Igreja de Santa María del Castillo – Olmedo

Outra construção de destaque, dentro do patrimônio religioso de Olmedo, é a Igreja de Santa María del Castillo, situada no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja original foi levantada no século XII no estilo românico, mas foi praticamente reedificada no século XVI. Desta primitiva construção se conserva uma porta românica, composta por cinco arquivoltas decoradas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIII se abriu uma outra porta, de estilo mudéjar, que foi tapada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntramos ao templo por uma outra porta, gótica do século XVI….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm belo pórtico, realizado durante a reestruturação da igreja no século XVI, destaca-se no exterior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior guarda obras de arte de grande relevância e qualidade artísticas. Está formado por uma grande nave, com o altar maior ao fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO altar maior está presidido pelo retábulo maior atribuído a Gaspar de Tordesillas, realizado no século XVI, onde foram representados episódios da vida da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro retábulo de grande valor encontra-se numa das capelas, e foi dedicado a San Nicolás. Se desconhece o autor deste bonito retábulo barroco, que consta de oito pinturas de estilo renascentista hispano-flamenco, pintadas em 1585.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre as cenas representadas, abaixo vemos na parte superior o Calvário de Cristo e, embaixo, a Visita da Virgem Maria a sua prima Santa Isabel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo está presidido pela imagem de San Nicolás

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAos pés da nave está situado o coro em sua parte superior, com um pequeno mas belo órgão. Tive a sorte, quando visitei a igreja, de poder contemplar o ensaio do coro. Na parte inferior, um impressionante relicário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste monumental relicário é uma das obras de maior importância do templo. De finais do século XVI, está composto pelo busto de 49 santos e mártires, e foi doado pelo monarca Felipe II ao Convento de la Mejorada, de onde foi trazido à igreja. No detalhe dos bustos, podemos observar as relíquias dos santos e mártires…

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Um Passeio por Córdoba

Para se conhecer o Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o ideal é caminhar por suas ruas sem pressa, pois sempre existem lugares de interesse para os visitantes curiosos por sua milenar história. Ao redor da Mesquita-Catedral, por exemplo, existem várias construções que se destacam, como o antigo Hospital de San Sebastián, construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” entre 1512 e 1516.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição foi criada pela Confraria de San Sebastián, cuja origem se deve a grande quantidade de crianças abandonadas que haviam na época. Atualmente o edifício é a sede do Palácio de Congresso e Exposições, e conserva a bela fachada de sua igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Real Alcázar situa-se uma grande edifício, as Reales Caballerizas de Córdoba, fundada pelo Rei Felipe II com a finalidade de criar cavalos de pura raça espanhola para os serviços da Casa Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757 sofreu um incêndio, sendo reconstruído durante o reinado de Carlos III. Em 1822, os cavalos utilizados pela corte foram retirados, e o edifício passou a ser usado pelo Corpo de Cavalaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2002 foi adquirido pela Prefeitura de Córdoba como um espaço cultural. Atualmente se realizam espetáculos equestres no local, além de visitas guiadas pelo interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto das Reales Caballerizas tirada desde o Real Alcázar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar emblemático do centro histórico é a Plaza de la Corredera, um verdadeiro ponto de encontro dos habitantes da cidade, declarada Bem de Interesse Cultural em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a única praça de formato quadrangular de toda a Comunidade de Andaluzia, ao modo das praças castelhanas, possui 113m de comprimento por 55m de largura. Seu espaço foi sempre utilizado para a representação de espetáculos públicos, como as Corridas de Touros. Em uma delas, a arquibancada de madeira caiu, para o desespero das pessoas que se encontravam no local. Se projetou então uma nova praça, antes irregular, num espaço uniforme, alinhando as fachadas dos edifícios de três níveis de altura e melhorando a segurança dos espetáculos públicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da nova praça realizaram-se no final do século XVII e foram pagas pelos próprios habitantes da cidade. O projeto se deve ao arquiteto Antonio Ramós Valdés. Grandes personagens da época presenciaram as Corridas de Touros, como o Rei Felipe IV e inclusive Cosme de Médici. A Plaza de la Corredera conserva edifícios cuja construção é anterior a própria praça, como a antiga Casa Consistorial, erguida no final do século XVI pelo arquiteto Hernán Ruiz II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de representar o centro político da cidade, nela se situava também a prisão, que permaneceu no local até 1821, quando foi levada ao Real Alcázar de Córdoba. Em 1846, o edifício foi adquirido por um empresário cordobês, José Sánchez Peña, que instalou uma fábrica de sombreros, colocando as residências dos trabalhadores em sua parte superior. Depois, passou a abrigar o Mercado da cidade. Outro espetáculo famoso realizado na praça, antes da reforma, ocorreu em 1571, durante as festividades celebradas pela vitória na Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, quando se organizou uma verdadeira batalha naval na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisição também escolheu a praça para a realização de vários autos de fé, quando foram julgados os condenados por cometer delitos contra os dogmas da igreja. Escavações realizadas na praça durante as reformas descobriram mosaicos romanos em seu subsolo, atualmente expostos no Real Alcázar, cujas imagens já publiquei na matéria sobre a Córdoba Romana. Durante a Guerra da Independência no início do século XIX, os franceses colocaram patíbulos na praça para execução pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX,  a praça foi pintada nas cores vermelha, verde e ocre, retornando ao aspecto que tinha no final do século XVII. Se dizia que nesta época a tonalidade vermelha se conseguia com o próprio sangue dos touros sacrificados na praça. É mole?

As Igrejas Fernandinas de Córdoba

Depois da reconquista de Córdoba pelo Rei Fernando III em 1236, a cidade recuperou a tradição cristã dos romanos e visigodos. O monarca encontra uma cidade cuja estrutura está em decadência e em 1241 outorga um Foro a Córdoba. Organizou o espaço urbano em 14 bairros no interior do recinto de muralhas, que se mantêm com escassas modificações até os dias atuais. Diversas ordens religiosas se estabeleceram, com o objetivo de desempenhar tarefas assistenciais, espirituais e formativas. Em cada um destes bairros, se levantaram igrejas que se conservam até hoje. Apesar que nem todas foram edificadas durante o reinado de Fernando III, se conhecem em seu conjunto como Igrejas Fernandinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo mais antigo fundado por Fernando III é a Igreja de la Magdalena (original em espanhol). Do século XIII, foi clausurada em 1890 e atualmente é utilizada como espaço cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva portas de estilo mudéjar, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arco foi decorado com motivos denominados “dentes de serra“, estando emoldurado por um elemento arquitetônico chamado Alfiz, típico da arquitetura islâmica. Abaixo, vemos uma imagem geral do templo e um pequeno detalhe arquitetônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas destas igrejas foram erguidas no local onde anteriormente se situavam mesquitas. Um exemplo é a Igreja de San Lorenzo, cuja construção iniciou-se logo após a reconquista de Córdoba. Foi finalizada no século XIV no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário é do século XVI, cujo projeto realizou o arquiteto Hernán Ruiz II, que também foi o construtor da torre campanário da Catedral. Aproveitou os restos do antigo minarete da mesquita, cujos restos ainda se podem ver na base da torre. Esta igreja é considerada uma das mais conservadas da cidade, em quanto a sua estética medieval. Muito bonito é a roseta que preside a fachada principal, do século XIV, combinando elementos góticos com mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma placa com inscrições referentes à construção da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal está formada por um pórtico composto por 3 arcos, um dos quais vemos a seguir, de estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Lorenzo é considerado um santo muito popular na Espanha, principalmente depois  que seu culto se estendeu graças a devoção do Rei Felipe II, a quem lhe atribuiu a vitória na Batalha de San Quintín contra os franceses, oferecendo-lhe a titularidade do Monastério de El Escorial. Abaixo, vemos fotos gerais do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Maior foram descobertas pinturas góticas do século XIV. Por este motivo foi retirado o retábulo que adornava a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém edificada sobre uma mesquita é a Igreja de San Miguel, construída entre os séculos XIII e XIV. A torre é posterior, do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem conservada, uma de suas portas é do estilo gótico, que vemos acima (XIII). A outra é mudéjar, do século XIV. Está formada por um Arco de Ferradura de estilo califal e um alfiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcanjos constituem uma classe especial dentro da hierarquia celeste, pois não são anônimos como os demais anjos, e conhecemos seus nomes. O Arcanjo São Miguel é o príncipe das milícias celestes que dirige os combates contra os anjos rebeldes, sendo considerado protetor da igreja. Também é o santo condutor dos mortos, cujas almas serão pesadas no dia do juízo final. Por seu caráter defensor, é considerado o melhor guardião dos locais sagrados.

Ponte Romana de Córdoba

A Ponte que atravessa o Rio Guadalquivir é o monumento mais famoso de Córdoba, referente à sua etapa romana, e constitui uma de suas imagens mais divulgadas, com a Mesquita-Catedral de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em época de Augusto, no século I aC, um período de grande atividade construtiva em toda a Hispania. Também  conhecida como a “Ponte Velha“, durante 20 séculos foi a única ponte existente na cidade, e provavelmente substituiu uma construção anterior feita de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estrutura fazia parte da denominada Via Augusta, considerada a calçada romana mais comprida de toda a Hispania, com cerca de 1500 km. Seu trajeto ligava os Pirineus com Cádiz, bordeando o Mar Mediterâneo. Os romanos foram os primeiros em construir pontes de pedra, e algumas delas se conservam dois milênios depois, o que comprova o alto nível técnico da Engenharia Romana. Composta por 16 arcos, a Ponte Romana de Córdoba foi reconstruída várias vezes ao longo da história, mas sua cimentação e traçado permanecem sendo originais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre suas reformas mais importantes, a primeira ocorreu no período califal e depois foi novamente reformada quando a cidade foi reconquistada no século XIII. No princípio do século XX, sofreu outra intervenção. Sua última restauração foi realizada entre 2006 e 2008. Estas reformas tiveram um caráter mais estético que estrutural. Em um de seus extremos situa-se a Torre de Calahorra, construída no século XIV pelo Rei Alfonso XI sobre uma antiga fortaleza árabe (foto acima e abaixo), para a proteção da ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre está sediado o Museu das Três Culturas, um interessante espaço cultural sobre a história da cidade. Além do mais, é possível subir à sua parte superior, que proporciona uma das mais belas vistas da ponte e de toda a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, vemos a Porta da Ponte, edificada durante o reinado de Felipe II em 1572, que encarregou o arquiteto Hernán Ruiz III para substituir uma anterior construção, que integrava o recinto de muralhas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, uma epidemia assolou a cidade. Segundo os cordobeses, foi graças à intervenção milagrosa do Arcanjo São Rafael que a peste acabou. Em sinal de agradecimento, no ano de 1651 se colocou uma imagem do santo no meio da ponte e as velas que vemos atualmente comprovam a devoção dos habitantes de Córdoba ao seu santo padroeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2004, a ponte foi fechada para a circulação de veículos, e passou a ser utilizada somente para pedestres e pelos milhares de turistas que visitam a cidade cada dia. A Ponte Romana foi cenário de várias produções cinematográficas, como o filme “Carmen“, de 2004, e também para a quinta temporada da popular série “Jogo de Tronos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância política da Corduba Romana decaiu a partir da segunda metade do século IV, quando Hispalis (atual Sevilha) se converteu na capital da Província Bética. Dita província deixou de estar sob o controle de Roma depois da invasão dos Povos Bárbaros no ano de 409 dC, dando início à etapa visigoda. A cidade romana foi praticamente destruída, mas desta época se conservam apenas vestígios arqueológicas no Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período visigodo, se construiu a Basílica de San Vicente, o principal templo religioso da cidade, que posteriormente daria lugar à Mesquita de Córdóba de época árabe, que ainda hoje assombra aos visitantes. Com a invasão árabe da Península Ibérica em 711 dC, Córdoba se transformou na capital de Al Andaluz, um período de grande esplendor, que veremos nas próximas matérias.

A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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Ayuntamientos de España: Parte 5

Outro aspecto importante a salientar em relação à decoração das fachadas dos edifícios que albergam os Ayuntamientos de España constituem as imagens, tanto religiosas, quanto profanas, e os símbolos heráldicos. Por exemplo, no Ayuntamiento de Zaragoza, foram esculpidos os Anjos da Cidade, pelo famoso escultor Pablo Serrano, em 1965.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANumerosas também, as imagens profanas recordam heróis mitológicos, como na excepcional fachada do Ayuntamiento de Tarazona (Comunidade de Aragón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das imagens possuem um significado alegórico, representando a indústria, o comércio, os ofícios tradicionais, bem como virtudes morais, como a justiça, a caridade, etc. Em certos edifícios, aparecem medalhões representando a personagens reais, como no Ayuntamiento de Chinchilla de Aragón (Castilla La Mancha) com o busto do Rei Carlos III, cuja construção ocorreu durante seu reinado (segunda metade do século XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Escudos de Armas representam outro elemento decorativo presentes em muitas Casas Consistoriais do país. Originários da Idade Média, os escudos mais antigos pertencem ao período gótico, como podemos observar no Ayuntamiento de Baeza (Andalucía), cidade que conserva três edifícios que foram sedes da prefeitura local. Este é o mais antigo deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, com o florescimento da arquitetura civil, os escudos se proliferam nos edifícios sedes de Ayuntamientos, caso do Ayuntamiento de Ciudad Rodrigo (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos escudos de armas estão relacionados a títulos nobiliários e linhagens, principalmente em edifícios que foram construídos originalmente como palácios, que depois se converteram em prefeituras. Um exemplo é o Ayuntamiento de Úbeda, antigo palácio de Vázquez de Molina, cujo escudo preside a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mesmo sucede com o Ayuntamiento de Ayllón (Castilla y León), antigo palácio dos Marqueses de Villena, senhores da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns escudos se referem aos alcaldes que promocionaram a construção do edifício, como em Ciudad Rodrigo. As Armas Reais também aparecem em muitos edifícios, principalmente dos monarcas da Dinastia dos Habsburgos. No antigo Ayuntamiento de Covarrubias (Castilla y León), por exemplo, vemos o Escudo de Armas de Felipe II

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Museu de Belas Artes – Parte 2

O acervo permanente do Museu de Belas Artes de Valencia inclui importantes obras de duas escolas fundamentais na evolução da História da Arte, o Renascimento e a Pintura Flamenca. A cidade foi uma das portas de entrada na Península Ibérica das novas idéias humanistas provenientes tanto da Itália, graças aos intensos contatos políticos com Sicília e Nápoles, então parte integrante do Império Espanhol, como também através da cidade francesa de Avigñon, na época sede pontifícia. Esta proximidade fez com que Valencia se tornasse um foco da cultura renascentista, que na Espanha tardou em implantar-se devido a persistência, principalmente religiosa, em relaçao à Arte Gótica. No século XVI, o Renascimento Italiano triunfa em todo o continente, e sua assimilação em território espanhol resulta inevitável. Abaixo, vemos um quadro intitulado “Virgen de las Fiebres“, pintado pelo italiano Bernardino di Benedetto Biagio (1454/1513), que representa os vínculos existentes entre Valencia e Roma nos finais do século XV graças à família dos Borgia. Francisco de Borgia, que aparece no lado direito do quadro, ocupou cargos importantes na corte pontifícia na época de seu parente, o Papa Alejandro VI. A Virgem, representada como Mãe da Sabedoria, ensina o filho a ler. Este quadro teve uma forte repercussão em Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à temática, escassos sao os quadros pintados por artistas espanhóis do Renascimento que tratam de temas mitológicos e de nus femininos, abundantes na Itália, devido ao predomínio dos temas religiosos que persistem no país. Um exemplo é o quadro da “Purísima Concepción” de Nicolás Falcó, artista ativo em Valencia no final do século XV e início do XVI. Pertencente à fase inicial do Renascimento Espanhol, a obra apresenta um marcado caráter eucarístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro artista que desenvolveu sua carreira em Valencia, já no período de maturidade do Renascimento no país (segundo quarto do século XVI), ficou conhecido como Mestre de Alzira. Este artista anônimo recebeu este nome devido a um retábulo dedicado à Virgem que realizou para uma igreja situada na cidade de Alzira, sendo considerado um dos personagens mais interessantes do panorama artístico valenciano da primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a obra por ele realizada “Cristo sobre o sepulcro com três anjos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia possui uma grande tradição artística, que se reflete na importância de alguns de seus pintores mais famosos. Juan de Juanes (1523/1579) é um deles, um nome fundamental do Renascimento Espanhol. Foi um dos criadores de imagens religiosas de maior popularidade na época e o mais importante pintor valenciano de seu tempo. Influenciado por Rafael, suas obras destacam pelo intenso colorido e perfeito equilíbrio compositivo. A seguir vemos um “Ecce Homo“, pintado por ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas obras mais conhecidas é este quadro da “Santa Ceia“, que retrata o momento em que Jesus anuncia que será traído por um de seus apóstolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADocumentado em Valencia entre 1505 e 1525, o pintor Fernando Llanos é de origem castelhano e colaborou com Leonardo da Vinci em Florença. O Museu de Belas Artes possui uma bela obra sua, o quadro “Flagelación“, pintado em 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes impulsores da arte de sua época foi o Rei Felipe II, verdadeiro mecenas  que colaborou para a assimilação da arte clássica. O Monastério de El Escorial, construído em seu reinado, tornou-se o modelo arquitetônico do Renascimento Espanhol, influenciando notavelmente as construções posteriores. Abaixo, vemos um retrato do monarca realizado por um anônimo flamenco no século XVI, que segue as tendências dos retratos cortesanos impostos pelo pintor holandês Antonio Moro (1519/1579) e o valenciano Alonso Sánchez Coelho (1531/1588).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pintura Flamenca foi uma das escolas preferidas pelos monarcas espanhóis, junto com a italiana. Abaixo, vemos um exemplo, o quadro de São Sebastião sendo atendida pela viúva Irene e sua criada, realizado por Matthias Storm (1600/1650), um discípulo de Caravaggio. O corpo do santo é iluminado por uma fonte de luz ausente do quadro, criando um ambiente melancólico e meditativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os grandes nomes da Pintura Espanhola presentes no acervo do Museu de Belas Artes de Valencia.