Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.

Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Tarragona Romana – Patrimônio da Humanidade

O Conjunto Arqueológico de Tarragona, referente ao seu passado romano, é considerado um dos mais importantes de toda a Hispania, razão pelo qual foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000. Representa o assentamento romano mais antigo de toda a Península Ibérica, com muitos monumentos conservados.

DSC02067Dois foram os critérios estabelecidos pela Unesco para que a Tarragona Romana recebesse esse almejado título. O primeiro deles: “Os restos romanos de Tarraco são de uma importância excepcional no desenvolvimento do planejamento urbano romano, servindo de modelo para as capitais provinciais do Império Romano“. Em segundo lugar: “Proporcionam um testemunho eloquente e incomparável de uma etapa significativa na história das terras mediterrâneas da antiguidade”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua muralha é a construção mais antiga de toda a Tarraco Romana. Foi construída no final do século III aC, e ampliada no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha romana tinha 3500m de perímetro, dos quais se conservam 1100m, que rodeia o Centro Histórico de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das torres originais foram preservadas, como a chamada Torre de Minerva e a do Arcebispo. A muralha pode ser conhecida em sua totalidade num Paseo Arqueológico, cuja entrada vemos abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma das portas da muralha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da parte interior da muralha, junto ao centro histórico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha romana sofreu diversas modificações ao longo da história…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1368, se construiu uma nova muralha medieval denominada “La Muralleta“, cuja construção mais emblemática é a Torre de les Monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre de formato octogonal estava situada num dos extremos da Muralleta. Em 1530, diante do medo de um ataque marítimo, a torre transformou-se num ponto de vigilância costeira. Esta torre encontrava-se junto ao Circo Romano, que em breve veremos no blog, e sua fachada converteu-se no muro interno desta fortificaçao do século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralleta estava composta por 4 torres, e esta é a única conservada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra modificação se realizou no século XVIII, em 1737, durante o reinado de Fernando VI. Uma antiga porta medieval, o chamado Portal de Sant Antoni, foi reformado no estilo barroco, adquirindo um aspecto de Arco de Triunfo. Em sua parte superior, foi colocado o escudo do monarca, que atualmente encontra-se bastante desgastado.

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Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

Último Passeio por Salou

Em minhas andanças por Salou tive a oportunidade de conhecer sua antiquíssima história, apesar dos edifícios modernos que se destacam em sua paisagem litorânea. A cidade foi fundada pelos gregos no século VI aC, sendo que a primeira fonte documental que a menciona foi realizada pelo escritor romano Avieno no século IV, a “Ora Marítima“, no qual descreve a geografia do litoral mediterrâneo de Hispania. No período romano ficou conhecida como Salauris, mas durante a invasão muçulmana padeceu de um progressivo despovoamento até ficar abandonada. Salou voltou a florecer depois de ser reconquistada a partir de 1211, quando passa a pertencer ao Arcebispo de Tarragona. Devido às excepcionais condições de seu porto marítimo, transformou-se num dos mais importantes do antigo Reino de Aragón, que esteve em funcionamento até o século XIX, quando entra numa etapa decadente. Em 1530, o arcebispo ordenou a construção de uma torre para proteger a costa de ataques piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente conhecida como Torre Vella, sua parte interior foi reformada com os anos, mas seu aspecto exterior se conserva como era originalmente, com o escudo de Pere de Cardona, arcebispo que patrocinou a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a torre acolhe um centro cultural e um edifício anexo construído no século XVIII, com uma ponte que une ambas construções, realizada ja no século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um grupo escultórico que decora o jardim da torre, intitulado “A Dança das Graças“, realizada por Artur Aldomà Puig

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, Salou começou a destacar-se como um importante centro turístico, experimentando um grande crescimento a partir da década de 60. Dentro deste contexto, o papel do estilo modernista foi crucial no início do século XX, fomentando a construção de diversas mansões para a burguesia local, aqui conhecidas como Chalets (Xalets no idioma catalao). Muitos deles foram construídas em frente a praia principal de Salou, embelezando sua paisagem. A maior parte deles pertencia às famílias acomodadas de Reus, que passaram a frequentar a cidade em busca de belas praias e tranquilidade. Um dos primeiros foi o denominado Xalet Bonet, considerado uma verdadeira jóia da última fase do Modernismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa foi projetada por um discípulo de Gaudí, o arquiteto Domènech Sugranyes i Gras. Seu interior foi decorado com pinturas murais, mas o local não é visitável. Abaixo, vemos alguns detalhes da construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Xalet Vila Enriqueta é de 1923, e foi estreado durante o casamento da filha do proprietário. Durante a Guerra Civil Espanhola tornou-se a sede do bando republicano na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído em 1929, o Xalet Torremar foi projetado pelo arquiteto Josep Bofarull, e atualmente acolhe a Oficina de Turismo de Salou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela construção, o Xalet Loperena foi construído em 1925, também obra do arquiteto Domènech Sugranyes. Destaca sua torre com função de mirante e a cerâmica vidriada como elemento decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Finalizo a matéria sobre Salou com o Xalet Miarnau Navas, também de estilo modernista

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Espanha – O País dos Touros

Poucos aspectos da cultura tradicional espanhola estão tão associados à imagem do país no estrangeiro como as touradas, aqui denominadas Corridas de Touros. Muitos de meus clientes me perguntam se atualmente as touradas continuam sendo realizadas na Espanha, e ficam surpresos quando a resposta é afirmativa. Se surpreendem ainda mais quando lhes comento que o desenlace final do espetáculo é a morte do touro. Apesar do desprezo de parte da sociedade espanhola e as críticas das associações de proteção à vida animal, o mundo dos touros continua gozando de saúde em boa parte do país, e o título de País dos Touros permanece em vigor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs touradas constituem a expressão mais famosa, embora não seja a única, das festividades relacionadas com os touros. Particularmente, eu nunca presenciei uma tourada, pela crueldade do espetáculo e também porque não tenho “estômago” para vê-la. No entanto, reconheço sua importância como patrimônio cultural do país e tenho curiosidade por todos os aspectos relacionados à Tauromaquia, termo que designa a “Arte de lidiar Touros, tanto à pé, quanto à cavalo”. Em minhas viagens pelo país, sempre que posso visito as Plazas de Toros das cidades espanholas, os estádios construídos especialmente para os espetáculos taurinos, por sua importância histórica e arquitetônica e também por sua estética. Num sentido mais amplo, a tauromaquia envolve todo o processo prévio à realização das touradas, desde a criação dos touros, a confecção das vestimentas dos toureiros, a exibição de cartazes publicitários, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADecidi, pois, realizar uma extensa série de posts abordando os mais variados aspectos da tauromaquia, desde as origens das touradas, passando pelas escolas mais importantes da arte de tourear, os toureiros mais famosos, as praças de touros de maior relevância, fatos curiosos e trágicos, além das críticas e controvérsias que sempre existiram envolvendo a prática dos espetáculos taurinos.

20190130_084655Neste post inicial, abordarei a origem das touradas e sua evolução histórica, que terá sua continuação na próxima publicação. O touro sempre foi um animal simbólico relacionado ao poder divino e à fertilidade, aparecendo um muitas culturas e em sua mitologia, como o famoso Touro de Creta e a lenda do Minotauro. As lutas rituais entre homem e animal representam o desejo humano de dominar a natureza. O antecedente direto do touro, o Uro, pastava pelas paisagens do continente europeu há milênios atrás e sua figura foi imortalizada por artistas pré-históricos na famosa Caverna de Altamira, situada na Cantábria, região norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMatanças rituais com touros já eram realizadas na Mesopotâmia e na mencionada Ilha de Creta. Na Grécia antiga se praticavam sacrifícios rituais em honra a Zeus, a principal divindade da cultura helena. Em época romana, o Imperador Júlio César introduziu nos jogos circenses a luta entre o touro e o matador, armado com espada e escudo. A origem das corridas de touros na Espanha se remonta à cultura greco-latina que foi introduzida dentro do processo de romanizaçao da Península Ibérica, quando o atual território espanhol passou a ser uma província do Império Romano, denominada Hispania. Abaixo, vemos os denominados “Touros de Costitx“, peças taurinas esculpidas em bronze entre os séculos V e III aC e encontrados na Ilha de Mallorca, comprovando a importância simbólica dos touros dentro da cultura pré-romana na Espanha, e expostos no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs romanos introduziram na cultura local os jogos e lutas com feras, nas quais o touro era um animal frequente nos espetáculos, existindo constância de seu enfrentamento com outros animais selvagens, como leões, ursos, e também com humanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a época visigoda e muçulmana existem poucas fontes informativas referentes à prática de espetáculos taurinos. No entanto, a persistência das festividades em períodos históricos posteriores levam a crer que o costume de realizar-se touradas permaneceu intacto ao longo do tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira Corrida de Touros oficialmente documentada celebrou-se em Ávila no ano 1080 e, desde então, passaram por períodos gloriosos e também momentos em que foram proibidas sua realização. Existem notícias sobre festas com touros em Cuéllar (Província de Segóvia) em 1215, quando o bispo local proibiu que os clérigos assistissem aos espetáculos. Em Pamplona, capital do Reino de Navarra e famosa pelo Encierro de San Fermín, onde os habitantes da correm junto com os touros pelas ruas da cidade, as primeiras notícias relacionadas com a realização de espetáculos taurinos remontam ao ano de 1385.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, no século XIII, o Rei Alfonso X “El Sabio” proibiu que os jogos com touros se celebrassem por dinheiro, indicando a existência de uma incipiente profissionalidade entre a sociedade da época.

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Cáceres – Extremadura

Cáceres foi a cidade que escolhi como base para conhecer a parte norte da Comunidade de Extremadura. Com quase 100 mil habitantes, Cáceres é a cidade mais populosa da parte norte da comunidade e considerada o município mais extenso de toda a Espanha (1.750 km quadrados).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos centros medievais mais importantes de todo o continente europeu, Cáceres foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1986. Fundada pelos romanos, a cidade foi, no entanto, ocupada muito antes, como demonstram as pinturas rupestres encontradas em cavernas situadas na parte sul de seu núcleo urbano, como a Cueva de Maltravieso, cujas pinturas remontam a 20 mil anos atrás. Também foi ocupada pelos povos ibéricos, que construíram um castro (povoado ibérico) na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Cáceres foi fundada pelos romanos no ano de 28 aC com  a denominaçao de “Norba Caesarina“, em homenagem ao general romano Cayo Norbano Flaco, seu fundador, e ao Imperador Júlio César. Este primitivo núcleo transformou-se com o tempo no atual Centro Histórico da cidade. A cidade foi construída num local estratégico, na atualmente denominada Vía de la Plata, um caminho que unia as cidades de Astorga, no norte do país, com Mérida (Extremadura) e Sevilha (Andaluzia). Deste nome antigo, Norba Caesarina, procede o atual nome da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada dos Visigodos no final do século V, o anterior assentamento romano foi arrasado e até os séculos VIII e IX não existem nenhuma referência à cidade. Foram os muçulmanos que aproveitaram sua localização estratégica e o que sobrou da antiga colônia romana como base militar para combater os reinos cristianos do norte. Desta forma, em 1147, Abd al-Mumin refundou a cidade e, a partir do século XII, árabes e cristãos se sucederam alternativamente no governo de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1169, o Rei Fernando II conquistou a cidade, entregando-a a um grupo de cavalheiros que constituíram uma ordem religiosa e militar, embrião da futura Ordem de Santiago. Quatro anos depois, Abu Yaqub reconquistou a cidade para os muçulmanos, ordenando degolar a maioria destes cavalheiros. A partir de 1212, data da vitória cristã na famosa Batalha de Navas de Tolosa, os avanços cristianos na Extremadura foram definitivos e em 1218 as Ordens Militares de Alcântara e de Santiago ampliaram seus domínios por quase toda a zona. Finalmente, em 1229, Cáceres foi definitivamente reconquistada pelo Rei Alfonso IX de León. O fato ocorreu precisamente no dia 23 de Abril, dia de São Jorge, que foi declarado padroeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO falecimento de Alfonso IX de León um ano depois da reconquista fez com que Cáceres passasse a integrar o antigo Reino de Castilla. No século XIV, sucessivas lutas entre a nobreza local fez com que os Reis Católicos, no século seguinte, ordenassem a derrubada das torres defensivas pertencentes a estas famílias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as décadas seguintes ao Descobrimento da América, em Cáceres nasceram várias personalidades que desempenharam um importante papel no novo continente, ocupando cargos de relêvancia, como Diego García de Cáceres. Em 1790, ocorreu um fato decisivo para sua história, quando o Rei Carlos IV estabeleceu na cidade a sede da Real Audiência de Extremadura, o máximo órgão jurídico da região, fato que a transformou de uma simples vila a constituir uma cidade importante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, com a divisao administrativa de Extremadura em duas províncias, Cáceres foi designada capital de sua parte norte, enquanto Badajoz tornou-se a capital da província da metade sul. No verão de 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, o General Franco estabeleceu em Cáceres seu quartel general. Atualmente, sua economia está baseada no setor de serviços, principalmente a construção e o turismo. Por ela passa o trem que liga Madrid a Lisboa, e transformou-se num dos principais destinos turísticos de toda a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANesta nova série de matérias que hoje inicio, vocês poderão conhecer esta belíssima cidade e seu excepcional centro histórico, cuja visita é mais que recomendável….

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