Explorando a Universidade de Salamanca: Parte 3

No final do século XVI chegavam à Universidade de Salamanca 6500 alunos novos cada ano, cifra que demonstra o prestígio que a instituição alcançou nesta época. No século XVII o caráter humanista foi abandonado, produzindo-se uma relativa decadência, pois os filhos da nobreza começaram a dominar os Colégios Maiores, menosprezando sua função original de ensino aos jovens, independente de sua condição social. Neste período estudou na Universidade de Salamanca um dos maiores expoentes literários do Século de Ouro Espanhol, o poeta e dramaturgo Luis de Góngora (1561/1627), que chamou a atenção por seu talento poético. A cidade de Salamanca homenageou a Góngora com um monumento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVII, 65% dos salários da universidade estavam destinados aos professores de direito e teologia. As disciplinas piores remuneradas eram Matemática, Astrología e Música. No século XVIII, a Universidade de Salamanca transformou-se num dos principais focos da Ilustração Espanhola, momento em que desenvolveram-se as ciências científicas, além das letras clássicas. Muitos dos intelectuais da universidade desempenharam um papel preponderante na elaboração da Constituição de 1812, a primeira em ser promulgada em Espanha e uma das mais liberais da época, além de incentivar o pensamento progressista. Abaixo, vemos o Palácio de Anaya, um dos poucos edifícios neoclássicos da cidade, que se destaca por seu belo pórtico com 4 grandes colunas rematadas por uma estrutura triangular (em espanhol, frontón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício começou a construir-se em 1760, substituindo o Colégio Maior de San Bartolomé, cuja estrutura foi severamente prejudicada pelo Terremoto de Lisboa de 1755. Atualmente é a sede da Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XIX, a universidade adotou um planejamento centrado mais nas disciplinas naturais e sociais, em detrimento do direito canônico e da teologia. Durante a Invasão Francesa, muitos edifícios universitários foram destruídos. Em 1852, perde sua condição de Instituição Pontifícia, suprimindo as disciplinas de direito canônico e teologia pelos governos liberais da época. Em 1940, o Papa Pio XII cria a Universidade Pontifícia, uma universidade católica de caráter privado, com a finalidade de restaurar estas disciplinas na cidade em outro edifício e dar prosseguimento às antigas carreiras eclesiásticas, que tiveram um grande papel nos séculos XVI e XVII. Como sede, foi escolhido o Real Colégio do Espírito Santo, mais conhecido como La Clerecía. Historicamente pertencente aos jesuítas, o edifício foi construído no estilo barroco entre os séculos XVII e XVIII pelo arquiteto Juan Gómez de Mora. Atualmente conta também com cursos nas áreas filosóficas, Ciências Políticas, Psicologia, Enfermagem, Informática etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o prestígio da Universidade de Salamanca se recupera. O escritor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864/1936) foi reitor da instituição três vezes, a primeira com apenas 36 anos. Considerado um dos maiores expoentes da chamada Geração de 98, em sua obra cultivou uma grande variedade de gêneros literários, entre ensaios, teatro, novela e poesia. Abaixo, vemos um monumento em sua homenagem erguido no Centro Histórico de Salamanca, realizado pelo escultor Pablo Serrano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém é possível visitar a Casa de Unamuno, onde viveu o escritor, um dos edifícios utilizados como museu pela Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1955 e 1970, a Universidade de Salamanca aumentou seu prestígio internacional, somente equiparado na Espanha pelas Universidades de Madrid e Barcelona. Abaixo, vemos o Colégio Maior Fray Luís de León, criado em 1954 para proporcionar alojamentos e estadias curtas para alunos e professores, além de fomentar atividades formativas e de orientação profissional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Universidade de Salamanca conta com 16 faculdades nas áreas de exatas, humanas e biológicas, além de vários centros de investigação. É considerada a melhor universidade pública espanhola em relação ao corpo docente e grande referência mundial no ensino do idioma espanhol, concentrando 80% da oferta existente na Comunidade de Castilla y León para seu aprendizado. Finalizamos a matéria com uma foto da Faculdade de Tradução e Documentação

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Museu Nacional do Teatro – Almagro

A fundamental relação de Almagro com o teatro vai mais além de seu famoso Corral de Comédias, pois num dos extremos laterais de sua Plaza Mayor situa-se outro local de visita indispensável, o Museu Nacional do Teatro. Está sediado no Palácio Maestrales, construído a mediados do século XIII como residência dos membros mais importantes da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, o palácio passou a ser a residência do governador de Almagro e no século XVIII converteu-se num quartel de cavalaria. Em 1802, uma parte do palácio acolheu um novo convento da Ordem de Calatrava, mas com a Desamortizaçao de Mendizábal (1836), o edifício passou a ser propriedade de particulares. De seu aspecto original conserva a robusta torre em uma de suas esquinas (foto acima) e um belo pátio central arqueado, formado por arcos de ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1994 e 2001, o edifício foi reabilitado para acolher o museu, considerado um dos poucos Museus Nacionais situados fora de Madrid. Ocupa três andares, sendo o único museu dedicado exclusivamente à história do teatro no país. Está administrado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas e da Música, um organismo dependente do Ministério de Educação, Cultura e Deporte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASuas salas nos mostram uma interessante trajetória histórica do Teatro Espanhol, desde seus inícios em época romana, até o século XX, passando por seus maiores dramaturgos, atores e atrizes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Nacional de Teatro de Almagro possui um acervo de mais de 12 mil obras, entre desenhos, gravados, quadros, maquetes e esculturas. Abaixo, vemos um retrato do grande poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898/1936), realizado pelo pintor valenciano Alejandro Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande atriz María Guerrero (1867/1928) aparece retratada pelo pintor Anselmo Miguel Nieto (1881/1964) num quadro realizado em 1914.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos um gravado realizado por Salvador Dalí (1904/1989) para a peça “Don Juan Tenorio“, sendo responsável por sua decoração e vestuário. A peça estreou em 1949 no Teatro María Guerrero de Madrid, sendo considerada uma das melhores adaptações do clássico de José Zorrilla (1817/1893), publicada por primeira vez em 1844.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com inúmeras e formidáveis maquetes que retratam a história do teatro na Espanha. Abaixo, vemos uma delas, em que aparece o Parque do Retiro de Madrid, quando a partir do século XVII foi utilizado como cenário de representação teatral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola (XVII) está muito bem documentado no museu. Seus grandes dramaturgos realizaram obras eminentementes populares. Neste prolífico período cultural, todas as manifestações teatrais erm conhecidas como comédias, independente se a obra representada era um drama ou tragédia. A exceção constituíam os denominados Autos Sacramentais. A seguir, vemos um deles, realizado por Calderón de La Barca, um dos maiores expoentes do Teatro Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo campo escultural, o museu conta com vários bustos, entre os quais o de Fray Gabriel Téllez (1579/1648), mais conhecido por seu pseudônimo, Tirso de Molina, considerado um dos grandes dramaturgos do Barroco Espanhol. O busto foi realizado pelo escultor Lorenzo Coullaut Valera (1876/1932).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos escultores espanhóis que mais admiro, o valenciano Mariano Benlliure (1862/1947), realizou esta bela obra em que retrata a bailarina sevilhana Pastora Rojas Monje (1889/1979), uma das figuras mais representativas da história do flamenco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários trajes também podem ser vistos, como o que vemos abaixo, utilizado pela atriz Cristina Higueras, nascida em 1961, para a representaçao da peça “Doña Rosita la Soltera“, de Federico García Lorca, em 1980.

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Corral de Comédias de Almagro

Em plena Plaza Mayor de Almagro situa-se outro grande atrativo da cidade, o Corral de Comédias, famoso em todo o mundo por conservar o espaço teatral típico existente no século XVII, que foi o precursor dos teatros que conhecemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste é um dos poucos exemplares deste tipo de construção que se conservam na Espanha e, sem dúvida nenhuma, o mais famoso. É o único que permanece ativo tal como eram há 4 séculos, ainda que seu aspecto é um pouco distinto à construção original, pois foi destinado a outros usos ao longo de sua dilatada história. Os denominados Corrales de Comédias surgiram no século XVI e se difundiram a partir do século XVII por todo o país, coincidindo com o período conhecido como Século de Ouro da Cultura Espanhola (siglo de oro, em espanhol), momento em que o teatro constitui o grande alicerce cultural da população daquela época. Nomes como Tirso de Molina, Calderón de la Barca e Lope de Vega, entre muitos outros, consagraram o Teatro Espanhol em toda a Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Corrales de Comédias surgiram devido ao auge das representações teatrais e da grande quantidade de público que assistiam às obras, obrigando as prefeituras municipais a construírem espaços específicos para sua realização. O Corral de Comédias de Almagro deve sua construção ao presbítero da antiga Igreja de San Bartolomé, infelizmente derrubada, Leonardo de Oviedo. Em 1628, obteve a permissão da prefeitura da cidade para edificar um corral no pátio de um local já existente, uma espécie de restaurante-pousada chamado Mesón del Toro. Para sua construção, investiu uma verdadeira fortuna para a época, mais de 5 mil ducados. No ano seguinte, realizou-se a primeira peça no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA própria Plaza Mayor serviu de modelo construtivo, com uma estrutura de madeira formada por corredores em suas partes inferior e superior. O impulso definitivo para sua proliferação se deve às hermandades religiosas existentes na época, que cuidavam dos hospitais, e que começaram a organizar representações teatrais para arrecadar dinheiro. Um dos requisitos de sua construção foi que todas as representaçoes deveriam ser realizadas neste corral, sendo que os espectadores deveriam pagar uma parte do ingresso para o Hospital de los Hermanos de San Juan, que se encarregou de construir a metade dos bancos que seriam usados pelos espectadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, se pagavam três entradas, uma para ver a peça, outra para a instituição beneficente e a última para sentar. O dinheiro arrecadado pela venda de ingressos era dividido pela prefeitura, as companhias de teatro e o proprietário do local. O Corral de Comédias de Almagro está sustentado nas três partes que rodeiam o cenário por 54 pilastras feitas de madeira. As inferiores foram montadas sobre uma tosca base de pedra, para protegê-las contra a humidade do solo. Os aposentos laterais estavam formados por estrados que eram ocupados por comerciantes, militares e pessoas de uma condição social mais elevada que os demais espectadores. Também eram alugados para as famílias nobres por um período determinado de tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Dispunham de um acesso independente para manter o anonimato dos seus ocupantes, pois uma estrutura permitia que pudessem ver as obras sem serem vistos. As denominadas Cazuelas constituíam os locais destinados para as mulheres. Estavam situadas em frente ao cenário, no primeiro nível da construção, também com acesso independente. Nos aposentos privados, no entanto, homens e mulheres  permaneciam juntos, e são considerados os antecedentes dos atuais palcos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior do Corral, acima das cazuelas, eram ocupadas pelas autoridades civis e religiosas. Debaixo do cenário, oposto à entrada, encontrava-se o fosso, onde situava-se a companhia  teatral e que possibilitava uma excelente acústica, devido a caixa de ressonância que formava. Às crianças estavam proibida a entrada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA venda de bebidas alcólicas estava igualmente proibida, mas era servida uma bebida chamada Aloja, que misturava água, mel, canela e outras especiarias. Ás vezes, se colocava um pouco de vinho, para o deleite dos espectadores. Também estava proibido fumar, devido ao risco de incêndios. As peças duravam entre 4 e 6 horas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs condições higiênicas deixavam muito a desejar, pois não havia banheiros. As frequentes desordens, o risco de incêndio e a falta de higiene fizeram com que no denominado período da ilustração (século XVIII) se proibisse as obras teatrais nos corrales. O Corral de Comédias de Almagro transformou-se novamente numa pousada, onde se hospedavam os mercadeiros que visitavam a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o Corral de Almagro esteve a ponto de ser derrubado. Felizmente, foi declarado Monumento Histórico-Artístico e foi reabilitado, sendo reinaugurado em 1954. Atualmente é um referente mundial do Teatro Clássico, com uma ampla programação cultural.

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Um Passeio por Olmedo

Além de seu importante patrimônio mudéjar, Olmedo é conhecida também devido a uma obra de Lope de Vega (1562/1635) intitulada “El Caballero de Olmedo“, escrita em 1620 pelo autor madrilenho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta novela do escritor, referência fundamental da Literatura Espanhola, foi inspirada numa canção popular e fala sobre o amor e a morte. Lope de Vega não chegou a ver a novela publicada, pois somente foi impressa depois de seu falecimento, em 1641. Em frente à estátua do cavalheiro que vemos acima, se encontra um museu dedicado não só a novela, como também ao teatro espanhol inserido dentro do chamado Século de Ouro (XVII), quando a cultura espanhola atingiu suas cotas mais elevadas em todos os campos  artísticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComposto por 7 salas, a visita ao museu constitui uma viagem no tempo, somente possível através de técnicas avançadas de escenografia. O museu está sediado num palácio que pertenceu a Jerónimo de Alderete y Mercado, que nele nasceu em 1516. Foi governador do Chile, explorador e conquistador, participando da conquista do Peru, Venezuela e do próprio Chile. Em 1552, fundou a cidade de Villarica. Faleceu no Panamá em 1556. Um busto situado em frente ao palácio rende homenagem a ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm minha visita à Olmedo, me hospedei numa casa histórica de 1517, reconvertida em uma pousada, chamada “La Mesnada“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO imóvel foi restaurado em várias ocasiões, sendo a última realizada pelo atual proprietário. Várias inscriçoes sobre sua história foram colocadas nos muros da residência. Em uma delas, vemos as variadas nacionalidades dos trabalhadores que realizaram a última reforma…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm meus passeios pela cidade, descobri uma antiga lavanderia construída em 1929, um exemplo da arquitetura popular da cidade e um dos poucos conservados de toda a Província de Valladolid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Para aqueles (as) que preferem relaxar, Olmedo é um lugar ideal, graças ao excelente balneário que encontramos na cidade, instalado no antigo Convento de Sancti Spiritus, fundado no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO balneário integra a rede Castilla Termal Hoteles, estando aberto tanto para hóspedes, quanto ao público em geral. Em suas belíssimas salas decoradas segundo a estética árabe e mudéjar (uma pena que as fotos não estavam permitidas) os clientes podem optar por Spa, piscinas, tratamentos estéticos e relaxantes.

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Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Personagens de Ronda

Ronda é uma cidade que preserva a memória de seus filhos célebres. Prova disso sao os vários monumentos que homenageiam os personagens mais conhecidos de sua história. Artistas, políticos de destaque e, claro, suas famosas dinastias de toureiros sao congratuladas com estátuas, museus e monumentos. No post de hoje, conheceremos alguns deles. No campo artístico, destaca Joaquín Peinado (1898/1975), pintor cubista, um dos maiores expoentes da denominada Escola Espanhola de Paris. Na cidade, existe um museu a ele dedicado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVicente Espinel (1550/1624) foi um artista polifacético e sua importância abrangeu várias áreas. Como músico, foi o responsável por incorporar a denominada quinta corda, chamada “Prima”, à guitarra espanhola. Como poeta, foi o criador da décima octosilábica, composiçao poética que ficou conhecida como a “Espinela”. Finalmente, como escritor, foi o autor de uma das obras mais importantes da Literatura Espanhola do Século de Ouro, a novela intitulada “El Escudero Marcos de Obregón”. Numa das belas praças da cidade, vemos uma escultura em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAna Amaya Molina, conhecida como Amaya, “La Gitana” (em português, “A Cigana”), foi uma grade cantora e bailarina, tia avó da famosa artista Carmen Amaya. Cantou e tocou a guitarra por todo o país, sendo querida e respeitada por todos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de nao ter nascido em Ronda, o político e intelectual Blas Infante é um personagem amado por toda a Comunidade de Andaluzia, pois foi reconhecido pelo Congresso de Deputados e o Parlamento Andaluz como o “Pai da Pátria Andaluza”. A cidade lhe rendeu uma homenagem com a criaçao de um parque com seu nome.OLYMPUS DIGITAL CAMERA Considerado o mentor intelectual do Andaluzismo Político, Blas Infante desenhou, inclusive, o escudo da comunidade, que pode ser visto na Praça do Socorro de Ronda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vimos nos posts dedicados à Praça de Touros de Ronda, as dinastas de toureiros da cidade fizeram história, e sao consideradas das mais importantes de todo o país. Em muitos lugares da cidade, vemos estátuas que recordam suas façanhas e habilidades. Antonio Ordoñez, por exemplo, nasceu na cidade em 1932. As chamadas Corridas Goyescas, celebradas por primeira vez em 1954, como data festiva do bicentenário de nascimento do grande toureiro Pedro Romero, adquiriram importância a partir de 1972, com as apresentaçoes de Antonio Ordoñez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo curiosidade, o genial diretor de cinema Orson Welles era um grande admirador e amigo do toureiro, e antes de falecer, manifestou o desejo de que suas cinzas fossem enterradas na fazenda do toureiro, algo que afinal se cumpriu. No Paseo de Blas Infante, acima mencionado, vemos espalhadas pelo chao curiosas placas, uma das quais recorda Antonio Ordoñez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Outro grande toureiro da dinastia foi Cayetano Ordoñez (1904/1961), conhecido como “Niño de La Palma”, pois seu pai era proprietário de uma sapataria com o nome de La Palma. Ele também foi homenageado com uma estátua e placa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com Pedro Romero, considerado o matador mais célebre da história. Segundo sua própria confissao, matou mais de 5 mil touros ao longo de sua trajetória, e nunca foi parar na enfermaria…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeto de Francisco Romero, considerado o fundador da primeira escola de toureiro à pé, Pedro nasceu em 1754, e até 1799 empolgou as multidoes com seu estilo de torear, que se tornou clássico. Franciso de Goya o imortalizou num quadro, e Ronda também, nos vários monumentos a ele dedicado que vemos pelo centro da cidade.

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Museu da Real Academia de San Fernando – Pintura Religiosa

O denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola desenvolveu-se principalmente durante a época do barroco, estilo predominante da Contrareforma (séc. XVII). O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid possui uma excelente coleçao de seus principais nomes, cuja temática religiosa foi um dos pilares de sua criaçao artística. Hoje conheceremos alguns deles, através de algumas obras expostas no museu. Iniciamos, porém, com um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol, Juan de Juanes (1510/1579). Em sua obra, notamos a influência da pintura italiana, dedicando-se sobretudo à iconografia religiosa. Abaixo, vemos o quadro que realizou da Sagrada Família.

DSC08563Também ao séc. XVI pertence o pintor Luis de Morales (Badajoz- 1515/1586). Em sua obra, sao abundantes as cenas da Paixao de Cristo. Foi apelidado de “El Divino” pela intensidade e força expressiva de sua temática religiosa, fruto de sua profunda fé. Abaixo, vemos a “Piedade”, pintada em 1570.

DSC08560O tema da Piedade se renova na obra de Morales devido à sua intensidade. Em vida, alcançou grande fama, e seu principal protetor foi o Bispo de Badajoz, Juan de Ribera. No mesmo ano (1570), realizou o quadro intitulado “Cristo ante Pilatos”. Este episódio também se denomina Ecce Homo (Eis aqui o Homem), palavras ditas por Pilatos, segundo a Paixao de Sao Joao. O fundo negro da cena elimina toda a referência espacial e o olhar do espectador se concentra sobre as três figuras de meio corpo da cena. Cristo aparece no meio de dois personagens de cruel sarcasmo. O da esquerda possui traços caricaturescos, enquanto o outro, pela vestimenta, representa a Pilatos.

DSC08562Um dos pintores mais representativos da Contrareforma, Francisco de Zurbarán (1598/1664) destacou-se na pintura religiosa, na qual sua arte revela uma grande força visual e um profundo misticismo. Amigo de Velázquez, tornou-se famoso graças aos quadros encarregados para conventos e monastérios. É conhecido como o “Pintor dos Monjes”, tema em que foi um mestre indiscutível. Um exemplo é o quadro “Frade Francisco Zumel”, um monje nascido em Palencia, e um dos membros mais conhecidos da Ordem da Merced.

DSC08554Em 1639, Zurbarán realiza a obra “Agnus Dei”. O cordeiro, que aparece com as patas presas, se converte no símbolo da inocência e do próprio Cristo, cujo sacrifício significou o triunfo sobre a vida e a morte.

DSC08556O tema da Crucificaçao foi retratado por muitos artistas do barroco, entre os quais Alonso Cano (Granada-1601/1667). A seguir, vemos “Cristo na Cruz”, proscedente do Convento de San Martín de Madrid, inegável obra prima pela perfeiçao do desenho e o sentimento de solidao e morte que consegue expressar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um excepcional artista, destacando-se tanto na pintura, quanto na escultura e arquitetura. Realizou diversas obras para os conventos e igrejas de Madrid. Abaixo, contemplamos o quadro “Cristo recolhendo suas roupas”, um tema que aparece na Itália no séc. XVI. O pintor retrata o momento que segue à flagelaçao de Cristo, narrado no Evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera (Xátiva, Prov. Valencia-1591/Nápoles-1652)  desenvolveu sua carreira artística em Nápoles, fato que contribuiu para que fosse conhecido como “El spagnoletto”. Foi um dos principais artistas que colaboraram na formaçao da Escola Napolitana de Pintura. Dele é a obra “Apariçao do Menino Jesus a Sao Antonio”, realizada em 1636. Sao Antonio de Pádua foi canonizado um ano depois de sua morte em 1232, sendo o santo mais popular da Contrareforma, superado apenas por Sao Francisco. Abaixo, vemos uma das melhores representaçoes do santo durante o período barroco, realizada por Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de José de Ribera logo foram enviadas a Espanha, influindo de maneira decisiva na técnica e nos modelos pintados por Velázquez e Murillo. Um dos artistas espanhóis mais apreciados no exterior, Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha-1618/1682) formou-se na chamada Pintura Naturalista. Com o tempo, evolucionou a formas próprias do barroco, antecipando o Rococó.  Além da Pintura Religiosa, cultivou continuamente a Pintura de Gênero. Em 1646, Murillo pintou o quadro “Sao Diego de Alcalá e os pobres”. O santo nasceu perto de Sevilha e faleceu em Alcalá de Henares. Seu corpo permaneceu incorrupto, suscitando a veneraçao popular. Murillo representa na obra tipos populares que reaparecerao em muitos outro quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XVIII, destacamos dois pintores. O primeiro deles, Zacarias González Velázquez, já mencionamos no post anterior sobre retratos. Acadêmico de San Fernando e Pintor de Câmara, alcançou o posto de Diretor de Pintura e Diretor Geral da Real Academia. Quando solicitou ser nomeado para a instituiçao, apresentou a obra “Cristo Crucificado” em 1790. O aspecto neoclássico da obra é resultado da influência do mesmo tema realizado por Antonio Raphael Mengs, mestre do estilo.

DSC08537Finalizamos o post com o pintor Mariano Salvador Maella (Valencia-1739/Madrid-1819). Este importante artista foi acusado de “Afrancesado”, por ter servido ao rei José I, irmao de Napoleao. Por este motivo, quando Fernando VII retorna ao país e assume o trono, foi apartado de suas funçoes e substituído por Vicente López. Maella é considerado o pintor das Imaculadas por excelência do último terço do séc. XVIII, como podemos comprovar a seguir.

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