Clunia – Parte 2

No Conjunto Arqueológico de Clunia se conserva a maior parte dos espaços públicos que constituíam uma cidade romana, cujo urbanismo refletia o próprio modelo da capital imperial, Roma. O centro da vida pública estava composta pelo Foro, local onde se realizavam as principais atividades políticas, comerciais, jurídicas e religiosas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Foro situava-se no centro da cidade, onde de cruzavam as avenidas principais, o chamado Cardus Maximus e o Decumanus Maximus. Possuía um formato retangular que media 160m de comprimento por 115 m de largura. Contava com um templo dedicado a Júpiter, a principal divindade religiosa da antiga Roma. Foi edificado no século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte de seu espaço estava ocupada pela Basílica, com funções jurídicas e comerciais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Foro também situavam-se as tabernas, cujas ruínas vemos abaixo, além de um detalhe arquitetônico de uma delas, do século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Romanos davam um grande valor a sua higiene pessoal, e as Termas constituiam um local de grande importância social. Em Clunia podemos ver os restos das chamadas Termas de los Arcos, construídas também no século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs termas estavam formadas por um espaço denominado Palestra, onde se realizavam exercícios físicos. Depois de sua prática, as pessoas banhavam-se em piscinas para limpar o corpo. Em seguida, passavam às salas de banhos com temperaturas variadas: Frigidarium (banho frio), Tepidarium (banho temperado) e Caldarium (banho quente).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aquecimento da água se produzia através do sistema de hipocausto, com um forno e uma câmara situados sob o pavimento da sala.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos restos conservados de maior importância do conjunto arqueológico, o Teatro Romano de Clunia é uma verdadeira maravilha construtiva. Escavado na rocha e com capacidade para acolher cerca de 10 mil espectadores, foi um dos maiores de toda a Hispania.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA arquibancada estava apoiada na própria ladeira do terreno e parte dela foi talhada diretamente na rocha. Encontrava-se rematado em sua parte superior por um pórtico, que servia de acesso à parte interior do teatro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO público presente no teatro contemplava uma fachada composta por dois níveis de altura formada por colunas, e decoradas com estátuas. Abaixo, vemos uma recriação do teatro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II dC, o teatro passou a ser utilizado como local para espetáculos de lutas de gladiadores e animais ferozes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o século III DC, se produz um progressivo despovoamento da cidade, devido à crise geral deste período e a própria decadência do Império Romano, sendo que no final do século foi incendiada pelos povos bárbaros. Clunia sobrevive até o século VII, mas ua importância em época visigoda diminui, com o desaparecimento de sua existência das fontes literárias. Apesar de sua ruínas despertarem a curiosidade das autoridades desde o século XVI, foi somente a partir do século XX quando começaram a ser realizadas escavações sistemáticas no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Idade Média, Clunia serviu como canteiro de pedra para a construção de outros edifícios das cidades próximas, tanto populares como nobres, como o próprio Castelo de Coruña del Conde, que vimos recentemente no blog. Por este motivo, suas ruínas foram permanentemente saqueadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs trabalhos arqueológicos iniciaram em 1915 e as ruínas deixaram de ser saqueadas, principalmente com a chegada de Blas Taracena (1895/1951), um renomado arqueólogo espanhol, e com a declaração de Clunia como Monumento Nacional. As escavações permanecem ativas até os dias de hoje…

Clunia – Província de Burgos

Há cerca de 2200 anos atrás os romanos se estabeleceram na Península Ibérica, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica (218/201 aC), travada contra outra potência mediterrânea da época, Cartago, que terminou com o triunfo do Império Romano e a derrota do General Aníbal. Finalizado o confronto, os romanos demoraram dois séculos em conquistar plenamente o novo território, devido as constantes guerras travadas contra os povos ibéricos, autóctonos do território espanhol, e também pelos conflitos entre os próprios governadores romanos, como no caso de Sertorio, que desafiou o poder de Roma. Com a conquista dos povos indígenas, a cultura local foi substituída pela civilização latina. O nome dado pelos romanos à península, Hispania, esteve relacionado à nomenclatura oficial das três províncias criadas para sua administração no final do século I aC: Hispania Ulterior Baetica (cuja capital foi a atual cidade de Córdoba), Hispania Citerior Tarraconensis (capital Tarraco, atual Tarragona) e Hispania Ulterior Lusitania (Capital Emérita Augusta, atual cidade de Mérida).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, com a reforma administrativa efetuada por Diocleciano (284/305 dC), as províncias foram aumentadas, como vemos no mapa abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome do país, Espanha, se originou do termo Hispania, e uma das explicações de seu significado seria “Terra de Coelhos“. Muitas das cidades mais importantes do país foram fundadas pelos romanos, como por exemplo: Zaragoza (CaesarAugusta), Barcelona (Barcino), Sevilha (Hispalis), Toledo (Toletum), etc. Algumas delas conservam um impressionante patrimônio histórico relacionado à época romana, e foram declaradas Patrimônio da Humanidade, como os Conjuntos Arqueológicos de Tarragona e de Mérida, o Aqueduto Romano de Segovia e a Muralha Romana de Lugo. Além do mais, se conservam por todo o país vestígios arqueológicos de cidades de grande importância naquele período, como a antiga cidade romana de Clunia, situada atualmente na Província de Burgos, próxima à cidade de Coruña del Conde, que vimos no último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, esta zona esteve ocupada pelos Arévacos, um povo pré-romano pertencente aos Celtiberos, que se assentaram neste local. Apesar do desconhecimento em relação a sua localização exata, todas as informações relacionados a este anterior povoado se devem às fontes romanas, sendo que finalmente a cidade foi submetida ao poder imperial de Roma. A denominada Colônia Clunia Sulpicia foi uma das principais cidades romanas da metade norte de Hispania. Pertenceu à província de Hispania Citerior Tarraconensis e constituiu um Convento Jurídico (assembléia de reunião entre os povos romanos e as comunidades indígenas, que aconselhavam o governador na administração e na justiça). Situava-se no alto de um cerro que supera os 1000m de altitude, na estrada que ligava Tarraco (atual Tarragona) com Asturica Augusta (atual cidade de Astorga).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia, o político e militar romano Quinto Sertorio resistiu durante 20 anos a Pompeyo, que destruiu a cidade no ano 72 aC. Foi reconstruída pelo Imperador Tibério (14/37 dC), que lhe concedeu inicialmente o título de Municipium, o segundo em importância de uma cidade romana, com um status inferior ao de Colônia. Clunia emitiu moedas de bronze e de ouro com a efígie do imperador, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade adquiriu o título de colônia e o nome de Sulpicia depois que Sulpicio Galba se proclamasse imperador na própria cidade, durante a revolução travada contra o Imperador Nero. Seu esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, chegando a ter cerca de 30 mil habitantes, uma quantidade apreciável para a época. Clunia constitui atualmente um excepcional enclave arqueológico, cujas ruínas estão entre as mais importantes da Espanha Romana. Como ocorre com qualquer outra cidade, a maior parte do espaço urbano estava constituído por residências, como a denominada Casa de Taracena, que preserva um impressionante conjunto de mosaicos que podemos contemplar na visita guiada que se realiza no local, decorado com elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa ocupa quase toda a extensão de um quarteirão…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mosaico central possui um grande interesse devido à variedade de sua composição policromada. Seus motivos decorativos relacionam-se com a moda imperial vigente entre os séculos II e III dC, com a presença de elementos geométricos e da flora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita, vemos outros mosaicos conservados, como os que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia foi criada a primeira Legião Romana de Hispania, a Legio VII Gemina. No Centro de Interpretaçao construído como complemento informativo à visita, podemos observar vários restos arqueológicos encontrados no local, como uma estela funerária, com o nome do defunto em sua parte inferior e curiosos elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo esta primeira parte da matéria sobre a cidade romana de Clunia com uma foto minha, tirada por uma das pessoas que integrava a excursão, dentro do Teatro Romano da cidade.

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Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.

Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Tarragona Romana – Patrimônio da Humanidade

O Conjunto Arqueológico de Tarragona, referente ao seu passado romano, é considerado um dos mais importantes de toda a Hispania, razão pelo qual foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000. Representa o assentamento romano mais antigo de toda a Península Ibérica, com muitos monumentos conservados.

DSC02067Dois foram os critérios estabelecidos pela Unesco para que a Tarragona Romana recebesse esse almejado título. O primeiro deles: “Os restos romanos de Tarraco são de uma importância excepcional no desenvolvimento do planejamento urbano romano, servindo de modelo para as capitais provinciais do Império Romano“. Em segundo lugar: “Proporcionam um testemunho eloquente e incomparável de uma etapa significativa na história das terras mediterrâneas da antiguidade”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua muralha é a construção mais antiga de toda a Tarraco Romana. Foi construída no final do século III aC, e ampliada no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha romana tinha 3500m de perímetro, dos quais se conservam 1100m, que rodeia o Centro Histórico de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das torres originais foram preservadas, como a chamada Torre de Minerva e a do Arcebispo. A muralha pode ser conhecida em sua totalidade num Paseo Arqueológico, cuja entrada vemos abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma das portas da muralha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da parte interior da muralha, junto ao centro histórico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha romana sofreu diversas modificações ao longo da história…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1368, se construiu uma nova muralha medieval denominada “La Muralleta“, cuja construção mais emblemática é a Torre de les Monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre de formato octogonal estava situada num dos extremos da Muralleta. Em 1530, diante do medo de um ataque marítimo, a torre transformou-se num ponto de vigilância costeira. Esta torre encontrava-se junto ao Circo Romano, que em breve veremos no blog, e sua fachada converteu-se no muro interno desta fortificaçao do século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralleta estava composta por 4 torres, e esta é a única conservada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra modificação se realizou no século XVIII, em 1737, durante o reinado de Fernando VI. Uma antiga porta medieval, o chamado Portal de Sant Antoni, foi reformado no estilo barroco, adquirindo um aspecto de Arco de Triunfo. Em sua parte superior, foi colocado o escudo do monarca, que atualmente encontra-se bastante desgastado.

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Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

Último Passeio por Salou

Em minhas andanças por Salou tive a oportunidade de conhecer sua antiquíssima história, apesar dos edifícios modernos que se destacam em sua paisagem litorânea. A cidade foi fundada pelos gregos no século VI aC, sendo que a primeira fonte documental que a menciona foi realizada pelo escritor romano Avieno no século IV, a “Ora Marítima“, no qual descreve a geografia do litoral mediterrâneo de Hispania. No período romano ficou conhecida como Salauris, mas durante a invasão muçulmana padeceu de um progressivo despovoamento até ficar abandonada. Salou voltou a florecer depois de ser reconquistada a partir de 1211, quando passa a pertencer ao Arcebispo de Tarragona. Devido às excepcionais condições de seu porto marítimo, transformou-se num dos mais importantes do antigo Reino de Aragón, que esteve em funcionamento até o século XIX, quando entra numa etapa decadente. Em 1530, o arcebispo ordenou a construção de uma torre para proteger a costa de ataques piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente conhecida como Torre Vella, sua parte interior foi reformada com os anos, mas seu aspecto exterior se conserva como era originalmente, com o escudo de Pere de Cardona, arcebispo que patrocinou a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a torre acolhe um centro cultural e um edifício anexo construído no século XVIII, com uma ponte que une ambas construções, realizada ja no século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um grupo escultórico que decora o jardim da torre, intitulado “A Dança das Graças“, realizada por Artur Aldomà Puig

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, Salou começou a destacar-se como um importante centro turístico, experimentando um grande crescimento a partir da década de 60. Dentro deste contexto, o papel do estilo modernista foi crucial no início do século XX, fomentando a construção de diversas mansões para a burguesia local, aqui conhecidas como Chalets (Xalets no idioma catalao). Muitos deles foram construídas em frente a praia principal de Salou, embelezando sua paisagem. A maior parte deles pertencia às famílias acomodadas de Reus, que passaram a frequentar a cidade em busca de belas praias e tranquilidade. Um dos primeiros foi o denominado Xalet Bonet, considerado uma verdadeira jóia da última fase do Modernismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa foi projetada por um discípulo de Gaudí, o arquiteto Domènech Sugranyes i Gras. Seu interior foi decorado com pinturas murais, mas o local não é visitável. Abaixo, vemos alguns detalhes da construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Xalet Vila Enriqueta é de 1923, e foi estreado durante o casamento da filha do proprietário. Durante a Guerra Civil Espanhola tornou-se a sede do bando republicano na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído em 1929, o Xalet Torremar foi projetado pelo arquiteto Josep Bofarull, e atualmente acolhe a Oficina de Turismo de Salou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela construção, o Xalet Loperena foi construído em 1925, também obra do arquiteto Domènech Sugranyes. Destaca sua torre com função de mirante e a cerâmica vidriada como elemento decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Finalizo a matéria sobre Salou com o Xalet Miarnau Navas, também de estilo modernista

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