Centenário do Metrô de Madrid – Parte 3

Outra das interessantes iniciativas realizadas para se comemorar o Centenário do Metrô de Madrid foram os ensaios fotográficos nos quais vemos várias personalidades do mundo cultural e esportivo da Espanha e também do exterior. Um exemplo foi o cantor e compositor Joaquin Sabina, que mencionou o Metrô de Madrid em uma de suas canções, intitulada “De caballo de cartón“, na qual diz: “Tirso de Molina, Sol, Gran Vía, Tribunal, dónde queda tu oficina para irte a buscar ?”

20190416_110217O jogador de futebol Koke, do Atlético de Madrid, também participou das sessões fotográficas, salientando a importância do metrô para os torcedores que utilizam o transporte público para chegar ao Wanda Metropolitano, o novo estádio do clube.

20190416_110255A atleta paraolímpica de esgrima e primeira deportista a alcançar uma montanha com mais de 3 mil metros com uma cadeira de rodas, Gema Hassen-Bay, foi outra personalidade participante…

20190416_110334Como comentei no post anterior, o Metrô de Madrid é considerado um dos mais acessíveis do mundo. As primeiras escadas rolantes foram instaladas no começo da década de 60, e atualmente 63 % de toda a rede metroviária possuem elevadores e escadas rolantes (com quase 1700 escadas rolantes em suas linhas), cifra superada somente pelo Metrô de Shangai, na China. Abaixo vemos uma delas na Estação de Chamartín, que foi devidamente decorada para a comemoração do centenário.

20190416_11374920190416_113831 Até 1931, os trens do metrô possuíam um escudo com símbolos monárquicos, devido à participação do Rei Alfonso XIII como acionista da Companhia Metropolitana Alfonso XIII. O escudo foi inspirado no Escudo da cidade de Madrid da época, com o “Urso e o Madroño” no lado direito e um “dragão” no lado esquerdo. Atualmente o escudo da cidade está composto apenas pelo urso e a árvore, denominada Madroño

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, com a implantação da Segunda República, os símbolos monárquicos foram proibidos e, durante algum tempo, os trens deixaram de ter o escudo. A partir de 1942 se adotou outro escudo, formado por uma letra C com 2 letras M, iniciais da Cia Metropolitana de Madrid, a nova denominação da empresa…

20190416_112957Já o logotipo da empresa foi criado pelo arquiteto Antonio Palacios, responsável pelas primeiras estações e sua decoração, inspirando-se no “Underground” de Londres, com as mesmas cores, vermelho e azul, mas com um formato diferente. Abaixo, vemos a evolução dos logotipos do Metrô de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma séries de logotipos representando várias estações do Metrô de Madrid

20190416_110139Na década de 60, devido ao incremento do número de passageiros, o Metrô de Madrid decidiu ampliar o comprimento das plataformas de 60 a 90 m, com a finalidade de colocar trens com maior capacidade, de até 6 vagões. A Estação de Chamberí, que integrava a linha original de 1919 e também projetada por Antonio Palacios, foi fechada em 1966 pela impossibilidade de se realizar a reforma, pois encontrava-se numa curva. Durante anos esteve abandonada, mas foi restaurada e hoje em dia é um museu que se pode visitar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Hoje em dia, o Metrô de Madrid alcança 294 km, formado por 12 linhas principais e chegando a 12 municípios situados próximo à cidade. Abaixo, vemos uma plataforma atual da linha 1, com fotos antigas que pertencem ao arquivo histórico do Metrô de Madrid, colocadas para a comemoração do centenário, muitas das quais estou publicando nesta série…

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Centenário do Metrô de Madrid – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos outros aspectos históricos de interesse deste popular sistema de transporte público da capital espanhola, através de fotos antigas pertencentes ao arquivo do Metrô e de fotos realizadas por mim. Como comentei no primeiro post, a linha inaugural ligava a Puerta del Sol, no centro da cidade, com o bairro de Cuatro Caminos, uma zona industrial importante na época, cuja imagem vemos abaixo, uma foto tirada no início do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se construíram as oficinas mecânicas da companhia metroviária, que foram utilizadas durante um bom tempo no século XX, como podemos ver a seguir…

20190416_11214620190416_111453Abaixo, vemos o local em construção…

20190416_112223O Metrô de Madrid foi pioneiro na inserção da mulher no mercado de trabalho. Aquelas que conseguiram um posto de trabalho nas bilheterias foram as primeiras, junto com as telefonistas empregadas na empresa Telefônica, cuja sede se encontra também em Madrid. Somente podiam ocupar o emprego se estivessem solteiras. No momento em que se casavam, eram obrigadas a abandonar o trabalho, segundo o costume da época. Esta norma esteve vigente até 1984 ! A primeira mulher maquinista apareceu somente em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o corpo de funcionários do Metrô de Madrid está formado por mais de 7 mil funcionários. Abaixo, vemos outra foto antiga de empregados da empresa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o metrô serviu como local de refúgio para a população, como aconteceu com muitas outras cidades européias durante a Segunda Guerra Mundial.

20190220_085904Muitos trens do metrô passaram a ser utilizados como ambulância durante o conflito…

20190416_111333Em 1924 se inaugurou a central elétrica que abasteceu de energia o sistema metroviário da cidade. Composta por 3 motores Diesel, foi a estação elétrica de maior potência da Espanha na época, sendo desativada nos anos 50. Durante a Guerra Civil foi a responsável do abastecimento de energia elétrica da cidade, Atualmente forma parte do patrimônio industrial de Madrid e pode ser visitada, pois foi transformada num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das primeiras estações construídas na linha inaugural contavam com elevadores manejados por ascensoristas, sendo que o primeiro elevador foi instalado em 1920. Abaixo, vemos a entrada da Estação de Gran Vía, projetada pelo arquiteto Antonio Palácios. Feita de granito, ferro e vidro, funcionou até 1970, quando foi desmontada e levada até o povoado de Porriño, situado na Galícia, local de nascimento do famoso arquiteto espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté 1960, a profundidade médias das estações do Metrô de Madrid era de 9m. Em 1962, chegou aos 18m, quando as escadas rolantes começaram a funcionar. No final do século passado, a profundidade média chegou aos 25m. Atualmente, o Metrô de Madrid é considerado um dos sistemas de transporte de maior acessibilidade do mundo. Abaixo, vemos a Estaçao de Chamartín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos cartazes comemorativos foram colocados nas estações da linha 1 com a celebração do centenário do Metrô. Neles podemos observar as diferenças na evolução  tecnológica dos trens ao longo dos anos, além da inclusão de novos “passageiros”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a segunda parte desta série com uma foto atual da Estação Sol, a primeira em ser construída em 1919…

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Centenário do Metrô de Madrid

O Sistema Metroviário de Madrid foi tema de duas matérias publicadas em 4/12 e 5/12/2012, momento em que abordei vários aspectos curiosos do transporte público da cidade. Este ano de 2019 constitui um ano especial, pois o Metrô de Madrid está completando seu centenário, e muitas iniciativas interessantes estão sendo realizadas pela companhia para celebrá-lo, como exposições de fotos antigas pertencentes ao arquivo histórico do Metrô, que podemos ver nas estações da primeira linha inaugurada em 17/10/1919.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sistema metroviário de Madrid foi pioneiro na Espanha, revolucionando a mobilidade urbana e tornando-se com o tempo no transporte por excelência de seus habitantes. O primeiro metrô construído no mundo foi o de Londres, inaugurado em 1863. Depois vieram o de Chicago (1892), Budapest e Glasgow (1896), Boston (1897), Paris (1900), Berlín (1902), Atenas e Nova York (1904), Filadélfia (1907), Hamburgo (1912), Buenos Aires (1913) e Madrid (1919). A chegada do Metrô à capital da Espanha representou uma grande transformação para Madrid, convertendo-se numa cidade moderna como muitas outras metrópoles européias.

DSC03506Para a construção da primeira linha do metrô, o custo foi de 8 milhões de pesetas, dos quais a metade foi patrocinado pelo Banco Vizcaya, 3 milhões provenientes dos engenheiros fundadores da companhia e de particulares e 1 milhão de pesetas pagos pelo próprio Rei Alfonso XIII, na época monarca reinante da Espanha. Por este motivo, inicialmente o Metrô de Madrid recebeu a denominação de Companhia Metropolitana Alfonso XIII, sendo o rei um de seus principais acionistas e a primeira pessoa em realizar o trajeto inaugural da linha norte-sul, que ligava a Puerta del Sol (centro da cidade) com o Bairro industrial de Cuatro Caminos, uma zona industrial com uma grande quantidade de população obreira residente. Abaixo, vemos o Rei Alfonso XIII  no centro da foto no dia inaugural da linha.

20190416_113721OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro trecho compreendia 8 estações, com um trajeto de quase 4km, sendo que o trem realizava o percurso numa velocidade de 25 km/h. O trajeto era realizado em cerca de 10 minutos e o bilhete custava 15 centavos de peseta. Na época, Madrid tinha uma população de 750 mil habitantes, e no primeiro dia da inauguração do metrô utilizaram o novo sistema de transporte público 56 mil pessoas. Atualmente, Madrid é a maior cidade espanhola com aproximadamente 3.2 milhões de habitantes e diariamente utilizam o metrô 2.3 milhões de viajantes. Abaixo, vemos duas fotos em que vemos as primeiras obras de construção da linha 1 na Puerta del Sol, em 1917, e na então estação final de Cuatro Caminos, em 1918.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a linha inaugural norte-sul está integrada na Linha 1 do Metrô de Madrid e conta com 33 estações num total de 24 km, unindo 8 distritos de Madrid e considerada a segunda em número de passageiros, superada apenas pela linha circular que rodeia a cidade. A seguir vemos uma foto atual da Puerta del Sol, um local emblemático da capital, e uma de suas portas de acesso ao metrô…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto Antonio Palacios, personagem imprescindível da arquitetura madrilenha da primeira metade do século XX, foi durante os primeiros 25 anos da Cia Metropolitana Alfonso XIII o responsável pelo projeto das estações e também do logotipo da empresa. Inspirado na Arte Decô, Palácios proporcionou o estilo decorativo dos vestíbulos e das portas de acesso ao interior do Metrô de Madrid. Abaixo, vemos a entrada da Estação Sol, numa imagem dos anos 20 do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo elemento decorativo principal, Antonio Palacios utilizou azulejos brancos com a finalidade de criar um ambiente interno acolhedor, como podemos observar na Estaçao Tirso de Molina, que conserva seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma aquarela pintada pelo próprio arquiteto representando o interior da Estação Sol

20190416_111106Finalizo esta primeira matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid com duas fotos em que vemos a Estação Sol nos anos 60…

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Ayuntamiento de Madrid

Finalizando esta série sobre os Ayuntamientos de España, no post de hoje vocês conhecerão o edifício histórico da Prefeitura de Madrid. Está situado na Plaza de la Villa, um dos locais mais bonitos do centro histórico da capital, junto à Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de la Villa ostenta esta denominaçao desde o século XV, quando Madrid recebeu o título de “Noble y Leal Villa“, outorgado pelo Rei Enrique IV. Antes, o local se chamava Plaza de San Salvador, em virtude da igreja homônima que se localizava em frente à praça. No átrio desta igreja se realizava o Conselho de Madrid desde o século XIV, função que exerceu até o final do século XVI, sendo que no século XIX foi derrubada. Atualmente, o espaço da igreja está ocupada por edifícios de finais do século XIX, e uma placa recorda a existência do templo religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo sendo Capital da Espanha desde 1561, Madrid demorou em ter um edifício próprio como sede do Ayuntamiento. A construção da denominada Casa de la Villa iniciou-se em 1645, segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora, um dos principais arquitetos da época, durante o reinado de Felipe IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo construtivo durou 48 anos, e o Edifício do Ayuntamiento foi inaugurado em 1693. Depois da morte de Juan Gómez de Mora, outros arquitetos de importância retomaram o curso das obras, como José de Villareal, Sebastián Hurtado, José de Olmo e Teodoro Ardemans, que realizou os últimos detalhes do edifício e sua decoração exterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi edificada sobre as residências que pertenceram a D.Juan de Acuña, que recebeu o título de Marqués del Valle. O edifício se caracteriza por seu desenvolvimento horizontal, com duas torres cobertas com uma estrutura de pizarra nas esquinas (pedra de ardósia, em português). Os materiais construtivos se restringem à pedra de granito e o tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi alvo de algumas reformas, como a sucedida em 1798, quando o famoso arquiteto Juan de Villanueva construiu um balcão na fachada que dá para a Calle Mayor, para que os monarcas pudessem assistir as procissões de Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua função principal como Casa Consistorial, na Casa de la Villa funcionou também a Prisão da cidade. No começo do século XX, o arquiteto Luis Bellido construiu uma passagem unindo o Ayuntamiento com o antigo Palácio de Cisneros (construído em 1537 por Benito Jiménez de Cisneros, sobrinho do famoso Cardeal Cisneros), que havia sido adquirido pela prefeitura em 1906 para ampliar suas instalações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada principal podemos ver no lado esquerdo o Escudo de Madrid, o “Urso e o Madroño“, e o Escudo Real no centro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto antiga da Plaza de la Villa e o Ayuntamiento de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ uma pena que atualmente a Casa de la Villa não esteja  aberta à visitação pública, pois seu interior está formado por belas dependências e conta com uma rica coleção de obras de arte. No entanto, estas sim podem ser admiradas, pois muitas delas se encontram expostas no Museu de História de Madrid, situado na Calle de Fuencarral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi a sede do Ayuntamiento de Madrid desde o final do século XVIII até 2007, quando foi transferido para outro belo edifício, o Palácio das Comunicações, situado na conhecida Plaza de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntiga sede dos Correios e Telégrafos da Espanha, o Palácio das Comunicações foi construído no início do século XX pelos arquitetos Antonio Palacios e Joaquín Otamendi. Atualmente, funciona como um centro cultural, e em sua parte traseira se instalou o Ayuntamiento de Madrid. Abaixo, vemos o edifício iluminado e a parte traseira com sua imponente cúpula de cristal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Casa de la Villa é utilizada apenas como local de eventos oficiais e recepções.

Hospital de Maudes – Madrid

Neste último post sobre a obra arquitetônica de Antonio Palacios, veremos o Hospital de Maudes, seu segundo projeto executado em Madrid, junto com seu colega Joaquín Otamendi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção foi finalizada em 1916, ano em que recebeu um prêmio da prefeitura de Madrid. o projeto foi encarregado ao arquiteto por D.Dolores Romero, uma rica viúva sensível aos problemas que afetavam a classe obreira no bairro de Quatro Caminos, onde se localiza. Em concreto, aos jornalistas da região, um grupo bastante numeroso na época. Por estar localizado numa região pouco turística, este edifício passa desapercebido, não sendo conhecido, muitas vezes, nem pelos próprios madrilenhos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes da construção do Hospital de Maudes os jornalistas, quando ficavam doentes, tinham que ser ingressados em centros médicos distantes da zona onde viviam. Neste novo hospital benéfico de caráter gratuito, os hospitalizados recebiam toda a atenção necessária, desde sua entrada até seu pronto restabelecimento. O local recebeu a advocaçao de São Francisco de Paula e foi dotado das mais modernas instalações da época. Se conta, que nos anos 20, quando alguém tinha um pequeno resfriado ou  sentia uma dor de nada, rapidamente acudia ao centro para poder aproveitar, durante alguns dias,  sua confortável infraestrutura e passar alguns momentos de total relax…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de sua semelhança com o Palácio das Comunicações, neste edifício Antonio Palacios rompeu completamente com toda a tradição da arquitetura hospitalar. Para sua elaboração, utilizou 5 diferentes tipos de pedra: calcária, granito, mármore, ardósia e silício. Os painéis cerâmicos que decoram o conjunto foram realizados por Daniel Zuloaga, um dos grandes ceramistas do país. Os pátios e os jardins internos que o conformam tornavam o local agradável e propício para a recuperação dos enfermos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada principal do hospital foi situada a igreja, que pude visitar recentemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a bela cúpula do interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs belos vitrais que ornamentam a igreja foram feitos pela prestigiada Casa Maumejeán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da Guerra Civil, o Hospital de Maudes perdeu seu caráter assistencial para os jornaleiros e transformou-se num hospital militar. Em 1969, foi abandonado e fechado. A partir de então, entrou num lento processo de deterioração, e somente começou a ser restaurado depois de 10 anos, quando foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Nos anos 80, foi finalmente comprado pela Prefeitura de Madrid, que o destinou a um órgão público.

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Antonio Palacios – Parte 2

A transformação de Madrid numa grande metrópole, nos moldes das grandes capitais europeias a partir do início do séc. XX, se deve em grande parte ao arquiteto Antonio Palácios. Na capital espanhola, se conservam aproximadamente 30 obras de sua autoria, algumas delas executada junto com seu amigo Joaquín Otamendi, como vimos no post último. Uma de suas maiores influências foi a Escola  de Chicago, que começou a impor-se nos Estados Unidos no final do séc. XIX. Podemos notar esta influência nos edifícios realizados pelo arquiteto nas principais avenidas de Madrid, como por exemplo, na Gran Vía. A denominada Casa Matezans, por exemplo, foi sua primeira construção na emblemática rua madrilenha, e tornou-se um ícone da mesma. Finalizada em 1923, seu nome procede do sobrenome de seu primeiro proprietário, sendo considerada um dos primeiros centros comerciais construídos no estilo americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício combinava escritórios com estabelecimentos comerciais, e caracteriza-se pela utilização do vidro, que proporciona uma excelente fonte de iluminação e as colunas de ordem gigantes, uma das marcas registradas do autor. Bem próximo, também na Gran Vía, situa-se outro edifício de Palacios, o Hotel Avenida, o único edifício realizado com a função de hotel em toda a sua carreira. Atualmente, é propriedade da cadeia hoteleira Tryp.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Calle Mayor, encontramos a Casa Palazuelo, finalizada dois anos antes que a Casa Matezans. Trata-se do primeiro edifício construído em Madrid com finalidade exclusivamente comercial. Antonio Palacios, além dos projetos que executava, cuidava de todos os detalhes decorativos, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas que passeiam pela Calle Mayor não imaginam a verdadeira joia que se encontra no interior deste edifício, que pode ser visitado nos horários comerciais. Abaixo, vemos algumas imagens, em que observamos a complexidade e beleza de sua construção, iluminada por um grande vitral situado no alto edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Palacios desempenhou também um papel decisivo nas obras do Metrô de Madrid, cuja primeira linha inaugurou-se em 1919. Ele foi o responsável pela decoração interna das linhas. Além de azulejo branco, ideal para a iluminação das estações e para diminuir a sensação claustrofóbica, incorporou a utilização de materiais cerâmicos realizados por artistas de renome, colaborando para o desenvolvimento das Artes Decorativas. Apesar das inúmeras reformas realizadas no metrô desde então, em algumas estações ainda podemos contemplar o trabalho de Palácios, como na Estação Tirso de Molina, que integra a primeira linha do transporte metroviário da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra estação que conserva os elementos originais elaborados por Palácios é a de Chamberí, que foi desativada há décadas e hoje é um museu no qual podemos observar como eram as antigas estações de Metrô da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Palacios foi também o idealizador do logotipo da companhia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizou algumas das entradas de estações mais belas do Metrô de Madrid, na Puerta del Sol e na Gran Vía, seguindo a estética modernista. Infelizmente, ambas desapareceram, mas se conserva uma imagem da entrada da Gran Vía, que foi desmontada e hoje pode ser vista no povoado natal do arquiteto, Porriño, na Província de Pontevedra, em Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, projetou o edifício para alojar as oficinas centrais e a impressionante central elétrica do metrô.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA central foi dotada de dois poderosos motores, que durante a Guerra Civil proporcionaram energia aos habitantes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas instalações podem ser visitadas dentro do programa de edifícios históricos do Metrô de Madrid. Denominam-se Andén Zero-Nave de Motores, e encontram-se na Estação Pacífico, que forma parte da linha circular que rodeia a cidade. No próximo post, veremos a última matéria sobre este arquiteto imprescindível para se conhecer a evolução arquitetônica de Madrid, e o impressionante  Hospital de Maudes.

Antonio Palacios

No final do séc. XIX, surgiu na arquitetura o denominado estilo eclético, uma reação contra o neoclassicismo, considerado rígido e pobre em elementos ornamentais. Nesta nova corrente, todos os estilos precedentes se combinavam, mas sem um ideal estético definido. Muitas das principais construções europeias foram edificadas neste estilo, contribuindo para a evolução arquitetônica que se produziria no século seguinte. A partir do momento em que sua fórmula se “esgotou”, por assim dizer, se buscou na Espanha uma nova identidade nacional arquitetônica, baseada nas modernas correntes que começaram a surgir. Neste contexto, a figura de Antonio Palacios (Porriño-1876/Madrid-1945) teve um papel fundamental. Considerado um dos maiores arquitetos da história do país, seu legado pode ser admirado pelas principais ruas da cidade de Madrid, em especial a Calle de Alcalá. Natural de Porriño, um povoado de Pontevedra, Comunidade de Galícia, com tão somente 18 anos veio à capital para cursar a carreira de arquitetura, nela permanecendo para tentar ganhar a vida e aproveitar a intensa atividade imobiliária que se estava desenvolvendo em Madrid naquele momento. Sua primeira obra é considerada um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, o Palácio de Comunicações, situado na famosa Praça de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua primeira fase, sua obra caracteriza-se pela estreita colaboração que teve com  Joaquín Otamendi, membro de uma influente família da arquitetos vascos. Ambos venceram um concurso público para a realização da nova sede dos Correios e Telégrafos. O fato do projeto ser o de mais baixo orçamento, aliado à juventude e inexperiência dos arquitetos criou uma grande polêmica, que só aumentou quando começaram a aparecer as formas do novo edifício. Os críticos mais “moderados” disseram que a construção mais parecia uma catedral que uma central do correio. De fato, um cronista da época se referiu ao edifício como “Nossa Senhora das Comunicações“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ muito complicado definir o estilo de Antonio Palacios, já que foi influenciado por muitas correntes arquitetônicas.Uma delas se relaciona com o arquiteto francês Violet Le Duc e suas concepções medievalistas. Realmente, as torres que rematam o Palácio das Comunicações lembram o formato dos antigos castelos medievais.OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi finalizado em 1919, e atualmente tornou-se um símbolo de Madrid. No alto, um aconchegante bar oferece belas vistas do entorno (foto acima). Em 2011, a sede da Prefeitura de Madrid foi levada para a parte traseira do edifício, que passou a denominar-se Palácio Cibeles. Abaixo, vemos uma imagem desta parte da construção, que pode ser visitada nos finais de semana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês podem observar, o projeto do edifício foi um dos mais complexos executados por Palacios. Outra das características do arquiteto foi a incorporação de elementos ornamentais, colaborando para o desenvolvimento das Artes Decorativas, como vemos nas escadas de acesso aos andares superiores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a parte frontal do palácio se transformou num importante centro cultural, com uma rica programação de atividades. Abaixo, vemos uma foto do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara saber mais a respeito deste belo edifício, ver a matéria publicada em 13/9/2012. Antonio Palacios também colaborou para que a Calle de Alcalá ficasse conhecida como a rua dos banqueiros com duas construções que levam sua assinatura. A primeira delas é a sede do antigo Banco do Rio da Prata, posteriormente sede do Banco Central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício foi inspirado na Acrópole de Atenas e impressionam por suas colunas de ordem gigante e as cariátides que decoram a entrada principal. Desde 2006, o edifício é a sede do Instituto Cultural Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra sede de instituição financeira executada na Calle Alcalá por Antonio Palacios foi o Banco Mercantil e Industrial. Finalizado somente depois da Guerra Civil, esta foi a última obra que o arquiteto realizou em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe até então, a pedra, em especial o granito, foram seus materiais preferidos, neste edifício adota o aço inoxidável como elemento preponderante. Atualmente, o edifício é a sede do Conselho de Cultura e Deportes da Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuase em frente ao Instituto Cervantes, podemos apreciar uma das obras mais conceituadas do grande arquiteto, o Círculo de Belas Artes (ver matéria publicada em 9/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Círculo de Belas Artes, uma das principais instituições culturais da cidade, foi fundado em 1880 e em 1919 se realizou um concurso para sua nova sede, vencido por Antonio Palacios. O pré-requisito para o projeto salientava que suas dependências fossem capazes de acolher inúmeras manifestações artísticas, critério que o arquiteto soube explorar devidamente. Abaixo, vemos uma foto do interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua variada programação, o local oferece uma das vistas mais espetaculares de Madrid no alto do edifício, na denominada Azotea do Círculo de Belas Artes. Por apenas 4 euros, se pode admirar uma panorâmica estupenda da cidade. A seguir, vemos o Palácio das Comunicações…ou Palácio Cibeles.

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