Benavente – Castilla y León

Lugo está situada a cerca de 500 km de Madrid. No meio do caminho entre ambas cidades situa-se Benavente, pertencente a Província de Zamora (Comunidade de Castilla y León), a última etapa de minha viagem pelo norte e noroeste da Espanha. Benavente é uma cidade que conta com um interessante patrimônio histórico-artístico, com destaque para duas belíssimas igrejas românicas. A cidade sempre foi um cruzamento de caminhos que ligam a zona central e sul com a região noroeste do país. Um dos mais conhecidos é a denominada Vía de la Plata, uma variante do Caminho de Santiago que passa pela cidade. O peregrino que deseje realizar esta rota deverá iniciá-la em Sevilha ou Mérida e chegar a Astorga, no norte do país, para então pegar o Caminho Francês que o levará até Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABenavente foi palco de vários acontecimentos históricos relevantes. Em 1230 foi cenário do chamado “Convênio de Benavente“, que possibilitou a união dos reinos de Castilla e León, durante o reinado de Fernando III. Um dos grandes benfeitores da cidade foi Fernando II, que a repovoou e lhe concedeu um foro em 1167. Em 1398, reinando Enrique III, Benavente passa a ser um Condado pertencente a D.Juan Alonso Pimentel, cuja nobre dinastia se manteve vinculada à cidade até o século XIX. Atualmente, Benavente é um dos principais centros econômicos da província, tanto por seu dinamismo quanto por sua estratégica localizaçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos monumentos mais importantes da cidade é a Torre do Carracol, uma das poucas partes conservadas do antigo Castelo da Mota, propriedade dos Condes de Benavente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da Mota foi considerado uma das fortalezas mais suntuosas da Espanha, segundo os testemunhos de viajantes que visitaram o local. Infelizmente foi destruído pelos franceses durante a Guerra da Independência no início do século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre do Caracol foi construída no princípio do século XVI pelos IV e V Condes de Benavente, combinado elementos do gótico e do renascimento. Atualmente integra as dependências do Parador de Turismo da cidade (rede hoteleira que se caracteriza por instalar seus estabelecimentos em edifícios históricos). A fachada principal conserva ainda o escudo dos proprietários…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASempre que possível, visito os Paradores Nacionais para tomar um café e visitar algumas de suas dependências. O interior do Parador de Benavente é belíssimo, e pude tirar várias fotos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos destaques da torre é o artesanato mudéjar que decora uma de suas salas, procedente de um antigo convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre do Caracol foi declarada Monumento Nacional por sua importância histórica e artística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção famosa de Benavente é o Hospital da Piedade, edificado como hospital de peregrinos pelo V Conde de Benavente e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmbora sua fachada esteja decorada com elementos próprios da Arte Gótica, é considerada um excelente exemplo da primeira fase do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central da fachada vemos uma escultura que representa a Piedade, franqueada pelos escudos dos fundadores. Na parte superior, uma concha recorda sua ligação como hospital de peregrinos.  Hoje em dia acolhe um asilo para idosos, mas é possível visitar seu belo pátio interior.

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Igreja de San Román – Toledo

Toledo é uma cidade com um patrimônio histórico-artístico riquíssimo, e muitos dos locais mais interessantes ainda permanecem desconhecidos pelos turistas. Um exemplo é a bela Igreja de San Román, situada na parte mais alta da cidade. Este templo é um dos mais curiosos da cidade, por conservar sua estrutura mudéjar do século XIII e por apresentar em seu interior um excepcional conjunto de Pinturas Românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da escassez de dados, se pode afirmar que a origem desta igreja se remonta à época visigoda, graças a restos arqueológicos encontrados em seu interior em 1968, ano em que o processo de restauração da igreja finalizou-se. Com a chegada dos árabes no século VIII, o templo foi reutilizado como uma mesquita (foram encontrados no século XVI sepulcros muçulmanos em seu interior).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo paróquia do período cristão aparece documentada por primeira vez em 1125, ainda que sua estrutura atual pertence ao século XIII (1221). A Igreja de San Román apresenta uma clara influência construtiva islâmica, tanto em sua arquitetura exterior, quanto em seu formidável interior.  Na foto acima, vemos uma imagem da torre, um exemplo do Mudéjar Toledano, edificada no final do século XIII e começo do XIV. A visita ao templo permite subir ao alto da mesma…

20160503_113012O interior, belíssimo, está formado por três naves separados por Arcos de Ferradura, típicos da arquitetura islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcos se encontram apoiados por colunas e capitéis de época romana e visigoda, que foram reutilizados quando o templo foi usado como mesquita. Até 1926, as paredes e os arcos estavam pintados de branco, quando foram descobertas as pinturas que decoram todo o interior da igreja. Especialistas foram capazes de remover a antiga pintura e mostrar as pinturas românicas originais do templo, realizadas no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto de pinturas está formado por 3 estilos distintos. Em primeiro lugar, aparecem as pinturas mudéjares, caracterizadas por motivos geométricos, vegetais e epigráficos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior dos arcos (em arquitetura denominado intradós), aparecem figuras de santos, profetas e bispos com um olhar frontal, que recordam as pinturas italianas de estilo bizantino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente aparecem as pinturas de composição narrativa, feitas com maior naturalismo e movimento. Podemos apreciar vários episódios e personagens bíblicos, como a Ressurreição dos Mortos, os Apóstolos Evangelistas, o Pecado Original e o Paraíso, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, uma família nobre de Toledo adquiriu o espaço pertencente à capela maior para que se transformasse em sua cripta particular. Para a realização da reforma, foi encarregado um dos melhores arquitetos do Renascimento Espanhol, Alonso de Covarrubias, que foi o responsável pelo intenso plano de revitalização da cidade durante o reinado de Carlos I, quando Toledo passou a ser a capital do Império. Abaixo, vemos uma imagem da capela maior, cujo retábulo foi executado por Diego Velasco, e da cúpula renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva uma Pia Batismal do século XV…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das capelas do templo podem ser vistos vários sepulcros antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma lauda sepulcral de 1400, composta por inscriçoes góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1968, a Igreja de San Román passou a acolher o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda. Em 1931, foi declarada de forma merecida Monumento Histórico-Artístico de caráter nacional.

Belos Ayuntamientos de España

Prosseguindo com a série sobre os edifícios sedes das Prefeituras de España, neste post e no próximo publicarei uma lista com alguns dos mais Belos Ayuntamientos do país. Evidentemente, trata-se de uma seleção totalmente subjetiva, levando em consideração apenas aqueles edifícios que tive a oportunidade de conhecer em minhas viagens pelo país. Alguns dos Ayuntamientos mais bonitos foram erguidos no século XVI, durante o Renascimento, período de grande florescimento na Arquitetura Civil Espanhola. Um exemplo é o Ayuntamiento de Úbeda, cujo edifício da Prefeitura está situado numa das praças mais impressionantes da Espanha. A cidade, junto com sua “irmã” Baeza, foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela excelência de seu conjunto renascentista preservado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto que levei em conta nesta lista, além da beleza do edifício, é sua própria localização, como ocorre com o Ayuntamiento de Morón de Almazán, um povoado da Província de Sória (Comunidade de Castilla y León) que possui um dos mais interessantes conjuntos renascentistas em terras castelhanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm edifício que não poderá faltar em nenhuma lista dos mais Belos Ayuntamientos de España é o de Tarazona, situado na Província de Zaragoza (Comunidade de Aragón). Sua fachada com uma grande riqueza de elementos decorativos é excepcional. Concluído em 1557, foi levantado junto à muralha da cidade e está composto por escudos, figuras mitológicas, alegorias, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo período barroco, se conservam belos exemplos, como o Ayuntamiento de Salamanca (Castilla y León), situado numa das Plazas Mayores mais fascinantes do país, concluído em 1755.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ayuntamiento de Pamplona (Comunidade de Navarra) também pertence ao século XVIII, sendo inaugurado em 1759. De seu balcão principal se inaugura uma das festas de maior renome do país, dedicado ao padroeiro da cidade, San Fermín, conhecida internacionalmente pelo Encierro de San Fermín, em que os touros correm num trajeto de quase 1 km pelo centro da cidade, junto com um grande número de valentes (e muitas vezes inconsequentes) participantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1791 é o Ayuntamiento de Ocaña (Castilla La Mancha), situado numa belíssima Plaza Mayor, que se caracteriza pela harmonia e homogeneidade arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com o Ayuntamiento de Alicante (Comunidade Valenciana), um exemplo do Barroco Levantino. Erguido no século XVII, foi reconstruído no século XVIII. Sua planta nobre está formada por 5 balcões, destacando em sua fachada as duas torres situadas nas esquinas.

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Museu de Belas Artes – Parte 2

O acervo permanente do Museu de Belas Artes de Valencia inclui importantes obras de duas escolas fundamentais na evolução da História da Arte, o Renascimento e a Pintura Flamenca. A cidade foi uma das portas de entrada na Península Ibérica das novas idéias humanistas provenientes tanto da Itália, graças aos intensos contatos políticos com Sicília e Nápoles, então parte integrante do Império Espanhol, como também através da cidade francesa de Avigñon, na época sede pontifícia. Esta proximidade fez com que Valencia se tornasse um foco da cultura renascentista, que na Espanha tardou em implantar-se devido a persistência, principalmente religiosa, em relaçao à Arte Gótica. No século XVI, o Renascimento Italiano triunfa em todo o continente, e sua assimilação em território espanhol resulta inevitável. Abaixo, vemos um quadro intitulado “Virgen de las Fiebres“, pintado pelo italiano Bernardino di Benedetto Biagio (1454/1513), que representa os vínculos existentes entre Valencia e Roma nos finais do século XV graças à família dos Borgia. Francisco de Borgia, que aparece no lado direito do quadro, ocupou cargos importantes na corte pontifícia na época de seu parente, o Papa Alejandro VI. A Virgem, representada como Mãe da Sabedoria, ensina o filho a ler. Este quadro teve uma forte repercussão em Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à temática, escassos sao os quadros pintados por artistas espanhóis do Renascimento que tratam de temas mitológicos e de nus femininos, abundantes na Itália, devido ao predomínio dos temas religiosos que persistem no país. Um exemplo é o quadro da “Purísima Concepción” de Nicolás Falcó, artista ativo em Valencia no final do século XV e início do XVI. Pertencente à fase inicial do Renascimento Espanhol, a obra apresenta um marcado caráter eucarístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro artista que desenvolveu sua carreira em Valencia, já no período de maturidade do Renascimento no país (segundo quarto do século XVI), ficou conhecido como Mestre de Alzira. Este artista anônimo recebeu este nome devido a um retábulo dedicado à Virgem que realizou para uma igreja situada na cidade de Alzira, sendo considerado um dos personagens mais interessantes do panorama artístico valenciano da primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a obra por ele realizada “Cristo sobre o sepulcro com três anjos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia possui uma grande tradição artística, que se reflete na importância de alguns de seus pintores mais famosos. Juan de Juanes (1523/1579) é um deles, um nome fundamental do Renascimento Espanhol. Foi um dos criadores de imagens religiosas de maior popularidade na época e o mais importante pintor valenciano de seu tempo. Influenciado por Rafael, suas obras destacam pelo intenso colorido e perfeito equilíbrio compositivo. A seguir vemos um “Ecce Homo“, pintado por ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas obras mais conhecidas é este quadro da “Santa Ceia“, que retrata o momento em que Jesus anuncia que será traído por um de seus apóstolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADocumentado em Valencia entre 1505 e 1525, o pintor Fernando Llanos é de origem castelhano e colaborou com Leonardo da Vinci em Florença. O Museu de Belas Artes possui uma bela obra sua, o quadro “Flagelación“, pintado em 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes impulsores da arte de sua época foi o Rei Felipe II, verdadeiro mecenas  que colaborou para a assimilação da arte clássica. O Monastério de El Escorial, construído em seu reinado, tornou-se o modelo arquitetônico do Renascimento Espanhol, influenciando notavelmente as construções posteriores. Abaixo, vemos um retrato do monarca realizado por um anônimo flamenco no século XVI, que segue as tendências dos retratos cortesanos impostos pelo pintor holandês Antonio Moro (1519/1579) e o valenciano Alonso Sánchez Coelho (1531/1588).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pintura Flamenca foi uma das escolas preferidas pelos monarcas espanhóis, junto com a italiana. Abaixo, vemos um exemplo, o quadro de São Sebastião sendo atendida pela viúva Irene e sua criada, realizado por Matthias Storm (1600/1650), um discípulo de Caravaggio. O corpo do santo é iluminado por uma fonte de luz ausente do quadro, criando um ambiente melancólico e meditativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os grandes nomes da Pintura Espanhola presentes no acervo do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Museu Catedralício de Valencia

A visita à Catedral de Valencia se completa com o Museu Catedralício, criado em 1954 com o objetivo de catalogar peças de destacado valor procedentes de várias instituições religiosas da cidade. Encontra-se ao lado da catedral, mas sua entrada se dá pelo interior da mesma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua coleçao está composta de pinturas, esculturas e objetos religiosos de grande qualidade artística, e que abrangem várias épocas distintas. No Museu, por exemplo, podemos contemplar as estátuas originais dos apóstolos realizadas para a porta gótica da catedral, a Porta dos Apóstolos, que vimos recentemente (século XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO fato de não apresentarem seus atributos (a chave do apóstolo Pedro, por exemplo) dificulta a identificação dos apóstolos representados. Outra escultura que me impressionou foi a do Mau Ladrão, realizada por Juan Muñoz no século XVI. Feita em madeira, formava parte de um calvário que decorava o retábulo renascentista da Igreja de San Martín de Valencia. Seu rosto mostra o desespero do condenado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Catedralício conta com uma coleção de pinturas maravilhosas, com destaque para os séculos XV e XVI. Abaixo, vemos o quadro intitulado “A Dúvida de Santo Tomás“, realizado em 1400 pelo artista Marsal de Sax. Nota-se uma congestão espacial dos personagens…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo século XVI vemos várias obras, entre as quais este Retábulo de San Narciso, pintado por Franci Joan. San Narciso foi um bispo de Gerona no século IV, e alguns dos episódios principais de sua vida foram retratados nesta série de 3 quadros. No primeiro, à esquerda, vemos um milagre a ele atribuído, a ressurreição de uma defunta. No quadro central, o martírio do santo e, à direita, o chamado Milagre das Moscas, quando uma epidemia deste inseto expulsou a Felipe de Borgoña, que havia saqueado a cidade de Gerona no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola valenciana de pintura, destaca esta obra onde se representa o momento em que Cristo é retirado da Cruz (em espanhol, Descendimiento). O dramatismo da cena é visível nos personagens retratados, as Três Marias (Salomé, Madalena e Cleofás), São João, a Virgem Maria, José de Arimatea e Nicodemo. No quadro vemos a influência do renascimento italiano no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo chamado Mestre de Alzira, vemos “Los Improperios“, uma obra encarregada pelo cabildo de Valencia com a finalidade de impor silêncio em algumas dependências religiosas, recordando que Jesus se calava enquanto o torturavam. A serenidade de Cristo é uma referência de como os cristãos deveriam comportar-se diante das adversidades da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes destaques da coleção pictórica do Museu Catedralício constituem as obras do grande pintor valenciano Juan de Juanes, considerado um dos expoentes máximos da Pintura Renascentista Espanhola. Criador de de imagens religiosas que se tornaram muito populares, nele se observa a influência da pintura italiana do período (século XVI), como no quadro da “Última Ceia“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro pintado por Juan de Juanes em que representa o Anjo Custódio do Reino de Valencia, protetor da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pintor valenciano realizou inúmeros quadros com a temática do Salvador Eucarístico, como o que vemos a seguir. Seu modelo mais característico representa a Cristo de meio corpo, segurando a hóstia e o cálice na outra mão, ou então numa mesa. O fundo escuro ressalta o rosto de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOtro pintor valenciano de grande prestígio, Vicente López Portaña (1772/1850) ficou conhecido como um Mestre dos Retratos, mas deixou algumas obras de caráter religioso, como esta abaixo, intitulada “A Adoração dos Pastores“. Sua pintura se insere dentro do contexto neoclássico. Realizado em 1800, este quadro pertence à juventude do pintor, e impressiona a luz que irradia da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos quadros e esculturas, uma sala do museu exibe uma ampla coleção de relicários antigos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALivros antigos feitos de pergaminho também podem ser admirados, como este, do século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui as zonas onde foram encontrados restos arqueológicos no subsolo da catedral. Podemos observar desde edifícios de época romana, um muro pertencente ao período islâmico, além de um cemitério antigo do século XIII que preserva enterramentos humanos.

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Esculturas do Museu do Prado

Apesar de ser reconhecido internacionalmente como uma Pinacoteca, ou Museu de Pinturas, o Museu do Prado possui cerca de 900 esculturas em seu acervo artístico. Como no caso das pinturas, as esculturas formavam parte das coleções dos Reis da Espanha. Algumas das obras mais importantes estão situadas no claustro do desaparecido Monastério de San Jerónimo, que foi restaurado e colocado dentro do novo edifício projetado por Rafael Moneo durante as obras de ampliação do museu, finalizadas em 2007.

DSC09089O núcleo central da coleção de escultura formou-se na primeira metade do século XVI, durante o reinado de Carlos I. A ele se deve um excepcional conjunto  de obras, os retratos familiares de corpo inteiro que o monarca encarregou aos escultores italianos Leone Leoni (1509/1590) em 1549, e que foram finalizados por seu filho Pompeo Leoni (1530/1608). Consideradas obras primas da Escultura Renascentista, foram realizadas em bronze e Mármore de Carrara, materias perfeitos para exprimir os valores de nobreza e eternidade. Representam o próprio imperador e os membros mais próximos de sua família. Abaixo, vemos o monarca Carlos I (1500/1558), uma escultura realizada em mármore em 1553, na qual o rei aparece vestido com uma armadura e um medalhão que representa a Marte, Deus da Guerra. Carlos I foi o único Rei Espanhol proclamado Imperador, por ter sido Rei da Espanha e também do Sacro Império Germânico.

DSC09085Carlos I casou-se com sua prima Isabel de Portugal (1503/1539) em 1526. Foi a primeira e única esposa do rei, que sentiu por ela um profundo amor. Faleceu em Toledo no ano de 1539, com apenas 36 anos. Para recriar sua imagem, Leone Leoni recorreu a um retrato da imperatriz pintado por Ticiano, que se conserva no Museu do Prado.

DSC09075A seguir vemos um relevo do casal real, encarregado a Leone Leoni em 1549, e terminado em Milão 6 anos depois. Feitos de mármore e decorados com motivos da Mitologia Clássica.

DSC09077 Maria de Hungria (1505/1558), irma de Carlos I, casou-se em 1521 com Luis II, Rei da Hungria, que veio a falecer 5 anos depois. Entre 1531 e 1556 foi a regente dos Países Baixos. Na escultura, aparece vestida como viúva. Encarregada a Leone Leoni em 1548, foi realizada em bronze.

DSC09080Um dos filhos que Carlos I teve com Isabel de Portugal, Felipe II (1527/1598) foi o responsável por trazer de forma permanente a capital do Império Espanhol para Madrid, em 1561. Entre 1554 e 1558 foi também Rei da Inglaterra, graças ao seu casamento com Maria Tudor. Abaixo vemos sua escultura, realizada em bronze e fundida em 1551.

DSC09073Felipe II também aparece num busto feito de alabastro e atribuído a Pompeo leoni (1560).

DSC09083Os dois escultores, pai e filho, foram também os responsáveis de outras obras primas do Renascimento Espanhol, os mausoléus do Imperador Carlos I e Felipe II, que podemos ver no Monastério de El Escorial. Finalizo a matéria comentando que o claustro é o único local do Museu do Prado onde as fotos estão permitidas…

 

Palácios de Ávila: Parte 3

Um dos mais belos Palácios de Ávila é a denominada Torre de los Guzmanes, uma grande estrutura defensiva construida no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo muitos outras residências nobres da cidade, este palácio possui um belo pátio interior, composto de dois níveis, sendo que o inferior está decorado com os escudos das famílias que nele habitaram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1878 o rei Alfonso XII se hospedou neste palácio, fato recordado por uma inscrição situada no vão de uma de suas portas do pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o palácio é a sede dos deputados da Província de Ávila, além de um local onde se organizam exposições temporais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio que apresenta sua fachada mais ornamentada é o conhecido Palácio de Polentinos, edificado na primeira metade do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste palácio é um exemplo do chamado Estilo Plateresco, que se desenvolveu durante a etapa inicial do Renascimento na Espanha, caracterizando-se por sua rica ornamentação, tanto exterior, quanto interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFeita de granito, a fachada compoem-se de uma rica iconografia formada por felinos, armaduras, espadas e escudos, além de medalhões, bem ao gosto plateresco. Na parte intermediária, vemos o escudo da família dos Contreras, proprietário original do palácio. Depois, passou a ser propriedade dos Condes de Polentinos, que deu o nome ao palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pátio é belíssimo, decorado com medalhões e escudos relacionados com a linhagem da  oito famílias dos Contreras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a escada de acesso ao nível superior do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o Palácio de Polentinos é a sede do Arquivo Geral Militar e também Museu da Intendência, que foi criado para comemorar o centenário deste corpo militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVale a pena visitar o museu, que conta a história do Corpo de Intendência com interessantes objetos, que possibilitam a compreensão de sua atuação dentro do contexto geral do exército. Também aborda diferentes aspectos da história militar da Espanha, como suas batalhas, uniformes de soldados, estratégia militar, etc.

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