Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés

 

 

Belas Igrejas de Medina de Rioseco

Medina de Rioseco possui duas belíssimas igrejas, que podem ser conhecidas numa visita guiada organizada pela Oficina de Turismo da cidade. O único aspecto a se lamentar é que as fotos estão proibidas no interior destes magníficos templos, algo que gostaria de poder oferecer a vocês. De qualquer modo, no final do post, adicionarei vídeos do youtube para que tenham uma idéia de sua beleza. A Igreja de Santa María de Mediavilla é a principal da cidade. Foi edificada a partir do século XVI no estilo gótico, substituindo uma anterior construção românica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja situa-se na parte mais elevada da cidade, e possui duas portas de acesso ao interior. A mais decorada é a do lado sul, com a escultura da Virgem no tímpano e os escudos dos Almirantes de Castilla e da própria vila em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada norte é mais simples em seus elementos decorativos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas partes mais impressionantes é a torre, construída no estilo barroco e finalizada em 1739.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do ábside e de alguns detalhes exteriores da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, de excepcional beleza á a Capela funerária dos Benaventes, considerada a Capela Sixtina de Castilla e um dos mais reconhecidos conjuntos artísticos do Renascimento Espanhol. Outra maravilha é o Retábulo Maior, realizado por Juan de Juni, além do coro, que foi trazido do Convento de São Francisco em 1854, depois da desamortização dos bens eclesiásticos. A outra igreja de Medina de Rioseco é a Igreja de Santiago, projetada principalmente pelo famoso arquiteto Rodrigo Gil de Hontañón (1500/1577).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram em 1533 e se prolongaram até o século XVII. A fachada exterior é de inspiraçao Herreriana, como se conhece o estilo criado por Juan de Herrera, autor do Monastério de El Escorial, onde estão sepultados a maioria dos reis espanhóis. Foi construída a modo de retábulo, e somente uma das torres finalizou-se, como vemos acima. Também na fachada, observamos símbolos relacionados ao Apóstolo Santiago, como a Cruz da Ordem que leva seu nome, e as conchas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta sul é de grande beleza e muito decorada, também realizada como se fosse um retábulo, dividido em 3 partes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto escultórico que adorna a porta está presidido pela figura de Santiago Peregrino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA decoração de estilo renascentista desta porta projetada por Rodrigo Gil de Hontañón inclui elementos grotescos e  também os escudos dos Almirantes de Castilla e da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior triangular (denominada Frontón), aparece uma escultura de Deus Pai, que podemos observar na foto acima. Já a outra porta apresenta influências góticas, como a presença dos pináculos e as conchas de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja, o grande destaque é o Retábulo Maior, realizado por Joaquín de Churriguera (1674/1724), um belo exemplo do estilo denominado Churrigueresco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, não deixem de ver os vídeos do Youtube, onde podemos contemplar o interior maravilhoso destas duas igrejas.

Igreja de Santa María:  https://www.youtube.com/watch?v=ukHIdA5iv4Q

Igreja de Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=23gaepmAPis

Cidade Universitária de Madrid: Parte 3

Como foi dito na matéria anterior, a maior parte dos edifícios que compunham a Cidade Universitária de Madrid estavam terminados na década de 30 do século XX. No entanto, em 1936 eclode a Guerra Civil Espanhola. Madrid, como enclave republicano que era, sofreu intensos bombardeos pelas tropas nacionalistas durante o conflito que se estendeu durante três anos mais. Por estar situada numa frente de batalha, a Cidade Universitária foi uma das zonas mais castigadas. Abaixo, vemos uma foto tirada durante a guerra, e podemos observar o estado que ficou a Escola de Engenheiros Agrônomos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje podemos ver algumas estruturas situadas no Parque do Oeste, localizado ao lado da Cidade Universitária, que funcionaram como ninhos de metralhadoras durante o conflito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil, o campus universitário se converteu num campo de batalha no qual a maior parte dos edifícios foram destruídos. Tornou-se famosa a guerra travada na Faculdade de Filosofia e Letras, em que os combatentes dos bandos republicano e nacionalista lutaram corpo a corpo. Trincheiras e muros foram “construídos” com os livros de sua importante biblioteca. Abaixo, vemos uma foto atual da faculdade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada exterior não apresenta elementos destacáveis, mas em seu interior se reconstruiu um magnífico painel de vitrais de estilo Art Decô, uma recriação do vitral destruído durante a guerra. Foi realizado pela Casa Maumejeán, especializada em vitrais artísticos e fundada em 1860.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim da faculdade vemos uma escultura do grande filósofo espanhol José Ortega y Gasset (Madrid: 1883/1955), realizada por Juan de Ávalos e inaugurada em 2002.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo final da contenda, o panorama na Cidade Universitária era desolador, e se perdeu quase a metade dos edifícios construídos antes da guerra. Mais de 40 mil árvores foram derrubadas. Com a vitória nacionalista, Franco reconstruiu o campus, feito que foi utilizado pelo próprio ditador como um grande êxito do novo regime. O próprio Franco reinaugurou a Cidade Universitária em 1943. Abaixo, vemos o Colégio Maior José Antonio, cujo nome foi uma homenagem a José Antonio Primo de Rivera (1903/1936), filho primogênito do ditador Miguel Primo de Rivera. Considerado o principal líder do fascismo espanhol, foi ele o fundador da Falange Espanhola. Acusado de conspiração e rebelião militar, foi executado nos primeiros meses da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetado em 1948, durante boa parte do século XX foi um reduto franquista formado por estudantes que apoiavam o regime. Depois de uma profunda reforma realizada em 1981, passou a ser o edifício sede da Reitoria da Universidade Complutense, função que persiste até os dias de hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído dentro dos parâmetros do estilo herreriano, referência a Juan de Herrera, construtor do Monastério de El Escorial (século XVI). Esta estética arquitetônica acabou sendo adotada pelo Franquismo e muitas construções desta época podem ser vistas na região que integra a Cidade Universitária. Dessa reconstrução foram encarregados os arquitetos Pedro Muguruza e o próprio Modesto López Otero, responsável pelos projetos dos edifícios originais do campus. Em grande parte, os novos edifícios seguiram os planos originais de 1928, ainda que introduzindo modificações relacionadas com o novo regime, como  introduzir capelas em todas as faculdades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XX, a Cidade Universitária experimentou um grande desenvolvimento, principalmente depois que a Universidade Complutense foi instalada, incorporando novas faculdades ao conjunto. Atualmente, a Complutense, universidade pública mais antiga de Madrid, é considerada uma das mais prestigiosas da Espanha e de todo o mundo hispânico. Dos 8 Prêmios Nobel do país, 7 estudaram ou foram professores na Universidade.

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Rio Manzanares – Parte 2

Em seu trajeto por Madrid, existem várias pontes que cruzam o Rio Manzanares, algumas delas históricas. Uma das primeiras matérias publicadas no blog (18/4/2012) falei a respeito da maioria delas. A Ponte de Segóvia é a mais antiga, embora tenha sido reconstruída depois da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ponte foi construída no século XVI, logo depois que Madrid tornou-se a capital permanente da Espanha, durante o reinado de Felipe II (1561), como uma entrada digna para a corte. O arquiteto responsável de sua construção foi Juan de Herrera, também autor do projeto final do Monastério de El Escorial. As vistas do Centro Histórico de Madrid desde a Ponte de Segóvia impressionam, como vemos na foto acima, em que aparecem o Palácio Real e a Catedral de Almudena. Abaixo, vemos um quadro realizado entre 1640 e 1660 no qual podemos apreciar a ponte e o antigo Alcázar de Madrid, que sofreu um terrível incêndio em 1734, dando lugar ao atual Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma foto antiga da Ponte de Segóvia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das pontes históricas de Madrid, a Ponte de Toledo foi projetada por Pedro de Ribera, um dos arquitetos que mais contribuíram para o desenvolvimento da paisagem urbana da cidade, sendo finalizada em 1732.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi promovida pelo então alcalde (prefeito) de Madrid, o Marquês de Vadillo. Feita de granito, está composta por 9 arcos e foi decorada em sua parte central com duas esculturas que representam o santo padroeiro de Madrid, San Isidro, e sua esposa, Santa María de la Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto antiga da Ponte de Toledo, de 1920…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo sucedeu com o próprio Rio Manzanares, a Ponte de Toledo também se tornou objeto de sátira dos literatos e intelectuais, que o designaram “Muita ponte para tão escasso rio…”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo dos séculos, o Rio Manzanares foi aproveitado economicamente, e antigamente nas suas margens existiam moinhos para a produção de farinha. Denominados Norias, sua origem se remonta à época romana, e posteriormente foram aperfeiçoados pelos árabes. Durante a idade Média, sua importância foi tal que se tornaram monopólio senhorial, passando depois a ser propriedade do conselho da cidade e também das Ordens Religiosas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente, o Rio Manzanares nao era “calmo” como atualmente, e as enchentes provocadas em várias ocasiões destruíram boa parte dos moinhos existentes. Outra atividade relevante exercida em suas margens foi a lavagem de roupa. De fato, em muitas fotos antigas do rio podemos apreciar a paisagem ribeirinha tingida pelo branco das roupas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO ofício das lavadeiras estava regulamentado, e no final do século XIX e princípios do XX atingiu proporções industriais. Um grande canal, paralelo ao rio, foi construído para esta atividade, que desapareceu depois do término da Guerra Civil devido à contaminaçao industrial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Rio Manzanares possuía uma fauna e flora diversificada, e a pesca foi intensamente praticada tempos atrás. Vários fatores limitaram esta atividade, como o aumento populacional e sua consequente massificação. A partir do momento em que o rio foi canalizado no século XX, a rota migratória de várias espécies de peixe foi afetada. Muitas outras desapareceram com a contaminação industrial. Finalmente, a introdução de novas espécies, que não pertenciam originalmente à fauna fluvial, como as trutas e o chamado peixe-gato, que se alimenta de outras espécies, contribuíram para a diminuição da pesca.

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Igreja do Corpus Christi – Madrid

Madrid é uma cidade eminentemente barroca, em quanto a maioria de suas igrejas históricas. No princípio do século XVII, era  a capital de um grande império, e as ordens religiosas desejavam ter uma “casa mãe” na cidade. A Contrarreforma, que foi criada para deter o avance protestante na Europa, teve na Espanha e em sua monarquia o aliado principal  e sua grande defensora. Como consequência, Madrid torna-se uma cidade conventual. Tamanha concentração de templos atraiu a um grande contingente de artistas portugueses, italianos, flamencos, além dos próprios espanhóis, evidentemente, para decorar as inúmeras igrejas que se edificavam. A fase inicial do desenvolvimento do estilo barroco em Madrid possui algumas características que podemos identificar, como a simplicidade e austeridade exterior, mas uma rica coleção de imagens sacras no interior, destinadas à veneração dos santos como exemplo de conduta e a propagação da fé católica. Quadros e estátuas recriam a vida dos santos cristãos e os mistérios da fé católica para uma população em grande parte analfabeta, possibilitando a compreensão da doutrina. Um exemplo perfeito deste momento inicial na evolução do barroco na cidade é a Igreja de Corpus Christi, situada perto da Praça Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Apesar de sua localização em pleno Centro Histórico de Madrid, muitos habitantes da cidade nem sequer sabem de sua existência, ao estar numa praça algo escondida dos principais pontos turísticos e das ruas mais importantes. A Igreja do Corpus Christi é uma das mais acolhedoras da fase inicial do barroco madrilenho e, milagrosamente, chegou intacta aos dias atuais, sem qualquer tipo de reforma ou ampliação desde que foi construída em 1607. Na singela porta vemos as esculturas de Santa Paula e São Jerônimo adorando o Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que caracteriza esta fase primeira do barroco é o predomínio da linha reta sobre a curva, um aspecto sobrevivente do estilo anterior, o renascimento, principalmente relacionado com o monumento mais representativo deste estilo na Espanha, o Monastério de El Escorial, e seu principal artífice, o arquiteto Juan de Herrera. Na realidade, a igreja integra um conjunto maior, o Monastério de Jerónimas del Corpus Christi, um convento de clausura que continua funcionando como tal, sendo que suas freiras seguem fabricando seus deliciosos doces, cuja produção não atende a demanda, pois são poucas e de idade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi fundado por Beatriz Ramírez de Mendoza,  descendente de outra Beatriz que tornou-se famosa por ser a educadora dos filhos de Isabel La Católica, Beatriz Galindo, que realizou diversas obras assistenciais na cidade. Entre outras qualidades, possuía um domínio perfeito do latim. Um dos principais bairros de Madrid para comer tapas homenageia esta mulher avançada para a época em que viveu, com o apelido que ficou conhecida, “La Latina“. O projeto construtivo da igreja e do convento se deve ao arquiteto Miguel de Soria, que realizou um templo de uma nave, como vemos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato curioso repercutiu de forma permanente para a igreja e o nome como ela popularmente passou a ser conhecida foi o achado de um quadro da Imaculada Conceição numa carbonería, local onde se produz o carbón, carvão em português. Este quadro foi adquirido por uma frade franciscano, que o levou ao convento mais próximo onde se encontrava, o Convento do Corpus Christi. Uma vez colocado no interior da igreja, adquiriu a fama de milagroso por seus devotos. A partir deste momento, a igreja ficou conhecida como “Las Carboneras“, as freiras que custodiaram a obra. Abaixo, vemos dito quadro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja guarda inúmeras obras de importância artística, como o Retábulo Maior do século XVII, uma magnífica obra de Antón de Morales, síntese magistral de arquitetura, pintura e escultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO destaque do retábulo é um excelente quadro da Última Ceia realizado por Vicente Carducho, raro por seu posicionamento vertical. A ambos lados, ente colunas de Ordem Corintio, vemos as esculturas de São Jerônimo (esquerda) e São João Batista (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACulmina o retábulo um calvário atribuído a Pompeo Leoni, escultor que realizou diversos e impressionantes bustos dos monarcas espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XVII é o retábulo dedicado à Virgem das Tribulações e da Paz Interior, atribuído a Pedro de la Torre. A escultura da virgem foi realizada em 1812 por José de Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, veremos a Igreja das Calatravas, pertencente à segunda fase do Barroco Madrilenho….

Concatedral de Alicante

A outra igreja de importância de Alicante é a Concatedral de San Nicolás de Bari, situada, da mesma forma que a Basílica de Santa Maria, no centro antigo da cidade. Também foi erguida sobre uma mesquita da época árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocaliza-se na Praça do Abade Penalva, dedicada a Francisco Penalva Urios (1812/1879), um frade dominicano que foi abade da igreja durante 25 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Concatedral de Alicante foi construída entre 1616 e 1662. Sua fachada se caracteriza pela austeridade decorativa, própria da denominada arquitetura herreriana (uma referência a Juan de Herrera, arquiteto do Monastério de El Escorial, que criou um estilo próprio dentro do Renascimento Espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar disso, encontramos alguns elementos de um barroco incipiente, principalmente na decoração das portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada foi projetada por um discípulo de Juan de Herrera chamado Agustín Bernardino, sendo que a igreja foi dedicada a San Nicolás, padroeiro da cidade. Abaixo, vemos a Concatedral de Alicante desde o Castelo de Santa Bárbara, ressaltando a cúpula que se eleva a 45m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do templo é grandioso, como vemos a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior, o destaque é o tabernáculo em forma de baldaquino, formado por 8 colunas e realizado na Itália em 1688, em mármore e jaspe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos o aspecto interior da cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO belo órgão da igreja….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo de San Nicolás realizou-se no século XVII por José Villanueva, mas sua imagem é gótica, do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro é considerado um dos mais belos do barroco valenciano

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ter sido construído no século XVII, existem algumas partes que se remontam ao século XV, demonstrando a existência de um templo anterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Concatedral de Alicante é uma das sedes eclesiásticas da Diocese de Orihuela-Alicante, dividindo esta condição com a Catedral del Salvador, na cidade de Orihuela. Em 19159, a sede de Alicante foi elevada ao nível de Concatedral, pois até então era considerada uma Colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1974, a Concatedral de San Nicolás foi declarada Monumento Nacional.

Catedral de Acalá de Henares – Parte 2

No post de hoje continuaremos nossa visita pelo interior da Catedral de Alcalá de Henares e os momentos mais dramáticos por que passou em sua história. No século XIX, a Universidade de Alcalá de Henares foi suprimida e o templo ficou isolado de seu secular vínculo com a instituição, tornando-se uma igreja com funções paroquiais. Em 1851, apesar disso, se conservou o título de colegiata e alguns anos mais tarde deixou sua histórica relação com o Arcebispado de Toledo, integrando-se na nova Diocese de Madrid-Alcalá. Em 1902, devido ao seu lamentável estado, foi fechada. Com a declaração de Monumento Nacional logo depois, foram realizadas obras de restauração em toda sua estrutura. A seguir, vemos algumas das capelas que atualmente encontramos em seu interior, como a que acolhe a imagem da Padroeira de Alcalá de Henares, a Virgen del Val, com destaque para sua reja de estilo plateresco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de San Diego de Alcalá, um santo franciscano que nasceu na Província de Sevilha, conserva seu corpo incorrupto, isto é, permaneceu intacto como em vida, apesar da passagem do tempo, pois faleceu no século XV. Uma urna de prata doada por Felipe II completa o espaço dedicado ao santo, canonizado em 1588.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa reforma realizada no início do século XX, algumas capelas foram eliminadas devido ao seu péssimo estado e no seu lugar receberam pinturas, que atualmente decoram os muros da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Guerra Civil Espanhola afetou de maneira particular este templo catedralício. Em 1936, sua torre foi utilizada como centro de observação e tiro e a igreja foi incendiada. A cobertura desabou, provocando estragos em obras de arte de grande importância, como o Sepulcro do Cardeal Alfonso Carrillo de Acuna (Arcebispo de Toledo desde 1446 a 1482), uma obra prima gótica realizada em alabastro no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto da época, quando as Capelas da Virgem Padroeira da cidade e a de San Diego de Alcalá passaram a acolher famílias refugiadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante os três anos da Guerra Civil, a igreja ficou abandonada e exposta às inclemências meteorológicas, e mais uma vez as ruínas se propagaram rapidamente. Felizmente, uma das partes mais importantes do templo, a cripta com os restos dos Santos Mártires Justo e Pastor, sobreviveu. Na sequência, vemos a entrada à cripta, com um relevo em sua parte superior representando o martírio dos santos meninos no estilo renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto atual da cripta se remonta ao século XVI, e guarda uma arca de prata de 1702 com os restos dos santos, e a pedra na qual foram decapitados, segundo conta a tradição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita à Catedral de Alcalá de Henares inclui também o claustro, finalizado em 1614. De estilo herreriano, nome associado ao arquiteto Juan de Herrera, responsável da construção do Monastério de El Escorial, nele podemos conhecer a história da catedral em didáticos painéis colocados em seus muros. Também acolhe uma exposição de lápides funerárias antigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo claustro se encontra o Museu da Catedral, com alguns dos tesouros sobreviventes de sua complicada, mas bela, história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais peças exposta é a arca do século XVI, feita de prata e ébano com relíquias dos Santos Justo e Pastor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque é este tríptico flamenco, datado de 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da torre, vista do claustro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizada a Guerra Civil, a catedral passou por outro longo processo de restauração, e atualmente constitui um local de visita obrigatória, fundamental para se conhecer a história desta apaixonante cidade.