A Catedral de Córdoba

O conjunto da Mesquita-Catedral de Córdoba é resultado dos vários períodos históricos que passou a cidade, desde sua construção inicial como templo islâmico sobre a Basílica Visigoda de San Vicente a partir do século VIII, e suas reformas e ampliações nos séculos posteriores, até a incorporação do edifício catedralício em sua estrutura, depois que Córdoba foi reconquistada pelos cristãos no século XIII. Mas como ocorreu este processo?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada ao poder de Almanzor, primeiro ministro do governo do califa Hisham II, supôs a última reforma da Mesquita de Córdoba, como vimos no post anterior. Este personagem destacou-se por suas inúmeras incursões militares contra as cidades que faziam parte dos Reinos Cristianos, como Barcelona, Léon e Santiago de Compostela, somente para citar algumas. Como general que era, a influência e importância de Almanzor debilitou o poder do califa, originando uma guerra civil que provocou a desintegração do Califato de Códoba em 1013 e  seu desaparecimento em 1031. A partir deste momento, Al Andalus se transforma num conglomerado de estados independentes, denominados Reinos de Taifas. Esta descentralização facilitou o avanço cristão e o processo de reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs contínuas guerras travadas entre os distintos Reinos de Taifas provocaram a interferência dos monarcas cristãos através da política de Parias, um tributo que os Reinos de Taifas começaram a pagar para não serem atacados ou em troca de proteção militar. A situação de debilidade frente aos cristãos ficou patente em 1085, com a reconquista de Toledo. Depois deste importante acontecimento, os Reinos de Taifas solicitaram o auxílio dos Almorávides e depois dos Almohades, que invadiram a península a partir do final do século XI. Estes povos estavam formados por uma classe guerreira que defendiam uma doutrina ortodoxa do Islã. No entanto, a vitória dos exércitos cristãos na famosa Batalha de Navas de Tolosa em 1212 deixou o caminho aberto para a reconquista. Abaixo, vemos um braseiro de época almohade, pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos antes da batalha, em 1146, o Rei Alfonso VII protagonizou a primeira conquista de Córdoba, embora nao fosse a definitiva, e a dedicação da Mesquita de Córdoba como Catedral. A cidade é reconquistada definitivamente em 1236 pelo Rei Fernando III, depois de 6 meses de assédio.  Abaixo, vemos um quadro situado numa das capelas da catedral que celebra a Reconquista de Córdoba por Fernando III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente depois da conversão da mesquita em catedral o monarca realizou sua entrada solene na cidade. Considerado um rei piedoso e compassivo, ganhou a simpatia de seus súditos pela humildade que demonstrava em suas ações. Costumava convidar as pessoas de poucos recursos para comer junto a sua mesa e visitava pessoalmente os feridos nas batalhas. Antes de empreender uma ação militar, tentava esgotar todas as possibilidades diplomáticas. Grande devoto da Virgem Maria, seu corpo está enterrado na Catedral de Sevilha, cidade que também reconquistou. Estimulou as ciências e a cultura, contribuindo para o aparecimento das universidades. Sua fama de santidade fez com que fosse canonizado em 1671, passando a ser chamado de Fernando III, “El Santo“. Foi o responsável da recuperação de grandes áreas ocupadas pelos muçulmanos, como o Reino de Murcia e boa parte da atual Andaluzia. Abaixo, vemos uma estátua do rei, situada no Real Alcázar Cristiano de Córdoba (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaravilhado com a Mesquita de Córdoba, Fernando III decretou sua conservação, e não houve alterações substanciais em sua estrutura. A maior modificação na antiga mesquita ocorreu no século XVI, quando se decidiu construir uma catedral em seu interior a partir de 1523, durante a etapa do Bispo Alonso Manrique. O eclesiástico era tio do Imperador Carlos I, que recebeu sua autorização para a construção da catedral. O processo construtivo não esteve isento de polêmica, entre os que consideravam oportuno construir um templo cristão no interior da mesquita e aqueles que eram contrários ao projeto. Um pouco depois, o próprio Imperador Carlos I se arrependeu, ao pronunciar uma frase que ficou famosa: “Destruímos o que era único no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em todas as partes”. Não obstante, a transformação de parte da mesquita em catedral possibilitou sua conservação, e atualmente podemos contemplar ambos templos nesta construção maravilhosa. Nas próximas matérias, publicarei fotos e informações referentes à Catedral de Córdoba.

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Praça de Cervantes – Alcalá de Henares

Alcalá de Henares conserva um dos maiores conjuntos históricos de toda Espanha, razão pela qual foi incluída na lista dos lugares Patrimônios da Humanidade da Unesco. Um dos locais mais representativos do centro histórico é a Praça de Cervantes, ponto de encontro dos habitantes da cidade, e núcleo central ao redor do qual se localizam as principais atrações da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta belíssima praça possui uma origem medieval, já que nela se realizavam as feiras anuais da vila, privilégio concedido pelo rei Alfonso VII em 1184. Por este motivo, recebeu inicialmente o nome de Praça do Mercado e durante muito tempo esta foi sua denominação. Originalmente situada fora das muralhas da cidade, nos séculos XV e XVI a praça passou a integrar-se plenamente no seu urbanismo, com a ampliação do recinto de muralhas e com o desenvolvimento ocorrido com a fundação da Universidade. A partir de então, transforma-se no espaço público central da cidade, servindo de limite entre a jurisdição municipal e a universitária. No século XVI nela se instalou a sede do conselho, como antigamente se chamavam as prefeituras ou Casas Consistoriais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlcalá de Henares recebeu o título de cidade em 1687 durante o reinado de Carlos II e a Praça de Cervantes passou a acolher a sede da Prefeitura (Ayuntamiento) desde 1609. Num primeiro momento, a sede da prefeitura esteve no num antigo convento do século XVIII, chamado dos Agonizantes. Com a deterioração do edifício, se construiu um novo no final do século XIX (1870), atual sede do Palácio Consistorial de Alcalá de Henares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção de relevância que encontramos no perímetro da praça é o Corral de Comédias, inaugurado em 1602 e considerado o mais antigo da Espanha. Este tipo de espaços culturais foram os precursores do Teatro Moderno, e sua estrutura estavam feitas de madeira. Em 1769, o Corral de Comédias foi reformado adquirindo um aspecto neoclássico e durante o século XX se transformou num cinema, atividade que durou até 1970. Depois de quase ser derrubado por seu péssimo estado, foi restaurado e atualmente se realizam excelentes visitas guiadas que mostram a beleza de seu interior e a importância de seu legado, que ainda perdura hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos extremos da praça observamos as ruínas da desaparecida Igreja de Santa María, lamentavelmente incendiada e destruída durante a Guerra Civil Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo local existiu na Idade Média uma Ermita, dedicada a São João Batista. Em 1449, o arcebispo de Toledo Alfonso Carrillo decidiu trazer a Paróquia de Santa María La Mayor a este lugar e se construiu uma nova igreja em 1553, obra de Rodrigo Gil de Hontañón. Dez anos depois se levanta uma torre. No século XIX, esta torre primitiva foi derrubada e se ergueu uma nova, que acabou sendo uma das poucas partes que sobreviveu do antigo templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas interessadas podem subir no alto da torre, com um dos melhores mirantes da cidade. Abaixo, vemos uma panorâmica da Praça de Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre pude apreciar uma foto da antiga Paroquia de Santa María, quando ainda se encontrava de pé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro resquício da antiga igreja que se conservou é a Capilla del Oidor (Capela do Ouvidor), cuja construção foi ordenada por Pedro Díaz de Toledo, que ocupava o cargo de Oidor do rei Juan II de Castilla, como panteão familiar.  Como Oidor se denominavam os juízes membros dos tribunais castelhanos, que tinham como obrigação ouvir as partes num processo judicial. Atualmente é utilizada como sala de exposição. Na Paroquia de Santa María foi batizado Miguel de Cervantes em 1547, e atualmente podemos ver a Pia Batismal onde a cerimônia foi realizada, além do belo espaço decorado no estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Cervantes recebeu seu nome atual no século XIX, período em que foi embelezada com uma estátua em homenagem ao grande escritor nascido na cidade, inaugurada em 1879 e esculpida pelo italiano Pedro Nicoli. Está situada sob um pedestal em que aparecem cenas da grande novela de Cervantes, El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, feitas pelo artista Pepe Noja. Em 2009 a estátua foi restaurada e se colocou uma pluma na mão do escritor…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XIX se construiu um belíssimo coreto, colocado no centro da praça…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje a Praça de Cervantes continua sendo palco para as festividades da cidade, como seu interessante mercado medieval, celebrado anualmente, com a tradicional exibição de aves de rapina e brinquedos para a criançada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo outro extremo, a Praça de Cervantes desemboca na Calle Mayor, lugar de visita obrigatória num passeio pela cidade. Mas este é um local que veremos no próximo post…

As Muralhas de Alcalá de Henares

A cidade de Alcalá de Henares que vemos atualmente possui uma origem medieval. Inicialmente Complutum, passou a ser um enclave árabe e no ano de 1118 o arcebispo de Toledo Bernardo de Sedirac reconquistou a cidade para os cristãos, retornando ao local onde a tradição dizia que haviam sido martirizados os Santos Justo e Pastor. Em 1129 o monarca Alfonso VII de Castilla doa Alcalá e suas terras ao Arcebispado de Toledo, tornando-se desta forma uma cidade eclesiástica. Alcalá de Henares conhece um período de prosperidade graças ao privilégio real na realização de feiras de gado. As necessidades defensivas próprias do período, além da inseguridade política, fazem com que o Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada ordene a construção de uma muralha no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha estava composta por 7 portas de acesso, e durante a etapa governada pelo Arcebispo Pedro Tenorio se reedificaram amplas zonas do recinto defensivo, que passa a contar com 22 torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIV, o recinto amuralhado é novamente ampliado e em 1565 contabiliza 39 torres, das quais se conservam hoje em dia 16.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs torres estão separadas entre si por um muro, e ambos possuem almenas, que são os  espaços retangulares necessários para o contra-ataque no caso de uma invasão inimiga. Tanto as torres quanto o muro foram edificados no estilo mudéjar. A maior parte das torres possuem um formato retangular, mas também existem as de planta circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua evidente função defensiva, as muralhas também exerciam uma função de fiscalização de impostos. Atualmente, o perímetro preservado das muralhas de Alcalá de Henares é de 700m, rodeando o Palácio do Arcebispo, que em breve veremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior do recinto se encontra a Horta do Bispo, originalmente um local de recreio para os habitantes do Palácio do Arcebispo, hoje em dia transformado num espaço para eventos culturais, como concertos, teatro, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Arco de San Bernardo

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe em Madrid existe a Porta de Alcalá, antiga saída para aqueles que se dirigiam ao caminho para Alcalá de Henares (atual Calle de Alcalá), na cidade vizinha vemos a Porta de Madrid, que foi reconstruída em 1778 durante o reinado de Carlos III. Possui um aspecto de arco triunfal e foi erigida no estilo neoclássico, estando composta por 3 corpos, sendo o central mais elevado.

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Guadalajara – Castilla-LaMancha

Guadalajara é uma das capitais de província que conformam a Comunidade de Castilla-LaMancha. Em recente visita à cidade pude constatar o quanto  ela oferece em termos de atraçoes turísticas. Situada no centro do país  e apenas a 60 km de Madrid, é um local perfeito para uma excurçao de um dia. Localizada no Vale do Rio Henares, Guadalajara conta com aproximadamente 85 mil habitantes, sendo a terceira maior cidade da comunidade, somente superada por Albacete e Talavera de la Reina. Logo chegando à estaçao rodoviária, um painel nos adverte suas inúmeras possibilidades turísticas.

DSC08001As primeiras referências históricas  datam do século VIII, como uma cidade amuralhada denominada Madinat Al-Faray, situada às margens do Wad Al- Hayara, atual Rio Henares, e que originou o nome da cidade. Tratava-se, portanto, de uma localidade árabe defensiva pertencente ao Califato de Córdoba. Desta época, podemos conhecer as ruínas do antigo Alcázar Real. Seus restos mais antigos sao do séc. IX, e foi utilizado pelo califa Abd Al Rahman III como base militar para diversas batalhas contra os reinos cristaos do norte do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADestruído durante a Guerra Civil, o Alcázar encontra-se atualmente fechado, pois nele estao sendo realizadas escavaçoes arqueológicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1085, Guadalajara foi incorporada ao Reino de Castilla, graças ao processo expansionista do rei Alfonso VI e a conquista da cidade de Toledo. O primeiro foro concedido à cidade foi estabelecido por Alfonso VII em 1133. A partir de entao, recebeu inúmeros privilégios reais, recebendo o título de cidade por Enrique IV em 1460. No século anterior, foi construída a muralha que cercava a cidade, e desta construçao medieval conservam-se algumas das portas de acesso e torres que integravam o sistema defensivo. Possuía 5 portas, cada qual com sua torre, que a protegia. As pontes também estavam protegidas, como vemos no Torreón e Ponte de Alamín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, atualmente na torre podemos ver uma exposiçao permanente sobre a época medieval de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das torres existentes é a de Alvar Fáñez, de planta pentagonal e levantada no começo do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte da muralha foi destruída  devido às reformas e ampliaçoes urbanas efetuadas no séc. XIX. A seguir vemos a Porta de Bejanque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fisionomia urbana do centro histórico de Guadalajara é típica de uma cidade de origem árabe, com ruas estreitas e pequenas praças. Um aspecto fundamental em sua evoluçao histórica foi a consolidaçao da Casa do Infantado, tranformando Guadalajara numa cidade senhorial, com uma grande quantidade de casas brazonadas, capelas e conventos. De fato, um dos seus monumentos mais conhecidos é o Palácio do Infantado, maravilhosa construçao do séc. XV que sedia o Museu Provincial, que veremos no próximo post.

As Igrejas Mais Antigas de Madrid

Com o fim das guerras entre muçulmanos e árabes pelo controle de Madrid, a cidade começou a regularizar seu funcionamento urbano. Um fator primordial para que isso pudesse ocorrer foi o Foro da Vila, concedido pelo rei Alfonso VIII em 1202 (o foro é a carta de uma vila, pueblo ou cidade, na qual são regidos o conjunto de leis, normas e privilégios que ostentam). Nesta época, a cidade pouco tinha crescido, desde sua reconquista. Por isso, um dos meios utilizados para seu repovoamento foi a fundação de conventos e monastérios, situados fora do conjunto de muralhas. O primeiro deles foi o Monastério de San Martin, criado como um priorato dependente do influente Monastério de Santo Domingo de Silos. Inicialmente, sua vida transcorreu de forma independente da vila de Madrid, e seu abade detinha a jurisdição civil, criminal e eclesiástica sobre os habitantes e as terras que pertenciam ao monastério. O primeiro documento que o menciona data de 1126, quando o então rei Alfonso VII concede ao priorato o direito de repovoar o arrabal (bairro) de San Martin. Somente no séc. XV o monastério foi integrado ao Conselho de Madrid, convertendo-se numa das paróquias da cidade. Tanto a igreja, quanto o convento, desapareceram completamente com a eclosão da Guerra da Independência, entre o exército espanhol e as tropas de Napoleão no início do séc. XIX. Abaixo, vemos um gravado com o monastério situado no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo monastério construído em Madrid foi o de São Francisco que, segundo a tradição, foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis em 1217. No séc. XVIII, foi derrubado para a edificação da Basílica de São Francisco El Grande (matéria publicada em 12 e 13/2/2013), cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém desaparecido, o Monastério de Santo Domingo foi o terceiro em ser construído. Além destas instituições religiosas, no Foro de Madrid se menciona a existência de 10 paróquias, algumas das quais sobreviveram até hoje, embora com um aspecto diferente do original. Uma delas é a Paróquia de San Andrés (post de 23/4/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, acredita-se que o templo pôde ter sido edificado sobre uma primitiva igreja católica da Madrid árabe. Este templo adquiriu importância, porque nele encontrou sepulcro o padroeiro da cidade, San Isidro. A igreja foi muito danificada pelos destroços produzidos durante a Guerra Civil Espanhola, e teve que ser praticamente reconstruída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma dos templos mais antigos de Madrid foi a Igreja de San Juan Bautista, situada na atual Praça de Ramales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, foi derrubada por José I (irmão de Napoleão) entre 1810 e 1811 para a ampliação da praça onde se situava, deixando uma via livre de comunicação entre o Palácio Real e a Porta do Sol. Na foto acima, observamos uns bancos feitos de granito que à primeira vista não parecem outra coisa. Na realidade, os bancos simulam o formato que possuía a antiga igreja e sua exata localização. No subsolo da praça, foram encontrados os restos arqueológicos da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja aparecia no foro de 1202, e um dos aspectos mais interessantes de sua história é que nela foi sepultado o pintor Diego Velázquez, cujos restos se perderam quando a igreja foi derrubada.

Logroño – Segunda Parte

No aspecto religioso, a cidade de Logroño possui várias igrejas de interesse histórico e artístico, a começar por sua catedral, que devido à sua importância, falaremos num post à parte. No entanto, a mais antiga conservada na capital da Rioja é a Igreja de San Bartolomé, edificada nos séculos XII e XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo conserva em parte o estilo românico, principalmente na cabeçeira e na parte inferior da torre. Porém, seu destaque maior é a portada, composta pelo melhor conjunto de escultura gótica de toda a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior caracteriza-se pela sobriedade e ausência decorativa. A igreja foi catalogada como Monumento Nacional em 1866.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, a Igreja de Santa Maria de Palacio recebeu este nome graças a doaçao que realizou o rei Alfonso VII de seu palácio, para que nele se fundasse o primeiro templo da Ordem do Santo Sepulcro no entao Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀ primeira vista chama a atençao sua bela torre octogonal, construída no período gótico, e conhecida pelo nome de “La Aguja” (a agulha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade está repleta de belos edifícios, que adornam ainda mais a paisagem urbana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogroño é conhecida em toda a Espanha por sua rica e variada gastronomia. Seu produto por excelência é o renomado Vinho Rioja, que também comentaremos numa publicaçao exclusiva. Outro elemento de referência sao suas tapas e pintxos (como sao conhecidas as tapas servidas no palito, principalmente no norte do país). Neste aspecto, um local de visita obrigatória é a Calle del Laurel, com uma grande quantidade de bares e restaurantes.

DSC07561OLYMPUS DIGITAL CAMERADe noite a rua fica lotada de pessoas, que nela se dirigem para provar sua enorme variedade de verdadeiras delícias…

DSC07556A oferta gastronômica é tal que anualmente se realizam um concurso de tapas entre a infinidade de bares existentes.

DSC07565Em 2012, Logrono foi designada como a Capital Espanhola da Gastronomia. A data festiva mais importante do calendário da cidade é o 11 de Junho, quando se celebram as festas de San Bernabé. Nesta data, se comemora a vitória e a resistência da cidade diante das tropas francesas de Francisco I, que a sitiaram em 1521. Sao repartidos entre a populaçao peixe, pao e vinho, os alimentos consumidos durante a invasao.

As Muralhas de Madrid

Como toda cidade européia de origem medieval, Madrid estava cercada por um recinto de muralhas. Na verdade, nao apenas por uma delas, e sim por várias, ao longo de sua história. No post publicado em 27/02/2013, referente às “Portas Monumentais de Madrid”, comentamos um pouco a respeito delas. Vimos que Madrid já possuía um sistema defensivo em sua época fundacional, entao sob ocupaçao árabe, no séc. IX, quando se chamava Mayrit. Durante o período cristao, foi construída uma nova muralha, no séc. XII, sobre a primitiva base da muralha árabe. Já no séc. XV, para conter a peste que assolou a cidade, foi erguida a denominada Cerca del Arrabal, e nos séculos subsequentes, os reis Felipe II e Felipe IV ordenaram construir novas cercas ao redor da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos uma maquete que reproduz a primitiva muralha árabe, no núcleo central, e as ampliaçoes realizadas pelos reis cristaos. Poucos sao os restos das muralhas sobreviventes que se podem contemplar atualmente pela cidade, a maioria em um estado degradado, e sem soluçao de continuidade. No entanto, existem partes das muralhas que se podem ver nos locais mais curiosos possíveis. Por exemplo, durante a remodelaçao da Praça do Oriente, no final do séc. XX, foram descobertas as ruínas de uma atalaia árabe, do séc. IX. Denominada de Torre dos Ossos, por sua proximidade com um antigo cemitério islâmico chamado de Huesa del Raf, pode ser contemplada no subsolo do estacionamento existente na mencionada praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre possuía uma funçao de vigilância, e com a conquista de Madrid por Alfonso VI de Castilla em 1083, foi incorporada à muralha crista, que os castelhanos levantaram como uma ampliaçao da primeira construçao defensiva árabe, já durante o reinado de Alfonso VII, no séc. XII. Esta muralha tinha um perímetro tres vezes maior que a muralha árabe, estando composta por 4 portas de acesso, uma das quais denominada Porta Cerrada, cuja placa comemorativa vemos abaixo, situada em sua localizaçao original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à Porta Cerrada, na Calle de los Mancebos, se conserva uma parte bastante deteriorada da muralha crista, protegida por um portao de ferro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Praça de Isabel II, no subsolo de uma rede de restaurantes, vemos outra parte da antiga muralha crista, curiosamente situada ao lado dos banheiros do estabelecimento comercial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Bairro da Latina, uma das zonas mais antigas da cidade, fazia parte da linha defensiva da muralha crista, e nele encontramos alguns restos. Na conhecida Calle da Cava Baja, uma das principais no que se refere à oferta gastronômica da cidade, estao preservadas um conjunto de 12m da muralha, protegida por um solo de cristal que atualmente serve como uma bodega de vinhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local é um restaurante histórico do bairro, chamado de Posada León de Oro, e nao deixa de ser peculiar fazer uma refeiçao sob os restos de uma muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado, outro restaurante, denominado Posada del Dragón, também conserva ruínas da muralha, em condiçoes similares. Convém relembrar que as posadas (em português, pousadas), acolhiam os antigos mercadeiros que chegavam a Madrid para vender seus produtos no mercado, durante a Idade Média (ver post sobre o bairro, publicado em 18/04/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Igreja de San Andrés, situa-se a Praça dos Carros, onde antigamente se alugavam carroças para o transporte de pessoas e mercadorias. Nela, localiza-se o bar Aroca Siglo XI, que conserva uma parte da muralha de 6.40m de extensao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem na cidade outros locais onde se conservam restos das muralhas. No entanto, sao edifícios residenciais privados, nao estando abertos à visitaçao pública.