma de construir tinha como finalidade baratear os custos construtivos, numa época de grande crise econômica como no século XVII. A seguir, vemos uma foto tirada debaixo da cúpula.

20171203_124649A decoração interior é belíssima, com destaque para o Retábulo Maior, realizado por Diego Martínez de Arce em 1762 e presidido pela imagem central da Imaculada Conceição, feita pelo grande escultor Juan Pascual de Mena. Na parte superior, vemos a Deus Pai rodeado de anjos e, nas laterais, duas esculturas de religiosas mercedárias, Santa María de Cervelló e da Beata Mariana de Jesús, também de Pascual de Mena. Quatro colunas jônicas rematadas com capitéis dourados, feitos de madeira policromada imitando o mármore, completam o conjunto.

20171203_124620Juan Pascual de Mena (1717/1784) foi diretor da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, e responsável pelo projeto de uma das fontes mais conhecidas de Madrid, a Fonte de Netuno. A nave transversal foi decorada com dois grandes tapetes, algo que eu nunca tinha visto na decoração de uma igreja.

20171203_12474320171203_124632A Igreja de las Góngoras chegou aos dias atuais em perfeito estado de conservação, com inúmeras obras de arte que podem ser admiradas. Abaixo, vemos o retábulo de N.Sra de la Soledad de la Victoria (século XVIII), com um quadro representativo da virgem do século XVII.

20171203_124550Outro grande escultor barroco espanhol, Luis Salvador Carmona (1708/1767), deixou sua maestria nesta imagem de São José.

20171203_124116Uma das conhecidas Virgens Negras da Espanha, Nossa Senhora de Montserrat, foi representada neste quadro do século XVII…

20171203_124603Belíssimas esculturas de Cristo integram a ornamentação da igreja, como esta do denominado Cristo da Boa Morte, do século XVII.

20171203_124307Abaixo, vemos outra foto do interior da igreja, onde observamos espaços dedicados à clausura das freiras.

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Um Passeio por Lugo

Durante os séculos XVII, XVIII e XIX, coincidindo com o desenvolvimento das correntes artísticas barroca e neoclássica, Lugo experimentou um grande crescimento. Muitas das construções desta época podem ser vistas num passeio pelo centro histórico da cidade, representativas tanto da arquitetura religiosa, quanto da civil. Os bispos de Lugo foram importantes patrocinadores imobiliários, deixando um legado construtivo fundamental na paisagem urbana de Lugo. Um exemplo é o Palácio Arcebispal, construído no início do século XVIII e situado em frente à catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo da arquitetura civil barroca de Lugo é a Casa Consistorial, localizada na Praça Maior da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada como uma das principais obras do barroco civil em toda a Galícia, a Casa Consistorial de Lugo foi construída em 1738, segundo o projeto de Lucas Ferro Caaveiro. A fachada está simetricamente dividida por uma pilastra central que serve de apoio ao escudo que a preside. Duas pequenas torres foram colocadas nos extremos da fachada. A denominada Torre do Relógio foi incorporada ao edifício em 1871.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757, o Bispo Izquierdo financiou o processo construtivo da antiga prisão de Lugo, finalizada 40 anos depois. Apesar das inúmeras reformas realizadas, ainda podemos ver o edifício com alguns elementos originais, como a torre…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro da arquitetura religiosa, o estilo barroco foi responsável por vários dos templos que integram o patrimônio histórico-artístico de Lugo, como a Igreja de San Froilán, dedicada ao Santo Padroeiro da cidade. Originalmente era uma capela vinculada ao Hospital de San Bartolomé, fundado em 1621. O templo atual foi construído em 1768. Devido a um incêndio sucedido em 1878, o hospital desapareceu e a igreja se converteu na Paróquia de San Froilán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada da igreja vemos em sua parte superior o escudo do bispo construtor e uma escultura de San Rafael no centro, considerado o arcanjo médico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe final do século XVIII é a bela Capela do Carmem, edificada no bairro onde nasceu San Froilán, já dentro do estilo neoclássica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de Lugo, San Froilán (833/905) é também padroeiro da cidade de León, da qual foi bispo. Apesar de que recebeu uma refinada educação, com 18 anos sentiu-se atraído pela vida religiosa. No entanto, a dúvida sobre qual forma de vida levar fez com que  decidisse submeter-se à vontade de Deus. Pegou uma brasa acesa e a colocou na boca. Ao não queimar-se interpretou o fato como um desígnio para seguir o caminho religioso. Passou a predicar e a ter vida uma vida de eremita. Fundou vários monastérios e no ano 900 foi nomeado Bispo de León, ocupando o cargo até sua morte. Já o padroeiro de Espanha, o Apóstolo Santiago, também possui um templo em Lugo a ele dedicado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santiago “A Nova” recebeu esta denominação em 1859, pois antigamente pertencia ao desaparecido Convento Dominicano, que se instalou no local em 1363. Chamava-se Igreja de Santa Maria “A Nova”, para diferenciar-se da titularidade da Catedral, também dedicada à Virgem . A igreja atual é do século XVIII e sua fachada foi remodelada na estética neoclássica em 1914. Apresenta uma grande austeridade, sem qualquer tipo de elemento decorativo. Abaixo, vemos uma foto do interior da igreja e outra com o retábulo de Santiago, representado em uma de suas variantes mais conhecidas, Santiago Matamouros

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Catedral de Lugo: Parte 2

Complementando o post anterior, na matéria de hoje continuarei mostrando um pouco mais sobre a Catedral de Lugo e alguns de seus espaços de maior importância, além de outras obras artísticas de interesse. O Altar Maior, por exemplo, esteve decorado com um belíssimo retábulo renascentista, realizado por Cornelius de Holanda em 1534. Devido ao Terremoto de Lisboa de 1755, sofreu vários danos e acabou sendo dividido em vários fragmentos. Os dois maiores foram colocados na nave transversal, ou transepto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto lateral do altar maior e as pinturas que decoram o teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todas as capelas existentes, destacarei duas. A primeira está dedicada a San Froilán, padroeiro da cidade. Pertence ao século XVII, e nela se encontra um sepulcro (século XII), que supostamente guarda os restos da mae de San Froilán ou do Bispo Odoario.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, a capela do ábside central foi reformada e atualmente é conhecida como Capela da Virgem dos Olhos Grandes, padroeira de Lugo. A reforma foi realizada pelo arquiteto barroco Fernando de Casas Novoa, autor também da fachada do Obradeiro da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra constitui um dos principais exemplos da Arte Barroca em toda a Comunidade da Galícia. O autor da imagem central da Virgem dos Olhos Grandes é desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Lugo é a única da comunidade com o Coro situado na nave central (século XVII). Possui dois órgaos laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos alguns dos vitrais que iluminam o interior, como o dedicado a San Froilán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO dedicado a Santa Ana e São Joaquim

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto geral do interior, destacando o Altar Maior e seu retábulo barroco, concebido para realçar o Santíssimo Sacramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVIII, a antiga fachada românica da catedral se encontrava em péssimo estado e foi totalmente reformada no estilo neoclássico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Catedral de Lugo foi declarada Monumento Histórico-Artístico.

Belos Ayuntamientos de España

Prosseguindo com a série sobre os edifícios sedes das Prefeituras de España, neste post e no próximo publicarei uma lista com alguns dos mais Belos Ayuntamientos do país. Evidentemente, trata-se de uma seleção totalmente subjetiva, levando em consideração apenas aqueles edifícios que tive a oportunidade de conhecer em minhas viagens pelo país. Alguns dos Ayuntamientos mais bonitos foram erguidos no século XVI, durante o Renascimento, período de grande florescimento na Arquitetura Civil Espanhola. Um exemplo é o Ayuntamiento de Úbeda, cujo edifício da Prefeitura está situado numa das praças mais impressionantes da Espanha. A cidade, junto com sua “irmã” Baeza, foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela excelência de seu conjunto renascentista preservado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto que levei em conta nesta lista, além da beleza do edifício, é sua própria localização, como ocorre com o Ayuntamiento de Morón de Almazán, um povoado da Província de Sória (Comunidade de Castilla y León) que possui um dos mais interessantes conjuntos renascentistas em terras castelhanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm edifício que não poderá faltar em nenhuma lista dos mais Belos Ayuntamientos de España é o de Tarazona, situado na Província de Zaragoza (Comunidade de Aragón). Sua fachada com uma grande riqueza de elementos decorativos é excepcional. Concluído em 1557, foi levantado junto à muralha da cidade e está composto por escudos, figuras mitológicas, alegorias, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo período barroco, se conservam belos exemplos, como o Ayuntamiento de Salamanca (Castilla y León), situado numa das Plazas Mayores mais fascinantes do país, concluído em 1755.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ayuntamiento de Pamplona (Comunidade de Navarra) também pertence ao século XVIII, sendo inaugurado em 1759. De seu balcão principal se inaugura uma das festas de maior renome do país, dedicado ao padroeiro da cidade, San Fermín, conhecida internacionalmente pelo Encierro de San Fermín, em que os touros correm num trajeto de quase 1 km pelo centro da cidade, junto com um grande número de valentes (e muitas vezes inconsequentes) participantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1791 é o Ayuntamiento de Ocaña (Castilla La Mancha), situado numa belíssima Plaza Mayor, que se caracteriza pela harmonia e homogeneidade arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com o Ayuntamiento de Alicante (Comunidade Valenciana), um exemplo do Barroco Levantino. Erguido no século XVII, foi reconstruído no século XVIII. Sua planta nobre está formada por 5 balcões, destacando em sua fachada as duas torres situadas nas esquinas.

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Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Palácio do Marquês de Dos Águas

Além dos templos religiosos, a Arte Barroca também foi utilizada na construção dos palácios nobres de Valencia. Um dos mais impressionantes é, sem dúvida nenhuma, o famoso palácio que pertenceu ao Marquês de Dos Águas, situado no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo edifício se destaca pela exuberância decorativa de sua fachada rococó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído no século XV, mas em 1740 foi reformado pelo antigo proprietário do palácio, Rabassa de Perellós, que recebeu o título de Marquês de Dos Águas. A fachada impactante foi realizada pelo pintor Hipólito Rovira e pelo escultor Ignacio Vergara. Abaixo, vemos alguns detalhes de sua decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças aos vestígios arqueológicos encontrados no pátio do palácio em 1743, se descobriu que no mesmo local, durante a época romana, existiu uma necrópole datada entre os séculos I e III dc. Na porta principal de acesso ao palácio, vemos a imagem da Virgem do Rosário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmbaixo da imagem, dois Atlantes vertem a água em duas vasilhas, uma referência aos dois rios mais caudalosos da Comunidade Valenciana, o Júcar e o Turia, alusão ao título nobiliário do proprietário (Marquês de Duas Águas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1941, este palácio foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Abaixo, vemos o pátio interior do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dependências que compõem o palácio impressionam por sua grande beleza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Dos Águas é, atualmente, a sede do Museu de Cerâmica González Martí, que vocês poderão conhecer no próximo post. Finalizo a matéria com algumas fotos das salas mais belas do palácio.

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