Caminho de Santiago em Logroño

O Caminho de Santiago está intimamente ligado à história de Logroño, constituindo um dos motivos fundamentais para o seu desenvolvimento. O peregrino que chega a cidade proveniente da Comunidade de Navarra é recebido pelo Arco do Caminho, uma escultura realizada em 2005, que celebra a passagem da rota jacobea por Logroño.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, cruza a Ponte de Pedra, aproximando-se do centro histórico da capital riojana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes, porém, poderá refrescar os pés cansados numa fonte situada no Parque del Pozo Cubillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte está decorada com um dos símbolos associados ao caminho e também ao Apóstolo Santiago, a Concha. Pertence à espécie conhecida como Vieira, uma palavra do idioma galego, pois sao abundantes na regiao da Galícia. Existem muitas interpretaçoes acerca de seu significado e o simbolismo vinculado ao apóstolo. Passou, com o tempo, a denominar-se Concha de Santiago, pois os peregrinos que chegavam a Santiago de Compostela recebiam um pergaminho que confirmavam a finalizaçao do caminho, bem como uma concha, colocada no sombrero ou na capa que vestiam, demonstrando sua estância na cidade. Dessa forma, quando regressavam ao seu pueblo de origem, as pessoas podiam certificar-se que o peregrino havia sido capaz de completar a rota. Atualmente, a concha integra a idumentária daqueles que realizam o caminho, e se diz que protege o peregrino, sendo um amuleto contra os maus espíritos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro histórico, muitos lugares de interesse esperam o peregrino, como vimos nos posts anteriores. Existem, no entanto, outros de visita obrigatória, graças ao vínculo que possuem com o famoso caminho. Um deles é a Fonte do Peregrino, construída em 1675, situada ao lado da Igreja de Santiago El Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da fonte, aprecia-se no solo uma série de locais que integram o caminho, que representam um jogo elaborado com referências ao mesmo, denominado Jogo da Oca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santiago é o templo com a maior vinculaçao histórica da cidade. Foi construída a partir de 1513 sobre uma antiga igreja românica, destruída por um incêndio. Conta a tradiçao que o templo primitivo foi levantado pelo rei Ramiro I, logo depois do desenlace da Batalha de Clavijo, localidade próxima à Logroño. Na mencionada disputa, os cristaos venceram os mouros graças à intervençao do próprio apóstolo, que apareceu no campo de batalha montado num cavalo branco, dando origem a lenda de Santiago Matamouros. Na fachada renascentista da igreja, realizada a modo de arco triunfal (séc. XVII), vemos a duas esculturas do apóstolo, representado como peregrino e como guerreiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formada por uma única nave de grandes dimensoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, destaca o Retábulo Maior, construído em 1649, com cenas representativas da vida do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos uma escultura de Santiago Peregrino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos símbolos associados ao apóstolo é a Cruz. Sua origem poderia estar relacionada com a época das Cruzadas, mas a hipótese mais aceita refere-se ao ano 844, quando sucedeu a Batalha de Clavijo. A Cruz de Santiago é facilmente reconhecida pela espada, adornada com  flores de Lis. Na igreja, podemos contemplá-la em vários locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o séc. XII, representa o emblema da Ordem dos Cavalheiros de Santiago, estando associada à sua condiçao cavalheiresca, bem como ao seu martírio, pois foi decapitado por uma espada. A concha também é visível em muitos pontos da igreja, inclusive como forma da Pia Batismal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da dura jornada, o peregrino poderá tranquilamente encontrar repouso no Albergue a eles destinados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do caminho, saindo de Logroño, é a cidade de Nájera, situada a 26km. Um curioso mural, situado próxima à Igreja de Santa Maria de Palácio, combina a reconhecida fama gastronômica da cidade com as etapas do caminho, dando adeus ao peregrino.

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Carrión De Los Condes – Palencia

Situada em pleno Caminho de Santiago, a cidade de Carrión de los Condes pertence à Província de Palencia, Comunidade de Castilla-León. Tradicionalmente se afirma que seu nome faz referência aos condes Gómez Dias, que no séc. XI realizaram importantes construções na cidade, como o Monastério de San Zoilo, uma ponte sobre o rio Carrión e um hospital para peregrinos.

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Durante a idade média, foi uma das cidades mais importantes dos reinos cristãos, e nela se celebraram cortes e sínodos. Seu rico patrimônio monumental engloba igrejas românicas e conventos de grande importância religiosa.

A mais antiga das igrejas é a de Santa Maria do Caminho, de estilo românico e edificada no séc. XII, e foi dedicada à Virgem das Vitórias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADiante de sua construção, se observam as ruínas da antiga muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas dimensões permitem o acesso de um grande número de peregrinos e seu elemento mais notável é a Portada Sul, formada por 5 arquivoltas, sendo que a segunda de cima para baixo está profusamente decorada com personagens diversos, a primeira deste estilo realizada em Castilla-León. A igreja foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente dedicado a São João Batista quando foi levantado no séc. X, o Monastério de San Zoilo mudou sua advocaçao no séc. XI, com a chegada das relíquias do santo, procedentes de Córdoba, e também na mesma época reformado. Tornou-se famoso pela permissão concedida aos peregrinos de consumir pão e vinho, alimentos abundantes na cidade e que a ela se refere o Códix Calistinus, guia medieval para aqueles que realizavam a rota de Santiago. Abaixo, vemos a fachada do monastério, de estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1219, a princesa Beatriz de Suábia se casa com o rei Fernando III “El Santo” no monastério. Dos primeiros edifícios monásticos não se conserva praticamente nada, devido ao péssimo estado em que se encontravam nos séc. XIII e XIV. Por isso, foi reconstruído em 1392. Até o séc. XIV, dependeu da francesa Ordem de Cluny, mas a partir de 1531 se incorporou à congregação de Valladolid, momento em que iniciou-se outro período de esplendor do convento, que determinou a construção de seu famoso claustro e outras dependências.

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Sua parte mais valiosa, o claustro, foi projetado por Juan Badajoz em 1537 e finalizado apenas em 1604. De estilo plateresco, são abundantes as estátuas referentes a personagens religiosos e também civis.

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Posteriomente, o monastério passou à Companhia de Jesus e em 1854 converteu-se em colégio. Em 1960, já parte da diocese de Palencia, transformou-se em seminário e finalmente, em 1992, foi reabilitado como hotel, função que exerce atualmente.

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Por sua monumentalidade, a Igreja de San Andrés é conhecida como a “Catedral de Carrión de los Condes”, e é a atual paróquia da cidade. Foi construída segundo o projeto de Rodrigo Gil de Hontañón e concluída em 1574. A torre, sua estrutura mais chamativa no exterior, foi reconstruída depois de ter sido afetada pela Guerra da Independência, no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos a visita por Carrión de los Condes…

Igreja de Santa María de Eunate – Navarra

Localizada próxima à Puente la Reina, mais precisamente no município de Muruzábal, e isolada no campo, a igreja românica de Santa Maria de Eunate tem atraído, ao longo dos tempos, a curiosidade humana pelos mistérios que a cercam.

Construída provavelmente na segunda metade do séc. XII, possui uma peculiar silueta poligonal, e está rodeada por uma arquería octogonal exterior, que cumpre a função de claustro.

Em relação às suas origens, poucos são os dados concretos disponíveis que, aliados à sua singular arquitetura, fez surgir uma série de lendas e teorias sobre sua função e construçao. O monumento é uma das construções românicas mais conhecidas da península, sendo local obrigatório de visita para peregrinos, amantes da arte medieval e esotéricos.

Carente de comprovação, uma tradição secular e constante atribui sua construção à Ordem Templária, por seu formato poligonal, tão característico desta ordem militar. Outra versão, mais respaldada na realidade, vincula o templo à Ordem dos Cavalheiros Hospitalários de San Juan, cuja presença na rota jacobea está mais que documentada.

A igreja situa-se num ponto estratégico do Caminho à Santiago, em que se unem as duas vias do denominado caminho francês.

A igreja que mais se assemelha a Santa Maria de Eunate é a também poligonal igreja de Torres del Rio, igualmente situada em Navarra, mas que não apresenta a arquería exterior daquela, cujo nome em euskera é uma referência deste característico elemento, e que significa “cem portas”.

O que não há dúvidas, é que a igreja cumpria a funçao de cemitério de peregrinos, graças aos enterramentos encontrados com a concha, símbolo maior daqueles que realizam a rota de peregrinação. Desta forma, o templo pode ser uma construção funerária, relacionado com um complexo hospitalar de assistência ao peregrino.

Parece ser que também funcionava como um farol de orientaçao para os caminhantes, através de uma espécie de lanterna localizada na torre, dentro da qual se mantinha aceso o fogo que servia de ponto de referência para o peregrino.

A igreja possui planta octogonal, em cujos lados se abre uma cabeceira absidial semicircular. Todo seu perímetro está cercado pela arquería, também octogonal, mas ligeiramente irregular, ao ter os lados situados a leste um pouco mais alargados. Os muros do templo principal estão formados por arcos de descarga apontados, alguns dos quais se abrem pequenas janelas. A portada principal, localizada no lado norte, está composta por arquivoltas, suportadas por dois pares de colunas. A exterior é a mais interessante, pois está decorada com figuras humanas e de animais. Outros capitéis possuem temática vegetal.

No interior, a sensação de sacralidade é potencializada pela própria disposição da estrutura, que faz com que o olhar se dirija inicialmente ao àbside e depois à cúpula.

A cúpula denota uma influência muçulmana, própria do sincretismo cultural que caracteriza o Caminho de Santiago.

Dentro visualizamos também uma cópia de uma imagem românica da Virgem de Eunate, cuja original do séc. XIII foi roubada anos atrás.

Puente La Reina – Navarra

Este pueblo da Comunidade de Navarra é um dos muitos que devem sua existência ao Caminho de Santiago. A tradição diz que seu nome provém da Ponte Românica sobre o rio Arga, mandada construir, não se sabe bem ao certo, pela rainha Doña Mayor, esposa do rei Sancho El Mayor, ou então pela rainha Doña Estefanía, esposa do rei Garcia de Nájera.

Até meados do séc. XIX, o euskera (idioma basco) era falado na região, e seu nome neste idioma é Gares, e atualmente é co-oficial.

Localizada na parte central da comunidade, é uma localidade fundamental do Caminho à Santiago de Compostela, pois nela se encontram as rotas procedentes do denominado caminho Francês-Navarro, procedentes de Roncesvalles, e do caminho Francês-Aragonês, procedentes de Samport e Jaca.

O Caminho condicionou o próprio traçado urbano da cidade, já que as casas foram construídas ao longo dele. A Calle Mayor, por ex., coincide com a rota do caminho, e desemboca na ponte de peregrinos que dá nome à vila.

Esta magnífica estrutura é qualificada como um dos exemplares românicos mais belos de todo o trajeto. Com 110m de comprimento, 7 arcos e 5 pilares, nela antigamente se guardavam imagens de santos de devoção popular. Constava também a existência de um crucifixo e de uma cruz de pedra, assim como um local destinado às esmolas que os peregrinos deixavam para os presos da cadeia.

A ponte esteve defendida por duas grandes torres em seus extremos e outra em sua parte central. Nesta, encontrava-se uma pequena capela que acolhia a imagem da Virgem del Puy. Uma famosa tradição conta que diariamente um passarinho pegava água do rio e lavava o rosto da Virgem, dando origem à lenda da Virgem de Txori (pássaro em euskera). Atualmente, a imagem renascentista da Virgem do séc. XVI encontra-se no interior da Igreja de San Pedro.

A Igreja Paroquial de Santiago foi construída no séc. XII, porém quase que completamente refeita no séc. XVI. Da época original românica, conserva-se somente a portada. No interior, contemplamos uma talha gótica do Apóstolo de Santiago negro, do séc. XIV.

Abaixo, vemos no detalhe um dos capitéis da portada.

Outra das construções significativas de Puente La Reina é a Igreja do Crucifixo. No passado, constava da igreja propriamente dita e de um hospital de peregrinos, unidos por um pórtico. Em 1142, a construção foi doada à Ordem Templária.

Construída durante o séc. XII e ampliada no XIV, em seu interior admiramos um excepcional Cristo Gótico de aprox. 1320.

A igreja possui 2 naves. A maior, reformada no sé. XX, é de estilo românico (séc. XIII) e ábside semicircular, e está dedicada a Santa Maria de las Huertas. A segunda nave é gótica, com ábside semicircular no interior e poligonal, visto do exterior. Foi construída para acolher o crucifixo gótico.

A torre-campanário se alça aos pés da nave românica. À sua parte original foi levantado o campanário no séc. XVII, e em sua parte mais alta, vemos a Cruz de Malta.

Os Cavalheiros da Ordem de San Juan de Jerusalém, posteriormente conhecida como Cavalheiros de Malta, foram os responsáveis pelo templo a partir de 1443, e construíram um convento-hospital para os peregrinos, atendendo a um desejo da rainha D: Blanca de Navarra. No séc. XVIII, construiu-se o edifício atual em estilo neoclássico. Em 1833, o templo foi abandonado devido à desamortizaçao, sendo usado como quartel, hospital de guerra, prisão e fábrica de pólvora, até ficar quase em ruínas. Desde 1919, está ocupado pela comunidade de sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, e transformado num seminário, que mantém também um albergue para peregrinos.

Desde o alto da Ermita de Arnotegui, temos uma belíssima vista do povoado.

Cabe mencionar que o Caminho de Santiago foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Basílica de San Isidoro – León

A Real Colegiata de San Isidoro de León é um dos monumentos românicos mais destacados de toda a Espanha. Declarada Monumento Histórico-Artístico em 1910, toda sua parte ocidental está superposta à antiga muralha romana da Legio VIII Gemina, nome da cidade dada pelos romanos durante sua fundação. Sob os cimentos do atual edifício, também foram encontrados vestígios desta época inicial.

A basílica que hoje conhecemos aparece documentada por primeira vez no ano 956, durante o reinado de Sancho I, que construiu um templo para acolher as relíquias de Pelayo, um menino martirizado em Córdoba em 925, e cuja fama estendeu-se por todo o continente. O traslado do corpo, porém, só foi realizado por sua esposa, a rainha Teresa, e por sua irmã Elvira Ramírez. A vida monástica no local durou apenas 20 anos, devido ao ataque e a devastação provocada pelo caudilho árabe Almanzor em 988. Ao receber a notícia do ataque,a rainha Teresa se encarregou de levar o corpo do mártir a Oviedo, para que fossem preservadas as relíquias.

A reconstrução do monastério deveu-se a Alfonso V, onde foi posteriormente sepultado. Durante o reinado de sua filha, D. Sancha, e de seu esposo, o rei Fernando I, decidiu-se construir um novo templo no séc. XI. Reedificaram também o Panteão Real, onde foram enterrados. Segundo o costume da época, para engrandecer a igreja, era necessário contar com relíquias importantes. Trouxeram, então, desde Sevilha, o corpo do erudito e bispo San Isidoro, em 1062. No ano seguinte, a igreja foi consagrada sob a titularidade do santo sepultado.

Esta foi a primeira igreja românica erguida no Reino de León, conservando-se desta época, o Panteão Real, a Tribuna, os dois primeiros corpos da torre e os dois pórticos da fachada.

A igreja foi reedificada no séc. XII, graças a filha de Fernando I e D.Sancha, a infante Urraca. Este é o templo que contemplamos atualmente, bem como as portas românicas da fachada. Foi também a responsável pela decoração pictórica do Panteão Real. A nova igreja foi consagrada em 1149, transformando-se depois em Abadia.

Abaixo, uma imagem de San Isidoro, que decora o interior da igreja.

Além das reformas realizadas no período românico, a basílica sofreu outras nos séculos posteriores, como a que sucedeu no séc. XVI, quando se derrubou a antiga capela maior para a construção da atual, a cargo de Juan Badajoz El Viejo. De estilo gótico, foi encarregada em 1513 e o retábulo que a adorna  foi talhado entre 1525/1530, e procede de uma paróquia de Valladolid e que foi levado à basílica em 1920. No seu programa iconográfico, vemos cenas da vida da Virgem e da paixão de Cristo.

O séc. XIX foi o pior para a história do edifício, poi foi saqueado pelas tropas francesas e também depois da Desamortizaçao de Mendizábal (1835). No séc. XX, com a Guerra Civil, foi novamente ocupada pelos militares.

O templo possui 3 naves, com planta de cruz latina. O ábside central pertence ao séc. XVI, e os laterais, ao período românico.

No exterior destaca as duas portadas românicas, as primeiras construídas no Reino de León. A denominada do Cordeiro é a mais antiga e principal do templo. Seu tímpano está decorado com maravilhosos relevos românicos, representando o sacrifício de Isaac, com o cordeiro místico sustentado por dois anjos. Infelizmente, durante minha visita, a porta estava sendo restaurada, e não pude ver-la.

Já a Porta do Perdão era a entrada de acesso à igreja dos peregrinos  que faziam o Caminho de Santiago, para obter o perdão dos pecados e para que conseguissem as indulgências correspondentes. Seus relevos são atribuídos ao Mestre Esteban, que também trabalhou nas catedrais de Santiago e Pamplona. Por primeira vez, esculpe temas evangélicos, que seriam reproduzidos em outros lugares. No tímpano, observamos cenas da Ascençao, Descendimento da cruz e o sepulcro.

A Tribuna Real acolhe hoje em dia um excepcional museu, com valiosas peças de arte românico, e o espaço ficou conhecido como a “Câmara de D.Sancha”, pois era o palco exclusivo da rainha. Algumas das peças expostas foram encarregadas pela própia rainha e seu esposo, o rei Fernando I, para embelezar a igreja que ambos haviam mandado construir. Um exemplo destas magníficas obras é a arca de San Isidoro, construída em prata e realizada em 1065 e a arca onde foram guardados os restos de Pelayo e San Juan Batista, datada de 1059.

A galeria ou átrio também foram realizados no séc. XI, a primeira construída no estilo românico. Atualmente, se denomina Panteão dos Infantes, pois nele estão depositados restos de infantes reais, bem como membros da nobreza leonesa.

O Arquivo-Biblioteca, do séc. XVI, foi construído por Juan Badajoz El Moço, e possui grande quantidade de pergaminhos, códices e livros raros.

A Torre do Galo forma parte da muralha e tem um formato quadrado. O galo situado na parte mais alta foi considerado um dos símbolos mais queridos da cidade. Muito antigo, não se conhece sua história, nem quando e porque chegou à torre. No início do séc. XXI, foi retirado do local para estudos, e colocado uma réplica em seu lugar. Na foto a seguir, o sino de época medieval que situava-se no alto da torre.

Muitos dos capitéis que adornam a basílica sao considerados como exemplos para os demais, construídos em épocas posteriores.

Este post não teria sentido, se não mencionasse o inigualável Panteão Real da basílica de San Isidoro. Localizado aos pés da igreja, está decorado com pinturas murais que, por sua qualidade e grau de conservação, o tornam único na Espanha e em toda Europa. É conhecido como a “Capela Sixtina do Românico”. Suas fotos não estão permitidas no local. Recomendo, pois, sua visualização na Internet, é simplesmente maravilhoso…

 

 

 

Convento de San Marcos – León

O Convento de San Marcos é uma das jóias da arquitetura leonesa, junto com a catedral e a Basílica de San Isidoro. É considerado um dos monumentos mais significativos do Renascimento Espanhol.

Sua origem se remonta ao séc. XII (1152), na época do rei Alfonso VII, quando a infanta Sancha de Castilla realizou uma doação destinada a construção de um edifício que pudesse hospedar os “pobres de Cristo”, convertendo-se num templo-hospital de refúgio para os peregrinos que faziam o Caminho de Santiago. No séc. XVI, este edifício foi derrubado para o erguimento de um novo, graças às doações feitas por Fernando El Católico.

Sua fachada é um expoente do estilo Plateresco e começou a construir-se em 1515. Está decorada com medalhões e estátuas que exaltam a monarquia, misturadas com motivos jacobeos e personagens do mundo clássico. O espaço central, que divide a fachada em duas é uma remodelação feita no período barroco, sobre a qual há uma estátua de Santiago Matamouros.

A torre foi levantada posteriormente, em 1711/1714, e no alto vemos a cruz de Santiago.

A igreja é de estilo gótico hispano tardio, comumente conhecido como estilo Reis Católicos. Finalizada em 1541, possui uma ampla nave e as bôvedas são de crucería.

O retábulo maior é do séc. XVIII. O coro foi realizado por Guillermo Doncel e Juan de Juni em 1542.

Acima, vemos a concha, símbolo principal do Caminho de Santiago.

O claustro, do séc. XVI, foi levantado em dois níveis por Juan de Badajoz, El moço.

O conjunto de  estátuas que adornam o templo é de indiscutível elegância.

As portadas e os sepulcros estao ricamente esculpidos.

Ao longo de sua história, o edifício teve uma enorme variedade de usos, principalmente depois que deixou de ser convento em 1836, destacando os seguintes:

– Prisão: um de seus “residentes” mais ilustres foi Francisco de Quevedo.

– Quartel de cavalaria.

– escola de veterinária, hospital penitenciário e campo de concentração de prisioneiros republicanos durante a Guerra Civil e o período do pós guerra mundial. Foi um dos estabelecimentos repressivos mais severos e saturados da Espanha franquista, alcançando uma população reclusa de 6.700 homens.

– Min. Guerra, Fazenda e Educação.

Atualmente, o edifício é utilizado de várias formas:

– Igreja

– Museu Arqueológico Provincial

– Hotel de categoria 5 estrelas da rede de Paradores Nacionais, que exibe em seu interior uma grande coleção de obras de arte.