Casa de las Conchas – Salamanca

Qualquer pessoa que caminhe pelo Centro Histórico de Salamanca se surpreenderá com a grande quantidade de palácios nobres existentes, que integram o patrimônio histórico da cidade declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Um dos que mais chamam a atenção do visitante é, sem dúvida nenhuma, a famosa Casa de las Conchas, assim denominada pela grande quantidade de conchas que aparecem como elemento decorador de sua fachada principal. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XV, com o final das lutas nobiliárias e a derrota definitiva dos muçulmanos com a conquista de Granada, sucedida durante o reinado dos Reis Católicos em 1492, as cidades tornam-se um espaço mais seguro. A nobreza abandona os castelos rurais e retornam ao mundo urbano, construindo palácios que se convertem no símbolo de seu poder. Neles se observan, no entanto, reminiscências das antigas fortalezas medievais, como as altas torres. Os muros, tanto exteriores, quanto interiores, se ornamentam com os brasões do proprietário, como ocorre com a Casa de las Conchas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm ano depois da descoberta do continente americano e da conquista de Granada, um alto funcionário do reino, Don Rodrigo Arias Maldonado, ordenou a construção deste original edifício, cujas obras finalizaram em 1517. Trata-se de um dos melhores exemplos da Aquitetura Gótica Civil da Espanha. No princípio, os Reis Católicos haviam ordenado a derrubada de vários palacetes nobres erguidos com torres, principalmente daquelas famílias que contestavam seu poder. Aqueles que apoiaram a monarquía foram favorecidos, como no caso de Don Rodrigo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem aproximadamente 300 conchas na fachada do palácio, e muito se especula sobre a presença deste elemento na decoração. Don Rodrigo, embaixador do rei em Paris e Lisboa, foi também catedrático na Universidade de Salamanca e membro da Ordem de Santiago, sendo que as conchas são consideradas um símbolo do Apóstolo Santiago. Sua presença demonstra o orgulho que sentia o proprietário por pertencer à ordem. Seu emblema, formado por 5 flores de lis, se combina com o de sua esposa Dona Juana, pertencente a família dos Pimentel, que também utilizava em sua heráldica as conchas como motivo principal. Sua presença na fachada seria, portanto, uma prova de amor. As conchas se destacam na fachada, junto com as janelas góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem várias lendas a respeito de tesouros ocultos que foram colocados debaixo das conchas pelos proprietários do palácio. No entanto, era comum na época colocar moedas de ouro na estrutura do edifício para atrair boa sorte. Outra lenda postula que a família escondeu umas jóias debaixo de uma das conchas, deixando documentada a quantidade escondida, mas não a concha escolhida. Aquele que tentasse desvendar o mistério e a localizaçao exata das jóias deveria aportar antecipadamente a quantidade estipulada como fiança. Se lograsse encontrar as jóias, ficaria com o tesouro descoberto e recuperaria a fiança. Do contrário, perderia a fiança…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do palácio se organiza em torno a um pátio, algo habitual nos edifícios nobres. Nele convivem vários estilos artísticos, cuja coexistência marcou o final do século XV, pois o gótico, em sua última fase, na Espanha denominado Gótico Isabelino, se mistura com o Estilo Mudéjar, tradicional no país, como podemos observar no artesanato que decora o teto do nível superior do pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes dois estilos artísticos se combinam com as novas formas renascentistas, enriquecidas por fantásticos personagens grotescos, abundantes no pátio sob o aspecto de gárgulas. Esta nova corrente importada da Itália foi trazida ao país pela nobreza e o clero, grande parte formada na Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o pátio foi decorado com o escudo dos proprietários, como vemos a seguir. Ao fundo, aparece o Ernesto, que me foi apresentado pelos meus amigos Marcelo e Cristina, e que tive o prazer de sua companhia em Ávila e Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível inferior do pátio está formado pelos denominados Arcos Mixtilíneos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível superior foi feito com mármore branco, possivelmente de Carrara. Abaixo, vemos a bela escada que conduz à parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de las Conchas também exerceu como função ser prisão da Universidade. Está situada em frente a Igreja de la Clerecía, cuja parte da fachada principal vemos desde o pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1929, a Casa de las Conchas de Salamanca foi declarada Monumento Nacional e atualmente alberga a Biblioteca Municipal, além de converter-se num espaço para exposições culturais.

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Um Passeio por Ayllón

Uma das grandes atraçoes turísticas de Ayllón constituem as visitas guiadas teatralizadas que se realizam, com personagens disfarçados que contam os principais acontecimentos históricos da vila em sua época medieval. O período de maior desenvolvimento da cidade se deu no século XV, quando Ayllón passou a ser um senhorio, concedido pelo monarca Juan II a Don Álvaro de Luna. Posteriormente, tornou-se propriedade dos Marqueses de Villena. Passeando pela cidade, descobrimos várias casas com os brasões das antigas famílias ilustres do passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Casa del Águila (águia, em português) recebeu este nome devido ao escudo decorado com o animal relacionado ao Apóstolo João.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção civil mais famosa de Ayllón é o Palácio de los Contreras, edificado por Juan de Contreras em 1497.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no Estilo Gótico Isabelino, em 1969 recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico. Sua fachada é excepcional, estando decorada com um cordão franciscano e três escudos de armas inclinados, algo pouco habitual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro edifício civil digno de menção é o Palácio do Bispo Vellosillo, construído no século XVI por Don Fernando de Vellosillo, filho ilustre da cidade que chegou a ser Bispo de Lugo. Atualmente, alberga a Biblioteca de Ayllón e o Museu de Arte Contemporâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato marcante do século XV na cidade ocorreu em 1411, quando foi assinado o Tratado de Ayllón entre Espanha e Portugal, colocando um final na crise entre ambos os países e o reconhecimento de João I de Avis como Rei de Portugal. Outro local interessante é o chamado Paseo de las Bodegas (adegas, em português), situado no cerro que domina a cidade. Infelizmente, não encontrei nenhuma informação histórica sobre elas, mas existem várias, cuja característica principal é que foram escavadas na rocha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO patrimônio religioso de Ayllón é riquíssimo, dada as reduzidas dimensões do povoado. Algumas das construções religiosas mais importantes perderam sua função original, caso do Convento de la Purísima Concepción, fundado em 1528 pelos Marqueses de Villena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste convento franciscano era proprietário de uma grande lote de terra, mas em 2007 foi adquirido por uma empresa hoteleira. Na fachada de acesso à igreja vemos uma escultura da Virgem Maria e o escudo dos Marqueses de Villena.

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Igrejas de Jaén

Jaén possui belas igrejas por seu centro histórico, e sua visita é recomendável numa viagem à cidade andaluza. A Igreja de la Magdalena, por exemplo, siua-se na praça homônima, a mais antiga da cidade. Já durante a época árabe, o local era o coraçao religioso e administrativo de Jaén. Depois de reconquistada pelos cristaos, a praça tornou-se a principal, nela instalando-se a Casa Consistorial e a Paróquia de la Magdalena, entre os séculos XV e XVI.

DSC00134 O templo foi erguido sobre uma mesquita do séc. XI, cujo minarete e pátio desta época se conservam anexos à igreja. Por isso mesmo, possui uma peculiar disposiçao, cujas reminiscências vemos no pátio mencionado.

DSC00125DSC00129Do pátio, existe uma belíssima vista do Castelo de Santa Catalina, que vimos no post anterior.

DSC00126A torre da igreja está relacionada com o antigo minarete da mesquita…

DSC00116Está documentada a participaçao do grande arquiteto Andrés de Vandelvira em sua construçao, responsável por tantas obras pela Província de Jaén. Na fachada da igreja, realizada no estilo gótico-isabelino, vemos o relevo de Madalena, bastante deteriorado com o passar dos séculos e um escudo do Cardeal Merino.

DSC00117Atualmente, a igreja pertence à Confraria do Cristo de la Clemencia, e algumas imagens do interior sao usadas nas procissoes na Semana Santa.

DSC00131DSC00136Outro templo religioso de interesse é o Real Convento de Santo Domingo, construído no séc. XVI. Foi edificado sobre um anigo palácio árabe, cedido depois à Ordem Dominicana.

DSC00141A fachada, que vemos acima, foi realizada em 1582. Depois, o convento tornou-se uma universidade e, em 1847, num hospício. Possui um magnífico pátio a modo de claustro de dois níveis e planta quadrada.

DSC00145DSC00146DSC00147A igreja do convento foi fechada ao culto e hoje em dia o espaço é  a sede do riquíssimo Arquivo Histórico da Província de Jaén.

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Palácio de Jabalquinto – Baeza

Baeza conserva dentro de seu centro histórico inúmeros palácios que pertenceram à nobreza, alguns dos quais podemos visitar, pois foram transformados em sede de instituiçoes públicas, comerciais ou culturais. No post de hoje conheceremos alguns deles. O Palácio de Sánchez Valenzuela, por exemplo, foi construído no final do séc. XV para Lope Sánchez de Valenzuela, cavalheiro da Ordem de Santiago e governador das Ilhas Canárias. Sua fachada impressiona por seu aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio dos Salcedo, construído para esta família no séc. XVI, é um exemplo do estilo de transiçao do gótico para o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco tempo atrás, o palácio foi transformado num hotel, como podemos observar no grande pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais belo de todos os palácios que conheci em Baeza foi o Palácio de Jabalquinto, de finais do séc. XV, e edificado como residência para Juan Alfonso de Benavides Manrique, primo do rei Fernando Católico e Senhor de Jabalquinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado uma verdadeira jóia do Estilo Gótico-Isabelino (também conhecido como Estilo Reis Católicos), sua maravilhosa fachada foi construída pelo arquiteto Juan Guas, o arquiteto predileto dos Reis Católicos ou entao por Enrique Egas, que construiu a Catedral de Granada. Uma das características principais deste estilo é a exuberância decorativa, como podemos ver nesta magnífica construçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do palácio possui um belo pátio, construído quase um século depois da fachada, inserindo-se dentro da estética renascentista (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComposto por dois níveis, alcançamos o nível superior através de uma espetacular escada barroca, profusamente decorada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe decorativo dos muros da escada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente restaurado, atualmente o Palácio de Jabalquinto pertence à Universidade Internacional de Andalucía, como uma ampliaçao do antigo Seminário Conciliar que vimos há poucos dias, que foi transformado em sua sede. O Palácio possui também um agradável jardim, onde os estudantes podem tomar um café e conversar depois das aulas.

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Catedral de Málaga

Santa Igreja Catedral Basílica da Encarnaçao. Este é o nome do principal templo católico da cidade de Málaga, sua Catedral. Abaixo, vemos uma imagem geral da igreja, com a Alcazaba em primeiro plano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada em frente à Praça do Bispo, a Catedral de Málaga é considerada  um dos monumentos renascentistas mais valiosos da Comunidade de Andaluzia.

DSC09513Em sua construçao, participaram os grandes mestres do Renascimento Andaluz, como Andrés de Vandelvira, Hernán Ruiz II, Diego de Vergara e o famoso Diego de Siloé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da Reconquista de Málaga, os Reis Católicos converteram a antiga mesquita em templo católico, passando a ser denominada Igreja Maior e posteriormente declarada Catedral, depois da restituiçao do Bispado da cidade. No entanto, em 1523 se decide pela construçao de uma nova igreja no estilo gótico. Problemas no projeto dificultaram a continuaçao das obras, que afinal foram realizadas a mediados do séc. XVI (1528), dentro do contexto da estética renascentista. Abaixo, vemos a singular Fachada de las Cadenas, composta por inusuais torres semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Málaga foi consagrada em 1588, mas o enorme templo teve várias interrupçoes ao longo dos séculos, sendo definitivamente concluída apenas no séc. XVIII. Por isso, a catedral conforma uma síntese de estlos, com predomínio dos elementos renascentistas e os barrocos complementários do séc. XVIII. A seguir, vemps a torre norte, finalizada em 1776. Com 93m de altura, está situada à esquerda da fachada principal. No alto de seu terceiro corpo, situam-se 14 sinos, 8 dos quais foram fundidos em 1784.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre sul ficou inacabada, motivo pelo qual a Catedral de Málaga é conhecida carinhosamente como “La Manquita”. A fachada principal foi edificada no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte inferior está composta por uma tripla arquería, formada por colunas de mármore avermelhada. O arco central representa a Anunciaçao, obra do escultor barroco Antonio Ramos (1743).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral possui jardins próprios, que recordam a antiga mesquita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da catedral, situa-se a Capela do Sagrário, um edifício independente mas que integra o conjunto catedralício. Sua portada foi construída em 1458 no estilo Gótico Isabelino, na base do antigo minarete da mesquita muçulmana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1855, a Catedral de Málaga foi declarada Basílica Menor pelo Papa Pio IX. A partir de 1931, lhe foi outorgado o título de Monumento Histórico-Artístico. No próximo post, conheceremos seu interior…nao percam !!!!.

Igreja de Santa Maria – Aranda del Duero

O monumento mais importante de Aranda del Duero, histórica e artisticamente falando, é a impressionante Igreja de Santa Maria “La Real”. Construída a partir de finais do séc. XV, foi finalizada aproximadamente em 1515, substituindo uma anterior edificação românica, da qual permanece somente a torre, que formava parte do sistema defensivo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA bela estrutura da torre destaca-se no traçado urbano de Aranda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA incrível fachada principal da igreja atrai os olhares de todos aqueles que a visitam. Construída pelo arquiteto Simon de Colônia, converteu-se num dos símbolos da cidade, sendo o melhor exemplo do esplendor vivido pela urbe na época de sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada está inserida dentro do estilo denominado Gótico-Isabelino, também chamado de Estilo Reis Católicos, já que a maioria das construções foram encarregadas por Fernando de Aragón e Isabel de Castilla, ou então foram patrocinados pelos monarcas. Esta corrente artística é própria do território de Castilla, representando a fase final do Gótico e o início do Renascimento. O estilo introduz vários elementos decorativos, que cumprem as funções estética e teológica, além de servir como um “veículo publicitário” do casal real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Gótico-Isabelino adquiriu influências decorativas da Arte Islâmica, do Mudéjar, dos Países Baixos e, em menor medida, da Itália. Paralelamente, desenvolveu-se em Portugal um estilo de características similares, denominado Manuelino. Como elementos evidentes, destaca o predomínio dos motivos heráldicos e a representação dos símbolos reais, no caso dos Reis Católicos, o yugo e as flechas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGeralmente, os templos são amplos, predominando a horizontalidade, em detrimento da verticalidade característica do Gótico clássico. Na fachada da igreja, observamos uma rica iconografia. A parte central está representada por cenas relativas ao Calvário de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, o escudo real está suspenso por águias e leões.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano, vemos quatro cenas esculpidas em alto-relevo, com grande maestria. Começando pela parte superior esquerda, vemos as representações do Anúncio do anjo aos pastores, a Cavalgada dos Reis Magos, a Adoração dos reis a Jesus e o Nascimento de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas que fecham os vãos formados pelo Parteluz são Renascentistas, feitas de madeira de nogal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Parteluz, vemos uma imagem da Virgem, a quem está dedicado o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das laterais, estão representados os quatro Pais da Igreja Ocidental: Santo Ambrósio, Santo Jerônimo, Santo Agostinho e Santo Gregório Magno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor todo o visto acima, a fachada é considerada como um verdadeiro Retábulo, feito de pedra. A Igreja de Santa Maria é, com razão, um dos templos góticos mais proeminentes da Província de Burgos. Abaixo, vemos os pináculos, elementos constituintes da parte superior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto do ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALamentavelmente, nos dias em que estive visitando a cidade, a igreja permaneceu fechada, e não pude conhecer seu interior. De qualquer modo, os interessados em conhecê-lo podem visualizar este interessante blog, com belas fotos e informações adicionais da igreja (em espanhol).

viajar con el arte: Santa María la Real de Aranda de Duero (Burgos)

viajarconelarte.blogspot.com/…/burgos-ii-santa-mari

Outros monumentos representativos do Gótico-Isabelino foram tratados no meu blog. São eles:

– O Colégio de San Gregório, de Valladolid (post publicado em duas etapas, em 17 e 18/9/2012).

– O Monastério de San Juan de los Reyes, de Toledo (publicado em 29/6/2012)

Museu Nacional de Escultura – Valladolid

O Museu Nacional de Escultura foi fundado a mediados do séc. XIX, resultado da desamortizaçao dos conventos espanhóis, impulsionada pelo ministro Mendizábal, que nacionalizou seus tesouros artísticos. Estes foram secularizados, entregues à tutela do estado e oferecidos ao público, sob a forma de centros culturais e museus. Um dos pioneiros foi este museu de Valladolid,  inaugurado em 1842 com o nome de Museu Provincial de Belas Artes e instalado num edifício renascentista, o Colégio de Santa Cruz.

Desde o início, definiu-se o conteúdo principal da coleção do museu à escultura religiosa em madeira policromada, desde a Idade Média ao séc. XIX. Nesta primeira fase, predominaram os artistas ativos no Reino de Castilla, entre 1500 e 1650, como Alonso Berruguete, Juan de Juni, Gregório Fernández, acompanhados de outros artistas contemporâneos, como Felipe Vigarny.

A cidade de Valladolid conquistou um importante papel na Idade Moderna, como residência intermitente da monarquia, representando um foco de novidades culturais e de atração para artistas e escritores, desde a época dos Reis Católicos até o começo do séc. XVII, quando chegou a ser capital do reino.

No séc. XX, se produz uma crescente ampliação de seu acervo, com obras provenientes de Aragón, Murcia e dos mestres andaluzes, como Pedro de Mena e Alonso Cano, conformando um conjunto mais amplo da escultura espanhola.

Se o núcleo principal da coleção permanente é representada pelas peças escultóricas, a presença da pintura  na exposição também possui um papel significativo, pois está concebida a partir da relação entre ambas artes, na medida em que a cor e as formas pictóricas se tornam fundamentais na ornamentação das obras escultóricas.

Em 1933, o museu foi elevado à categoria de Museu Nacional, e sua coleção foi levada a outro edifício histórico, nele permanecendo até os dias de hoje: o Colégio de San Gregório. Essa mudança significava  recuperar um dos grandes monumentos da cidade, um dos exemplos mais notáveis da arquitetura espanhola do séc. XV, em que trabalharam em sua execução mestres como Juan Guas, Simon de Colônia e Diego de Siloé, em diferentes etapas de sua construção.

Podemos dizer que o próprio edifício representa a “primeira obra de arte” da coleção. Seu patrocinador foi o dominicano Alonso de Burgos, bispo da diocese de Palencia e confessor dos Reis Católicos, que também mandou levantar uma capela em 1484, destinada a acolher seu sepulcro. Atualmente, este espaço representa um papel singular e privilegiado entre as dependências do museu, pois conserva quase intacta sua atmosfera original. A capela, construída por Juan Guas, estava decorada com o sepulcro de Alonso de Burgos, obra de Felipe Vigarny, e um retábulo de 1489, ambos desaparecidos durante a Guerra da Independência.

O Museu Nacional de Escultura é considerado o mais importante da península, e um dos mais destacados de todo o continente, em seu âmbito temático.

O Colégio de San Gregório edificou-se entre 1488/1496, ao redor de um pátio composto por dois níveis, unidos por uma espetacular e ornamentada escada de acesso ao piso superior. De estilo hispano-flamenco, foi construído por Juan Guas, e apresenta elementos decorativos característicos do gótico tardio, como os símbolos que enaltecem os Reis Católicos.

Abaixo, uma foto da escada que une os dois níveis.

A fachada do edifício é um verdadeiro retábulo em pedra, incluindo elementos figurativos complexos, relacionados ao papel da educação e seus benefícios. Trata-de de uma excelente amostra do estilo Gótico-Isabelino, em que se começa a introduzir características do renascimento. Está presidida pelo escudo dos Reis Católicos e observamos a presença da flor de lis, emblema de Alonso de Burgos.

Tanto o pátio quanto a fachada se tornaram célebres por sua ornamentação, elegantes proporções e por apresentar uma ostensiva simbologia de poder, que devido à sua complexidade, faz com que a explicaçao dos elementos e motivos que a compõem ofereça grande dificuldade.

O Colégio de San Gregório  tinha por finalidade proporcionar classes de teologia para frades dominicanos e adquiriu uma notável autoridade doutrinal , desempenhando um papel decisivo no aspecto espiritual e político da Espanha, em época renascentista e barroca.  Na época de sua construção, estimulava-se a construção de colégios que atuavam de maneira paralela e complementar às universidades. Sua função teológica concluiu no séc. XIX.

No próximo post, veremos algumas das obras mais representativas deste imperdível museu.