Ponte Romana de Córdoba

A Ponte que atravessa o Rio Guadalquivir é o monumento mais famoso de Córdoba, referente à sua etapa romana, e constitui uma de suas imagens mais divulgadas, com a Mesquita-Catedral de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em época de Augusto, no século I aC, um período de grande atividade construtiva em toda a Hispania. Também  conhecida como a “Ponte Velha“, durante 20 séculos foi a única ponte existente na cidade, e provavelmente substituiu uma construção anterior feita de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estrutura fazia parte da denominada Via Augusta, considerada a calçada romana mais comprida de toda a Hispania, com cerca de 1500 km. Seu trajeto ligava os Pirineus com Cádiz, bordeando o Mar Mediterâneo. Os romanos foram os primeiros em construir pontes de pedra, e algumas delas se conservam dois milênios depois, o que comprova o alto nível técnico da Engenharia Romana. Composta por 16 arcos, a Ponte Romana de Córdoba foi reconstruída várias vezes ao longo da história, mas sua cimentação e traçado permanecem sendo originais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre suas reformas mais importantes, a primeira ocorreu no período califal e depois foi novamente reformada quando a cidade foi reconquistada no século XIII. No princípio do século XX, sofreu outra intervenção. Sua última restauração foi realizada entre 2006 e 2008. Estas reformas tiveram um caráter mais estético que estrutural. Em um de seus extremos situa-se a Torre de Calahorra, construída no século XIV pelo Rei Alfonso XI sobre uma antiga fortaleza árabe (foto acima e abaixo), para a proteção da ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre está sediado o Museu das Três Culturas, um interessante espaço cultural sobre a história da cidade. Além do mais, é possível subir à sua parte superior, que proporciona uma das mais belas vistas da ponte e de toda a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, vemos a Porta da Ponte, edificada durante o reinado de Felipe II em 1572, que encarregou o arquiteto Hernán Ruiz III para substituir uma anterior construção, que integrava o recinto de muralhas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, uma epidemia assolou a cidade. Segundo os cordobeses, foi graças à intervenção milagrosa do Arcanjo São Rafael que a peste acabou. Em sinal de agradecimento, no ano de 1651 se colocou uma imagem do santo no meio da ponte e as velas que vemos atualmente comprovam a devoção dos habitantes de Córdoba ao seu santo padroeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2004, a ponte foi fechada para a circulação de veículos, e passou a ser utilizada somente para pedestres e pelos milhares de turistas que visitam a cidade cada dia. A Ponte Romana foi cenário de várias produções cinematográficas, como o filme “Carmen“, de 2004, e também para a quinta temporada da popular série “Jogo de Tronos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância política da Corduba Romana decaiu a partir da segunda metade do século IV, quando Hispalis (atual Sevilha) se converteu na capital da Província Bética. Dita província deixou de estar sob o controle de Roma depois da invasão dos Povos Bárbaros no ano de 409 dC, dando início à etapa visigoda. A cidade romana foi praticamente destruída, mas desta época se conservam apenas vestígios arqueológicas no Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período visigodo, se construiu a Basílica de San Vicente, o principal templo religioso da cidade, que posteriormente daria lugar à Mesquita de Córdóba de época árabe, que ainda hoje assombra aos visitantes. Com a invasão árabe da Península Ibérica em 711 dC, Córdoba se transformou na capital de Al Andaluz, um período de grande esplendor, que veremos nas próximas matérias.

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Córdoba Romana – Parte 2

Na matéria de hoje, faremos um itinerário pelos monumentos de época romana conservados na cidade de Córdoba, que tive a oportunidade de visitar. O denominado Templo Romano ergue-se em pleno centro histórico da cidade, na zona do antigo Fórum Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi iniciada na época de Cláudio (41/54 dC) e finalizou-se em tempos de Domiciano (81/96 dC). Dedicado ao culto imperial, originalmente possuia 32m de comprimento por 16m de largura, e estava feito de mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProvavelmente o templo mais importante da Corduba Romana, foi descoberto durante a construção do Edifício do Ayuntamiento em 1950. Estava formado por 6 colunas em sua fachada principal e 10 em cada uma das partes laterais. As colunas que vemos atualmente foram reconstruídas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior do Ayuntamiento se conservaram partes do antigo Templo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA lei romana obrigava que as sepulturas deviam ser construídas fora do recinto de muralhas. Um exemplo é o Mausoléu Romano, construído no século I dC, cuja tipologia cilíndrica é rara na Espanha. Este monumento funerário de 13 m de diâmetro foi descoberto em 1993, e pertenceu a uma família da elite romana, por seu tamanho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo qualquer cidade romana de importância, Corduba teve seu teatro, considerado o maior de Hispania, e um dos maiores de todo o Império Romano. Atualmente se encontra no subsolo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm complexo sistema de canais possibilitava o escoamento de água do teatro, transportando-a até uma grande cloaca central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi edificado entre os séculos I aC e I dC, e atualmente se conserva cerca de 30 % de sua superfície. Foi utilizado até o século III, quando um terremoto o afetou gravemente. A partir deste momento, iniciou-se uma etapa de abandono e os materiais construtivos do teatro acabaram sendo reutilizados em outras construçoes. O espaço onde se localizava se transformou numa zona residencial. Algumas ruínas das casas pertencentes ao século XII podem ser vistas no interior do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mármore que não podia ser reutilizado era queimado para ser transformado em cal pura em fornos como este, datados entre os séculos V e VI dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente os fornos possuíam uma forma circular ou quadrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Corduba Romana foi o berço de um dos grandes filósofos da antiguidade, o estoico Lucio Anneo Séneca (Corduba – 4 aC/Roma – 65 DC). Membro de uma família aristocrática, além de seu importante papel como filósofo, exerceu cargos como político, além de ter sido um renomado orador e escritor. Filho do orador Marco Anneo Séneca, era conhecido como Séneca “O Jovem”, para distingui-lo do pai. Figura fundamental na política romana do período imperial, foi considerado um de seus senadores mais influentes e respeitados. No terreno filosófico, Séneca é o máximo representante do  Estoicismo, doutrina filosófica que buscava a sabedoria através do desprezo aos bens materiais. Abaixo vemos um monumento a ele dedicado, localizado junto à muralha de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE um busto, que se encontra no Real Alcázar dos Reis Cristianos

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Córdoba Romana

Antes de ser fundada pelos Romanos, a zona onde se situa a cidade de Córdoba já havia sido um núcleo populacional muito tempo antes. Estudos arqueológicos demonstram a ocupaçao do terreno a partir da Idade do Cobre, entre o segundo e o terceiro milênio antes de Cristo. Sua consolidação como núcleo urbano se remonta a fase final da Idade do Bronze, entre os séculos IX e VIII aC. Devido a sua riqueza mineral, atraiu outros povos do Mediterrâneo, como fenícios e gregos. Entre os séculos VII e VI aC se transforma numa cidade bem organizada. Foi habitada pelos Turdetanos, um povo pré-romano que habitava a Turdetânia, região que compreendia o vale do Rio Guadalquivir desde o Algarve (Portugal) até a Serra Morena, coincidindo com o território da antiga civilização de Tartessos. No Museu Arqueológico de Córdoba existem vestígios da presença humana na cidade em suas várias etapas históricas, como esta escultura que representa um leão, datada do século IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu esta dama ibérica, feita em pedra calcárea no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdornos de prata utilizados pela aristocracia pré-romana, também pertencente ao século II aC, podem ser admirados no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs descobertas arqueológicas e as fontes escritas confirmaram a hipótese tradicional que Córdoba foi fundada a mediados do século II aC pelo general romano Marcus Claudius Marcellus, com o nome de Corduba. A cidade prospera rapidamente graças a riqueza mineral de suas serras, os recursos agropecuários do vale e o comércio incrementado através do controle de seu porto fluvial, situado no Rio Guadalquivir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu urbanismo seguia as características próprias das cidades romanas, com uma muralha guarnecida por torres e um traçado urbano formado pelo Cardo Máximo e Decumano Máximo, as principais avenidas que se orientavam em relação aos quatro pontos cardeais. No século I aC foi destruída por Júlio César e seu exército, sendo novamente fundada, mas com um status de colonia, outorgando cidadania romana a seus habitantes. A partir deste momento, inicia-se um grande processo construtivo, conforme o modelo importado de Roma e o emprego sistemático de materiais nobres em suas construções, como o mármore. Diversas peças arqueológicas pertencentes ao período romano compõem o acervo do Museu Arqueológico de Córdoba, como esta máscara teatral feita de mármore do século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Baco adolescente, feito de bronze, datado entre os séculos I e II dC, que vemos abaixo no centro da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma peça que representa a deusa Afrodite agachada, também feita de mármore, do século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fragmento de sarcófago com a representaçao de Daniel na cova dos leões, do século IV dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos principais monumentos da cidade, o Alcázar dos Reis Cristianos (original em  espanhol), se exibem outras peças romanas de grande interesse, como este excepcional sarcófago do século III dC, feito num grande bloco de mármore e ricamente esculpido, que foi encontrado na cidade em 1958.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiversos mosaicos romanos, que originalmente decoravam as residências das famílias aristocráticas da cidade romana, podem ser contemplados no Alcázar. Compreendem figuras geométricas e motivos mitológicos principalmente, como este mosaico com a representação da Medusa, uma figura habitual na Arte Romana (século II dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu este mosaico com a representação de Polifemo e Galatea, também do século II dC, que decorava uma rica mansão na Corduba Romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os principais monumentos romanos que se conservam na cidade atual, que comprovam a importância que Córdoba teve desde sua origem.

Muralha de Lugo: Patrimônio da Humanidade

No centro de Lugo, antiga Lucus Augusti, ergue-se imponente a famosa Muralha Romana da cidade, que rodeia a parte histórica num perímetro de mais de 2 km de comprimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALugo é considerada a cidade mais antiga de toda a Galícia, com mais de 2 mil anos de história. Cerca de 300 anos depois de sua fundação, se construiu esta espetacular estrutura defensiva, a única de todo o Império Romano que conserva íntegro seu traçado original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu excelente grau de conservação e sua importância histórica foram reconhecidos com vários títulos como Monumento Nacional em 1921, Bem de Interesse Cultural em 1985 e Patrimônio da Humanidade, desde o ano 2000.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  A Muralha Romana de Lugo foi construída no final do século III e princípio do século IV dC. Possui um formato quadrangular e as esquinas redondeadas. Sua altura varia de 8 a 12 m, e os cubos semicirculares que a compõem têm um diâmetro entre 10 e 13m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha é classificada dentro de um grupo denominado Estilo Legionário Hispânico, e foi projetada segundo os princípios do grande arquiteto Vitrubio para a arquitetura militar. Originalmente possuía 85 cubos ou torres, dos quais se conservam 72.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO esplendor de Lucus Augusti ocorreu justamente no momento em que a cidade foi fortificada. A construção deste excepcional sistema defensivo foi realizada em função dos conflitos internos existentes na época, mais que pelo temor das invasões bárbaras que já assolavam o Império Romano naquele momento. Seus principais materiais construtivos, a pedra de granito e a ardósia, se encontram nas imediações da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte inferior, fossos com mais de 20 metros de largura e 5 de profundidade dificultavam ainda mais a aproximação do inimigo. O acesso à parte superior das torres é possível através das escadas existentes ao longo da muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO caminho de ronda da parte superior da muralha, em espanhol denominado Adarve, constitui um tradicional passeio pela cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI se castigava com 30 dias de prisão e uma pesada multa a todos aqueles que se atrevessem a roubar materiais da muralha. No século seguinte, o rei responsabiliza o bispo de Lugo para qualquer reforma ou intervenção realizada em sua estrutura. Na segunda metade do século XVIII, esta responsabilidade passa a ser da prefeitura da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1972, foram derrubados 81 edifícios que se encontravam adossados à muralha em sua parte exterior, dentro do processo de sua restauração geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara compreender sua importância e o processo histórico de sua dilatada existência, convém visitar o Centro de Interpretação da Muralha de Lugo, situado numa das Oficinas de Turismo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o traçado geral da Muralha Romana de Lugo

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, cada torre estava composta por janelas em seus dois ou três níveis. Para sua defesa, eram necessários 4 arqueiros em cada torre, totalizando cerca de 350 arqueiros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre a grande Muralha Romana de Lugo

Lugo Romana

A cidade de Lugo foi fundada há cerca de 2 mil anos atrás, quando o atual território espanhol era uma província do grande Império Romano, denominada Hispania. Sua história se inicia como um acampamento romano, provavelmente no local onde originalmente havia um castro, isto é, um povoado fortificado de origem celta. Este acampamento militar foi construído dentro do contexto das chamadas Guerras Cântabras, travadas no noroeste da península contra os povos que a habitavam, durante o governo do Imperador Augusto, com a finalidade de anexionar estas terras ao imenso império da antiguidade. Em 25 aC, em nome do imperador, Paulo Fabio Máximo funda Lucus Augusti, embrião da atual Lugo. Na Praça Maior da cidade vemos uma escultura dedicada a ambos fundadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA palavra “Lucus” significa “bosque sagrado”, cuja origem está relacionada ao idioma celta e relacionada à divindade Lug. A partir do ano 50 dC, inicia-se a expansão da cidade, que se converte num importante núcleo urbano, representativo da cultura e do modo de vida romano, como comprovam os restos arqueológicos conservados. Lucus Augusti formava parte de uma rede de cidades integradas por uma Vía Romana, incluindo a atual Astorga (a romana Asturica) e a cidade portuguesa de Braga (Bracara).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século III dC, Lucus Augusti foi a capital do denominado Convento Lucense, uma das três áreas administrativas que compunham uma das províncias de Hispania, chamada Gallaecia. Num passeio pela cidade podemos vislumbrar seu passado romano através dos restos arqueológicos que foram preservados, além de sua impressionante muralha, que veremos no próximo post. Abaixo, vemos um Miliário, que marcavam as distâncias entre as principais cidades da Hispania, colocados nas estradas que integravam o território, as conhecidas Calçadas Romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Alguns dos restos encontrados foram protegidos com uma estrutura de vidro que dificultam as boas fotos, como as que vemos abaixo, de uma casa romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então uma estrutura funerária pertencente aos séculos I/II dC, situada na velha prisão de Lugo

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, outros achados arqueológicos podem ser admirados com total claridade, como os restos de outra casa romana (Domus), decorada com mosaicos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo toda cidade romana de importância, Lucus Augusti possuía suas Termas, cujos restos estão situados dentro de um hotel balneário, com acesso livre ao público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Termas Romanas de Lugo foram declaradas Monumento Histórico-Artístico em 1931. A parte melhor conservada corresponde ao vestiário, composto por urnas utilizadas como armários para guardar a roupa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local foram expostos pequenos altares de época romana denominados Aras. Estavam dedicados às divindades do panteão romano, onde se realizavam votos de ação de graças ou pedidos concretos, por meio de uma inscrição em latim. As Aras existentes nas Termas Romanas de Lugo foram dedicadas às Ninfas, divindades relacionadas a natureza, principalmente a agua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte baixa da cidade, vemos a ponte romana que cruza o Rio Miño, e que servia de elo de comunicação entre Lucus Augusti e Bracara (Braga).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ponte sofreu numerosas intervenções, e de sua época romana se conservam somente os alicerces. A calçada romana que unia ambas cidades faz atualmente parte do Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm “soldado romano” protege a ponte contra os possíveis invasores…

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Castro Urdiales – Cantábria

Minha viagem pelo norte da Espanha iniciou-se em Castro Urdiales, situada na costa oriental da Comunidade de Cantábria. Devido a inexistência de transporte direto para a cidade desde Madrid, peguei um ônibus em direção a Bilbao, no País Vasco, que possui uma extensa linha de ônibus que comunica a cidade vasca com Castro Urdiales, separadas por apenas 35 km. Esta grande disponibilidade de transporte me surpreendeu (a cada meia hora sai um ônibus em direção a Castro Urdiales), mas a razão se deve a que muitos habitantes de Castro trabalham ou utilizam a infraestrutura sanitária e de outros serviços de Bilbao, em vez de Santander, capital da Comunidade de Cantábria, situada a 75 km da cidade. Castro Urdiales é a terceira cidade mais populosa da comunidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, com uma milenar história e muitos locais interessantes para se conhecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA região onde se localiza a cidade foi habitada em tempos pré-históricos, como comprovam os vestígios de arte rupestre encontrados nas grutas existentes próximas ao centro urbano. Apesar de históricamente sua economia estar relacionado às atividades marítimas como porto comercial e pesqueiro, atualmente o mar possui uma importância menor dentro das atividades econômicas do município. No entanto, o aspecto urbano recorda este vínculo histórico com o Mar Cantábrico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACastro Urdiales foi fundada em época romana, quando a Hispania era uma província do poderoso império controlado por Roma. No ano 74 dC, se estabelece a colônia de Flaviobriga, que deve seu nome ao imperador Tito Flávio Vespasiano. A denominação Briga possui uma origem celta, pois antes de se tornar uma colônia romana, habitavam estas terras uma tribo celtíbera, então chamada Porto dos Amanos. Abaixo, vemos uma estátua do imperador considerado o fundador da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO esplendor de sua etapa romana se deu entre os séculos I e II dC, como comprova a construção de uma muralha no ano 140 dC, infelizmente desaparecida. Flaviobriga recebeu um status de colônia (civitas) e de convento jurídico, com poder sobre 9 cidades. Atualmente, podemos observar restos arqueológicos de Flaviobriga no centro histórico da cidade, situados a dois metros de profundidade em relação a rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos observar restos de uma casa, e também das vias que cruzavam a antiga cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto curiosa, que nos mostra os sistemas de encanamento de época romana e os atuais, sem que não se observem nítidas diferenças, com exceção dos materiais empregados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século III dC, Flaviobriga entra num período de crise generalizada, coincidindo com o processo de decadência da própria Roma. Nos séculos V e VI, a cidade foi invadida por vários povos bárbaros, como os suevos, vândalos, alanos e visogodos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde finais do século XIX, Castro Urdiales transformou-se numa importante lugar para se passar as férias, pois sua paisagem está repleta de belas praias e abruptos alcantilados, espalhados pela costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos imagens do Paseo Marítimo, um lugar agradável para caminhar e contemplar a paisagem circundante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos alguns dos monumentos mais importantes de Castro Urdiales, edificados no período medieval….

A Valencia Romana

Valencia, capital da Comunidade Valenciana, está localizada na região leste da Espanha. Um de seus grandes atrativos, que lhe proporcionam uma importante fonte econômica, estão representados por suas convidativas praias, frequentadas por turistas nacionais e estrangeiros, transformando a cidade numa das mais visitadas do país. Além do mais, conta com um rico patrimônio histórico, artístico e cultural, e seu centro antigo é um dos maiores de toda a Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do post de hoje, iniciarei uma grande série sobre esta que é a terceira cidade do país, somente superada por Madrid e Barcelona. Valencia possui aproximadamente 800 mil habitantes, e sua zona metropolitana alcança mais de 1.5 milhao de habitantes. A cidade transformou-se no início do século XXI num foco da arquitetura contemporânea, com a construção do complexo da Cidade das Artes e das Ciências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Habitada originalmente por uma tribo ibérica, os Edetanos, a história da cidade inicia-se em pleno período romano, precisamente no ano 138ac, quando o cônsul Junio Bruto decide fundar uma nova cidade para acolher 2 mil soldados, recebendo o nome de Valentia Edetanorum. Podemos descobrir as origens da cidade no Museu de Almoina, que acolhe uma extensa zona arqueológica com as ruínas que foram encontradas no centro histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua época romana, Valencia contava com grandes edifícios públicos, como as Termas. Construídas no século II ac, estão consideradas como uma das mais antigas de todo o mundo romano, e seus restos podem ser vistos no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje, Valencia é uma cidade de estrutura urbana herdada dos romanos. A zona mais importante da urbe romana estava constituída pelo Forum, que aglutinava seus edifícios de maior importância. Construído no século I dc, seu espaço formava uma grande praça, onde se desenvolvia a vida religiosa, comercial e jurídica da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele se encontravam os edifícios públicos vinculados ao governo municipal, estando delimitado por um conjunto de pórticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade estava cercada por uma grande muralha, localizada numa estratégica posição junto ao Rio Turia. Adquiriu uma maior relevância no século III dc, com a destruição da cidade de Sagunto, então capital imperial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais curiosas que podemos contemplar no museu é este objeto feito de vidro, um dos mais destacados feitos com este material de toda a Hispania. Encontrado em Valencia, possuía uma função litúrgica. Realizada em Roma no século IV dc, o recipiente foi fabricado com grande qualidade, e recebeu elementos decorativos com temas relacionados à simbologia católica. É considerado o objeto relacionado ao cristianismo mais antigo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seu período romano, Valencia foi o cenário de um dos martírios mais importantes do cristianismo primitivo, o de San Vicente Mártir. Diácono de Cesaraugusta, hoje Zaragoza, chegou a Valencia com o objetivo de difundir o cristianismo, no século IV dc. Esta época coincide com a perseguiçao realizada contra os adeptos da nova religião, promovida pelo Imperador Diocleciano, que condenou San Vicente à morte. Abaixo, vemos uma estátua do mártir numa das inúmeras pontes que cruzam a cidade.

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